ASSASSINOS REMOTOS: Da Confraria Celta ao MK Ultra.

“Ele (Lennon) passara por mim e ouvi na minha cabeça, ‘faça, faça, faça’. Não me lembro de mirar, apenas apertei o gatilho com força, cinco vezes.” 

 Mark Chapman 

Um músico consagrado, uma das maiores personalidades do século XX, um presidente e um senador americanos possuem mais do que a popularidade em comum. Todos eles foram assassinados em pleno estabelecimento de seus ideias. Como todo trauma social, a mortes de John Kennedy, John Lennon e Martin Luther King abarcaram muitas teorias conspiratórias e a mais interessante delas defende uma tese no mínimo estranha. As conspirações rendem um dos mais interessantes e instigantes ramos da cultura pop e nosso assunto de hoje cabe como uma luva neste segmento. Alguns defendem que estas três personalidades do século XX foram mortas por cobaias humanas com a mente controlada. Se isso é verdade ou não, não nos cabe avaliar, mas já existem rumores do controle da mente por parte de alguns iniciados desde desde o século XVI, muito antes dos E.U.A. pensarem em se tornar um país, quanto mais a existência da CIA, mentora de projeto MK Ultra. A verdade é que o envolvimento de cobaias humanas nas mortes de Lennon, Kennedy e Luther King é uma incógnita que nunca terá seu valor descoberto, entretanto, o MK Ultra de fato existiu. Quanto ao controle da mente, as pesquisas iniciais nos fazer viajar muitos anos na história até chegarmos a um certo abade beneditino no início do século XVI. O que é o MK Ultra? Como é possível controle da mente séculos atrás? Algumas respostas a seguir, mas se prepare para o nascedouro de diversas outras questões…

O que é o MK Ultra?

Dentre todas as dúvidas que pairam sobre as bases conspiratórias, a existência do projeto MK Ultra não é uma delas. O programa teve início nos primeiros anos da década de 50 e já nasceu carregado de polêmica devido à  controversa morte do cientista Frank Olson. Nove dias após uma reunião com membros da CIA, o doutor Olson, sem nenhum motivo aparente, se lança da janela de um quarto de hotel em Nova York. Pode parecer um simples suicídio, mas existem pontos inconsistentes na história que levantam suspeitas quanto a uma velha e eficaz queima de arquivo. Olson era oficial da divisão de operações químicas do exército e sempre era referenciado como alguém dotado de um bom humor inabalável. Bruscamente, teria se tornado depressivo e psicótico após a suposta reunião. Se foi realmente um assassinato a questão imediata é por que Frank Olson? De acordo com os adeptos da conspiração, Olson teria descoberto o uso de prisioneiros nazistas no projeto encabeçado por Sidney Gottlieb, então diretor técnico da CIA, chefe do MK Ultra e condutor da crucial reunião. Ali, o químico teria sido drogado com LSD e pirado dias antes de morrer. Olson teria demonstrado, dias antes, vontade de deixar o programa, mas como um arquivo vivo das pesquisas ilegais do MK Ultra, suspeita-se de que o suicídio fora forjado pela CIA. Na década seguinte, o projeto evoluiu para o MK-Search, que foi subdividido em 149 projetos, que iam desde o apagar de memórias até incentivar personalidades múltiplas em um indivíduo. O mais ousado destes sub-projetos era o total domínio de mentes através de radiofrequência UHF e VHF. O mais intrigantes de toda a história é que os mandatários da CIA determinaram a destruição de todo o arquivo referente ao projeto. O pouco que sobrou desta ação premeditada alimenta as mais diversas teorias conspiratórias ao longo dos anos. Uma delas alega que o objetivo principal era conter o avanço comunista e o alvo imediato era Fidel Castro. O congresso americano investigou o programa, mas tudo foi negado de modo veemente.


Mk Ultra. Documentário português sobre o projeto americano que visava o
controle da mente.

 

Sob o Domínio do Mal

Qual a associação do MK Ultra com os assassinatos previamente citados? Alegoricamente, recorramos ao cinema e à literatura. Muitos devem se lembrar do filme Sob o Domínio do Mal, estrelado por Denzel Washington na refilmagem de 2004 (a outra versão data de 1962 e traz Frank Sinatra no elenco) e baseada na obra literária de Richard Condon. Nas três formas de contar a história, o pilar básico da trama é o mesmo: um assassino comandado à distância, vítima de um programa conspiratório. Este não é o único motivo que esta obra da cultura popular ilustra nossa postagem. O título original do livro de Condon é The Manchurian Candidate, exatamente a denominação da fase final da evolução do projeto MK Ultra, que consistia na criação de um agente altamente manipulável e capaz de cumprir qualquer ordem que lhe fosse delegada. O processo utilizado na criação destes agentes era conhecido como terapia do sono e envolvia doses cavalares de drogas, além de eletrochoques. Apesar de todas as negações da CIA, alguns assassinatos famosos plantam dúvidas quanto ao real sucesso do projeto. Lee Harvey Oswald, Sirhan Bishara Sirhan, James Earl Ray e Mark David Chapman (assassinos, respectivamente, de John Kennedy, do senador americano Bob Kennedy, Martin Luther King e John Lennon) são as únicas “provas” do efetivo sucesso do MK-Ultra. No caso de Mark Chapman, ele declarou que ouvia vozes que o mandavam matar Lennon.

Sirhan Bishara Sirhan, Charles Manson, Mark Chapman e Lee Harvey Oswald.

As teses conspiratórias alegam que Chapman já era preparado pelo programa de controle mental da CIA, que enxergava em Lennon um perigoso ativista de esquerda. A história oficial conta que Chapman se deslocou do Havaí rumo à Nova York para executar o ex-Beatle à sangue frio, sem se preocupar com o fato de haver testemunhas que pudessem reconhecê-lo. Algumas inconsistências nos motivos alegados para o assassinato do músico levam inúmeros adeptos das teorias conspiratórias a acreditar que Mark Chapman era um assassino com a mente controlada. Outro fato interessante é que John Lennon era investigado pelo FBI por uma suposta doação financeira que fizera ao grupo IRA. Ao contrário do que é dito, Chapman levava uma vida social normal, sendo qualificado como um exemplar monitor de acampamento para garotos. Já Sirhan, alega ter atirado inconsciente no senador Bob Kennedy. O mais instigante no assassinato do senador é que os tiros de Sirhan só serviram para distrair as pessoas que estavam no local, pois a bala assassina teria sido à queima-roupa e pelas costas, como mostrou a necrópsia. Com James Earl Ray o padrão não muda. Ele era um ladrão, mas seus roubos não demandavam planos elaborados. Repentinamente assassina um dos maiores nomes da luta contra o racismo e tem, ao mesmo tempo, a sagacidade e poder aquisitivo para se deslocar em fuga até Londres, com escalas em Atlanta, Toronto e Portugal e a ingenuidade de deixar a arma na cena do crime, recheada de suas impressões digitais. Tudo se encaixa perfeitamente no molde de um manchurian candidate, assim como uma pequena pesquisa sobre Lee Harvey Oswald pode mostrar elementos que o colocam ladeado aos outros três assassinos. Mas no caso de Oswald existe a dúvida se ele foi o assassino ou só teria sido induzido mentalmente a assumir essa culpa.

A morte de John Kennedy. Reportagem apresentada no Fantástico onde um perito
analisa o vídeo da morte de presidente americano.

Existem algumas evidências de assassinos comandados à distância através de “gatilhos”, que os colocariam prontamente em ação. Os primeiros registros remontam ao período das cruzadas, com uma seita situada na antiga Pérsia, comandada por Hassan  I Sabbah, o Velho da Montanha, que se utilizava de técnicas de alienação mental em seus discípulos, denominados Asasiyun. Tal seita se fixava na Montanha de Alamut e ficou conhecida como Ordem dos Assassinos. Muitos simpatizantes das conspirações associam as técnicas desta ordem ao que era estudado nos projetos militares como o MK Ultra e na formação dos famosos Homens-Bomba. Um detalhe importante e que une os elementos desta tese é a alegação de inconsciência dos supostos assassinos comandados por esta técnica. Estes “gatilhos” eram os mais diversos. Um exemplo seria a clássica obra O Apanhador no Campo de Centeio, que, embasado nos depoimentos de Mark Chapman, seria o potencial despertador de seu ímpeto assassino. Outro suspeito de ser um assassino remoto, não citado previamente, é John Hinckley Jr, que atentou contra a vida do presidente americano Ronald Regan e tinha um exemplar da obra em sua casa (o que não é um absurdo, se tratando de um clássico literário americano). Podemos ainda citar Charles Manson, mentor de um dos grupos mais violentos dos Estados Unidos, praticante de diversos assassinatos e cujo gatilho, segundo seus depoimentos posteriores, seria a canção Helter Skelter dos Beatles.  Mas, um certo ábade beneditino teria concebido, quase cinco séculos antes um método de controle da mente que independia destes “gatilhos” e do quão longe estava a vítima remotamente controlada.

O Abade Trithème e o domínio da mente 

Abade Tritheme

Pode parecer estranho um abade presente na nossa linha do tempo, mas Jean de Heidemberg, foi um dos pioneiros a sistematizar pesquisas acerca do controle da mente de modo remoto. Entrou para a Universidade em 1480 e, neste período, formou, junto a dois outros colegas, uma sociedade secreta concentrada no estudo da astrologia, magia numérica, línguas e matemática, denominada Confraria Celta. Como se valiam de pseudonimos, Jean de Heidenberg se tornou Jean Trithème. Desenvolveram ainda o estudo da Kabala, através de um membro recém admitido que era judeu. No dia que completou 20 anos, Jean entra para o Mosteiro de Saint-Martin-de-Spanheim, tornando-se o abade Trithème. Mas qual a relação de um abade beneditino e assassinos como Lee Harvey Oswald e Mark Chapman. À priori, nada. Entretanto, Trithème se dedicava a uma pesquisa que soava estranha aos ouvidos que se dispunham às suas confidências. Ele almejava a criação de um processo para hipnotizar pessoas à distância, por telepatia, com o auxílio de algumas manipulações de linguagem. Para embasar seus estudos, compilou no monastério a mais incrível biblioteca formada por manuscritos, pois ele desdenhava os livros impressos. Em seus trabalhos mais detalhistas ele lança mão de matemática, linguística, Kabala e parapsicologia. Todo o trabalho referente ao seu ambicioso objetivo fora compilado em um livro, dividido em oito volumes, denominado Steganographie, que foi destruído no decorrer da história, tendo se salvado apenas 3/8 da obra. Para avaliar o conteúdo do livro, cujo segredo teria sido revelado à Trithème em sonhos, deixo que o próprio abade descreva o segundo volume de sua obra:

 No segundo livro tratarei de coisas ainda mais maravilhosas, que se aliam a certos meios, graças aos quais, de maneira segura, posso impor a minha vontade à qualquer pessoa que receberá o sentido de minha ciência, o mais longe que esteja, mesmo a mais de cem léguas de mim…

Relatos nos contam que o grande cientista e ocultista inglês John Dee (responsável pelo advento dos meridianos) teria completado o que faltava desta obra e a dominado completamente. Alguns outros historiadores alegam que o abade Trithème vivia de ilusões e que efetivamente nada teria encontrado de extraordinário. Mas convenhamos que tal poder supostamente desenvolvido pelo abade seria o mesmo que acusam o projeto norte-americano de se valer para eliminar inimigos políticos. Infelizmente, só nos sobram conjecturas e questionamentos. Teria o abade descoberto um meio de controle telepático à distância? Teriam os pesquisadores do MK-Ultra reescrito a obra de Trithème se valendo da base tecnológica do século XX? Em ambos os casos, tudo não passa de mera especulação, ou melhor, de conspiração.

*Postagem escrita ao som de:
1) Black Sabbath: Sabbath Bloody Sabbath (vinil)
2) The Beatles: Abbey Road (vinil)
3) Walter Horotn: Can’t Keep Loving You (CD)

 

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