VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Albert King, Live Wire/Blues Power

Dia Indicado para ouvir: Quinta-Feira.
 
Hora do dia indicada para ouvir: Oito da Manhã.
 
Definição em um poucas palavras: Classudo ao quadrado, Guitarra, Ao Vivo, Urbano.

Estilo do Artista: Blues.
 
Comentário Geral: Um bom músico de blues tem que ter sua guitarra caindo aos pedaços, desfilar seus riffs sentimentais nela sentado num banquinho, cigarro pendurado na boca e uma boa garrafa de bebida destilada aos seus pés. Certo? Errado! Esta figura foi desenhada nas palavras de B. B. King ao responder alguns puristas que o acusavam de ter se vendido ao adotar um estilo melhor acabado para se apresentar e executar seu blues. Quando o estilo musical ganhou a cidade grande, tomou, ao mesmo tempo, um “banho de loja”, se sofisticando e deixando somente a influência musical dos campos de algodão de sua gênese. Destes campos de algodão veio outro “King” que daria muita personalidade à figura do bluesman urbano. Influenciado por nomes como Blind Lemmon Jefferson e Lonnie Johnson, Albert King, que nascera em 1923 num campo de algodão em Indianola, adotou a guitarra elétrica como instrumento para expor sua arte. Sua predileção eram as guitarras Gibson, mas diferenciando de outros guitarristas do blues, escolheu uma imponente Flying V, sendo influência vital nas bandas de rock dos anos subsequentes. Pisou na cidade de Memphis em 1966, assinou um contrato com a Stax Records e em 1968, numa noite junina da cidade de San Franscisco, gravou seu primeiro álbum ao vivo. A seis faixas registradas nesta apresentação no Fillmore Auditorium formam um dos mais memoráveis momentos do Blues. Todas as nuances que tornam o blues delicioso se fazem presentes aqui: groove saboroso em composições rápidas, os doze compassos em canções longas e carregadas de sentimento, solos dinâmicos e virtuosos, riffs dilacerantes em canções mais lentas, versos entoados com emoção latente e cama de baixo e bateria de cair o queixo.  Durante as músicas que nascem das rotações do vinil podemos perceber uma técnica apurada e um estilo distinto que influenciara de modo inegável guitarristas como Mark Knopfler, Jimi Hendrix (Red House é bebida na mais pura fonte de Albert King) e Eric Clapton. O mais cativante nos álbuns desta época em especial, é o caráter homogêneo das canções que se unem para forma uma obra completa. Assim, é extremamente injusto retirar uma faixa do contexto geral como destaque do álbum. A releitura de Watermelon Man, composição de Herbie Hancock presente no álbum Headhunters, é de tirar o fôlego. Blues Power é de rasgar a alma com seu impecável trabalho de guitarra quase didático para quem quer entender o Blues (com letra maiúscula),  Night Stomp mostra a razão de tantas bandas de rock se dizerem influenciadas pela estilosa guitarra de Albert King. Blues at the Sunrise, a melhor faixa do álbum, é inexplicavelmente perfeita em suas escalas que evoluem junto aos arrepios causados por aquele Blues (maiúsculas, de novo) lento e bem tocado, com intercursos guitarreiros de estilhaçar o peito. Please Love Me traz o que de melhor a cidade grande deu ao Blues e Look Out fecha esta obra-prima de modo apoteótico. Ao levantar do braço que carrega a agulha do vinil temos a certeza de que este é um dos maiores clássicos do estilo, não apenas pelo artista e a época que fora lançado, mas pela classe e inspiração na execução das canções aqui presentes…  

Ano: 1968
 
Top 3:  Watermelon Man, Blues Power e Blues At The Sunrise.
 
Formação: Albert King (guitarra e vocal), Willie James Exon (guitarra), James Washington (órgão), Roosevelt Pointer (baixo), Theotis Morgan (bateria)

Disco Pai: Muddy Waters: At Newport (1960).
 
Disco Irmão: B. B. KingLive And Well (1969).


Disco Filho: Stevie Ray Vaughan and Double Trouble:  Live At Carnegie Hall (1997).

Curiosidades: Em 1967, Albert King abriu um show de seu fã, Jimi Hendrix, no Fillmore Auditorium. Segundo King, ele havia ensinado a Hendrix uma lição sobre o blues naquela noite e que poderia ter tocado as canções do repertório de Hendrix, mas que Hendrix não conseguiria tocar as suas canções. Albert, além da técnica singular com o polegar, utilizava uma afinação secreta, além de dizer que tudo o que fazia na guitarra era executado do modo errado.

Pra quem gosta deWhisky, cachimbos, estilo, emoção acima de tudo e bares escuros.

 

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