MITOS DE CTHULHU: O Panteão Macabro de H. P. Lovercraft

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Howard Philips Lovecraft sempre foi um escritor de hábitos monótonos, mas de obra mais que relevante para o gênero do terror. Sua linhas formais, adornadas por palavras rebuscadas e de irrepreensível gramática advêm do hábito da leitura, cultivado desde muito cedo, ainda na cidade de Providence.

Desde infante absorveu as mais diversas histórias fantásticas e, segundo o próprio informa no artigo “Algumas Notas Sobre Algo Não-existente”, já aos três anos escutava e se deliciava com os mais diversos contos de fadas, além da obra dos irmãos Gimm, que de acordo com o texto ele já lia aos quatro anos.

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Lovecraft e seu panteão macabro.

Inspirado pelas Mil e Uma Noites, H. P. Lovecraft criara o autor Abdul Alhazred, responsável pelo onipresente – pelo menos no gênero do terror – Necronomicon. Sim meus caros, aos poucos que ainda não o sabem, este amaldiçoado compêndio saiu da mente de H. P. Lovecraft.

O contato com mitologias diversas foi essencial para suas mais destacadas criações, sendo ele um confesso admirador, em especial, da  mitologia greco-romana, bem como, declara influência das obras do renomado Gustave Doré, responsável por ilustrar grandes obras da literatura universal como A Divina Comédia, de Dante e Paraíso Perdido, de John Milton. Os habituais leitores das bem traçadas linhas do autor irão enxergar o espírito das descrições de Lovecraft no desenhos de Doré.

Para conferir mais detalhadamente a obra de Gustave Doré, clique aqui e leia nosso post especial sobre sua obra…

Apesar de não ter frequentado a faculdade em consequência de sua saúde frágil, Lovecraft investiu em estudos informais, se uniu a United Amateur Press Association (organização que trocava cartas entre autores independentes e que se criticavam mutuamente) e descobriu Lord Dunsany, em 1919, um autor que mudaria sua concepção de mitologia artificial, e que teria influenciado, mesmo que sem ciência de tal ocorrência, na sua obra-prima, escrita em 1926, “O Chamado de Cthulhu”.

Confira nosso texto completo sobre o clássico “O Chamado de Cthulhu” aqui

Esta foi uma obra pioneira por natureza, e nos apresentaria o Grande Cthulhu e seu culto ancestral, que estaria presente nos mais diversos lugares da Terra. A prece “Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn” (entoada em louvor ao guardião dos Grandes Anciãos, criaturas alienígenas que vieram à Terra e viveram eras antes do primeiro homem nascer, habitando um mundo ainda jovem) é de arrepiar.

Apesar do conto Dagon ser precedente, podemos encarar  O Chamado de Cthulhu como sendo o ponto de partida do que viria a ser conhecido pelos admiradores da obra de Lovecraft como os Mitos de Chutulhu, e que transcendeu a obra do autor, aparecendo em textos de nomes do quilate de Stephen King.

Confira nosso texto sobre “Revival”, obra de Stephen King ambientada dentro dos Mitos de Cthulhu, aqui

OS MITOS DE CHTULHU

A importância desta pseudo-mitologia criada em torno dos personagens de Lovecraft é imensurável.

Na obra A Cthullu Mythos Bibliography and Concordance são listados mais de dois mil trabalhos dentre livros, contos, novelas, filmes, jogos, etc., até a sua publicação em 1999, que envolviam direta ou indiretamente as entidades de panteão artificial.

Incrível pensar que todo este conjunto da literatura sobrenatural tenha sido semeado pela mente de um simples autor, que desfilava contos sobre seres vindos das profundezas do espaço, cultuados por seres humanos em busca de uma resma de seu imenso poder.

Cthulhu e Dagon

Ao contrário das mitologias convencionais, os mitos de Cthulhu não estão sistematizados em relatos diretos. Para costurar todo o panteão de Lovecraft – e continuado por outros autores – é necessário buscar descrições e relatos imersos em seus contos.

Os pilares desta mitologia estão fixados em bibliotecas de livros ocultos, maldições e encantamentos, nos “deuses”,  nas suas imagens monstruosas perpetradas em estatuetas, nos seus adoradores humanos e numa base cósmica, espacial e temporal que tece, de modo indiscutível nos seus contos, uma linha tênue entre ficção científica e terror.

A genialidade de Lovecraft está em unir todos estes elementos em contos de representatividade literária. O termo Cthulhu Mythos foi cunhado pelo escritor August Derleth originalmente com a missão de abarcar todos os monstros e entidades construídos por Lovecraft durante sua carreira.

Mais tarde, este termo se tornou uma forma de referenciar o universo compartilhado entre obras de autores diferentes, mas que eram alicerçadas na “mitologia” de Lovecraft.

O primeiro ser do panteão lovecraftiano a ser apresentado foi Dagon, no pequeno conto que trazia o seu nome como título. Nesta época, o autor ainda estava desenvolvendo sua escrita e as bases da mitologia foram melhor alicerçadas em O Chamado de Cthulhu, que traz os elementos básicos listados anteriormente – estatuetas, cultos e seres antigos.Nesta história, é apresentado o culto aos Grandes Antigos que iriam permear toda a obra do autor.

Pelos relatos colhidos no desenvolvimento de sua bibliografia, estes grandes antigos são seres de outras dimensões espaciais que chegaram ao nosso planeta a bilhares de anos passados, quando o orbe terrestre estava emerso no caos e ainda não teria condições de desenvolver a vida. A gênese humana teria sido responsabilidade destes Grandes Antigos, com o único propósito de servi-los e entretê-los.

Hastur, o Inominável.

Obviamente o autor sofrera com alguns religiosos quando publicava suas histórias, que, em alguns momentos, deixava implícito que estes seres dimensionais teriam moldado o universo como um todo.

Eles seriam formados por uma matéria diferente. Geralmente dotados de colossal tamanho, estariam alguns aprisionados nas profundezas dos oceanos, outros no centro da Terra, e ainda outros baseados em um diferente planeta do sistema solar, podendo influenciar a humanidade quando se desse um certo alinhamento estelar.

O aprisionamento destes seres nunca foi esclarecido nos textos de Lovecraft, mas alguns inferem que eles foram sequestrados pelos Deuses Antigos como castigo por suas transgressões.

Os Grandes Antigos seriam adoradores dos Deuses Antigos e teriam cometido alguma blasfêmia não especificada, cujo castigo seria o aprisionamento em diferentes planetas do universo. Outra teoria quanto ao aprisionamento destes Grandes Antigos seria um cíclico tipo de hibernação.

O PANTEÃO DE LOVECRAFT

Claramente quando Lovecraft iniciou seus contos ele não pretendia sistematizar uma mitologia. Simplesmente se valia de certos personagens para construir suas historias que pareciam interligadas por um conhecimento arcano que foge à capacidade de compreensão humana.

A fundamentação futura de tal mitologia foi embasada pelas citações precisas de livros que o autor lançava mão, criando o sentimento em seus leitores de pia crença da posse destes volumes ocultos por parte do autor.

Futuramente, após um estudo detalhado dos escritos de Lovecraft, foi possível elencar um panteão de deuses que não incluía Nodens, um membro de um grupo rival de deidades poderosas conhecidas por Deuses Anciãos.

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A Hierarquia do Panteão Macabro de H. P. Lovecraft exposto em suas obras.

As deidades lovecraftianas centrais eram Azatoth (o líder do panteão e cego) e Yog-Sothoth (segundo na hierarquia e que incorporava o infinito, se mostrando onipresente em tempo e espaço). A hierarquia segue com Shub-Nigurath (mencionado, mas nunca descrito por Lovecraft), este sendo uma espécie de deus pagão da fertilidade.

Ainda são citados os Deuses Exteriores que dançam inconscientemente em torno do trono de Azatoth e o seu avatar  e mensageiro Nyarlathotep, o único que pode interagir de modo inteligente com seres humanos. Seguindo para os limites terrestres estariam Cthulhu (uma espécie de sacerdote do deuses) e Dagon, seu subordinado imediato.

O intuito claro de Lovecraft nunca foi criar demônios, mas sim seres extraterrestres abomináveis, tendo seu panteão evoluído mesmo após sua morte pelas mãos de outros autores.

ALGUMAS DEIDADES

Grandes Antigos

O mais famoso destes seres é sem dúvida Cthulhu, referenciado como o Deus Adormecido e descrito como uma enorme cabeça humanoide com tentáculos. Este ser teria uma filha denominada Cthylla e teria muitas semelhanças físicas com seu pai.

Ainda podemos destacar Yig (O Pai das Serpentes, uma escamosa serpente humanoide), Hastur (O Inominável, ser amorfo, sendo sua real forma desconhecida), Chaugnar Faugn (O Horror das Colinas, um humanoide com cabeça de elefante), Itaqua (O Caminhante do Vento, um terrível gigante de gelo), Cthugha (A Chama Viva, seria semelhante a uma bola de fogo viva) e Dagon (uma abominação aquática que pode viver emersa por muito tempo, sendo capaz de se tornar hibrido com seres humanos).

 

Itaqua, Yig, Shub-Nigurath e Chaugnar Faugn.

Deuses Exteriores

Os Deuses Exteriores são extremamente mais poderosos na escala cósmica, e a nomenclatura apareceu pela primeira vez no jogo de RPG O Chamado de Cthullu, sendo que alguns autores e estudiosos da obra de Lovecraft não aceitam distinções entre estes seres e os Grandes Antigos.

Estes Deuses Exteriores seriam blasfemos e ignorantes, fora da capacidade humana de compreensão, cujo principal desejo está situado entre destruir e escravizar a humanidade.

Nyarlathotep

 

Liderados por Azatoth (O Demonio Sultao, cujo reinado esta no centro do Universo e se mostra como uma enorme monstruosidade), sua corte inclui nomes como Shub-Niggurath (Esposa do Inominável, sendo uma terrível nuvem negra), Yog-Sothoth (O Todo-Em-Um, aparece como um conglomerado de bolhas brilhantes) e  Nyarlathotep (O Caos Rastejante, geralmente se apresentando com um belo negro humano).

Estes Deuses Exteriores teriam influencia ilimitada e seriam divididos em dois subgrupos: Outros Deuses e Deuses Exteriores Menores.

 

Deuses Anciãos

São seres imortais, diferenciados dos outros tipos citados acima por se mostrarem mais agradáveis aos olhos, por sua semelhança aos humanos.  Majestosos, eles nos causariam encanto. Alguns deles se mostram simpáticos aos seres humanos, ajudando-os a retornar em segurança de alguma desventura pavorosa, mesmo que psicologicamente perturbados.

Estudiosos divergem sobre seu caráter benevolente, sendo que alguns os relacionam como “o grupo das entidades do bem”. Suas motivações estão além da compreensão humana, sendo que seu apreço pelos humanos nunca é explicado.

O único destes seres mencionado por Lovecraft foi Nodens, O Senhor do Abismo Primordial, referenciado não necessariamente como simpático aos humanos.

Cthugha, Azathoth e Yog-Sothoth

Posteriormente, alguns escritores dos Mitos de Cthullu o mostrou como um ser sem interesse em hostilizar a humanidade, e sempre disponível a ajudar humanos perdidos em dimensões alienígenas.

August Derleth foi o responsável por coloca-los como seres ligados ao bem, algo não original nos propósitos de Lovecraft que, claramente, enxergava o espaço como um lugar de seres hostis ao ser humano.

Além de Nodens, na obra de Brian Lumley, somos apresentados a Kthanid, um irmão (num sentido mais arcano que o usualmente praticado pelos humanos) e opositor de Cthulhu. Apesar de seus olhos humanos e sua personalidade benevolente, se parece muito com Cthulhu.

Esta é a categoria do panteão que menos possui seres listados na mitologia cthulhiana.

 

Os Grandes

Deuses da Terra dos Sonhos (lugar ficcional vasto, em uma dimensão alternativa que só pode ser atingida por sonhos ou projeção astral), os Grandes são seres com menor poder e de intelecto atrasado, podendo ser enganados ou seduzidos por humanos simples.

Geralmente são protegidos pelos Deuses Exteriores, em especial por Nyarlathotep, que possui influência nesta dimensão, ao contrario das outras deidades do panteão macabro de Lovecraft.

Confira um vídeo em espanhol que tenta sistematizar um pouco mais toda a confusão gerada pelo desenvolvimento, a muitas mãos, de uma das mitologias artificiais mais interessantes da literatura moderna.
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