OCULTISMO NAZISTA: Hitler, O.V.N.I.’s e os Hiperbóreos

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Não! Hitler não se suicidou! Em algum momento do ano de 1945, pouco antes de efetivamente ser vencido em sua guerra, Adolf Hitler subiu em um disco voador destinado ao continente gelado da Antártida, onde viveria seus últimos dias, acompanhado de sua esposa, Eva Braun, contatando divindades do continente perdido de Hiperbórea. Pelo menos é o que diz uma das mais descabidas e, ao mesmo tempo, mais interessantes, teorias conspiratórias que envolvem o Nazismo. Hoje, vamos falar um pouco sobre como Hitler fugiu em um disco voador e prepara-se para a batalha final das forças da luz (raça ariana) contra as forças das trevas (judeus e seguidores de Javé). Mas, antes disso, uma parada para saber…

… Quem eram os Hiperbóreos?

Conclamados por Nietzsche nas primeiras frases de seu livro O Anticristo, os hiperbóreos são referenciados como aqueles cujo caminho não pode ser encontrado nem por terra nem mar. O pouco que é destacado destes hiperbóreos pelo filósofo alemão, nos chega como uma alegoria a uma forma de superioridade intelectual. O que a mitologia nos conta sobre estes hiperbóreos é que se tratava de um povo que vivia em uma terra longínqua, ao norte da Grécia, uma região perfeita, onde o sol não se punha. A lenda Hiperbórea se fundiu a uma outra lenda antiga, a da Última Tule. As primeiras citações dizem que Tule seria uma terra de gelo e fogo, situada no Atlântico Norte, onde o sol nunca descansava, algumas vezes referenciada como a capital do país Hiperbóreo. Mencionada por grandes nomes como Pítias, Eratóstenes, Virgílio e Bécio, ao longo dos séculos sua existência se tornou parte da miologia, ou identificada com a Islândia e ilhas do extremo norte. A mais reconhecida descrição desta ilha se encontra na Charta Marina, de Olaus Magnus, datada de 1539. A força mística no extremo norte do planeta, fortemente condensada em uma ilha de gelo foi defendida também pelo sábio ocultista inglês John Dee, que acreditava na existência de planos paralelos ao nosso, sendo uma ilha do extremo norte do orbe terrestre um ponto de tangencia entre estes planos.

Segundo Umberto Eco, as narrativas antigas nunca apontaram Hiperbórea como o berço de uma raça eleita, mas com o florescimento das hipóteses nacionalistas sobre as origens das línguas, o extremo Norte foi assumindo cada vez mais os contornos de uma pátria, tanto na língua quanto na raça primogênita. A cultura oculta progrediu sustentando que o berço da civilização seria no extremo norte do planeta e a partir da descida das raças-mãe para o sul, algumas delas foram se perdendo e deteriorando sua pureza, muito em decorrência das diferenças climáticas entre os extremos e os trópicos, permanecendo puras somente as raças que se mantiveram no norte gelado. Podemos situar este como ponto principal para o advento da origem hiperbórea da raça ariana. O local dos quais os primeiros arianos eram oriundos foi uma da grandes discussões que envolveram o tema, variando do norte alemão e Escandinávia, até a Índia ou Ucrânia. Madame Blavatsky, umas das proeminentes ocultistas, afirmava em seus textos que Hiperbórea seria um continente polar que englobava a Groenlândia (também alvo de John Dee) onde residiu a segunda raça da humanidade, gigantes andróginos de feições monstruosas.

Hiperbórea, ou País dos Hiperbóreos é um país mítico que, segundo a mitologia grega, existia no extremo norte, além do local de onde sopra Bóreas, o Vento Norte e que era inteiramente devotado a Apolo.

 

A literatura espírita localiza os hiperbóreos como a terceira raça-mãe da humanidade, situado no período em que a ciência contemporânea denomina de Era da Pedra Lascada. Nesse período, a atmosfera terrestre sofrera um resfriamento súbito, abrindo espaço para geleiras que cobriam todo o planeta. A obra Os Exilados da Capela, de Edgard Armond, marca o surgimento da terceira raça-mãe, composta por homens de porte agigantado, braços mais curtos e pernas mais longas e já com certo lampejo de entendimento. O habitat central desta terceira raça seriam os continentes da Lemúria (que se estendia das Ilhas de Madagascar, descendo até a Austrália e incluindo a Polinésia) e a região central da Ásia, onde se situa o Himalaia. No capítulo VII, Armond nos apresenta o panorama geográfico da Terra neste período, sendo o continente Hiperbóreo situado ao norte, cobrindo todo o polo norte, até a altura do paralelo 80, sobre todo o território europeu. Esta seria a região habitada pelo que Armond referencia como a quinta raça, os Árias. Esta quinta raça é descrita como seres de estatura elegante e magnífica, cabelos ruivos, olhos azuis e rosto de feições delicadas. Em decorrência do resfriamento intenso este povo se viu obrigado a rumar ao sul em massa, se estabelecendo na Europa Central, sendo a última raça do nosso planeta com orientação dos Dirigentes Espirituais do nosso planeta. O autor adverte aos mais afoitos que, do ponto de vista espiritual, atualmente, toda a humanidade é pertencente à quinta raça. Na obra A Caminho da Luz, de Chico Xavier, os germânicos, e não eles somente, são citados como descentes diretos dos Árias.

Geografia terrestre no período da Pedra Lascada segundo as informações de Edgar Armond. 

 

O Misticismo Nazista. 

As ligações da alta corte nazista com o ocultismo nos levam a acreditar que algumas destas correntes de conhecimentos foram absorvidas. O nascimento da filosofia da superioridade ariana, denominada ariosofia, defendida pela sociedade secreta Thule Gessellschaft, esboçou os primeiros traços mais sinuosos de racismo. O oceano de divagações ocultistas onde a alta hierarquia nazista se via banhada deu voz às mais diversas teorias que elevassem a supremacia ariana. Circulava com muita força nos círculos nazista a teria do Gelo Eterno, onde o cosmos era o palco da luta eterna do gelo e do fogo, que promove uma alternância de ciclos e eras e não propriamente uma evolução. Esta teoria complexa é um tópico que demandaria um texto somente para si.

Em caráter geral, o misticismo e o ocultismo sempre foram deixados de lado quando se falava do nazismo, e estes temas não eram nem de longe interesses de Adolf Hitler. Todavia, apesar do radicalismo anticlerical da Alemanha Nazista, dois nomes se contrapunham quando o assunto era o misticismo. Para o líder, Adolf Hitler, as crenças religiosas eram irrelevantes se não se tornassem obstáculos aos objetivos políticos. Na verdade, o líder nazista não exibia nenhum interesse por misticismos e ridiculariza Himmler, líder da temida brigada de elite SS, pelo seu explícito fascínio pelas ciências ocultas. Ao assumir o comando da Schutzstaffel (SS), Himmler decidiu transformá-la na tropa de elite do futuro Reich, adotando para ela o modelo praticado pela Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, salvo pela exclusão completa do cristianismo.

A medida que sua figura aumentava a importância dentro do nazismo, Himmler mais se embrenhava no estudo do ocultismo. Cátaros, Atlântida, Teoria do Gelo Cósmico, magos descendentes diretos do deus Thor, todo este arsenal de conhecimentos ocultos envolvia o líder da tropa germânica. O amálgama destes ingredientes, temperado com doses de mitologia germânica veio se tornar uma espécie de religião para Himmler, com rituais bem determinados, fazendo com que a SS se aproximasse de uma seita ocultista, tendo um bruxo, autoproclamado descendente direto do deus Thor, como uma espécie de sacerdote, mais tarde nomeado aos quadros do governo nazista.

Dentre os nomes de alta hierarquia dentro do nazismo, Himmler era uma das vozes mais fortes em defesa da teoria da superioridade alemã, embasada na afirmação de que os alemães eram descendentes do povo da mitológica Atlântida. Mesmo sendo um dos mais descrentes nesta justificativa, Hitler ainda se apegava a ela com claros interesses políticos, como uma forma de justificar suas atrocidades. O misticismo nazista não se resume a apenas este pouca parcela exposta, seu símbolo, a suástica, tem origem no ocultismo, mas esta parte da história é outra que merece um texto exclusivo.

Heinrich Himmler, líder da temida brigada de elite SS e detentor de um alto fascínio pelas ciências ocultas

Os Hiperbóreos, O.V.N.I’s e a Fuga de Hitler 

As conspirações entre inteligências extra-terrenas e líderes de nossa era moderna são temas comuns ao cinema e a literatura, especialmente no período pós-segunda guerra. Logicamente os nazistas não sairiam incólumes destas elucubrações e os rumores de super armas desenvolvidas no auge do III Reich seriam aquilo que hoje confundimos com O.V.N.I’s. Mas, sendo esta ideia passível de realidade, por qual razão os avistamentos destes fenômenos seriam tão mais comum nos dias atuais? Segundo as correntes míticas, a presença oculta dos remanescentes nazistas em regiões inacessíveis do orbe terrestre seria uma das explicações. A outra seria a continuidade das pesquisas nazistas por parte dos norte-americanos. A história paralela seria de que nos estertores da segunda guerra, por volta de maio de 1945, esta tecnologia teria sido usada para empreender a fuga de Adolf Hitler e alguns de seus asseclas, enviados em segurança para os continentes polares e/ou America do Sul. O mito dos O.V.N.I.’s nazistas se aproxima do mito da sobrevivência de Hitler, sendo embasado pela revelação de que os cientistas nazistas trabalhavam em projetos de discos voadores durante o III Reich. Escritores neo-nazistas ajudaram a difundir a ideia de que o Reich de Hitler teria, com sucesso, implantado bases secretas nos continentes polares e, anos mais tarde, novos  mitos ligariam os nazistas a antiga Babilônia, energia Vril e civilizações extra-terrenas na constelação de Aldebarã.
Seriam os OV.N.I’s projetos nazistas bem sucedidos que os teriam ajudado a fugir para bases polares no apagar das luzes da II Guerra Mundial?

Mas onde entram os Hiperbóreos nesta história?  O crédito desta ligação se deve ao escritor chileno Miguel Serrano, simpatizante do nazismo que adaptou o mitos hindus e nórdicos para que Hitler tivesse contato com divindades do continente perdido de Hiperbórea. Deste continente perdido sairiam uma frota de discos voadores que iria liderar a guerra entre as forças da luz (arianos) contra as forças das trevas (judeus e demais seguidores de Javé). Este novo culto a Hitler descreve a origem celestial do arianos, sua centelha de iluminação divina e uma conspiração global contrária a sua supremacia encabeçada por um mal que regia o planeta, bem como sua matéria base. A mitologia de Serrano dá aos arianos um lar nos pólos e traz para os países da América do Sul uma dose maciça do esoterismo Thule, misturando a ideologia política nazista com esoterismo, hinduísmo e pinceladas de yoga. Sua visão era de que Hitler era um salvador da raça ariana, com força de vontade ilimitada e sem precedentes, que teria encarnado na Terra voluntariamente como uma forma de alta evolução do ser. Serrano acreditava que Adolf Hitler seria um avatar dos deuses Vishnu, Shiva ou Wotan, que veio recolocar os arianos no caminho da divindade perdida. A cosmologia desenvolvida por Serrado para explicar os propósitos e a morada dos deuses é uma teia de complexidade que beira a ficção científica lovecraftiana. Neste emaranhado de deuses, revoltas cósmicas e independência de espaço-tempo, em resumo, os arianos seriam descendentes diretos destes deuses hiperbóreos, que são opositores da sub-raça criada pelo demônio Demiurgo (Javé ou Jeová). Neste contexto, Hitler teria fugido de Berlim em 1945, em uma espaçonave com tecnologia inspirada pelas divindades hiperbóreas, estabelecendo refúgio no polo sul, onde agora comanda uma guerra esotérica e invisível contra as forças de Demiurgo. Para finalizar, é interessante mencionar que Serrano acredita que Hitler ainda estava vivo e não teria envelhecido, pois “quem viaja na velocidade da luz vai para trás no tempo“.

 

Documentário sobre os projetos nazistas que envolviam discos voadores.

Referências:
1) Chico Xavier: A Caminho da Luz;
2) Edgar Armond: Os Exilados da Capela;
3) Umberto Eco: História das Terras e Lugares Lendários;
4) Nietzsche: O Anticristo;
5) Goodrick-Clarke: Black Sun; Aryan Cults, Esoteric Nazism and the Politics of Identity;

Anúncios

2 comentários Adicione o seu

E aí? Curtiu? Conte-nos o que achou desta postagem, mas seja educado, por favor!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s