VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Union, The Blue Room

Dia Indicado para ouvir: Quarta-Feira
 
Hora do dia indicada para ouvir: Seis da Tarde
 
Definição em um poucas palavras:  Adulto, Alternativo, Baladas, Drogas, Guitarra, Pesado, Pra Encher a Cara, Som de Macho

Estilo do Artista: Hard Rock/Rock Alternativo


Top 3: Hypnotize, Dead e Shine. (Clique no nome das canções para ouví-las.)
 

Comentário Geral:  Bruce Kulick e John Corabi possuem histórias distintas no mundo do rock. Enquanto Kulick se fixou na história do Kiss comandando as seis cordas da banda durante uma de suas melhores fases, Corabi encontrava resistência ao substituir o (insubstituível?) vocalista Vince Neil, no aclamado grupo de hard rock Motley Crue. Embora a sonoridade com o novo vocalista fosse mais encorpada e ganhasse em peso, as vendas não foram satisfatórias e a gravadora em contrato com o Motley Crue pediu a volta do vocalista original como condição para que subsidiasse o novo álbum. Todo este clima contribuiu para que John Corabi saísse da banda que integrara desde 1992. Apesar do pouco mais de uma década na guitarra do Kiss, Bruce não era um membro original e quando houve a participação de Ace Frehley e Peter Criss no especial acústico promovido pela MTv, ele já tinha a dimensão de que uma reunião dos quatro mascarados estaria à caminho. No decorrer da turnê, tanto o guitarrista quanto o baterista Eric Singer eram pagos semanalmente (pois o anúncio de uma reunião do Kiss era iminente) e estavam liberados para trabalhar em projetos paralelos. Deste feita, em 1996, tanto Kulick quanto Corabi estavam em busca de novos horizontes musicais e resolveram juntar suas forças. Amparados pela bateria de Brent Fritz e pelo baixo de Jaime Hunting (que havia tocado com David Lee Roth), a dupla de renegados do hard rock formou o Union, banda que primava por uma sonoridade densa, embasada em guitarras no primeiro plano e ótimas composições que flertavam com o rock alternativo. O primeiro álbum foi lançado em 1998, sendo seguido de algumas datas acústicas da dupla Corabi/Kulick e uma turnê completa com a banda que resultou num álbum ao vivo.  Entretanto, todo este nosso preâmbulo se faz presente para falarmos sobre o segundo e magistral álbum de estúdio desta banda, The Blue Room. Apesar de seguir os mesmos passos do primeiro álbum, as canções se apresentam com arranjos mais variados, um investimento maior nas melodias melancólicas, intercaladas com incursões de agressividade inerente ao hard rock americano.  O que salta aos ouvidos de imediato é a química existente quando Corabi e Kulick se juntam para compor e tocar rock n`roll, executando uma alquimia com o que há de melhor nas décadas passadas do estilo, em especial, os anos 80 e 90, terrenos onde as armas de ambos são exterminadoras. Estes argumentos se mostram verdadeiros já na abertura forte e enraivecida de Do Your Own Thing, com vocais bem encaixados e maliciosos, guitarras duelando em ritmo acelerado num típico hard rock engrandecido com um refrão furioso, precedido por uma ponte melodiosa no melhor que o estilo pode produzir.  Mas se o quesito é malícia, nada se compara ao trabalho de Dead. Desde seu riff inicial, linha vocal, andamento, refrão, backing vocals e solo inspiradíssimo, tudo se encaixa de modo ímpar para formatar uma composição digna dos grandes álbuns de hard rock da história. Outro grande momento está na faixa No More que fecha não só o álbum, mas também a discografia da banda.  Procure uma palavra que defina este álbum e ela será melodia. Hypnotize (uma das pérolas mais brilhantes de todo tracklist, quiçá, a mais ofuscante), I Wanna Be (outra pepita preciosa do álbum) e Shine (segunda preciosidade máxima deste magnífico álbum) são amores à primeira ouvida para os adoradores de uma melodia menos polida e mais rústica que compõem típicas power balladsOutro elemento evidente é densidade. Um exemplo imediato é a canção Everything`s Alright, resvalando levemente em sonoridades que as bandas alternativas do início da década de noventa praticavam, intercalando backing vocals com o refrãos sobre uma base densa e melodiosa. Um canção digna de nota, cujo solo é dilacerantemente arrebatador. Dear Friend também teria feito muito sucesso e saturado as rádios nas ondas que iniciavam a década noventista. A alternância de fúria e melodia tem quase um caráter bipolar nas canções deste álbum. Pegue o riff da canção Dead, dê-lhe uma dose de testosterona e podemos introduzir a canção Who Do You Think You Are, que traz o refrão mais matador do álbum, decorado com um belo e sonoro “motherfucker” embasado por uma camada musical quase se assemelhando a um convite para uma contenda acompanhada de socos e pontapés. Entretanto, os segundos que precedem este refrão passam uma calma melodiosa que causa um efeito contraditório e contagiante. Já Do You Know My Name tem uma melodia tão sinuosa que nos seduz na primeira audição, assim como todo o álbum que se tornou peça desconhecida após resenhas desfavoráveis, mas que mostra mais atitude e boas composições que a maioria das bandas do estilo tiveram a ousadia de fazer em uma das piores tormentas que assolou a história do rock no limiar da década de noventa. Vale a audição acurada…

Ano: 2000

 
Formação: John Corabi (guitarra e vocal), Bruce Kulick (guitarra e vocal), Jamie Hunting (baixo) e Brent Fritz (bateria).
 
Disco Pai: Motley Crue:  Motley Crue (1994)
 
Disco Irmão: Alice Cooper: Dragontown (2001) 


Disco Filho: Bruce Kulick: BK3 (2010)

Curiosidades: Bruce Kulick se aventura nos vocais na faixa Dear Friend ao lado de John Corabi que além de ser o vocalista principal, produziu o disco ao lado de Bob Marlette que, por sua vez, produziu, tocou teclado e baixo, fez arranjos e foi compositor no disco irmão citado anteriormente.

Pra quem gosta de: Ser do contra, projetos paralelos, atitude sem esquecer da sensibilidade, cerveja pilsen e detonar grunges ensebados.

 

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