ATUALIZANDO A DISCOTECA: Aerosmith, “Music From Another Dimension

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Aerosmith: “Music From Another Dimension” (2012, Sony Music)

O título é presunçoso, mas eles podem. Afinal sobreviveram a quatro décadas de fidelidade ao rock n’ roll, alternaram altos e baixos, foram declarados uma banda morta e renasceram para tomar de assalto o mainstream da música pop no fim dos anos 80 sendo um dos maiores nomes do rock setentista e noventista. Queiram ou não, o Aerosmith está no mesmo patamar de grandes bandas do rock como Queen, Scorpions, Guns N’ Roses e Metallica. Entretanto, a fase não era boa para a banda. Divergências entre o vocalista Steven Tyler e o guitarrista Joe Perry fizeram com que um novo lançamento de inéditas ficasse em espera por mais de dez anos (o último lançamento com canções inéditas foi Just Push Play de 2001). Em 2009 jornais americanos já informavam que Tyler havia deixado a banda após o incidente em que o vocalista caiu do palco em agosto do mesmo ano. A partir daí, começaram as declarações ácidas entre o guitarrista e o vocalista, com Tyler afirmando que se desligaria do grupo e Perry dizendo que Steven havia perdido o interesse na banda e que encontrariam outra pessoa e seguiriam com o Aerosmith. Fontes afirmam que Lenny Kravitz teria sido sondado para tal substituição. Em dezembro, ainda de 2009, Steven Tyler foi para uma clínica de reabilitação para se tratar de seu vício em analgésicos. Porém tudo parece ter voltado ao normal com as subsequentes turnês e agora este novo Music From Another Dimension.

O título, a capa e introdução do disco deixa clara a influência de séries dos anos 60 como Twilight Zone (aqui no Brasil, Além da Imaginação). O álbum começa com seguinte a narração:

Não há nada de errado a sua percepção da realidade. Não tente ajustar a ilusão. Nós controlamos as harmonias. Nós controlamos suas emoções. Vamos te mover para a esquerda, vamos te mover para a direita. Podemos reduzir o volume para um sussurro ou aumentar a um rugido ensurdecedor. Agora é o momento de apresentar tranquilamente, nós controlamos tudo o que você vai ouvir e sentir. Você está prestes a entrar em uma grande aventura e experimentar o estranho e o misterio de suas fantasias finais e seus medos mais profundos dos quais você nunca poderá retornar.

Em seguida, a mais pura aula de rock n’ roll com professores do mais alto gabarito e larga experiência. LUV XXX é a típica canção do Aerosmith com um bridge empolgante no meio da canção. Um exemplo de rock n’ roll, assim como Oh Yeah!, que lembra as canções dos Rolling Stones com muito groove roqueiro e malícia no vocal. A faixa que mais surpreende de início é Beautiful, com seus diversos climas e passagens diferenciadas, um refrão contagiante, mostrando um novo Aerosmith. Fica clara a intenção dos Toxic Twins (como ficaram conhecidos Steven Tyler e Joe Perry) de voltar às raízes da banda, quando suas músicas eram calcadas no blues e no rock básico e Out Go The Lights é a prova desta minha afirmação. Um solo inspirado como há décadas Perry não produzia, backing vocals femininos similares aos que as bandas dos anos 60 utilizavam em seus boogies acelerados e a harmônica dá suas graças no meio desta aula de rock n’ roll que tem uma apoteose guitarrística nos últimos dos seus quase sete minutos. Por falar em boogie acelerado Streest Jesus é o que podemos chamar de speed/hard/boogie.Tudo nesta faixa é rápido, linhas vocais, solos, riffs, bateria e refrão. O fã que era saudoso dos dias de rock oitentista do Aerosmith tem nas mão um perfeito antídoto para tal sentimento que vem sob o nome Legendary Child. Esta composição poderia facilmente estar em Pump (álbum lançado em 1989) e tem aquele ritmo acelerado e o refrão com o DNA das composições do Aerosmith. Freedom Fighter e o blues Something trazem Joe Perry nos vocais, o que não é novidade nos disco do conjunto.

Clipe do primeiro single Legendary Child
E as Baladas? Estes americanos são famosos por suas canções que embalaram diversos casais no fim dos anos 80 e começo dos anos 90. Pois bem, aqui as coisas estão mais próximas da verve setentista.  Tell Me emociona depois que se acostuma com a nova abordagem até certo ponto melancólica do vocal de Steven Tyler, mas o solo de Joe Perry é digno de destruir algum coração que sofre por amor. Closer é uma balada bluesy que parece saída de Nine Lives (a timbragem da guitarra lembra a utilizada em Hole In My Soul) com vocal intenso, instrumental denso e bateria quebrada. Uma coisa que devemos constatar é que com os discos mais recentes, as baladas se tornaram bem melhores e de Get a Grip (álbum de 1993) pra frente viraram belas peças para os apaixonados e aqui, What Could Have Been Love traz aquele sentimento de paixão novamente, figurando dentre as baladas mais lindas que já compuseram. Can’t Stop Loving You é aquela power ballad perfeita para a estrada num fim de tarde (esta música traz a participação de Carrie Underwood que dá um toque à mais a este clima estradeiro por seu vocal calcado no estilo country), enquanto We All Fall Down lembra os grandes dias que as baladas roqueiras invadiam a s rádios. Mais uma bela composição, com Tyler ao piano e dando um show de interpretação vocal, assim como faz no fechamento do álbum com Another Last Goodbye (seria um recado?). Um belo arranjo de cordas e uma letra altamente pessoal. Um dos destaques do álbum e uma das mais belas composições da história da banda.
 
Uma pena, mas a verdade é que este deve ser o último álbum do grupo de Boston. Os desentendimentos entre Tyler e Perry devem não permitir um novo lançamento. Nós, roqueiros, só podemos lamentar, pois durante toda a execução do álbum só uma coisa vem à mente: ISSO É ROCK N’ ROLL!!!
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