CLÁSSICO DA MÚSICA: Michael Jackson, “Thriller” (1982).

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“Sinto que fui escolhido como instrumento para trazer música, 
amor e harmônia ao mundo.”
Michael Jackson

Poucos artistas podem desfrutar de um lugar máximo no panteão da música pop ao lado de nomes como Elvis Presley, Frank Sinatra, Ray Charles, Paul McCartney, John Lennnon e Freddy Mercury. Estes são deuses da música pop que, em 1982, tiveram sua formação adicionada por Michael Jackson.

Posso afirmar, sem medo de injustiças, que Michael foi o maior entertainer de todos os tempos. Numa época onde artistas pop tinham que cantar de verdade – e não era permitido shows com playback como acontece hoje com pseudo-artistas – ele ainda dançava muito bem e tinha uma presença de palco incrível.

Sozinho, ele preenchia toda a cena, independente da dimensão física do local onde estivesse desfilando seu talento. Se Michael Jackson tem o título de Rei do Pop, isso se deve a este disco.

Thriller é um marco, não só na história do artista, mas na história da música e todo o mainstream musical foi revolucionado depois de 1° de dezembro de 1982, com o lançamento de Thriller, sexto álbum da carreira de Michael Jackson.

 

Ascensão do Rei do Pop.

 
Jackson 5: Michael sempre foi o centro de todo o talento do grupo.

 A história começa na cidade americana de Gary, em 29 de agosto de 1958, quando nasce Michael Joseph Jackson, o sétimo dos nove filhos de Joseph Walter Jackson e Katherine Scruse Jackson.

Com cinco anos de idade, o menino mostra seu talento pela primeira vez ao lado dos irmãos. Nasce então a banda Jackson 5 que era composta por Michael Jackson e seus irmãos Marlon, Jermaine, Tito e Jackie.

Em 1969, o grupo se apresenta para Berry Gordon, dono da Motown, mais importante gravadora de artistas negros dos EUA. O sucesso é tão grande que dois anos após a assinatura do contrato com a gravadora, eles são personagens de um desenho animado.

Músicas como Got To Be There, Ben e ABC estouraram e viraram clássicos da era de ouro da Motown. Em carreira solo, Michael demorou a atingir o sucesso que tinha ao lado dos irmãos e sua popularidade só começou a alavancar em 1979 quando ganhou o Grammy de melhor artista masculino de rythm & blues pelo disco Off The Wall que vendeu dez milhões de cópias e dispensa o pai como agente pra começar a tomar conta da própria carreira. 

 
Michael e seu mentor musical Quincy Jones.

O período musical adolescente de Michael Jackson não foi tão grandioso quanto o restante de sua carreira. Em 1979 ele estava há sete anos sem emplacar nenhum sucesso solo  (o último a atingir o número um foi a balada Ben de 1972.

Dentre seus outros singles após este o de melhor colocação nos charts foi Just a Little Bit Of You do  álbum Forever Michael de 1975) e aos 19 anos precisava de um guia, um mentor musical. Esta figura foi encarnada por Quincy Jones, produtor de jazz e funk, que montou uma banda de estúdio para Michael e ainda trouxe para participações nomes como Steve Wonder.

A nova música do futuro rei do pop era uma bem construída fusão de disco music, funk e R&B, dando uma revigorada na música negra americana. Tudo isso foi visto no álbum Off The Wall, que marca a primeira, de várias parcerias, entre Michael Jackson e Paul McCartney.

Mas também, podemos ver o futuro compositor Michael em ação com seu grande hit Don’t Stop ‘Till You Get Enough.

Don’t Stop ‘Till You Get Enough, o princípio da ascensão do Rei do Pop.
 
 

O Disco Thriller: A Proclamação do Rei.

 
Capa do single “Wanna Be Startin’ Something”

Thriller é o exemplo do sucesso. A fusão do pop com o funk e o rythm & blues é melhor lapidada neste álbum que pode ser visto como uma evolução muito à frente de Off The Wall, disco anterior. Todas as canções aqui parecem obras-primas. Mas vamos ao disco.

O ritual se inicia. Vinil fora do plástico interno, colocado no prato, começa a girar ao sinal de proximidade da agulha até que, após os chiados introdutórios, o funk moderno de Wanna Be Startin’ Somethin’ – composição do próprio Michael – explode nos falantes.

A composição é simples, um riff mínimo se repete por quase toda a canção que é entoada pelos gritos de Michael Jackson, que foi acusado de ter plagiado Soul Makossa de Manu Dibango.

O mais curioso é que a inspiração do rei do pop para Wanna Be Startin’ Somethin‘  nasceu após uma visita à África no final dos anos 70 e tal injeção de criatividade fica evidente com o coro “Ma ma se, ma ma sa, ma ma coo sa” ao final da música, que foi o quarto single do álbum e quinto top ten consecutivo de Michael nos EUA.

Capa do single “The Girl Is Mine”, uma das parcerias com Paul McCartney

O disco continua girando e após o hiato que intercala cada faixa começa o soul pop clássico de Baby Be Mine. É notável que Michael se sai muito melhor em canções mais cadenciadas como estas, com linha de baixo marcada, naipe de metais muito bem colocados e refrão magistral numa mostra do que há de melhor na fusão do funk com a disco music.

Uma das estrelas do álbum nasce após mais intervalo com silêncio. Fica claro que as composições de Michael haviam amadurecido e em The Girl Is Mine temos a primeira parceria com o ex-Beatle Paul McCartney.

Foi o primeiro single do álbum, trazendo uma balada no melhor estilo soul onde o dueto de Michael e Paul representa dois homens disputando o amor de uma mulher onde, cada um mostra nos versos em que canta, amá-la mais que o outro. A canção foi um pedido do produtor Quincy Jones e a inspiração veio no meio da noite enquanto Michael dormia.

Capa do single “Thriller”.

Silêncio novamente, uma porta se abre, lobos uivam, a batida começa crescente até que o riff inicial explode trazendo um dos maiores clássicos da música pop, pois a última faixa do lado A é Thriller.

O baixo sintetizado e marcado dá o impulso para as linhas vocais de Michael Jackson que evoluem junto às batidas até o refrão apoteótico.

Por maior que seja a exaustão da execução deste hit absoluto, ouvir esta pérola ainda traz emoções incontroláveis.

A interpretação do nosso rei do pop nesta música é antológica, e não existe uma nota fora do lugar. Apesar de ser nítido que a mesma foi desenvolvida em horas e horas de estúdio, tudo parece criado por magia e a participação do mestre Vincent Price ao final da música com a porta se fechando é histórica.  

Na voz de Price, o lado A se encerra com o poema :

“A escuridão cai sobre a terra
A hora da meia-noite está próxima
Criaturas rastejam em busca de sangue
Para aterrorizar sua vizinhança
Quem quer que seja encontrado
Sem uma alma para oferecer
Deve permanecer e enfrentar os caçadores do inferno
E apodrecer dentro de um cadáver
O fedor abominável está no ar
O ranço de quarenta mil anos
Zumbis grisalhos de todas as tumbas
Estão se aproximando para selar seu destino
E apesar de você lutar para sobreviver
Seu corpo começa a sentir calafrios
Pois nenhum mero mortal pode resistir
À malevolência do terror”

Capa do single “Beat It”

É hora de levantar a águlha, virar o LP e dar início ao lado B. Silêncio… Alguns chiados devido ao atrito e então a fusão do funk com rock vem como mais um clásico de Michael Jackson.

Batidas sintetizadas, sirenes… Até que um riff completamente rock n’ roll dá as caras e o vocal de Jackson vem carregado de certa raiva e está um pouco mais agressivo que o apresentado no outro lado do disco.

O refrão é bem composto e fica gravado já na primeira audição. Tenho a sensação que já nasci conhecendo está música. Qual é? Beat It, que traz um solo de Eddie Van Hallen construído em estúdio a partir de 50 gravações diferentes e é considerado um dos melhores solos da música pop em todos os tempos.

Diz a lenda que durante a gravação deste solo um dos alto-falantes do estúdio estourou. Podemos enxergar esta gravação como a primeira rachadura no muro que separava a música negra da música branca e a letra trazia uma mensagem contra as gangues que se tornavam cada vez mais comuns nas periferias americanas.

Foi a primeira canção ao estilo rock gravada por Michael que gostou tanto do formato que o repetiu por mais algumas vezes em sua carreira.

Capa do single “Billie Jean”

A batida após o próximo silêncio entre faixas proclama a melhor canção de toda a obra de Michael Jackson. Billie Jean é perfeita em todos os ângulos em que for analisada.

Um soul cadenciado, com interpretação vocal única em toda a carreira do cantor, refrão indefectível, linha de baixo que gruda nos músculos e faz todos os ossos do esqueleto começarem a se mover em comum acordo com o ritmo das batidas e ainda traz uma letra dúbia.

A contradição das palavras não revela nada que possa ser interpretado como vida real – ou seria Michael e uma fã com problemas mentais pais de gêmeos? Ele assumiu certa vez que a canção era inspirada nas groupies que ele os irmãos encontraram pelos caminhos do Jackson 5.

O que se sabe de verdade é que nunca houve uma Billie Jean e que a letra desta música é uma continuação de Wanna Be Startin’ Somethin’. Não discordo de quem afirmar que esta canção é o molde da perfeita canção pop.

Capa do single “Human Nature”

A balada deste lado do vinil é Human Nature, composta por Steve Porcaro da banda Toto. Por incrível que pareça esta foi a última música a entrar no tracklist do álbum apesar do seu sabor doce que despertou o interesse até de Miles Davis – que viria a gravá-la mais tarde.

Uma balada sem pretensões, mas arrebatadora em suas vocalizações de inocência amanteigada que contrastava perfeitamente com a fúria urbana de Beat It.

Após toda a suavidade, o funk clássico, nos moldes do que o Earth, Wind And Fire fazia na época, exala nos alto-falantes com P.Y.T (Pretty Young Thing). Batidas energéticas, baixo engordurado marcando as evoluções dos sintetizadores e Michael explorando seu vocais ao melhor estilo R&B ancorados por backing vocals bem apoiados que contavam com a participação de Janet Jackson.

Após toda a festa que transcorre na execução do disco, nada melhor que uma canção mais suave para fechá-lo e The Lady In My Life tem a missão, com seu mid-tempo, de encerrar esta página histórica do pop. Instrumental irretocável e vocal emocionante fazem desta canção um belo exemplar de balada pop com clichês de soul music, mas sem sombra de ser brega.

Silêncio… O som do atrito da agulha com o disco se vai… Fica a sensação de ser privilegiado por poder ouvir algo de tão bom gosto gravado em um plano circular negro.

A partir deste álbum o menino de Geary vira lenda, imortaliza seu nome, bem como, sua genialidade e o mundo da música clama por seu novo rei: Michael Jackson.

 

A Noite da Coroação.

Na noite de 16 de maio de 1983, Michael Jackson seria coroado como o Rei do Pop. Aquela noite especial era marcada para comemorar os 25 anos da gravadora Motown e mais de três mil celebridades norte-americanas eram convidadas da festa e lotaram um teatro de Los Angeles.

Porém, a festa não foi acompanhada somente pelos presentes no teatro. Aproximadamente cinquenta milhões de pessoas assistiram a festa pelos tubos de suas televisões e viram, após a performances de diversos artistas negros, Michael Jackson subir no palco e cantar Billie Jean, sucesso do álbum Thriller.

Naquela noite, Michael foi dormir como o Rei do Pop. Com o tempo, as quebras de recordes foram constantes e foi o primeiro artista negro a ser considerado o maior artista de sua época.

 A apresentção completa de Michael Jackson na noite de 16 de maio de 1983. Revivendo os dias de Jackson 5 e promovendo a performance histórica de Billie Jean.

 

 O Moonwalk.

De repente, Michael Jackson para de cantar. Anda até o canto esquerdo do palco e volta… deslizando de costas. É tão incrível quanto os três mil queixos caídos dos presentes no teatro naquela noite de 16 de maio de 1983.

O jornalista britânico Nick Bishop compara o Moonwalk com o andar de vagabundo de Chaplin, ou à sequência de dança na chuva protagonizada por Gene Kelly. A maior curiosidade é que depois da apresentação na comemoração da Motown, Fred Astaire e Gene Kelly foram até Michael para parabenizá-lo.

Em sua autobiografia – intitulada Moonwalk e lançada em 1988- Michael Jackson conta que Gene Kelly foi até sua casa para aprender o passo e depois o ensinou a Astaire. 

 

Thriller: Os Vídeos.

 

Michael, ao ganhar o Grammy de melhor cantor de R&B, disse que seu próximo disco faria com que todos reconhecessem sua genialidade. O álbum Thriller mostra que ele era um homem de palavra, sua genialidade é incontestável, mas podemos dizer que Michael Jackson estava no lugar certo, na hora certa.

Digo isso, pois quando o álbum foi lançado a MTv estava engatinhando e precisava alavancar sua popularidade junto ao público negro. É bem verdade, que no seu nascedouro, a Music Television renegava qualquer tipo de música negra e apenas nomes como Prince e Tina Turner apareciam em sua programação esporadicamente. 

 Billie Jean: Um divisor de águas na história dos videoclipes.

 

A história começa a ser mudada quando os executivos da nova emissora decidem exibir o clipe de Billie Jean. A partir dali, o novo álbum de Michael Jackson tinha músicas que podiam ser ouvidas, dançadas e principalmente, podiam ser vistas!

Qualquer um dos grandes sucessos de Thriller são diretamente ligados aos videoclipes: Billie Jean e seu mistério noir é inesquecível, Beat It inicia as coreografias arrebatadoras dos vídeos do rei do pop,, e  Thriller que pode ser considerado um dos grandes momentos da história do videoclipe, como vimos neste texto especial.

 Beat It: O precursor das coreografias nos clipes de Michael.

 

Posso dizer sem medo de exagerar que o vídeo de Thriller fez de Michael um artista universal. A direção desta obra atemporal ficou a cargo de John Landis, que havia dirigido o filme Um Lobisomem Americano em Londres.

Dois momentos interessantes do vídeo estão no prólogo que diz algo como “Em função de minhas fortes convicções pessoais, quero enfatizar que este vídeo  de forma alguma endossa uma crença no oculto”. Mas fica claro que o intuito era recriar o clima dos antigos filmes de terror pela participação do mestre do gênero Vincent Price.

Misturando personagens eternos do terror como o lobisomem e os zumbis, o grande atrativo do vídeo, além da música, são as complexas coreografias apresentadas pelo zumbi Michael e sua horda de mortos-vivos.

Detalhes do clipe se tornaram marcas registradas na história do artista. A coreografia de Thriller fez tanto sucesso quanto o passo moonwalk – sendo reproduzida em filmes, séries, desenhos animados e outro videoclipes (Gorillaz, Chris Brown, Miley Cyrus e Backstreet Boys que o digam) e a solitária luva branca se tornou um dos símbolos dos anos 80.

 Thriller: Um dos maiores videoclipes de todos os tempos!

 

Com sua visão à frente do seu tempo e apenas 25 anos, Michael Jackson determinou como seria feita a divulgação da música pop a partir dali. Agora, as rádios e seus DJ’s já não eram a engrenagem que girava a máquina da industria fonográfica. Os videoclipes tomaram de assalto este posto e parte disso se deve a Michael Jackson.

Algumas Curiosidades…

1) A canção Thriller e seu vídeo fizeram tanto sucesso que este era exibido na MTv a cada quarenta minutos.

2) Existe uma versão indiana para a canção Thriller chamada “Golimar”, feita pelo cantor Chiru.

3) O álbum é o mais vendido de todos os tempos , tendo ultrapassado a marca de 110 milhões de cópias. O segundo lugar é ocupado pelo álbum Dark Side Of The Moon do Pink Floyd que vendeu 50 milhões de cópias.

Por fim…

Por mais controversa que tenha sido a vida particular de Michael Jackson, nada tira o brilho desta magnífica demonstração de talento que foi registrada neste álbum.

A cada audição destas músicas para escrever este texto, crescia a certeza de que sua memória esta carregada de referências a talentos ilimitados – seja compondo ou dançando – e que com o tempo, as excentricidades que circundaram sua existência de trabalho árduo desde infante serão desgastadas e quase esquecidas.

Não se pode deixar que coisas alheias à música manchem um álbum que após 30 anos não foi igualado e que por muito mais tempo não o será.

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