BAPHOMET: Da Origem Templária à Associação ao Satanismo

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Baphomet de H. R. Gigger (confira nosso texto sobre H. R. Giger, aqui

Nós, seres humanos, somos uma espécie literalmente simbólica. Onde quer que tenhamos passado pelo mundo, em qualquer era, as marcas deixadas por nossos antepassados são símbolos, que para nós, homens modernos, muitas vezes, são um mistério a ser desvendado, pois estes símbolos carregam um poder além das palavras.

Muitas vezes, apenas um deles pode trazer inúmeros significados, tudo dependendo da cultura em que é empregado e  nos desafiam a ir além dos nossos olhos, pelas possibilidades abstrata que podem não ser tão trivialmente reconhecidas.

O texto de hoje trata de um dos mais controversos, e também não seria errado dizer um dos mais temidos, símbolos de toda a história da humanidade. Sua origem é misteriosa e seu real significado se perdeu há muito tempo, sendo, nos dias de hoje, utilizado sem uma interpretação correta e pior, tendo seu significado deturpado do sentido original.

Neste caso, a corrupção das idéias foi para o mal, infelizmente. O signo apresentado nesta postagem é um dos mais conhecidos nos nossos dias principalmente àqueles que são familiarizados com teorias conspiratórias religiosas e aparece até mesmo na vasta cultura pop, seja livros, discos e até mesmo filmes, ele tem perdurado por gerações e cada vez mais seu real significado se perde no na névoa das licenças poéticas.

Portanto, tenha em mente que vamos tentar estabelecer o real significado do Baphomet. O objetivo principal é diferenciar o Baphomet satânico do famoso ídolo templário e mostrar que o monstro não é tão feio o quanto parece.

E por falar em mente, abra a sua e assimile novas ideias desarraigadas do pensamento primitivo imposto por uma igreja da Idade Média que queimava pessoas que tinham uma cultura religiosa contraposta à filosofia católica.


Uma das inúmeras ilustrações que associam erroneamente o ídolo templário ao Baphomet de Eliphas Levi. 

AS ORIGENS NA ORDEM DO TEMPLO DE SALOMÃO

Sexta-feira, 13 de outubro de 1307, os senescais da França, agindo sob a ordem do rei francês, Felipe o Justo, partiram para os templos e às hospedarias dos Cavaleiros Templários, prendendo cerca de 15 mil pessoas.

Este movimento fazia parte da tentativa dos reis do velho mundo de erradicar as influências esotéricas que cresciam no consciente europeu e a ordem dos Cavaleiros Templários era a mais proeminente naqueles dias, entretanto, não a única.

Os poucos membros desta ordem que se salvaram deste movimento fugiram para a Escócia, refugiando-se sob a proteção do rei rebelde Robert the Bruce. Os Templários foram acusados pela “Santa” Inquisição de diversas heresias que jamais foram provadas.

Seria este o Baphomet templário?

As errôneas ligações ao ídolo barbudo que seria cultuado pela ordem pode ser fruto de uma lenda que envolve necrofilia. Um cavaleiro templário  teria praticado sexo com um cadáver de uma jovem princesa.

Após o término do ato, o cadáver teria-lhe dito para retornar em nove meses e ver  o resultado do crime. Findados os nove meses, o cavaleiro retornou ao túmulo da princesa e encontrou a tal “cabeça barbada”, a qual tomou para si.

Mais tarde, teria percebido que esta cabeça seria dotada de poderes mágicos e o mais notável deles seria a capacidade de prever o futuro sem erros. Essa lenda pode ser interpretada como partes de cerimônias antigas dos Mistérios de Ísis e Osíris no Egito e Mistérios Eleusinos na Grécia.

No entanto, hoje não temos a certeza se o Baphomet templário é o mesmo famoso em nossos dias. Muitos estudiosos das ciências arcanas dizem que não, baseados no fato de que na acusação existe menção à uma cabeça ou um ídolo com três faces e em nenhum momento é mencionada a palavra Baphomet.

O mais intrigante é que tal ídolo é descrito de maneiras diferentes nas confissões após as torturas, o que nos leva a supor que nem sempre utilizavam a mesma forma de representá-lo.

 


Joseph Von Hammer-Pürgstall

Mas então de onde veio esta associação?

A forma correta de indagar é de quem veio esta associação? A resposta vem sobre o nome Joseph Von Hammer-Pürgstall, e seu tratado Mysterium Baphometis Revelatum. Ele era um arqueólogo austríaco não simpatizante do ideal templário que  adicionou a palavra  Baphomet ao vocabulário dos Cavaleiros do Templo como um dos mistérios da ordem.

Segundo ele, a expressão seria a junção de dois vocábulos gregos “Baphe” e “Metis” que poderia ser traduzida como “batismo de sabedoria” e estaria relacionada à algum ritual de iniciação onde se tomaria ciência de algum mistério da ordem.

Muitos de seus ritos seriam referências aos rituais de fecundidade praticados pelos povos antigos  para fins de despertar a fertilidade  da terra, como os praticado no antigo Egito.

A BUSCA DO SIGNIFICADO…

A desconhecida origem da palavra Baphomet e a sua associação à um suposto ser divino com poderes místicos instigou diversas áreas das ciências ocultas. Diversas interpretações criaram um vasto simbolismo para este misterioso vocábulo.

Seguindo a mesma lógica de Von Hammer-Pürgstall, da origem associada a expressões gregas, existe a teoria de que Baphomet seja a junção de dois termos gregos, “Baphe” e “Metros” que pode ser entendido como batismo de mãe.

Estendendo um pouco mais este conceito, esta junção de vocábulos gregos poderia ser um um abuso de linguagem para Behemot, um animal colossal, parecido com um hipopótamo, oriundo de lendas hebraicas que seria o equivalente terrestre ao Leviatã.

Behemot, que seria tão grande quanto mil montanhas e sua sede seria saciada por um rio tem sua nascente no céu.

Uma outra corrente alicerça sua interpretação no berço árabe. Os Templários tinham sua base em Jerusalém na gênese da ordem. Sendo assim, outra hipótese seria que Baphomet fosse uma corruptela de Abufihamat, que significaria “Cabeça do Conhecimento”.

Se lembrarmos da acusação impetrada aos Templários de adorar uma cabeça barbada podemos perfeitamente considerar esta hipótese. A barba carrega um simbolismo que remete ao conhecimento.

Se encarada numa ótica cabalista, Baphomet representaria a figura do Macroprosopo, a Séfira Número Um, denominada Kether, A Coroa da Criação, O Príncipe Criador do Universo, também chamado de O Vasto Semblante.

A tradição cabalística descreve o Macroprosopo como sendo uma grande cabeça barbada, da qual emana a energia que dá vida e forma ao universo, ou seja, é a fonte de tudo o que existe.

Enfim, a cabeça barbada, que para os inquisidores nada mais era senão o Diabo, para os cabalistas é a própria figura de Deus e, segundo esta lógica, os Templários estariam cultuando a Energia Vital que dá existência ao universo, o Cristo Cósmico.


A Árvore da Vida ou Árvore Sefirótica. O Baphomet templário seria a Séfira Número Um?

Ainda analisando o ídolo templário sob uma ótica cabalista temos que o nome Baphomet, lido ao contrario, como é comum na Cabala, no revela  TEM – O – H – P – AB que seriam abreviações para Templi Ommium, Hominium Pacis Abbas, que significaria O Pai do Templo, Paz Universal do Homens, ou seja, o Cristo Cósmico.

Uma outra corrente alquímica associa o Baphomet templário a uma representação da união do enxofre e do mercúrio filosofal, considerados como elementos masculino e feminino na consecução da Grande Obra.

Esta corrente corroboraria com a lenda de que os Templários praticavam alquimia e que teriam encontrado a pedra filosofal através de conhecimentos adquiridos com sufis persas que tiveram contato com documentos egípcios da famosa biblioteca de Alexandria.

Por fim, existe ainda a suspeita de que os Templários tivessem abraçado a crença à Maomé, sendo Baphomet uma corruptela de Mahomet, mas devemos tomar um certo cuidado quanto a este pressuposto sobre a secreta conversão templária, visto que, os cristãos orientais usam a palavra Mahomst como sinônimo de ídolo e é sabido que as religiões islâmicas não possuem o costume de reverenciar ídolos de nenhum espécie

Representação do Baphomet de Eliphas Levi


O BAPHOMET DE ELIPHAS LEVI 

A busca da imagem do ídolo templário se tornou o alvo preferencial dos estudiosos que se dedicavam ao ocultismo. Este movimento criou as mais diversas teoria quanto o substantivo que dá nome àquele que foi adorado por uma das mais antigas ordem da história.

Neste caminho que estamos trilhando chegamos à figura que ficou eternamente associada ao Baphomet templário. Criada por Eliphas Levi, cujo nome real era Alphonse Louis Constant, um abade, que descreveu o Baphomet da seguinte forma:

“Figura panteística e mágica do absoluto. O facho colocado entre os dois chifres representa a inteligência equilibrante do ternário; a cabeça de bode, cabeça sintética, que reúne alguns caracteres do cão, do touro e do burro, representa a responsabilidade só da matéria e a expiação, nos corpos, dos pecados corporais.

As mãos são humanas para mostrar a santidade do trabalho; fazem o sinal do esoterismo em cima e em baixo, para recomendar o mistério aos iniciados e mostram dois crescentes lunares, um branco que está em cima, o outro preto que está em baixo, para explicar as relações do bem e do mal, da misericórdia e da justiça.

A parte baixa do corpo está coberta, imagem dos mistérios da geração universal, expressa somente pelo símbolo do caduceu. O ventre do bode é escamado e deve ser colorido em verde; o semicírculo que está em cima deve ser azul; as pernas, que sobem até o peito devem ser de diversas cores.

O bode tem peito de mulher e, assim só traz da humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, isto é, os sinais redentores. Na sua fronte e em baixo do facho, vemos o signo do microcosmo ou pentagrama de ponta para cima, símbolo da inteligência humana, que colocado assim, em baixo do facho, faz da chama deste uma imagem da revelação divina. 

Este panteus deve ter por assento um cubo, e para estrado quer uma bola só, quer uma bola e um escabelo triangular.”

A  imagem do Baphomet foi relacionada a um bode pela primeira vez em 1854, por Eliphas Levi e é também denominado como Bode de Mendes ou Bode do Sabbath. Esta foi a primeira associação do ídolo templário à uma cabeça de bode  e a alcunha Bode de Mendes se dá pelo fato do ritual de sacrifício de um bode na cidade de Mendes no Antigo Egito.

 

Quanto a simbologia deste Baphomet, podemos nos perder em seu caráter dual. É certo que tanto o bode quanto o carneiro são símbolos de virilidade e fertilidade, mas  o segundo está relacionado a coisas positivas como pureza, vida e santidade, enquanto o bode está diretamente ligado ao outro lado da balança, ou seja, às forças negativas como luxuria, sacrifício e perversão.

Mas é sempre bom salientar que não existe nenhuma evidência da ligação do Baphomet templário com o de Eliphas Levi.

Eliphas Levi: Com uma imaginação acima do comum criou a imagem do Baphomet.


Segundo Levi, as inscrições SOLVE ET COAGULA nos antebraços da figura de Eliphas Levi marcam o ciclo da vida: geração, nascimento e morte, para depois haver uma nova geração que nos dará continuidade  cíclica interminável.

O pentagrama (que não sendo invertido é um simbolo de luz, centro místico e expansão do universo. Ainda é um símbolo de perfeição e do princípio divino no coração)  na fronte faz do Baphomet um símbolo de luz, com as mãos faz o sinal do ocultismo, mostrando acima a lua branca de Chesed e embaixo a lua negra de Geburah exprimindo o perfeito acordo da misericórdia e da justiça.

Confira nosso post especial sobre o pentagrama, aqui

O facho de inteligência que brilha entre seus chifres é a luz mágica do equilíbrio universal e, também, da alma cima da matéria.

A cabeça horrenda exprime o horror do pecado de que só o agente material, único responsável, deve para sempre sofrer a pena.

O caduceu que está no lugar do órgão gerador representa a vida eterna, o ventre coberto de escamas representa a água, o círculo acima é a atmosfera, as penas são o símbolo do volátil e a humanidade é representada pelos dois seios e pelos braços andróginos.

Ele se senta num cubo, que pode ser o símbolo da pedra filosofal  e da cruz de Hermes.

Suas asas angelicais expressam a capacidade de elevação espiritual  e seus chifres são um antigo símbolo de sabedoria e divindade. 

Portanto, diferente do que é associado nos dias de hoje, o Baphomet de Eliphas Levi nada nada mais é do que uma esfinge (ou seja, uma combinação de animais com a figura humana) inocente e até piedosa.

Simplesmente é  um hieróglifo que não difere das esfinges egípcias e persas.

O Hermafrodita de Khunrath: A Inspiração de Levi para seu Baphomet. Observe que as frases escritas nos braços do Baphomet de Levi são as mesmas escrtitas nos braços do Hermafrodita.

A diferença primal entre os dois “ídolos” era que o o Baphomet templário não trazia um facho luminoso entre seus chifres, sendo apenas uma combinação de animais com a figura humana.

Outra diferença que salta aos olhos é o pentagrama na fronte do Bode de Mendes que não é descrito no Baphomet templário. Devido a eficiência simbólica de sua representação, O Bode de Mendes é tomado como o Baphomet das celebrações dos Antigos Mistérios, entretanto não há como aceitá-lo como o verdadeiro Baphomet e podemos perceber uma influência de informações das mais diversas culturas para conceber sua imaginativa figura que segundo o próprio autor, foi inspirada numa gravura denominada Hermafrodita de Khunrath.

AS ASSOCIAÇÕES PAGÃS E COM O DIABO…

Se o ídolo Baphomet não tinha nenhuma ligação com o Diabo então por qual motivo se tornou um símbolo, digamos, do mal?

Em primeira parte essa associação se deve pela condenação dos templários. Sendo assim, todo o conhecimento místico sobre tal ídolo se perdeu no véu negro do controle da Igreja Católica que provocou a treva intelectual da Idade Média e se tornou parte das ciências ocultas.

Tais ciências viraram sinônimo de heresia e anti-cristianismo e daí vem o caráter maligno que foi associado todo conhecimento esotérico oculto. Neste contexto, grandes obras intelectuais se perderam e os estudiosos destas ciências eram considerados adoradores do Diabo, hereges e associados a forças negras.

Sendo assim, um símbolo como o Baphomet logo foi relacionado à bruxaria, paganismo e satanismo, tendo seu real significado deturpado ao longo do tempo. Como, para a Igreja Medieval, pagãos, bruxos e ocultistas eram todos adoradores do demônio, nosso símbolo herdou esta ligação com o Diabo, assim como diversos outros que nada tinham de negativos.

O grande Deus Pã.

A relação com a bruxaria nasceu durante a Renascença e para a Inquisição o Baphomet era Satanás encarnado, mesmo a Bíblia não descrevendo-o com nenhum atributo físico, a Igreja Cristã decidiu que sua forma física era a mesma do deus pagão Pã (também conhecido como Fauno na mitologia grega ou Cernunnos na mitologia Celta), com cabeça de cabra e chifres. Por este motivo, até os dias de hoje, Satanás é representado desta forma.

Confira nosso post completo sobre Lúcifer, aqui

No Paganismo, este Deus com chifres  é referenciado como o Senhor do Reino Animal, dos Bosques e dos Campos, dos Rebanhos e dos Pastores e é descrito nas mais variadas formas: O Deus com Chifres de Veado pertence a religiões antigas e representa a força primordial, sendo um símbolo de fertilidade, virilidade  e de tudo que é selvagem e não pode ser domesticado.

No decorrer do tempo a imagem deste ídolo incluiu um Deus com cabeça de touro (quando os homens evoluíram para pastores nômades) e o Deus com cabeça de bode (que nasceu quando os homens se agruparam em comunidades agricultoras).

Segundo a mitologia esta deidade habitava a floresta e morava em grutas. Vagava pelas montanhas caçando ou conduzindo a dança das ninfas. Como o nome Pã significa tudo, ele passou a ser considerado símbolo do universo e personificação da natureza, e mais tarde, enfim, foi olhado como representante de todos os deuses e do próprio paganismo.

O Deus chifrudo era o pacto entre os caçadores humanos e as presas animais, ele provia carne para o humanos e renovava a vida dos animais.

Em contrapartida, os humanos praticavam certas cerimônias mágicas que retornavam energias vitais para a floresta. É muito provável que o Baphomet Templário representasse este Deus pagão e que os cavaleiros da ordem praticassem o misterioso e secreto ritual do caçador.

Nas antigas escolas de mistérios da Europa, figuras monstruosas eram mostradas de fora dos templos e perto de bosques sagrados com o intuito de assustar qualquer um que fosse supersticioso ao ponto de não olhar através da imagem e encarar seu real simbolismo.

Os que eram capazes de tal interpretação eram aceitos e podiam ter acesso aos mistérios internos que eram ensinados nestas escolas. Baphomet ainda é muito associado como a deidade cultuada no Sabbath das bruxas na Idade Média e com toda a bruxaria até os dias modernos.

Carta do Tarô de Waite-Smith: Uma das primeiras associações da figura do Bode de Mendes ao Diabo.

Após a publicação da obra de Eliphas Levi onde nasceu a imagem mais conhecida do Baphomet, Leo Taxil, um conhecido opositor do catolicismo e anti-maçom que incorporou o Bode de Mendes em dois tratados contra a maçonaria onde publica sua crença pessoal da associação desta sociedade secreta com a adoração ao Diabo.

Num destes tratados mostrou que os maçons cultuavam um Baphomet enquanto uma mulher decapitada estaria na  frente do ídolo. Em outro artigo, o mesmo autor disse que o Baphomet encarnaria como um maçom, para seduzir as mulheres puras da França.

A mais forte associação do Baphomet de Levi ao Diabo, até a formalização de um símbolo satânico homônimo popularizado por Lavey, data de 1909 e veio do Tarot de Waite-Smith que era um conjunto de cartas no estilo tradicional do tarô cuja carta Levi’s Baphomet está ligada ao Diabo.

A figura na carta se assemelha muito à esfinge de Levi, porém duas diferenças são notórias e muda todo o simbolismo e, consequentemente, já não é o mesmo Baphomet.

Na imagem do tarô os pés possuem garras e não são rachados e as pernas são cobertas de pelos e não pela espécie de pano como no desenho do Bode de Mendes.

Semelhanças? Sim, mas não se deixe enganar!

Alguns pesquisadores enxergaram similaridades entre a figura de Eliphas Levi e a estátua de George Washington, figura histórica norte-americana e primeiro presidente daquela nação, presente no Smithsonian Museum.

Entretanto, é de conhecimento trivial que Washington era um maçom altamente graduado e as ligações históricas entre os Cavaleiros Templários com a Maçonaria já não são mais segredo.

As semelhanças seriam notadas numa primeira análise: a pose, o busto nu, as pernas cobertas e os braços de Washington que tem as mesmas direções dos braços do Bode de Mendes reforçam a teoria. Mas, existem mais semelhanças do monumento à Washington com a estátua de Zeus no Olimpo, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

O autor David Ickes até cita que a estátua de George Washington seria uma “reencarnação” em escultura do Baphomet de Levi. Desafortunadamente, nosso autor não se ateve ao fato de que a estátua de Washington foi concebida alguns anos antes da publicação em que Eliphas Levi mostrou sua imagem do Baphomet.

Então, podemos concluir que a inspiração para tal estátua se encontra no colossal monumento ao Deus grego. Reza a lenda que a cidade de Washington, capital dos EUA, seria construída sobre um alicerce que formaria um pentagrama invertido com um bode, denominado Baphomet, que seria o símbolo de Satanás. Porém, este símbolo só foi associado e devidamente creditado ao satanismo após a criação da Igreja de Satã.


Aleister Crowley utilizava Baphomet como seu pseudônimo na O.T.O.

Uma das associações mais famosas seria com Aleister Crowley, um ocultista inglês, considerado maior mago do século XX e que tinha vasta prática em magia.

Se auto-intitulou “Besta 666”, estudou e praticou Cabala, Ioga, meditação e rituais diversos e instituiu um sistema de magia chamado Thelema. Foi o líder mundial da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) onde possuía o nome ritualistico de Baphomet (o ídolo templário) e quase todas as consagrações da ordem eram feitas em nome deste deidade templária.

Durante anos ele tentou descobrir a grafia exata do nome, mas apenas acreditava que deveria possui 8 letras e que o significado seria uma corruptela de Pai Mithras.  É importante citar que diferente do que acreditam muitos, Crowley não era um adorador do Diabo, era apenas um anti-cristão, sendo crente em deidades gregas, egípcias, pagãs e demônios sumérios. De acordo com o ocultista, o significado do Baphomet era o mistério dos mistérios.

A verdade é que este ídolo, o Deus com chifres, seja com chifres de veado, touro ou bode, é um dos mais antigos ídolos da história da humanidade. 

O BAPHOMET SATÂNICO…

O Baphomet Satânico

 

Pelo desenvolvimento acima, vimos que o Baphomet teve seu real simbolismo deturpado e se tornou referência de heresia e a imagem de Eliphas Levi foi tomada como a representação do diabo.

Tendo isso em mente, quais seriam as reais ligações com o satanismo. Vamos tentar limpar um pouco o caminho e tentar entender melhor estas ligações, sem nos ater a detalhes de origens e divisões do satanismo. 

Até a Igreja de Satã ser criada em 1966, na literatura e nas ilustrações, o satanismo era denotado por cruzes invertidas (outro simbolo que será adotado mais adiante) ou paródias profanas das artes sagradas. Ainda era possível encontrar cabras, diabretes ou demônios para tal menção e cada um destes elementos era acompanhado de um signo, que era a marca daquela entidade demoníaca.  

O símbolo com a cabeça de bode emoldurada por um pentagrama invertido circundado por letras hebraicas soletrando Leviatã começou a ser relacionada no consciente público ao satanismo após a criação da Church Of Satan em 1966.

A figura franco-maçom foi uma inspiração ao Baphomet satanista da Church Of Satan.

A imagem com uma cabeça de bode dentro de um pentagrama invertido apareceu pela primeira vez em um livro franco-maçom em 1931. Entretanto, este seria apenas um desenho que não teria ligação com o símbolo satânico estampado na Bíblia Satânica, a menos da imagem, os dois simbolos significavam coisas diferentes.  

O fundador da Church of Satan, Anton LaVey, teve contato como o bode em um pentagrama circundado duplamente tendo a palavra Leviatã entre os círculos numa obra de magia de autoria de Maurice Bessy’s datada de 1964 e este símbolo era referenciado como o signo de Baphomet.

Quando LaVey foi fundar sua igreja percebeu que neste símbolo esta toda a filosofia de sua doutrina e encorporava todo o alicerce de sua religião. Ao contrário do que afirmam muitas opiniões imparciais, LaVey nunca reclamou a criação do símbolo para si, mas o incorporou totalmente à sua igreja. Ele estava nos cartões dos membros da sua religião ou entalhados por artesãos.

Porém, até que a Bíblia Satânica estivesse totalmente escrita e publicada, haviam variações do símbolo que decorriam das habilidades dos artistas que as representavam para a recém criada igreja. Este problema só foi completamente sanado com a publicação da obra escrita de Anton LaVey em 1969.

Confira nosso post completo sobre a “Bíblia Satânica” e a Church of Satan, aqui

O símbolo considerado oficial obedece certas regras geométricas e o bode é desenhado com mais atenção aos olhos, e os caracteres hebreus são desenhados mais distorcidos como serpentes. Esta arte gráfica final tem direitos autorais reservados à Church Of Satan.

Sendo assim, podemos concluir que o Baphomet assumido por tal igreja não tem nenhuma ligação com o Baphome templário.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Nem é necessário dizer que a imagem cunhada por Levi se tornou famosa no meio pop e aqui não estou incluindo aqueles videozinhos ridículos que versam sobre mensagens subliminares que nada mais querem senão assustar mentes despreparadas e inocentes. 

Na música, principalmente no Heavy Metal, a figura do Baphomet, seja o de Levi ou ou satânico, são costumeiras nas capas dos discos e nas músicas.

Contra-capa do primeiro álbum do grupo britânico Angel Witch

Por exemplo, o grupo britânico Angel Witch utilizou o Baphomet de Eliphas Levi como um símbolo do grupo. Em especial, as bandas de Black Metal, com motivações anti-cristãs, se utilizam largamente deste símbolo. 

Na sétima arte, é comum encontrar referências ao símbolo nas fileiras das produções de terror e nas artes plásticas, a figura se tornou comum em pinturas de nomes como H. R. Giger

confira nosso texto sobre H. R. Giger, aqui

Creio que a maior importância desta postagem é a desmistificação de um dos símbolos mais antigos da humanidade, e esclarecer as reais interpretações da imagem que ficou relacionada como a figura do Diabo através dos anos por detratores das culturas pagãs, e ainda, evidenciar que o símbolo satânico denominado Baphomet e registrado com direitos autoriais pela Igreja de Satã não tem nenhuma ligação com o ídolo cultuado pelos Cavaleiros Templários.

Na verdade os dois símbolos são antagônicos e já está na hora de abrirmos os véus negros esticados por uma Igreja medieval que só obscurecem a evolução intelectual, mística e etérea da humanidade.

Fontes 

1) ANATALINO, João. Mestres do Universo. 

2) http://www.glusa.org/portal/index.php?option=com_content&view=frontpage&Itemid=1

3) GRIMASSI, Raven. Encyclopedia of Wicca & Witchcraft.

4) MADDEN, Kristen, GRIMASSI, Raven. Exploring The Pagan Path: Wisdom From the Elders.

5) BULFINCH, Thomas. O Livro de Ouro da Mitologia.

6) LEWIS, James R. Satanism Today: An Encyclopedia of Religion, Folklore, and Popular Culture.


7) LEWIS, Spence. An Encyclopedia of Occultism.

8) BAÇAN, Lourivaldo Perez. A Sociedade Secreta dos Templários.

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