VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: A-Ha, Scoundrel Days

Dia Indicado para ouvir: Quarta-feira

 
Hora do dia indicada para ouvir: Seis da Tarde. 
 
Definição em um poucas palavras: Alternativo, Eletrônico, Grudento, Sombrio

Estilo do Artista: Pop Rock.
 
Comentário Geral:  Geralmente, após um álbum de estréia com sucesso arrebatador, a banda compõe outro trabalho nos mesmo caminho glorioso. Poucos na história da música fugiram à esta regra e o A-Ha foi um destes destemidos. O álbum anterior, Hunting High and Low, exalava melodias simples e calcadas em bases synth-pop, completadas com letras, até certo ponto, inocentes. Nesta conjuntura, Scoundrel Days, segundo lançamento da banda e indicação de hoje, assustou os mais desavisados pela maturidade musical atingida em tão pouco tempo. Salvo por uma ou duas canções que podiam estar no primeiro disco, nada que é reproduzido pelos sulcos vinílicos (Ah, Sim! Minha cópia é em vinil) remete àquele predecessor lançamento. É como se Scoundrel Days fosse uma coletânea das faixas compostas após a ressaca da festa pop capitaneada pelo sucesso de Take On Me. A partir daqui os três noruegueses se destacam como compositores modernos, pois as músicas enumeradas neste álbum estão recheadas de melodias adultas, linhas vocais heterogêneas e uma carga sombria é sutilmente lançada em algumas vocalizações mais viscerais e angustiadas de Harket. Não existe uma canção duvidosa no tracklist, tudo soa coeso desde o princípio com a faixa-título, até o pausar da agulha com a belíssima Soft Rains Of April, que fecha a obra. Mas é impossível não citar faixas como The Swing Of Things (minha favorita), I’ve Been Losing You, October (uma balada jazzística apropriada a um cabaré oriundo de uma distopia de Willian Gibson), Cry Wolf (que foi responsável por manter o nome do conjunto em alta na América do Norte), a digna canção pop Maybe Maybe e Softs Rains Of April. Entretanto, o que o conjunto mostra em Manhattan Skyline é algo impactante. A beleza vocal que confronta os riffs eletrônicos viscerais, a angústia entrelaçada com a raiva e o desfecho apaziguador servem de perfeito envólucro emocional aos versos confusos que dão sentido lírico à esta obra-prima da música pop. Parcas vezes uma canção conseguiu, em pouco mais de cinco minutos, exprimir tão fielmente,com um perfeito casamento entre suas estrofes e arranjo musical, a profusão de sentimentos que podemos experienciar em um momento crítico. À quem tenha a possibilidade da audição desta obra em vinil, irá perceber que as canções que compõem a segunda parte do disco são mais próximas (próximas, mas ainda com uma boa distância) das que compunham o álbum anterior e das que viriam a executar posteriormente. Infelizmente, mesmo com isoladas canções inspiradas (como You’ll End Up Crying e There’s a Never Forever Thing do álbum posterior), o A-Ha voltou à fórmula do primeiro álbum e nunca chegaria, novamente, ao nível musical deste álbum.  


Ano: 1986.
 
Top 3: Scoundrel Days , The Swing Of Things e Manhattan Skyline.
 
Formação: Magne Furuholmen (Teclados and Vocais), Morten Harket( Vocais), Pål Waaktaar (Guitarra e Vocais), Oystein Jevanord (bateria – músico de estúdio), Leif Johansen (Baixo – músico de estúdio), Graham Prescott (Arranjo de cordas – músico de estúdio) e Michael Sturgis (Bateria-músico de estúdio)

Disco Pai: Roxy Music: Avalon (1982)
 
Disco Irmão: Tears For Fears: Songs From The Big Chair (1985)

Disco Filho:  Duran Duran : Liberty (1990)
 

Curiosidades:  O vocalista (príncipe de cera) Morten Harket estudou teologia após completar o ensino médio com nota máxima em religião. Inclusive, lançou álbuns voltados ao mercado musical religioso após a primeira pausa da banda nos anos 90. 

 
Pra quem gosta de: Ecos, horizontes, fábulas, céu crepuscular, países nórdicos e vinho branco. 

 

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5 comentários Adicione o seu

  1. Moriti Neto disse:

    Cara, o a-ha é minha banda predileta e o Scoundrel Days é meu albúm favorito. De tudo que li no Brasil sobre o disco, a melhor definição foi a sua, especialmente sobre Manhattan Skyline. Parabéns.

    Curtido por 1 pessoa

    1. O A-Ha é uma das bandas oitentistas que deveriam ter a discografia descoberta pelas ovas gerações, pois sua qualidade é incontestável e este álbum é a maior prova disso… Obrigado pelos elogios ao texto e fique à vontade para explorar nossas outras indicações… Se for de seu interesse, basta se inscrever via e-mail que todas as nossas postagens irão diretamente para você…

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  2. Márcia Anjos disse:

    Muito obrigada pela indicação Marcelo! certamente irei conhecer todas essas indicações, amo conhecer músicas! Abraço.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Márcia Anjos disse:

    Achei esse texto agora no ano de 2016, amo o A-ha e concordo com você em tudo que disse, a maturidade deste álbum pertence a outro patamar de beleza e sofisticação, ouço Soft Rains Of April todos os dias, faz parte da minha trilha sonora de vida, gosto de escutá-la bem cedinho, em manhãs chuvosas, sentindo o aroma de um dos meus perfumes chamado ” Tea Rose”, perfume lançado em 1977 rsrs, abril é o meu mês e Soft Rains Of April é minha música! grande abraço e parabéns pelo ótimo texto.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Olá Márcia… Agradeço o elogio ao meu texto e convido-a a explorar nossas indicações musicais: https://gavetadebagunca.wordpress.com/category/voce-devia-ouvir-isto/

      Abraços e volte sempre…

      Marcelo.

      Curtido por 1 pessoa

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