VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Luther Allison, Bad News Is Coming


Dia Indicado para ouvir:  Terça-Feira.

Hora do dia indicada para ouvir: Seis da Tarde.

Definição em um poucas palavras: Adulto, Classudo, Guitarra, Harmônica, Jazzizstico, Melancólico, Pra Encher a Cara, Retrô, Sentimental, Da Roça.

Estilo do Artista: Blues.
 
Comentário Geral:  Nos versos de um blues moderno, a história de um garoto que desejava dominar a magia da guitarra era contada. Enquanto os riffs fortes emolduravam a história, as estrofes nos apresentava um pai que estava disposto a ensinar seu filho os segredos do instrumento, desde que o infante dedicasse seu talento ao blues. Quase como numa parábola religiosa, o pai/sacerdote ensinava os rigores ritualísticos a seu pupilo. Os tons autobiográficos da canção são de propriedade de Bernard Allison, filho do mestre Luther Allison, um mestre do blues, que em 1972 lançou o clássico álbum Bad News Is Coming. Aquele ano não era o mais propício para o blues, visto que grande parte do interesse musical dos americanos se voltava para a soul music da Stax e da Motown, levando grandes pilares do jazz e do blues a experimentar os ares europeus que clamavam pela excelência destes estilos. Neste contexto adverso, Luther Allison escolheu suas armas, fincou a bandeira do blues e foi à guerra. Sua primeira aparição se deu em 1967, numa coletânea que apresentava os novos nomes do Chicago Blues. Ali, no pouco espaço que teve, explorou suas influências mais notórias de B. B. King, Otis Rush e Magic Sam, embalado por uma certa rusticidade musical, aliada a uma técnica irrepreensível que parecia conter toda a densidade emocional do universo fragmentada em cada acorde. A força de sua música fez dele um dos poucos bluesmen a serem contratados pela toda-poderosa Motown e atraiu o interesse também da comunidade roqueira, fazendo com que fosse admirado pelos dois mundos que ditavam as regras do mercado fonográfico americano no início da década de 1970.  Este fato não o afastou da cena européia, onde era frequentador recorrente pelos idos de 1976 e extremamente admirado, até mais do que em seu país natal. Suas performances eram dinâmicas, teatrais, intensas e animadas, quase como rituais musicais tântricos, tudo muito influenciado pela música gospel absorvida de modo intenso quando ainda experimentava os ares da infância. Ao contrário dos grandes nomes do estilo, Luther não é um pioneiro, mas sim um gênio criativo sem par, moldado por doses cavalares de acordes advindos dos sulcos vinílicos de álbuns de Chicago Blues, tendo sua obra-prima, para muitos, no álbum Luther`s Blues, seu segundo lançamento pela Motown. Exercitando o saudável hábito de seguir contra a corrente, me dou ao direito de indicar aquele que acho sua obra-prima. Bad News Is Coming é seu primeiro álbum pela Motown e, apesar de ser formado quase em sua plenitude por covers, as amarras das composições originais estão soltas. As interpretações de Luther são intensas, inventivas, promovendo uma mistura da já citada rusticidade latente, com uma técnica instigante e imprevisível, azeitada por doses homeopáticas de malícia. Já na faixa de abertura, The Little Red Rooster, ele nos apresenta uma versão fortificada do blues de Chicago e rasga seu vozeirão de fazer inveja aos maiores soulmen da época.  Este tempero soul ainda aparece na canção seguinte, Evil Is Going On, onde Luther extrapola em sua interpretação maliciosa que combina libidinosamente com a harmônica entoada por Angove. Ainda temos uma versão selvagem e sem firulas para o clássico de Elmore James, Dust My Broom, que fecha o tracklist do lançamento oficial de 1972 e Rock Me Baby, de B. B. King, em uma interpretação sincera, despida de ufanismo e irrepreensível. Bad News Is Coming, a faixa título, é uma das duas faixas autorais do álbum original e a perfeita mostra do que Luther era capaz de fazer ao desconstruir o tradicional blues de Chigaco e executá-lo, de modo estupendo, à sua maneira. Esta capacidade fica evidente na sua outra peça autoral, Ragged And Dirty, que ainda se vale de acabamentos com mais groove na sua reconstrução, nos oferecendo um saborosíssimo toque de teclados. As faixas bônus também são um destaque a parte nos futuros relançamentos, onde encontramos uma versão sensacional para Sweet Home Chicago e a autoral belíssima It`s Been A Long Time, talvez a melhor composição da carreira de Allison. Por ser um álbum de blues sincero, com guitarras despidas e um blueman que saboreava cada nota que tirava de suas seis cordas, definitivamente, você devia ouvir isto….

Ano: 1972.
 
 
Formação: Luther Allison (vocal, guitarra), Paul White (piano), Ray Goodman (guitarra), Andrew Smith (bateria e baixo), Garfield Angove (Harmonica).

Disco Pai:  Albert King: Born Under Bad Sign (1967)


Disco Irmão:  Buddy Guy: Hold That Plane (1972)

Disco Filho: Bernard Allison: Keep The Blues Alive (1997)

 
Curiosidades: Luther Allison, aos dezesseis anos, um adolescente imerso no mundo do Chicago Blues, fundou uma banda com o nome de Rolling Stones. Isto quase uma década antes de Mick Jagger e Keith Richards fundarem sua banda do outro lado do Pacífico. A canção onde Bernard Allison conta sua história é Young Boy Blues e se encontra no disco filho indicado. 

Pra quem gosta de: Sentimento, lamento soul, sinceridade, whisky sem gelo e decoração rústica.   

 

Anúncios

E aí? Curtiu? Conte-nos o que achou desta postagem, mas seja educado, por favor!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s