INVENTÁRIO DA MASMORRA: 6 Métodos de Tortura Mais Utilizados na Idade Média

Na canção Vila do Sossego, Zé Ramalho nos apresentava um conhecimento antigo, alertando que na tortura oda carne se trai. Partindo desta gota de sabedoria, a humanidade descobriu logo cedo o poderio da prática da tortura em prol de obter a mais irrefutável prova de um crime: a confissão. Claro que cada carne tem uma tolerância diferente às torturas, fazendo com que os torturadores utilizassem a imaginação e a criatividade com o intuito de conceber métodos cada vez mais eficazes para conduzir a traição da carne. Concordo que, em sua maioria, estes agentes agiam em prazer de uma arte sádica, mas alguns dos métodos são igualmente aterrorizantes e genialmente mirabolantes. Na Idade Média (período histórico entre os séculos V e XV), a confissão ainda tinha um poder perante um tribunal muito maior do que nos dias de hoje, sendo a maior prova que a acusação poderia possuir. Logo, as métodos de tortura se desenvolveram para que esta confissão fosse obtida a qualquer custo. Esta condição fazia da tortura uma prática comum em uma época onde os direitos humanos eram uma utopia futurista. Os torturadores deste período da história se valiam de métodos já conhecidos e desenvolvidos na antiguidade, mas também desenvolveram suas próprias armas. Numa época obscura do desenvolvimento humano, valia de tudo: aparelhos que esticavam o corpo até que estourassem juntas, objetos perfurantes, além de maquinário elaborado com as novas técnicas de relojoaria da época.

Valia de tudo: aparelhos que esticavam o corpo até que estourassem juntas, objetos perfurantes, além de maquinário elaborado .

O suplício poderia durar semanas dentro de masmorras escuras e frias, até que o acusado confessasse, variando as formas de maltratar a carne. Ao contrário do que se pensa, a Igreja se postara contrária a esta prática no início, quando era aplicada para obter confissões de estupros, assassinatos e roubos. Mas não tardou a aderir ao artifício para obter suas necessárias confissões para os acusados de heresia. No ano de 1252, uma bula papal instituía a tortura para os hereges, alegando que não era pecado infligir-lhes castigos físicos. O auge da tortura pela Igreja extrapolou o período medieval e traziam manuais para os carrascos, que já evoluíam suas práticas para tormentos psicológicos induzidos por plantas como a mandrágora, causando alucinações terríveis como forma de confirmar o laço do acusado com o demônio.

O Top 6 da Tortura Medieval

Em masmorras escuras, fétidas, percorridas por ratos famintos e carrascos sádicos, as vítimas medievais eram expostas a terrores tortuosos. Dentre os métodos mais usados estavam:
 
A RODA: Em geral, os torturados faleciam em decorrência das severas queimaduras que sofriam por todo o corpo
A RODA 

Utilizado a partir do século XII, este método de tortura era quase uma pena de morte para a vítima. Presa à parte externa de uma grande roda de madeira, que por sua vez era colocada sobre um recipiente abastecido com brasas incandescentes, a vítima tinha o corpo flagelado à medida que o carrasco colocava a roda em giro. Em geral, os torturados faleciam em decorrência das severas queimaduras que sofriam por todo o corpo. Ainda existia a famigerada Roda do Despedaçamento, ou Roda de Santa Catarina, que era um instrumento de tortura utilizado para os condenados à pena de morte em execuções públicas. O corpo da vítima era atado à roda que girava enquanto os carrascos desferiam impiedosos golpes de maça e marretas. 

 

BALCÃO DE TORTURA: A máquina de tortura mais dolorosa do período, rompia tendões, deslocava articulações e desmembrava suas vítimas

 

BALCÃO DE TORTURA

Considerado o mecanismo de tortura mais doloroso da época, consistia de um estrado ou uma prancha de madeira, onde o corpo da vítima era esticado e tinha mão e pés atados a cordas que se ligavam a roldanas nas extremidades da prancha ou do estrado. À medida em que as roldanas eram giradas o corpo do torturado era esticado em direções opostas, estourando tendões, deslocando juntas e, em casos mais extremos, amputando membros. Nos momentos finais da Idade Média, esta máquina teve um upgrade, sendo adicionados pregos que dilaceravam a carne da vítima enquanto as roldanas à esticava.
 
DONZELA DE FERRO: Este artefato inspirou o nome da banda de Heavy Metal Iron Maiden.
A DONZELA DE FERRO

A nominalmente mais famosa máquina de tortura medieval, viu sua popularidade crescer ao emprestar seu nome a uma das maiores bandas de Heavy Metal em todos os tempos, o Iron Maiden. O artefato constituía de uma urna em formato feminino revestida de estacas de metal na parte interna. O carrasco obrigava a vítima a adentrar a urna que, ao ser fechada, pressionava as estacas de metal ao corpo do torturado. Estas estacas possuíam um tamanho ideal para não ferir nenhum órgão vital, mas provocar uma considerável perda de sangue. Ainda existiam pequenas aberturas na estrutura para que o torturado pudesse fazer sua confissão. Apesar de ser considerada um instrumento de tortura medieval, não existem exemplares anteriores a 1793 e muitos estudos afirmam que ela teria sido invetadas somente depois do século XVII.

 

BERÇO DE JUDAS: Instrumento tão temido que sua simples menção já causava pânico na vítima. 

 

O BERÇO DE JUDAS

O objetivo deste método de tortura era impetrar uma dor lancinante, mas não causar ferimentos fatais. O Berço de Judas era um dispositivo em formato de prisma ou pirâmide, manufaturado em madeira, sobre o qual ficava exposta a vítima, que era amarrada e suspensa por cordas. Na ponta pirâmide era encaixado o ânus, a vagina ou os testículos do acusado que era baixado progressivamente, tendo seu peso como forma de pressão sobre a pirâmide. Em alguns casos, a pirâmide era untada com azeite, ou era adicionados pesos ao corpo da vítima. ainda era comum o abandono do torturado neste instrumento por toda a noite, até a próxima seção de tortura, no dia seguinte. Além da humilhação em ser preso nu neste artefato, a vítima ainda contraía infecções sérias pela falta de higienização do instrumento, que já causava pânico pela simples menção de seu uso.

A PERA: O seu local de inserção era escolhido de acordo com o crime da vítima. 

A PERA

O advento de novas técnicas da relojoaria desenvolveu maquinários interessantes para tirar confissões através de torturas. A principal contribuição neste sentido foi no artefato conhecido como Pera da Angústia. Com pequenos mecanismos internos e algumas molas, este aparelho era introduzido no reto ou na vagina da vítima e com a ajuda do girar de alguns parafusos o artefato se expandia , aumentando seu volume e causando dilacerações graves nas vítimas. De acordo com o livro “Torture Instruments: From the Middle Ages to the Industrial Era” a pera tinha os seguintes efeitos:

São forçados na boca, recto ou vagina da vítima e aí aberta por força do parafuso até à abertura máxima dos segmentos. O interior da cavidade em questão é irremediavelmente mutilado, quase sempre fatalmente. Os dentes pontiagudos no final dos segmentos servem para melhor rasgar a garganta, os intestinos ou o útero. 

ESTRIPADOR DE SEIOS: De exclusividade feminina, esta forma de tortura provocava uma mastectomia brutal.

ESTRIPADOR DE SEIOS

Exclusividade feminina, este artefato era utilizado em mulheres acusadas de adultério, bruxaria ou aborto, com o abjetivo de arrancar-lhes os seios. Os ganchos eram aquecidos e a mastectomia era impiedosamente feita e, em algumas ocasiões, a mulher era obrigada a engolir os próprios seios, acabando por morrer asfixiada. Com o passar dos anos, este item ganhou um upgrade, tendo as garras acopladas a uma parede. Muitas mulheres morriam em decorrência de hemorragias e infecções. Esta era uma das inúmeras formas de tortura de exclusividade feminina. Outra forma muito utilizada contra mulheres no período era torcer os cabelos da vítima até que o couro cabeludo fosse arrancado.

 

Referências

1) Revista Mundo Estranho, n° 27, maio de 2004.

2) Jacques Heers: História Medieval

 

Postagem Escrita ao Som de:

1) Iron Maiden: Somewhere In Time (1986)

2) Scorpions: Blackout (1982)

3) Zé Ramalho: Zé Ramalho (1978)

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