Uma Breve História dos Videoclipes

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Esta questão é um problema difícil de resolver. O que seria um videoclipe? Qualquer vídeo musical ou apenas aqueles vídeos com produção destinada à divulgação do material de algum artista?

Durante a maior parte da sua história, a música só ocupava um dos nossos sentidos: a audição. A inserção da visão na experiência musical era possível apenas nas apresentações de óperas e, na modernidade, em shows. Com o advento do cinema falado o som foi casado com a imagem e, daí, para o videoclipe foi apenas um passo.

Primeiro vieram os musicais, mas neste caso o contexto era o mesmo das óperas, onde a música era um adorno que ajudava a contar uma história. Até meados do século XX, vídeos com a música como personagem principal somente eram vistos em em programas de televisão até que vieram os Beatles

 
Singing In The Rain. O primeiro grande videoclipe da história da música? A coreografia de Gene Kelly é, até hoje, uma das mais parodiadas da cultura pop.

Os Beatles foram pioneiros até neste sentido, já que foram responsáveis, na década de 60, por levar suas músicas para o cinema. Mas as produções contextualizavam suas canções como se o filme fosse um videoclipe para todo um disco.

Os quatro rapazes de Liverpool estavam cansados dos gritos histéricos da plateias e começaram a se apresentar nos programas de televisão através de gravações. Se procurarmos um pai para os videoclipes como os conhecemos hoje, o DNA seria positivo para Richard Lester.

O produtor foi que deu um tratamento surreal às imagens que rodavam junto às canções dos Fab Four em filmes como Hard Day’s Night de 1964 e Help de 1965.  Esta fórmula foi repetida durante todos os anos 70 com destaque para Rock N’ Roll High School capitaneado pela banda punk americana Ramones e o clássico The Wall do Pink Floyd já nos idos de 1982.

Naquela década setentista ainda tivemos algumas produções esporádicas do gênero até  que chegamos ao ano de 1981, um divisor de águas na história dos videoclipes.

Strawberry Fields Forever. A genialidade dos quatro rapazes de Liverpool é evidente até no seu pioneirismo nos videoclipes.

Em 1981 nasce a MTv, Music Television. A emissora americana era especializada em vídeos musicais e impulsionou o mercado dos pequenos vídeos que tinham como personagem principal a música.

O primeiro videoclipe a ser veiculado na emissora foi The Video Killed The Radio Star  do grupo The Buggles. A década de oitenta ficou conhecida como a “década do videoclipe”, mas as idéias que vinham junto às músicas não eram nada originais e o estilo próprio dos videoclipes começou a tomar forma no ano seguinte, 1982.

O profissionalismo destes “videozinhos” se deu graças ao personagem da história da música que nascia junto com a emissora. Michael Jackson, o rei do pop, e a MTv se apoiaram mutuamente para o crescimento de ambos.

Até o lançamento de Thriller, nenhum negro havia conseguido espaço na emissora e a história começa a ser mudada quando exibem o clipe de Billie Jean. A partir dali,  Michael Jackson apresenta canções que podiam ser ouvidas, dançadas e principalmente, podiam ser vistas!

Qualquer um dos grandes sucessos de Thriller são diretamente ligados aos videoclipes: Billie Jean e seu mistério noir é inesquecível, Beat It inicia as coreografias arrebatadoras dos vídeos do rei do pop e  Thriller que pode ser considerado um dos grandes momentos da história do videoclipe.

The Video Killed The Radio Star. Este clássico do pop do The Buggles foi o primeiro vídeo a ser veiculado na recém-nascida MTv nos idos de 1981.

No restante da década de oitenta até os dias de hoje os videoclipes sempre foram uma forma de promover as canções e os artistas. Entretanto, ao atrelar a imagem junto à música, podemos dizer que a segunda foi prejudicada em qualidade.

O mundo da música começou a se preocupar muito mais com a imagem do que com qualidade musical e muito dos grandes nomes na última década só estão no topo devido a um grande trabalho da imagem do artista.

Mas desde o advento da MTv grandes vídeos foram produzidos e criei um top ten com os que considero mais interessantes, seja pela revolução no mercado dos videoclipes ou pela sua ideia original. Claro que grandes clássicos da geração MTv foram esquecidos, mas abaixo estão os que mais gosto.

 

1. Thriller – Michael Jackson: Sem dúvidas o maior videoclipe de todos os tempos e marca o início das superproduções no segmento contando com um renomado diretor de cinema, John Landis, além do Mestre do Macabro, Vincent Price. Esta foi a primeira e a única vez em que um clipe de 14 minutos foi exibido na íntegra.


2. Money For Nothing – Dire Straits: Um marco na história dos videoclipes, este foi o primeiro a trazer a computação gráfica para o mundo musical e inaugurou a MTv européia.

3. A-Ha – Take On Me: Este vídeo causou verdadeiro alvoroço no mercado fonográfico. A técnica utilizada se chama rotoscopia e consiste em filmar todo o vídeo e depois desenhar os quadros à mão para dar o clima de desenho animado. Um vídeo sensacional.


4. Peter Gabriel – Slegdhammer: Mais um vídeo revolucionário. Em 1986 criar animações não era algo simples como nos dias de hoje. Esta obra causou grande impacto por misturar técnicas de animação com a figura real do cantor em um mesmo plano. Um exemplo da ousadia e inventividade na primeira infância da MTv.


5. Twisted Sister – I Wanna Rock: Você deve estar se perguntando o que este clipe faz aqui. Bom, a MTv dos ano 80 não seria a mesma sem a geração do hard rock. Dentre todos os clipes do estilo lançado na época este é o mais interessante, tanto pelo humor quanto pelo hino do rock.




6. Madonna – Justify My Love: A polêmica sempre foi o tempero da carreira de Madonna e este vídeo marcou época pela polêmica. A cantora já não se comportava mais como uma virgem e abusou do erotismo em seu vídeo que iniciava a nova década. Espartilho, cinta-liga, calcinha de renda preta e uma luxuria que exalava pelas tomadas das gravação fizeram com que a produção fosse censurada pela MTv americana.



7. Nirvana – Smells Like Teen Spirit: O hino da juventude noventista registra a libertação de uma juventude escravizada pela cultura da imagem pregada nos anos 80. Um platéia comportada que se entrega ao clima da canção e descamba para uma bagunça que não estava prevista no roteiro original do vídeo. A sequência foi filmada após o diretor perder o controle dos ânimos da turba de figurantes contratados.



8. Pearl Jam – Do The Evolution: A primeira vez que vi este clipe tive a sensação de ter assistido a melhor aula de história da minha vida. Além disso, como bônus ganhei algumas lições de filosofia que versavam sobre o comportamento humano. Duvida? Assista a um dos clipes mais geniais da história da música.


9. Jamiroquai – Virtual Insanity: Este vídeo sempre me impactou bastante. O modo como Jay Kay desfila sua excêntrica dança em um piso que escorrega carregando sofás me deixava com a pulga atrás da orelha, afinal o chão se movia e o restante do cenário permanecia imóvel. Anos mais tarde, descobri que na verdade o que se mexia eram as paredes e não o chão, como a ilusão nos predizia. Um dos poucos respiros de originalidades nos anos 90.


10. White Stripes – I Just Don’t Know What To Do With Myself: As modelos sempre foram uma constante nos videoclipes. Basta lembrar de Alicia Silverstone e Liv Tyler nas produções do Aerosmith, ou o clássico pop Freedom 90′ de George Michael que reuniu Linda Evangelista, Cindy Crawford e Naomi Campbell, simplesmente as três modelos mais bem pagas daqueles dias. Aqui não é diferente! A canção minimalista do White Stripes – um cover de Burt Bacharach – tem um cenário mais minimalista ainda e conta com a presença principal da belíssima Kate Moss em uma dança sensual exibindo técnicas de Pole Dance. Incrível como algo tão simples tem tanto impacto.

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4 comentários Adicione o seu

  1. Obrigado pelo comentário… O marco inicial dos videoclipes com os Beatles é apenas uma opinião minha. Todos os clipes das décadas de 50 citados no seu comentário, inclusive o de Jailhouse Rock, são produções feitas pela Tv e não como iniciativa de divulgação da gravadora ou do artista, como no caso dos Beatles, que fizeram filmes como um grande videoclipe para seus álbuns, tendo a música como personagem principal, longe da tutela da Tv. Mas esta é somente a MINHA visão, não significa que esteja certa, kkkkkk… Abraços e volte sempre…

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  2. No Brasil não é difícil encontrarmos clipes da década de 50… Maysa em 58 ou Nelson Gonçalves em 59 (http://youtu.be/5j7FzJmWroI) são provas disso! Mesmo fora do Brasil, temos Elvis em 1957 com Jailhouse Rock… Não entendo essa pecha de primeiro VC para os Beatles…

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  3. Caraca!! Que viagem fantástica você nos proporcionou!! Pelo menos para mim. Relembrei e principalmente conheci detalhes interessantes sobre videoclips que marcaram as minhas pré e pós adolescência. Época em que tinha o hábito de ficar curtindo as saudosas rádios Mundial e Tamoio (AM) durante as madrugadas. Marcava num papel os nomes das músicas que mais gostava e no dia seguinte ia 'caçar' os videoclips das ditas cujas (rs). A-Ha e The Buggles imbatíveis.
    Mil vezes valeu!!
    http://www.livroseopiniao.com.br

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