1X24: Dez Livros Para Ler em Um Dia

Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro“. Djavan, há algum tempo já cantava sobre o prazer de se ler um livro em um dia frio, mas se formos analisar a real situação, fora da licença poética musical, não são muitos os livros que podem ser devorados em apenas um dia frio, ou chuvoso. Tudo bem que esta tese soa relativa pelo fato de que cada individuo lê em uma velocidade particular e assim, alguns podem ler até quinhentas laudas em um dia, enquanto outros não passam de um centena de páginas viradas no mesmo espaço de tempo. Sendo assim, tentei fazer uma pequena lista (sim… mais uma vez exercitando meu vício em listas) de bons livros que podem ser lidos em apenas uma sentada, para utilizar um termo popular. Como qualquer lista que se preze, vamos determinar as regras da enumeração. Primeiro, não considerei contos para preencher a lista, visto que, este formato já prima pela condensação e tem o objetivo de ser uma leitura rápida. Segundo, nenhum dos nomes aqui presentes está colocado em uma ordem de preferência ou de qualidade, sendo todos considerados igualmente indicados. Terceiro, tentei montar uma listagem livre de rótulos e busquei diferentes tipos de histórias, indo de clássicos incontestáveis à obra infanto-juvenis nacionais. Divirtam-se e encontre um bom lugar para ler estes livros, em dia frio, ou não…
1.Franz Kafka: A Metamorfose: Impactante, depressivo e alegórico. Três adjetivos que definem rapidamente este livro que pode ser lido em apenas um dia , mas que precisa de uma semana para ser absorvido e compreendido e uma vida para deixar de se impressionar com a história macabra e fantástica Greg Sanza. Uma fantasia sobre rejeição e preconceito, que foi escrita em doze dias no ano de 1912, demorou três anos para ser publicada e trouxe um alerta aos costumes da sociedade de sua época. Mostrou ainda o desespero humano frente às mudanças repentinas e como não nos damos conta do que realmente nos tornamos, simplesmente nos acostumando sem perceber e entender tal mutação.
2. Neil Gaiman: Coraline: Saindo do clássico recheado de interpretações sutis e críticas veladas para o mundo surreal do terror imaginativo de Neil Gaiman. O autor vem se firmando como um dos mais versáteis e criativos do terror moderno, com influências claras de autores renomados no gênero da fantasia. Lançado em 2002, Coraline representa a evolução da obra do autor e se tornou comparável ao definitivo Alice no País das Maravilhas de Lewis Carol. O paralelo entre as obras é evidente. Ambas se desenrolam em uma realidade paralela mas se diferem pelo fato da obra de Gaiman decorrer com um surrealismo recheado de terror clássico. Já foi adaptado para o cinema e se tornou roteiro de quadrinhos. Perfeito para um dia de chuva.

 

3. José Saramago: Caim: Um pouco mais de atenção à este livro, afinal Saramago é um dos maiores escritores da história e laureado com o Prêmio Nobel de Literatura. Em um relato irônico e mordaz, ele irá gerar certo incômodo nos leitores mais ortodoxos e principalmente os mais religiosos. Afinal, a obra relata toda uma disputa entre Deus e Caim, sim o irmão de Abel e filho de Adão e Eva. Saramago desconcerta seu leitor ao apresentar Deus com uma espécie de detonador do crime de Caim ao não aceitar sua ofertas e numa visão um pouco mais crítica, o autor O coloca como um mentor intelectual do primeiro crime na Terra. Sempre escrito com letra minúscula, não nos fica claro de qual deus Saramago está se referindo. Mas as evidências são latentes e o final é surpreendente.

 

4. Jorge Amado: A Morte e a morte de Quincas Berro D’Agua: Saímos de um Nobel de Literatura para um imortal da Academia Brasileira de Letras. Jorge é mais do que um ícone da literatura nacional e esta pequena obra é um singelo clássico que representa o modus vivendi da boêmia baiana. Joaquim Soares da Cunha era um respeitado pai de família e funcionário exemplar de uma repartição pública até que resolve largar tudo e cair na esbórnia, se entregando aos prazeres da vida, principalmente à bebida. Nesta sua nova vida ganha a alcunha de Quincas Berro D’Agua. A história gira em torno das duas controversas explicações para a sua morte onde a família conta aos amigos uma versão mais nobre dos últimos momentos do boa-vida, enquanto seus amigos de vida noturna divergem com outra versão. Obrigatório!

 

5. Geroge Orwell: A Revolução dos Bichos:  Esta obra é uma das maiores críticas alegóricas ao comportamento humano. O autor, que publicava sob um pseudônimo e seu nome real era Eric Arthur Blair, fez um pouco de tudo. Foi soldado, livreiro, lavador de pratos, professor, jornalista e com este livro mostrou sua visão do mundo após experiencias politicas e profissionais. Envolta num clima de fábula, a narrativa é um  enrubescedor e desconcertante desenho da transformação ocorrida por quem tem o poder absoluto. Uma leitura obrigatória para quem ama a liberdade e quer ter uma visão muito clara de como nasce o totalitarismo.

 

6. Jay Asher: Os Treze Porquês: Esta leitura é um tapa de mão espalmada que pega em cheio deixando ainda mais rosadas as maçãs do rosto. Jay Asher criou uma história simples, densa e que faz você pensar e se arrepender de qualquer mentirinha que tenha dito sobre alguém. Em pouco mais de cem páginas somos mergulhados no turbilhão de emoções descritos por treze fitas, praticamente um relato postmortem, deixadas por uma suicida aos treze porquês de sua drástica atitude. Uma fábula moderna e juvenil cuja lição final é simples: cuidado com que sai da sua boca e com o que faz, isso pode levar a consequências indesejáveis.

 

7. Charles Bokowski: Pulp: O bom e velho Buk! Um dos maiores, se não o maior, dos escritores denominados malditos traz aqui sua última obra com todos os temperos que sempre deram paladar à sua saborosa forma de escrever. Bokowski descreve uma saga no submundo de um detetive de segunda classe na cidade de Los Angeles. O clima noir criado pelo autor é uma clara homenagem ao que foi chamado de subliteratura policial, mas com sutis reflexões acerca do fim da vida e uma visão extremamente sexy e gostosa – em todos os sentidos – da morte. Uma obra-prima!

 

8.  Herman Hesse: Demian: Mais um nome laureado com o Nobel de Literatura, Hesse é um dos maiores escritores de todos os tempos e este Demian é considerado por muitos sua maior obra, no mínimo é a primeira das grandes composições do autor. Eu admiro muito este livro apesar de preferir O Jogo das Contas de Vidro. Aqui, o autor mostra toda a influência causada por Nietzsche em prol de um tema psicologicamente ameaçador como a fragilidade dos sustentáculos  dos valores morais da sociedade e da família. O alvo de ameaça é o jovem Emil Sinclair que fora criado em uma família que pregavas tais frágeis valores e uma vez fora do âmbito familiar percebe que o mundo que não é como na cartilha pregada em por seus pais e avós e tal percepção é ajustada pelas experiências ao lado de Max Demian. Um ótimo umbral para a obra de Herman Hesse.

 

9. Marcos Rey: Um Cadáver Ouve Rádio: O que seria dos leitores da minha geração sem a fantástica Coleção Vaga-lume? Muios de nós fomos iniciados na leitora pelas mirabolantes criações de Marcos Rey, como o histórico O Mistério do Cinco Estrelas. Este Um Cadáver Ouve Rádio seria uma continuação daquela obra instigante e misteriosa. Um enredo curioso que mistura armas orientais, loja de pássaros e músicos de forró para elucidar a misteriosa morte do sanfoneiro Boa-Vida. Marcos Rey, que era o pseudônimo de Edmundo Nonato é um versátil escritor que ataca nas mais diversas frentes literárias que vão desde os livros infantis como este, aos romances adultos.

 

10. Willian Beckford: Vathek, Um Conto Árabe: Mais um clássico da literatura que vem para fechar a nossa lista. Diversas vezes, esta obra é listada como um dos primeiros livros sobre vampirismo, mas que nos traz muito da vida e costumes dos califas e o tratado da vida desta parte do oriente. A narrativa é agitada com fenômenos surreais repletos de entidades sobrenaturais, vampiros, sacrifícios humanos e luzes misteriosas, adocicadas por um clima de 1001 noites. O autor era um dos principais conhecedores da literatura árabe e muitas vezes chocou a sociedade londrina com suas histórias extravagantes. Histórico!
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5 comentários Adicione o seu

  1. Tem sim Pedro. A história original é do Neil Gaiman e foi pro cinema tempos depois em desenho animado…

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  2. Caim é muito bom e pode ser impactante para quem tenha fortes convicções religiosas…

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  3. Coraline tem a ver com o filme animado? Acho que não, mas como não custa perguntar..

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  4. Eu pretendo ler Caim.
    E já li Um Cadáver Ouve Rádio.

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