Newsted: O Retorno do Renegado do Heavy Metal

Já ouviu aquela expressão estar no lugar certo na hora certa? Pois bem. Jason Newsted é o exemplo vivo para tal expressão popular. Após ser o baixista e principal letrista do grupo Flotsam & Jetsam – cujo álbum Doomsday For The Deceiver pode ser definitivamente rotulado como um clássico do metal oitentista- ele foi parar no Metallica, simplesmente a banda que mais crescia no mundo do metal ao lado do Iron Maiden no fim dos anos 80. Pois bem, junto ao Metallica, substituiu simplesmente o melhor músico da banda, o baixista Cliff Burton que faleceu de modo trágico após um acidente com o ônibus da banda. A responsabilidade era tamanha que mesmo após ser escolhido e estar integrando o quarteto a confiança de Hetfiel e Ulrich ainda não era total e pouco do seu baixo pode ser ouvido no seu primeiro lançamento com a banda. A produção de …And Justice For All simplesmente obliterou seu instrumento que é praticamente inaudível. Esta condição ainda foi mais agravada por suas linhas de baixo  estarem muito próximas das linhas de guitarra nas ótimas composições que compões aquele clássico lançamento de 1988. Porém, Jason estava presente no processo de composição do clássico Black Album, um marco do Heavy Metal e sua introdução para a faixa My Friend Of Misery é um tempero à parte no álbum. Os problemas começaram já na época do álbum Load e se estenderam até sua saída em 2001. Na capa do álbum de covers Garage Inc, podemos perceber Newsted mais afastado do restante da banda e no DVD Some Kind A Monster, que foi lançado depois da saída de Jason, os três remanescentes, James, Lars e Kirk, vão assistir a um show do Echobrain, projeto de Newsted desde os tempos do Metallica, que misteriosamente nunca é encontrado pelos três para uma conversa. É sempre bom lembrar que o Metallica tentava exorcizar seus fantasmas do passado e neste mesmo vídeo existe um deprimente encontro ente Lars, James de Dave Mustaine. Uma coisa não se pode negar, o baixista era o único que se mostrava insatisfeito com o rumo musical que o Metallica tomara após o Black Álbum.

Primeiro clipe do mais novo projeto de Jason Newsted é para a música Soldierhead. O vídeo foi dirigido por Leon Melas e filmado numa velha fábrica abandonada no fim do ano passado.

Sua personalidade forte sempre ficou clara em declarações até certo ponto polêmicas, principalmente quando indagado acerca do tema Metallica. Para Jason, se ele tivesse continuado na banda isso decretaria o fim do grupo: “eu salvei o Metallica quando entrei na banda e quando eu saí da banda. Pois eu fiz ambas as coisas e eles ainda estão aí. Eu não fiz isso por mim e nem quero crédito por isso”. Apesar de polêmica, a declaração de Jason tem seu fundamento, visto que, o Metallica era uma banda perdida após a morte de Cliff Burton (isto fica evidente nas composições do álbum …And Justice For All) e Newsted deu novos ares ao grupo que direcionou sua música para uma forma mais direta e próxima ao heavy metal tradicional culminando no clássico álbum de 1991. Quanto à sua saída do grupo, devemos ter diante dos nossos olhos o fato de que aqueles eram dias conturbados para o Metallica que já não conseguia mais esconder que passava por uma crise política interna e por um bloqueio criativo. A saída de Jason, salvou a banda pois deu a oportunidade dos três remanescentes respirarem ares novos e a entrada de Robert Trujillo na vaga deixada por ele se mostrou uma mola propulsora para Lars, Kirk e James. Podemos também dizer que o Metallica salvou Newsted, pois a vontade de executar um novo projeto nasceu após sua participação na comemoração de trinta anos da banda. Nas palavras de Newsted: “Eu estava fazendo as minhas coisas, soltando meus discos independentes, me divertindo quando o Metallica me chamou para participar do show de trinta anos no Fillmore. A recepção dos fãs foi tão extraordinária que eu me senti como se estivesse levitando. Eles praticamente me obrigaram a fazer o que estou fazendo agora”. Quanto à sua carreira após o Metallica, o baixista diz ter feito trabalhos por puro prazer. “Poder tocar com Ozzy foi algo muito divertido e uma experiência que pra mim significou a realização de um sonho. Echobrain, Voivod, Sepultura e Gov’t Mule foram experiências ótimas, me fizeram um músico melhor e mais experiente.” 

Jason Newsted (o primeiro da esquerda para direita) no Metallica. Sua passagem na banda durou 15 anos.

Neste início de ano, o baixista Jason volta à cena sua nova banda, o Newsted, que lança um E.P. contendo apenas quatro músicas, mas que mostram muita força e sinceridade neste material de apresentação. Este belo lançamento de Jason não é de todo impactante, pois, após sua saída de uma das maiores bandas da história, ele circulou pela banda de Ozzy Osbourne e foi baixista da Voi Vod, um dos melhores grupos canadenses de Heavy Metal, ou seja, sempre esteve tocando em alto nível. Sendo assim, uma questão mais que natural é por qual razão o baixista não buscou lugar em alguma megabanda que estivesse necessitando de um baixista? Segundo Jason, “depois de tudo o que passei na minha carreira, queria um recomeço”, e o baixista ainda completa: “é assim que encaro esta nova banda: um enorme desafio que estou colocando diante de mim.” Ou seja, um exemplo de mais um músico que tinha tudo para ficar tranquilo em sua zona de conforto, pintando, lendo, escrevendo, etc, mas prefere estar compondo, gravando músicas e caindo na estrada. Tomara que Jason se espelhe na lenda Glenn Hughes que esteve em formações de Deep Purple e Black Sabbath, mas que principalmente, construiu uma carreira solo brilhante.

 

Newsted: formação em power-trio clássico com Jessie Fansworth na guitarra e Jesus Mendez Jr. na bateria.

 

Newsted: Metal: 

Com o “original” título de Metal, o trio que tem  Jason comandando o baixo e os vocais, vem com uma clara mistura de Metallica dos tempos de Black Album com Motorhead da fase clássica e doses de Black Sabbath aqui e acolá. Jason ainda adiciona a banda Judas Priest como influência, mas essa citação é menos latente na formatação do som do Newsted. A fusão de sonoridades proposta é notória já na faixa de abertura Soldierhead, que ainda é a canção de divulgação do trabalho. Entretanto, a melhor canção do lançamento é King of the Underdogs que traz seis minutos de pura elegância metálica – no sentido do heavy metal e da banda Metallica. Melodias muito bem intercaladas com refrão forte e inspirado, riffs interessantes. Ou seja, a música esbanja inteligência musical. As outras duas músicas que completam o “meio-disco” são Godsnake (um exemplo de crítica bem elabora a fatos bíblicos que foge dos clichês já tão surrados no estilo) e Skyscraper (uma canção de sonoridade suja e pesada que fala sobre intolerância) que mostram um som calcado no que o Chrome Division vem fazendo com todo talento enfeitado de riffs e solos inteligentes ao estilo do Metallica, o que é mais do que natural, visto que Jason passou mais de uma década no quarteto de São Francisco. Jason se revela um ótimo compositor e isto fica ainda mais evidente quando tomamos conhecimento de que ele compôs todas as linhas instrumentais de todas as canções, já como cantor, se mostra apenas mediano, mas perfeito para a proposta sonora da banda. O mais impressionante é como em apenas quatro faixas um novo grupo consegue imprimir suas digitais através de um som coeso e sem escorregões. Aguardo ansioso pelo primeiro disco completo.

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