DEEP PURPLE: A Árvore Genealógica Púrpura.

 As mudanças de formação são corriqueiras no mundo das bandas de rock. Estas trocas de integrantes geram, nas mais diversas vezes, novas bandas que podem, ou não, obter algum reconhecimento. Assim, as ligações entre os integrantes novos e antigos de uma determinada banda formam uma teia de relacionamentos que incluem bandas que são apenas coadjuvantes, até verdadeiros supergrupos que pode ser montados através do contato dos mais diversos músicos. Um elemento que só faz aumentar a teia e, além disso, emaranhar cada vez mais os fios destas ligações é o tempo de atividade da banda mãe em questão. Um exemplo? O Deep Purple! Uma das maiores bandas de rock da história, que em uma carreira longeva criou uma teia que envolve outras grandes bandas como Black Sabbath, Rainbow e Whitesnake no que podemos chamar de árvore genealógica púrpura.
MK1: A primeira formação da banda ainda contando com Rod Evans e Nick Simper tocando Hush, seu primeiro sucesso.
A história do Deep Purple pode ser divida em duas fases. A primeira fase tem seu início em 1968 e vai até o fim da banda em 1976. Neste período o grupo desfilou entre os palcos e o estúdio com quatro formações diferentes e cada uma delas era enumerada com o prefixo MK. Por exemplo, a primeira formação do grupo incluía o vocalista Rod Evans e o baixista Nick Simper junto aos eternos Ian Paice na bateria, John Lord nos teclados e Richie Blackmore nas guitarras. Os dois primeiros debandaram e Evans formou um dos primeiros supergrupos da história do rock denominado Captain Beyond que lançou três discos fantásticos. Entretanto, a história mais polêmica desta primeira formação foi protagonizada pelo próprio Evans ao realizar uma turnê sob o nome New Deep Purple nos anos 80, época em que a banda original esta com as atividades encerradas. Com a entrada de Ian Gillan nos vocais e Roger Glover no baixo conseguimos a formação de maior sucesso do grupo inglês e a que mais teve idas e vindas. Conhecida como MK2, esta formação lançou os clássicos absolutos In Rock e Machine Head e retornou após um hiato de oito anos – o grupo estava inativo entre 1976 e 1984 – e de Gillan ter gravado um álbum com o Black Sabbath, o ótimo Born Again. O retorno nos anos oitenta foi coroado com um grande álbum, mas em pouco tempo o relacionamento entre Blackmore e Gillan azedou de novo, provocando a saída do vocalista do Deep Purple que só veria sua formação de maior sucesso mais uma vez reunida no ano de 1992 até que, desta vez, o guitarrista foi quem abandonou o time para nunca mais voltar.
MK2: A formação mais clássica do Deep Purple foi responsável por álbuns como In Rock e Machine Head.

Os conflitos entre Blackmore e Gillan não eram novidade. Já nos anos dourados da década de setenta o vocalista abandonou o Deep Purple junto ao baixista Roger Glover, sendo substituídos por David Coverdale e Glenn Hughes, respectivamente. O novo vocalista se revela um talento personificado sendo exaltado como um dos maiores vocalistas da história do rock e influência declarada para inúmeros outros que vieram depois dele. Já Hughes, era o mentor de uma banda que começava a experimentar certo reconhecimento naqueles tempos denominada Trapezze e que lançou bons álbuns no período, mas o baixista e vocalista ficaria muito relacionado ao Black Sabbath, ao qual integrou por muitos anos, sendo um dos companheiros mais fiéis ao guitarrista Tony Iommi. Com esta formação, conhecida como MK3, o Deep Purple ganhou versatilidade, pois Hughes também tem um grande timbre de voz e com este time gravaram um de seus maiores álbuns, o clássico Burn. O mundo do rock ganhou mais duas bandas, Ian Gillan Band e Gillan, capitaneadas pelo ex-vocalista do Deep Purple, sendo que esta segunda revelaria Janick Geers, guitarrista que viria a integrar a banda de Bruce Dickinson e posteriormente seria efetivado no Iron Maiden. Em 1975 é a vez de Blackmore deixar a banda pela primeira vez, para se juntar a alguns membros do ELF, formar uma das melhores bandas dos anos setenta e revelar um dos maiores, quiçá o maior, vocalista de toda a história do rock pesado. A nova banda, batizada de Rainbow, tinha Ronnie James Dio, que mais tarde iria substituir Ozzy Osbourne no Black Sabbath e poder ser, ao lado do Whitesnake, um dos filhos mais talentoso do Deep Purple.

Rainbow: Man On A Silver Mountain. Um dos maiores clássicos de uma das melhores crias do Deep Purple.
Whitesnake: Crying in the Rain. Apresentação da banda no ano de 1983, quando ainda contava com John Lord nos teclados.
Com a saída de Blackmore, o Deep Purple convoca um guitarrista que começava a despontar no cenário do  hard rock com sua banda The James Gang e com alguns discos solo. O substituto nas guitarras foi Tommy Bolin que formou a MK4 e lançou apenas o controverso Come Taste the Band. Muitos consideram esta fase uma das mais incompreendidas da longa trajetória do grupo inglês e este preconceito poderia ser causado pela saída de um membro considerado insubstituível, mas Bolin fez um grande trabalho, porém sua insegurança e baixa auto-estima, apesar de ser considerado um gênio do instrumento, o atrapalhavam bastante, assim como sua curta carreira, interrompida poucos meses após sua entrada no grupo por uma overdose. Com o fim do Deep Purple, John Lord, Ian Paice e Coverdale se juntaram sob o nome Whitesnake e a nova banda trazia uma proposta diferente, com uma música calcada no blues que rendeu clássicos em duas fases diferentes. Por outro lado, Glenn Hughes reuniu o Trapezze e mais tarde figurou no Black Sabbath, além de manter uma prolífica carreira solo. Recentemente, montou um do últimos supergrupos de que se tem notícia, o Black Country Communion.
Deep Purple: Black Night: Apresentação de 1991 com Joe Lynn Turner nos vocais.

Após o retorno nos anos oitenta, passaram pela banda mais alguns integrantes que merecem destaque. O primeiro deles é o vocalista Joe Lynn Turner. Oriundo do Rainbow de Blackmore – os dois já haviam formado outra banda em 1977 chamada Fandango-, Turner veio integrar o Deep Purple após mais uma saída de Gillan em 1989 formando a MK5 até o ano de 1992, quando Gillan retorna. Com esta volta, Blackmore sai novamente e forma um dos filhos mais interessante nesta árvore púrpura ao lado de sua esposa, a belíssima Candice Night. Com uma proposta medieval o Blackmore’s Night é um dos projetos mais originais capitaneado por um nome ligado ao rock e seu primeiro lançamento Shaddow Of The Moon é mais que indicado. O que poucos fãs não tão enciclopédicos sabem é que Joe Satrianni substituiu Blackmore de imediato para a turnê que já havia sido marcada no Japão. Convidado pelos outros integrantes a se tornar um membro efetivo do Purple, Satriani educadamente recusou a proposta e focou seu talento na sua carreira solo e, mais tarde, no fantástico Chickenfoot. Em toda a história, a banda só encontrou estabilidade na formação ao recrutar o guitarrista do Dixie Dregs, Steve Morse, para o posto vago. Morse ainda coloca nas ligações desta enorme teia púrpura seu último projeto denominado Flying Colors, que é um supergrupo que tem na bateria Mike Portnoy, ex-Dream Theater. A última mudança na formação foi a saída de John Lord, mas a causa de seu desligamento da banda foi por mera aposentadoria e para seu lugar foi recrutado o ex-Rainbow, Don Airey. Esta nova formação foi denominada de MK8 e foi desconsiderada na confecção da árvore de ligações exemplificada mais adiante, no fim do texto.

Blackmore’s Night: Shaddow Of The Moon: O projeto mais original da árvore púrpura

Claro que o texto acima é extremamente resumido e sem respeito cronológico. As sutilezas dos abandonos de posto e dos conflitos não foram abordados justamente pelo caráter e objetivo final do texto, que era apresentar um pouco da árvore genealógica de uma das maiores bandas da história do rock com seus “filhos” e sem contar os “netos.” Este conjunto de ligações, não tão complicadas quanto parecem, podem ser apresentadas de modo simplificado pelo diagrama abaixo.

 

Anúncios

1 comentário Adicione o seu

E aí? Curtiu? Conte-nos o que achou desta postagem, mas seja educado, por favor!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s