VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Charles Aznavour, La Bohème

Dia Indicado para ouvir: Domingo.
 
Hora do dia indicada para ouvir: Oito da Noite.
 
Definição em um poucas palavras:  Adulto, Baladas, Classudo ao quadrado, Melancólico, Regional, Sentimental, Urbano.

Estilo do Artista: Chanson/ French Pop.
 
Comentário Geral: Eis aqui o álbum que marca a consolidação de um grande intérprete francês. Apesar de pouco conhecida das gerações mais novas, a música francesa mostra-se riquíssima e, em particular, as décadas de 50, 60 e 70 do século passado, foram de peculiar brilhantismo. Dentre os mais iluminados nomes, temos Charles Aznavour como peça central desta geração que expandiu a musicalidade típica da chanson e do cabaret (forma de entretenimento que mistura comédia, música, teatro e dança), trazendo mais lirismo, com versos inspirados nos grandes nomes da poesia. O próprio Aznavour diria, anos depois, que o grande trunfo das suas canções eram os versos que compunham as estrofes cantadas por sua voz peculiar, que ele mesmo definia como estranha, mas que lhe dava unicidade diante de outros cantores contemporâneos,  fazendo dele um intérprete inimitável e de expressividade ímpar. Ainda como um obscuro pianista franco-armênio, conheceu Edith Piaf podendo, inclusive, ter salvado a vida desta grande cantora, Entretanto, a verdade é que os dois se viam ligados por uma amizade verdadeira, que durou até a morte da cantora em 1963. Dois anos à frente e a música francesa gerava La Bohème, uma de suas mais brilhantes gemas e que traz na interpretação de Charles Aznavour uma incerta impressão de que fazer boa música é algo corriqueiro, pois o talento do cantor torna cada nota de simples alcance e qualquer emoção de palpável interpretação musical. A faixa-título é uma das canções mais belas que este que vos escreve teve o privilégio de ouvir. Esta peça narra, de modo lírico, acompanhada de um piano, as vicissitudes da juventude de um pintor que rememora um amor perdido, cujas palavras estão banhadas por uma taça de bordeuax e esfumaçadas num cigarro dentre os dedos. Busque qualquer vídeo de Aznavour interpretando esta canção e tenha certeza de que não exagerei em nenhuma palavra quando ele desfila os versos quase em um spoken word teatral. As demais canções são adornadas e alicerçadas nos mais variados estilos musicais, indo da guitarra pop, passando pela orquestração com classe, algumas pinceladas de elementos culturais, muitos arranjos típicos do cabaret e doses homeopáticas, porém eficientes, de jazz americano. Num álbum onde a espinha dorsal é a indefectível voz de Charles Aznavour, dentre as dezoito canções, podemos destacar Plus Rien (que traz arranjos simliares ao que Sinatra apresentava na mesma época, sendo a interpretação do cantor tocante, para dizer o mínimo), Il Viendra Ce Jour, Sur Le Chemin de Retour, Parce Que Tu Crois, Sarah e a musicalidade deliciosamente cômica  de A Propos De Pommier. A canção Paris Au Mois d’Aout é um caso em separado, pois é originalmente parte da trilha sonora do filme homônimo, onde Aznavour interpreta o papel de um homem casado que vive sua última aventura extra-conjugal, quando a esposa sai com os filhos de férias. O arranjo é tão grandioso quanto o sentimento expresso na história e mencionar a interpretação musical de Aznavour é redundância. Quanto a  Il Fallait Bien, basta dizer que sua beleza é a que mais se aproxima da sensibilidade desconcertante de La Bohème, dentre todas as iluminadas canções apresentadas neste álbum, que além de notável, é uma bela iniciação para quem acredita que a canção She é única pérola deste grandioso cantor francês. 

Ano: 1965
 
Top 3:  La Bohéme, Paris Au Mois d’Aout e Il Fallait Bien
 
Formação:  Charles Aznavour (vocais) e Paul Mauriat (orquestração)

Disco Pai: Edith PiafLa Vie En Rose/Un refrain courait dans la rue (1947).
 
Disco Irmão: Jaques Brel: Olympia 64  (1964).


Disco Filho: 
Scott Walker: Scott 4 (1969)

Curiosidades: Pela capacidade de interpretação e domínio de sua voz, Charles Aznavour era chamado de Frank Sinatra francês. Mas a associação não se restringe apenas a semelhanças profissionais, pois a dupla Sinatra/Aznavour chegarou a gravar a canção You Make Me Feel So Young, para o álbum Duets, lançado em 1993 por Frank Sinatra.

Pra quem gosta de: Vinhos, crooners, Brigite Bardot, saudosismo e comida francesa.

 

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