O que era o Inner Circle Norueguês?

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O Heavy Metal nasceu polêmico no primeiro ano dos anos 70. O estilo evoluiu em diversos gêneros e sub-gêneros e dentre eles, o Black Metal, talvez o mais radical e polêmico dos sub-gêneros deste amado rock pesado. Numa sociedade ocidental em sua maioria cristã, um estilo musical que prima pelas blasfêmias e heresias em suas músicas brutais. Porém, diferentemente do que faziam as bandas dos anos 70, proclamadas satanistas pelos protetores dos bons costumes ocidentais, as bandas de Black Metal deflagraram a bandeira de Satanás de forma explícita e em algumas vezes de forma terrorista.
Podemos dividir a história do Black Metal em duas fases. A primeira é a fase onde foi forjada a temática Black Metal, numa época em que não existia as sub-divisões do metal extremo. Bandas como Celtic Frost, Venom, Bathory, Slayer, Bulldozer, Sodom, etc. faziam um metal rápido (o speed metal) com letras (até certo ponto inocentes e infantis) de culto ao tinhoso. A segunda fase é representada principalmente por bandas oriundas de países escandinavos (Suécia, Noruega, Finlândia) como Mayhem, Darkthrone, Burzum, Arcturus, Emperor, Gorgoroth, Immortal, Enslaved e Satyricon. É neste cenário que ergue o movimento que ficaria conhecido pela história do Heavy Metal e nas páginas policiais como Inner Cicle.

As Origens e a ideologia do Inner Circle.

Euronymous
O jovem Øystein Aarseth, muito interessado em satanismo, no início dos anos 90 abriu uma loja de discos chamada Helvete (inferno em norueguês) na capital norueguesa. O local se tornou com o passar do tempo o ponto de encontro e sede de festas que seus frequentadores se auto-definiram como Inner Circle.  O grande orador Øystein Aarseth, assumiu o pseudônimo Euronymous (assim como seu ídolos do speed metal), e com seu poder da oratória o grupo foi se tornando cada vez maior, muitos deles, integrantes e mentores de grandes hordas do black metal em volta do seu líder Euronymous. Dentre os frequentadores estavam Faus e Samoth do Emperor e Varg Vikernes do Burzum.
Varg Vikernes
A ideologia era dividida dentre o grupo e cada um dos principais frequentadores defendiam acirradamente seus ideais. De um lado, Varg Vikernes deflegrava a bandeira da glorificação da força, do guerreiro e da guerra, além de enxergar a violência com uma virtude que são os ideais vikings. Além do ideal violento viking, o movimento black metal norueguês considera a idade Viking como um ideal, e o fim da cultura Viking se dá  pela romanização e posterior cristianização da Noruega. Assim,  a invasão estrangeira que se destruiu a verdadeira cultura norueguesa e substituiu com os costumes inferiores. O norueguês atual, portanto, deve retornar à sua cultura original, rejeitando o estilo de vida moderno, e continuar a guerra contra os cristãos. Por fim, a antiga religião politeísta nórdica era visto como o natural e própria da Noruega, uma religião que se baseia sobre os fenômenos astronômicos e naturais (movimento dos planetas, o ciclo da lua, o ciclo das estações, etc.) que foi destruído e substituído pelo cristianismo como parte da invasão cultural. Portanto, como um símbolo do retorno à idade de ouro dos Vikings eles defendiam o dever de rejeitar e expelir o cristianismo como religião do seu país .  Muitos, no entanto, só queria erradicar o cristianismo, e como um símbolo se auto-proclamaram satanistas, embora eles não tivessem um culto organizado e nenhuma relação com a Igreja de Satã de Anton LaVey . Você pode adicionar que não tinham um ideal político unitário. Euronymous do Mayhem era comunista – stalinista, enquanto Vikernes do Burzum em meados da década de 1990 chamava-se de Nacional-Socialista, porém, agora refere-se como um nazista e identificou sua ideologia com o Odinismo.

Os Boatos sobre Euronymous.

 
Euronymous era líder não só do Inner Circle, mas também da banda mais perigosa desta nova geração do Black Metal, o The True Mayhem, ou simplesmente Mayhem. No dia 8 de abril de 1991, o vocalista da banda, Dead (Per Yngve Ohlin), se suicidou com um tiro de doze na cabeça. No bilhete de despedida só pediu desculpas pelo sangue espalhado. Euronymous, foi o primeiro a encontrar o corpo do vocalista e antes de chamar a polícia foi até uma loja e comprou fotográfica. Uma das fotos tiradas nesta ocasião estampou uma das capas da banda.  Circulam boatos que de que além das fotos, Euronymous teria retirado partes do crânio para fazer um colar e comido o cérebro do seu vocalista morto. Segundo a lenda, pedaços do crânio do vocalista foram enviados a bandas de black metal consideradas dignas pelo movimento. Evil do Marduk diz ainda ter os pedaços do crânio.

O movimento Inner Circle.

A loja de discos Helvete em Oslo que era de propriedade de Euronymous evoluiu para um selo que lançou várias bandas do estilo no mercado fonográfico e, consequentemente, os clássicos desta segunda fase do Black Metal. O grupo que se reunia para festas na Helvete se tornou uma organização anti-cristã composta de várias pessoas associadas com o movimento black metal, cujos objetivos principais eram erradicar o cristianismo da Noruega e lançar bandas do gênero que compartilhavam de sua ideologia . O Inner Circle foi composto por membros das primeiras bandas de black metal norueguês como Mayhem, Burzum, Emperor, Darkthrone, Immortal, Enslaved, e por alguns seguidores destes. Muitas bandas foram formadas durante o tempo em que a organização estava ativa no início dos anos 90.
A hegemonia de Euronymous no Inner Circle é desfeita com a entrada do jovem Varg Vikernes no grupo. O grupo foi dividido em dois. Euronymous liderava o Inner Circle satanista e Vikernes liderava o Inner Circle pagão que queria expulsar o cristianismo da Noruega e reaver sua cultura viking. Além disso, o movimento queria controlar todas as bandas norueguesas e se a banda não fosse suficientemente satânica o grupo perseguia a banda.  Em Julho de 1992, Maria, uma integrante do grupo, atacou a casa de Christofer Johnsson, o líder do Therion. A casa de Johnsson foi incendiada e Maria ainda cravou uma faca na porta com uma mensagem “O Conde esteve aqui e voltará”. Na época, Varg Vikernes usava o pseudônimo de Count Grishnackh). Quatro dias após o incêndio, Johansson recebeu uma carta de Vikerness:
“Olá vítima! É o Count Grishnackh do Burzum. Acabo de voltar de uma pequena viagem a Suécia, mais precisamente em um lugar a noroeste de Estolcolmo e acho que perdi um isqueiro e um disco do Burzum, ha ha! Voltarei muito cedo e talvez, desta vez, não os acordarei no meio da noite. Darei uma lição de medo. Somos realmente muito loucos, os nossos métodos são a morte e a tortura. As nossas vítimas morrerão lentamente, devem morrer lentamente.”
De acordo com o líder do movimento, eles se definem como  um grupo de militantes que lidam com coisas que precisam ser resolvidas. Os atos violentos caracterizaram o grupo que é lembrado até os dias de hoje pelas 52 igrejas que foram incendiadas, pelos 15 000 túmulos profanados e símbolos satânicos pintados por toda a Noruega. Além disso, alguns integrantes queriam sacrificar padres em suas igrejas, mas apenas animais foram sacrificados nas igrejas antes de serem incendiadas.

O fim do movimento Inner Circle.

Em Janeiro de 1993, Varg Vikernes concedeu uma entrevista para um jornalista do Bergens Tidende a fim de divulgar a cena Black Metal e a loja Helvete de Euronymous. A entrevista resultou em uma investigação policial que levou Varg a ser preso por algumas semanas e forçou Euronymous a fechar a sua loja.
Em 10 de Agosto de 1993, Varg Vikernes e Snorre W. Ruch viajaram de Bergen até o apartamento de Euronymous em Oslo. Após uma briga, Varg esfaqueou Euronymous. O corpo foi encontrado na parte de trás do apartamento com 23 facadas, duas na cabeça, cinco no pescoço e dezesseis nas costas. As suspeitas eram de que o assassinato foi cometido após uma briga por dinheiro do álbum do Burzum e Varg declarou que tinha sido atacado primeiro pro Euronymous.
Varg foi condenado a 21 anos de prisão por homicídio em primeiro grau, posse ilegal de armas e explosivos e por ter colocado fogo em três igrejas. Em um julgamento tumultuado, Varg recebeu o veredito rindo e a foto do momento foi estampada em vários jornais. Durante o inquérito, a polícia interrogou todos os membros do Inner Circle, obtendo informações de crimes cometidos no passado, condenando ainda Bård Faust por homicídio, Snorre W. Ruch por cumplicidade no homicídio de Euronymous e Samoth por incêndio. Mesmo com toda pressão da polícia, no dia da sentença duas igrejas foram queimadas e um mês depois outra também foi incendiada.
Devido a estas prisões, muitas bandas não puderam dar continuidade a suas carreiras e assim, aos poucos a cena foi desaparecendo. No fim doa nos 90, outra onda de bandas norueguesas lideradas pelo Dimmu Borgir e pelo Old Man’s Child. Porém, ainda existem bandas como o 1349, Taake e Tsjuder que seguem os ideais do movimento Inner Circle.

Para saber mais sobre o movimento Inner Circle basta clicar aqui e conhecer o livro Lords of Chaos, de Michael Moynihan

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7 comentários Adicione o seu

  1. muito bom realmente o que eu procurava sobre o assunto do INNER CICLE

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  2. Obrigado pelo comentário que agrega muita à postagem… É sempre bom receber um comentário relevante em um texto. Realmente não sou fanático por Black Metal, gosto de algumas bandas pela sonoridade crua. Em nenhum momento quis dizer que existiu um hiato entre as duas fases do estilo, só quis enaltecer as duas fases mais notórias àqueles não se ligam no metal negro, pois convenhamos, quem é conhecedor do Black Metal, não precisa ler um texto cujo título deixa explícito que suas linhas trarão um resumo sobre um dos movimentos mais importantes, do ponto de vista da divulgação, do estilo. Agora, quando entramos em méritos subjetivos, como a infantilidade ou não, das letras de certas bandas, ou se a banda é ou não um lixo, por esse ou aquele motivo, por este ou aquele rótulo, aí já é sentença da cabeça de cada um… Quanto a minha visão do Diabo, podes acessar meu outro blog onde trago um pouco do que investiguei sobre ele no link http://oppriorado.blogspot.com.br/2014/07/lucifer-uma-entidade-do-mal-arquetipo.html . Abraços e volte sempre…

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Ótima matéria! Clara e elucidativa.

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