ADELE X FLORENCE: O Duelo Britânico da Boa Música

Na música pop atual existem dois tipos de “divas” – termo entre aspas, pois não existem, nos dias de hoje, salvo Diana Krall, divas do quilate de Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Etta James ou Nina Simone. As “divas pasteurizadas” são aquelas que parecem produzidas em série, todas com o maior destaque em outras áreas e a música em segundo lugar, assim como Lady Gaga, Ke$ha, Madonna, Britney Spears, Cristina Aguilera, Kate Perry, etc. cuja música é completamente descartável e sem inspiração e que não acrescenta nada de interessante a quem ouve, a não ser uma diversão momentânea. Por outro lado, existe o que gosto de de chamar de “divas artesanais” que são aquelas que se destacam pelo talento musical moldado no esforço do estudo da arte. Neste grupo estão Beth Gibbons, Amy Winehouse e sua pupila Dionne Broomfield, Norah Jones, Aimme Mann, Fiona Apple e as duas personagens da postagem de hoje: Florence Welch e Adele.
A beleza exótica de Florence Welch
Florence Welch é o que podemos definir como porta-voz de ressacas emotivas e decepções amorosas envolta por uma figura de bruxa do bem da era musical moderna. Algo como uma Sarah Brightman ou até mesmo uma Kate Bush da era Crepúsculo. Em uma banda com nove músicos, incluindo um harpista e três vocalistas de apoio, denominada Florence + The Machine, a britânica se mostra como uma heroína romântica, elegante e até certo ponto etérea e cantando sobre amores destruídos e contos mórbidos em dois belos discos lançados, Lungs e Ceremonials. Particularmente, tenho mais apreço pelo primeiro álbum, Lungs, pois nele contém a música mais linda da diva ruiva que canta a paixão como suicídio denominada A Girl With One Eye. Florence se assume influenciada por cantoras de coração partido como Billie Holiday e partindo de suas influências compôs pérolas como Kiss With A Fist, Shake It Out, What The Water Gave Me e Dog Days Are Over. A ligação com Adele se dá no segundo disco de Florence. Ceremonials é produzido por Paul Epworth recém-saído do álbum 21 de Adele.
 


Adele trouxe o maior hit do ano que passou e com certeza um dos melhores discos pop em tempos. Com uma beleza mais clássica que a figura etérea de Florence, Adele encanta com dois belos olhos grandes em um rosto alvo com traços fortes de uma mulher que usa as amarguras para formatar suas canções. Rolling In The Deep foi a música do ano, uma batida simples seguida de uma voz tão forte quanto a beleza da cantora que a entoa, nada mais é do que uma canção sobre rompimento que é um soul temperado de hip-hop e nuances de blues. Com dois álbuns lançados, 19 e 21,  o segundo traz o mega-hit supracitado que vendeu 14,5 milhões de cópias. Ela conseguiu esta proeza numa era de download ilegal sem truques, somente transformando a dor em ouro precioso. O álbum, vendeu 13 milhões de cópias com um som retrô classudo que remete aos baluartes da Motown, um bocado de Bossa Nova e até aquele piano pop da década de 70. Mas não é só isso, no fim vem aquela voz, gigante, clássica e acachapante. Basta ouvir ainda o emocionante hit Someone Like You ou Rumour Has It.
A beleza clássica de Adele
Florence e Adele são duas britânicas com vozes peculiares e que utilizam de suas tristezas e desilusões amorosas para compor belas canções e criar hits modernos. A única diferença é que no mundo da fantasia musical, Florence cantaria na noite do Walpursginach no meio  da floresta enquanto Adele estaria desfilando sua voz num baile no seu castelo. Ou seja, ambas se completam com genialidade.
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4 comentários Adicione o seu

  1. Música folclórica seria toda e qualquer música de domínio popular, ou seja aquelas que não se atribui autoria, e embora a música folclórica seja tão antiga quanto a humanidade, o estilo folk se iniciou nos anos 50 com Bob Dillan, Joan Baez, Elvis Presley, Janis Joplin entre outros, mas muitos se tornaram grandes compositores variando para outros estilos como rock e blues. De modo geral esses artistas ficaram conhecidos por seu impacto na política e na cultura de sua época.

    Chamo aqui a Florence de “antifolk” por que o NeoFolk é caracterizado por buscar as raízes da música folclórica (por vezes mistura instrumentos modernos e eletrônicos), porém em músicas de autoria, com o uso de instrumentos rudimentares, letras sobre mitos e lendas de povos antigos, estrutura de melodia e harmonia de músicas tradicionais de regiões diversas do planeta.

    antiFolk, porque ela sem querer (ou ao menos até onde percebo), sem nem saber, está criando músicas com um fundo folclórico (reforçadas pela sonoridade de sua voz) e espero que a Florence perceba esse potencial “latente” nela e o desenvolva muito mais, e se ela decidir e perceber a importância da música ( e da arte) nas esferas culturais e político-sociais do globo, creio que ela possa se tornar uma artista tão grande quanto aqueles do período folk.

    Infelizmente esse não é o perfil da Adele e por tudo que aqui eu escrevi, fica claro que eu prefiro a Florence. Porém jamais vou deixar a voz, e a afinação da Adele como nota de rodapé, ela também é fantástica, ao seu modo, mas é!

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  2. Desde que comecei a ouví-las fico pensando nisso, ambas são britânicas, cantoras de música (tida como) “pop”. e ambas são muito, muito acima da média.

    Comecei ouvindo Adele com “rolling in the deep”, acho difícil quem encontrar alguém que começou a ouví-la por outra música (só os muito espertos e sortudos de a terem já conhecido mesmo antes da fama). Não que eu tenha conhecido Florence por outra música que não Dog Days Are Over rsrs.

    Mas pra mim Dog Days e a Florence me foram muito simbólicos, eu a conheci justo no último dia em que sofri de uma grave infecção nas vias aéreas (grave porque eu ainda tenho asma, bronquite, rinite e sinusite), ouvir aquela música foi como literalmente gritar que “os dias de cão acabaram!”, pois logo melhoraria e retomaria a vida. Só por isso já acho que minha opinião fica um pouco enviesada a favor da Florence.

    Mas atentando às habilidades dessas duas gigantes da música atual, há outro fato inegável: a afinação vocal de Adele. É absoluta, mesmo depois da cirurgia pela qual passou. Enquanto compositora, ela não é excelente, espetacular ( pelo menos não diante de um Bach ou um Ravel), mas muito boa, ainda mais se considerarmos os caminhos (ridículos) pelos quais a música popular internacional passa hoje (e a música brasileira não segue um caminho muito distante). As letras da Adele são em geral sobre amores e dificuldades em relacionamentos, não que um tema ou outro seja proibido ou de menor qualidade, mas é sempre interessante quando um artista de grande porte pode trabalhar outros temas, em especial aqueles de cunho mais político.

    Florence, enquanto cantora ela por vezes peca na afinação, é verdade, até tem uma extensão vocal bem grande, mas ainda não tanto quanto à da Adele, mas se a voz dela tem uma coisa única é a combinação de seu timbre, sua respiração e sua projeção de voz, que a faz alcançar volumes de som com incrível beleza, e uma sonoridade que remete ao canto clássico e ao mesmo tempo ao canto folk. Enquanto compositora, creio que a Florence possa ter tido uma certa limitação por não ter uma formação profissional em música (coisa que a Adele tem), muito mais experimental, mas se pegar o Lungs e o Ceremonials notará o quanto as composições evoluíram, a harmonia ficou mais complexa, com uso de acordes e escalas diferenciadas, e também o recurso de várias linhas melódicas desenvolvidas em paralelo, coisas quase inexistentes no primeiro álbum. Também fica nítido que a Florence estudou e melhorou sua afinação. Talvez, ou quase certamente, no segundo álbum parece que se perdeu um pouco de toda a energia vibrante do primeiro, mas a beleza e a qualidade musical alcançada compensou. Enquanto artista, acho que a Florence está muito longe de ser “pop”, embora muitos a considerem assim; ainda pior os que a consideram “alternativa” (sério tem tantos gêneros e subgêneros nesse quesito que é como dizer que é música). Embora nas letras, por muitas vezes a Florence fale de amor, ainda vejo maior variação de temas em suas letras. Principalmente no segundo álbum que as música falam muito de elementos da natureza. O Oceano, sua imensidão e profundidade em “Never Let Me Go”, a força dos rios e dos animais em “Heartlines” e tudo o que a água nos deu em “What the Water Gave Me” do Ceremonials, e puxando um pouco o Lungs ainda the “Bird Song” que não é composição própria. Assim creio que o estilo da Florence seja um “antifolk”. [continua]

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