MICK ROCK: Fotografias Estampando Clássicos do Rock.

Mick Rock: O Homem que Fotografou os Anos Setenta.
O Rock N’ Roll sempre fora um estilo musical muito ligado à imagem de seus deuses. Qual fã deste estilo musical nunca adornou alguma de suas paredes com largas imagens de seus ídolos que preenchiam as fileiras do panteão do rock n’ roll. Na maioria das vezes, estes posteres eram fotografias das bandas ou algum de seus integrantes mais proeminente. Entretanto, dentre os que tinham o olhar que conseguia capturar a melhor imagem que seria eternizada em um negativo, poucos tiveram o devido reconhecimento dos aficionados pela sonoridade rebelde do rock. Se existe uma verdade no mundo da música é que ele não seria o mesmo sem a arte da fotografia. Aos contrários a esta hipótese, recorro ao álbum Transformer de Lou Reed. A fotografia que estampa o álbum traz toda a alma das canções ali presentes: o clima sombrio inerente às letras e acordes, a melancolia, a rebeldia enrustida e a vanguarda. As fotografias ajudaram a consolidar a imagem e personalidade transgressora deste gênero musical e foi através desta arte que o estilo de vida rock n’ roll começou a ganhar terreno com as vestimentas, gestos, maquiagem e a moda rock n’ roll em geral. Esta revolução não seria possível sem os chamados fotógrafos roqueiros. Estes personagens eram tão glamourizados quanto os astros enquadrados por suas lentes. A primeira fotógrafa com status de “rockstar” foi Annie Leibovitz, que acompanhou os Rolling Stones por dois anos e depois se tornou a principal fotógrafa da revista Rolling Stone. Depois dela, vários nomes vieram, mas nenhum suplanta a importância do inglês Mick Rock.
Mick Rock: Sua mãe dizia que esta história de fotógrafo rockstar era desculpa para não trabalhar.
Ao contrário do que muitos possam pensar este é o verdadeiro nome do fotógrafo e não um pseudônimo adotado como forma de firmar uma marca. Hoje em dia, este nome se tornou parte do rock n’ roll e já é referenciado como uma das testemunhas da sua fase áurea. Tendo fotografado os maiores nomes do rock setentista, recebeu a alcunha de “O Homem que Fotografou os Anos Setenta”. Por suas lentes acompanhamos a evolução de David Bowie e seu Ziggy Stardust e por suas fotografias quase podemos traçar a história do camaleão inglês que revolucionou a performance de palco dos roqueiros. Quase como um corolário da parceria com David Bowie, Mick Rock fotografou momentos importantes de Lou Reed (como a imagem da já citada capa do álbum Transformer) e Iggy Pop, além de outros nomes como Debbie Harry e integrantes do Ramones. Sua obra sempre se mostrou diferenciada e suas fotos marcaram a história da música fora das páginas dos periódicos, revistas ou jornais, se estendendo à direção de fotografia de algumas obras cinematográficas contextualizadas ao rock n’ roll. Sua fotografia está além das páginas convencionais que as imprimem, elas estão envolvendo as músicas que os ídolos do rock criaram, estampando as capas de alguns dos maiores clássicos do estilo e são estas imagens que serão alvo da nossa postagem/exposição de hoje.

As Gargalhadas do Doidivanas

A mente por trás dos primeiros passos do Pink Floyd era uma incógnita psicológica. Esquizofrênico, depressivo, ou vítima de doenças mentais mal interpretadas? A verdade é que Syd Barrett foi um estrela que se consumiu muito rápido e sua genialidade ficou registrada em poucos minutos de gravação. Além das canções deste fenomenal The Madcap Laughs, de 1970, a arte gráfica de Mick Rock se destaca em comum acordo com a figura de Syd, cuja imagem acabou se tornando maior que sua música. As sensacionais fotografias foram registradas no pequeno apartamento do guitarrista em Londres e trazia toda uma carga artística, bem reachada de expressionismo e poesia psicodélica.

O Transformista

 

Bowie e Reed agitaram o rock nos anos setenta. Transformer é um dos ápices do rock glamouroso daquela década, que vinha emoldurado em uma das mais fenomenais fotografias de Mick Rock. Poucas vezes a androginia fora tão bem explorada por uma lente de forma a atrair os mais diversos públicos roqueiros daqueles tempos. Esta imagem exorcizava o fantasma artístico de Andy Warhol (responsável pela capa do primeiro álbum do Velvet Underground) e é proveniente da primeira apresentação de Lou Reed fora das fronteiras americanas. Ele estava sentado, sozinho num canto, esperando sua hora de entrar em ação, quando Mick Rock eternizou o momento.

 

A Força Bruta dos Patetas

Ameaçador, andrógino e sinuoso. Todas estas palavras definem a figura que aparece na imagem que estampa o álbum mais importante, em minha opinião, do The Stooges. Iggy Pop, vocalista do grupo, já pertencia ao bando de David Bowie quando sua banda gravou este terceiro álbum, com músicas cruas e geniais, simultaneamente. Antes do lançamento de Raw Power, a banda realizou um pequeno show em Londres que foi registrado pelas lentes de Mick Rock. O conjunto final da obra foi o álbum influenciador das duas cenas pioneiras do punk: a de Nova York e a de Londres.

O Ataque Cardíaco da Rainha

A capa do terceiro álbum do Queen mostra uma banda ensopada de suor, como uma ferreiro musical que acabara de forjar sua sonoridade após muito esforço nos dois primeiros álbuns. O conceito da arte foi escolhido pela própria banda que queria se apresentar completamente exaurida, como se houvessem sido abandonados em uma ilha deserta. Os quatro integrantes compraram as roupas da sessão de fotos e Mick adicionou um pouco de brilho e suor fictício (com muita vaselina e Glitter). Segundo todos os envolvidos, a sessão de fotos fora agoniante e trazia uma surpresa para quem esperava algo como o apresentado na capa do álbum anterior, Queen II.

 

Mais que trazer o primeiro sucesso do Queen (a canção Seven Seas Of Rhye), este álbum vinha com uma fotografia emblemática estampada em sua capa. Muitos identificam esta imagem com o vídeo da canção Bohemian Rhapsody, mas o conceito fora desenvolvido um pouco antes e provavelmente sua inspiração viera da estampa do álbum Meet The Beatles!, lançamento do quarteto de Liverpool. Queen II foi lançado em 1974 e, nesta época, Mick Rock já era conhecido por seus trabalhos com grandes nomes do glam rock como David Bowie e Marc Bolan do T. Rex.

O Fim do Sossego

Um divisor de águas do Ramones, não só no âmbito musical, mas também na relação entre seus integrantes. Pela primeira vez em sua história, se apresentavam na capa de um álbum sem suas jaquetas, uma das identidades visuais da banda. Ao contrário do rebelde/boquirroto que suas capas passavam outrora, a imagem dos quatro “ramones” era quase confortável neste lançamento. Quando sugerido por Mick Rock que tirassem suas jaquetas e se mostrassem com camisetas simples, a banda abriu votação. Marky não teve direito a voto por não ser um membro original da banda e Johnny perdeu por dois votos a um. Em sua autobiografia, Johnny relembra este momento como a cereja do bolo em toda a desgastante gravação do álbum: “A foto do encarte, com as jaquetas, deveria ter sido a da capa. Fiquei furioso ao perder a votação… Havia uma luta pelo poder em andamento, e naquela época eles votavam contra mim em qualquer decisão artística.” Alheio aos conflitos internos gerados por este álbum, Mick Rock e suas lentes estavam presentes em mais um momento ímpar da história do rock.

Todo o Amor pelo Rock N’ Roll

A história já não se encontrava no princípio para Joan Jett quando Mick Rock fotografou-a. Ela já havia feito história no rock com o grupo The Runaways, um dos pioneiros a contar apenas com mulheres em sua formação. I Love Rock N’ Roll era seu primeiro lançamento junto ao Blackhearts e a canção que emprestava o título ao álbum é um cover, que na versão de Joan se tornou um dos maiores clássicos do estilo. Para Mick Rock, que a fotografou para este grande lançamento, Joan Jett é a versão feminina da postura e impacto visual de Elvis Presley.
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