JOHNNY WINTER: Um Albino Nos Campos de Algodão

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Apesar do cenário ter mudado um pouco após o advento da cena britânica na década de 60, o blues sempre foi associado aos músicos negros. Historicamente tal associação sempre se fez presente devido a gênese do estilo nos campos de algodão, onde os escravos negros labutavam de sol a sol e entoavam suas work songs como forma de tornar o trabalho menos árduo.

Neste contexto, um guitarrista albino precisava mostrar uma técnica mais que apurada para ser respeitado como um verdadeiro músico de blues dentre os grandes nomes do estilo e Johnny Winter realizou tal feito.

De forma louvável, construiu uma discografia irrepreensível, tanto como músico, quanto como produtor musical e desfilou seu estilo único e raivoso ao lado de nomes como Muddy Waters, Sonny Terry e Big Walter Horton, três dos maiores nomes da história do blues.

Infelizmente, as cordas de sua guitarra deixaram de vibrar fortes acordes no dia 17 de julho, de 2014, quando do falecimento de Winter aos 70 anos, na cidade de Zurique, na Suíça, em um quarto de hotel. Para nós brasileiros, não iremos mais poder conferir seu poderio musical nas apresentações que aconteceriam em outubro deste ano.

Johnny Winter nasceu no estado americano do Texas, no ano de 1944 e com uma característica que lhe traria problemas sociais durante a infância: o albinismo. Logo descobriu a música como válvula de escape para seu problema, que também acometia seu irmão mais novo, Edgar Winter que se tornaria um exímio multi-instrumentista.

Juntos formaram as bandas que serviriam de experiências iniciais para ambos, uma preparação para um futuro musical profissional. A tradição texana do blues tem pilastras em nomes como Blind Lemon Jefferson, Lightnin’ Hopkins, T-Bone Walker, Clarence “Gatemouth” Brown, Freddie King, Albert Collins e, mais recentemente, Billy Gibbons do ZZ Top e os irmãos Jimmie e Stevie Ray Vaughan.

Em meados da década de 60, Johnny Winter colocaria seu nome neste hall das estrelas do blues texano com o lançamento de seus dois primeiros álbuns, que o colocou ladeado a guitarristas do quilate de Jimi Hendrix, Jeff Beck e Duanne Allman, tamanho o impacto das músicas ali apresentadas.

Participou do festival de Woodstock e lançou seu último álbum de inéditas em 2004. Além de talento, o bluesman albino sempre se mostrou um sobrevivente em um estilo que foi deixado de lado ao longo dos anos, se tornando um dos maiores expoentes do blues rock, inspiração para diversos guitarristas das gerações futuras e dono de uma discografia colorida por tons únicos e acordes febris.

Johnny Winter se apresentando no histórico festival de Woodstock em 1969.

Johnny sempre se mostrou muito prolífico em sua discografia, lançando álbuns muito consistentes. No decorrer da carreira intercalou o blues genuíno com elementos do hard rock setentista, o que o fez ser respeitado e admirado dentro da cena mais pesada do rock daquela década.

Aliado a seus álbuns poderosos, os seus shows rapidamente o fizeram ser alçado a um dos maiores nomes do circuito blues rock de sua geração, trazendo junto ao sucesso, muita pressão.

O calor das apresentações de Johnny Winter pode ser conferido em alguns de seus álbuns ao vivo e se tivesse que indicar um destes, Johnny Winter and… Live seria o escolhido. Entretanto, o vício em heroína foi uma pedra em seu caminho.

Após assistir a morte de Janis Joplin e acompanhar o que esta droga estava acarretando na carreira de Eric Clapton, Johnny Winter decide que já é hora de se tratar, pois não queria seguir os passos de alguns de seus contemporâneos.

Seu retorno veio com Still Alive and Well, dizendo ao mundo que aquele guitarrista albino estava de volta, triunfante e com estilo intacto. A partir de então, retomou o curso produtivo de sua carreira até o ano de 1977, quando tudo mudou e sua reputação foi abrilhantada no hall da fama do blues, após os excelentes trabalhos ao lado de Muddy Waters, uma lenda viva naqueles tempos.

Johnny Winter foi um dos nomes que auxiliaram o retorno de Muddy com álbuns memoráveis como King Bee, Hard Again e I’m Ready. Não bastando, ainda esteve acompanhado de Willie Dixon, Styve Homnick e Sonny Terry no fantástico álbum Whoopin’, de 1984.

 

Johnny Winter também problemas com drogas, se reabilitou e trabalhou com as maiores lenda do blues, mesmo pertencendo a uma geração posterior e flertando com o hard rock setentista.

Ano após ano, Johnny Winter se tornou um exemplo a ser copiado, ato declarado de muitos nomes de peso das seis cordas como Joe Satriani, George Thorogood, Stevie Ray Vaughan, Jonny Lang e Kenny Wayne Shepherd. Desde o início sempre contou com o apoio do irmão, Edgar Winter, um multi-instrumentista que, apesar das diversas parcerias entre os irmãos, sempre construíram caminhos separados, pavimentados com muito respeito por parte da cena musical.

Claro que gravaram juntos, principalmente álbuns ao vivo, como Togheter – Live!, que merece uma atenta audição. O estilo de nosso personagem variava dentro das cenas do blues do Texas e de Chicago, que ainda era submersa em um banho de atitude rock n’ roll, buscando o que de melhor cada elemento destes tinha para oferecer, formatando uma originalidade musical ímpar, talvez batizada como Albino Blues.

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