VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Johnny Cash, American IV – The Man Comes Around

Dia Indicado para ouvir: Domingo.
 
Hora do dia indicada para ouvir: Oito da Noite.
 
Definição em um poucas palavras:  Acústico, Adulto, América Querida, Baladas, Bucólico, Classudo, Da Roça, Melancólico, Sentimental, Som de Macho, Sombrio, Triste.

Estilo do Artista: Country.
 
Comentário Geral: Quando o produtor Rick Rubin propôs a Johnny Cash um novo projeto para sua carreira, após um show Los Angeles em 1993, a lenda do country não aceitou de imediato. Na mente de Cash, o hippie Rick Rubin teria a intenção de moldá-lo aos padrões das bandas de rock que produzia, entretanto, confessou posteriormente que via algo similar a Sam Phillips (histórico produtor musical) na postura de Rubin. A insistência do produtor venceu a relutância do Homem de Preto e a proposta era simples: Cash iria até a casa de Rubin, se sentaria na sala, começaria a cantar e só quando desse seu aval que o produtor apertaria a tecla de gravação. A parceria rendeu, quase instantaneamente dois álbuns fenomenais: American Recordings e Unchained. O primeiro gravado de forma acústica, na cabana de Cash no Tennessee e, após o conforto chegar ao ícone do country, Tom Petty e os Heartbreakers vieram dar sua contribuição no segundo álbum. Com estas duas pérolas, Johnny Cash retomou seu lugar no mundo musical, mas a principal contribuição desta parceria foi o renovar da empolgação e criatividade de uma lenda viva da música. O projeto nos presenteou com mais alguns álbuns, sendo American IV: The Man Comes Around o de maior destaque em minha opinião.  A seleção das canções foi primorosa, os músicos que acompanham a voz emocionada e forte de Cash se juntam em prol do conjunto final da obra e o cantor está numa de sua melhores investidas como intérprete.  Inspirado no sucesso de versões irretocáveis de nomes como Soundgarden e Nick Cave, Johnny se dedicou a novas versões, trazendo uma porção menor de faixas autorais. Ao contrário do que possamos imaginar isto não tira o mérito do trabalho, na verdade, as canções escolhidas ficaram certeiras na sua voz, tornando este o melhor trabalho de seu curto período ao lado do produtor Rick Rubin. Segundo o próprio artista, aqui estão quinze canções que seguem caminhos diferentes e, ao meu ver, formam o contorno da alma de um homem em seu crepúsculo cantando as agruras da vida como forma de limpar o espirito de certos espinhos. Dentre as canções autorais destaque para The Man Comes Around, baseada do livro bíblico do Apocalipse, que Johnny Cash relutava em gravar, mas que ganhou destaque a cada vez que pedia para ser registrada. Segundo ele, foi a canção em que mais trabalhou durante sua carreira. Dentre as versões temos somente gemas sem par na música moderna. I Hung My Head, de Sting, ganhou sentimento e ficou quase palpável, Hurt, do Nine Inch Nails, é o grande hit e mostrou a bela canção que se escondia quando despida de sua robusta forma anterior. Bridge Over Troubled Waters consegue ser melhor que qualquer interpretação realizada antes para esta obra-prima, seja na voz de Elvis Presley ou do compositor Paul Simon. A contribuição de Fionna Apple nos backing vocals foi pequena, mas providencial.  Personal Jesus, do Depeche Mode, ganhou até um singelo piano jazzístico (à cargo de Billy Preston) que deu um clima de canção de saloon no velho oeste, um local difícil de imaginar John Frusciante tocando uma guitarra acústica, como de fato acontece na gravação. Mas nada se compara ao que Johnny Cash realizou nas versões de First Time Since I Saw Your Face (a emoção aqui é latente e quase podemos ver as pálpebras do cantor, delineada pelos anos, se enchendo de lágrimas), In My Life dos Beatles (interpretada como uma serenata dedicada à sua amada June Carter Cash) e I’m So Lonesome I Could Cry (quiçá, o maior hino da música country, composta por Hank Willians, como se este estivesse narrando os sentimentos de Johnny Cash no limiar de sua vida). Ainda temos a participação de Don Henley, do Eagles, em Desperado, uma bela versão para Streets of Laredo e um desfecho digno de nota em We’ll Meet Again. A verdade é que com este álbum Johnny Cash mostra que amadureceu não somente seu físico, mas também sua música, que se mostrou influenciável e relevante mesmo nos anos finais de sua carreira, sendo este seu último álbum antes de falecer.

Ano: 2002
 
Top 3:  Hurt, The Man Comes Around e Bridge Over Troubled Waters.
 
Formação:  Johnny Cash (voz e violão) e diversos músicos convidados.

Disco Pai: Johnny CashAmerican Recordings (1994).
 
Disco Irmão: Johnny Cash: American III: Solitary Man (2001).


Disco Filho: 
Johnny CashAmerican V: Hundred Highways (2006)

Curiosidades: Apesar da desconfiança de Trent Reznor em ter Johnny Cash interpretando uma canção sua, depois de pronta a versão para Hurt, ele teria declarado que não mais detinha posse da música, pois a gravação de Cash era bela e cheia de significado. 

Pra quem gosta de: roupas pretas, cortinas fechadas, anciões contadores de histórias, cerveja preta e momentos de reflexão.

 

Anúncios

E aí? Curtiu? Conte-nos o que achou desta postagem, mas seja educado, por favor!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s