VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Miles Davis, Kind Of Blue

Dia Indicado para ouvir: Segunda-Feira.
 
Hora do dia indicada para ouvir: Nove da Noite.
 
Definição em um poucas palavras: .

Estilo do Artista: Hard Bop/Jazz
 

Comentário Geral: Com o passar do tempo, meus ouvidos se tornaram sedentos por jazz e blues. Não que eu tenha perdido o interesse no rock n’ roll e nas suas mais viscerais vertentes, mas minha atração quase espiritual pela década de 1950 me levou a um mergulho muito salutar na produção musical daquele período. Nesta onda, numa de minhas peregrinações pelo mundo do jazz de meados do século XX me defronto com o gênio Miles Davis, responsável por clásicos como The Birth Of The Cool, Round About Midnight, Bitche’s Brew, In a Silent Way e, em  especial, Kind Of Blue, sua exposição máxima de talento e vanguarda. Lançado pela Columbia Records em 17 de agosto de 1959, este álbum mostra todo o sentimento que Miles podia traduzir naquele momento. As sessões de gravação foram feitas entre março e abril daquele ano, pouco tempo depois da entrada de Bill Evans para o conjunto de Davis. A magia tem início com So What, um dos maiores clássicos do jazz. Um início com o diálogo entre o contrabaixo de Paul Chambers e o piano de Bill Evans, faz a cama para o trompete de Davis que entra em cena com toda sua classe desfilando notas “improvisadas”, porém sem aquele virtuosismo e velocidade. Andamento na medida certa para passar a emoção desejada. Miles Davis desfila emocionadas progressões em seu instrumento como se estivesse tomando um café na cozinha de sua casa. Seus pouco mais de nove minutos se passam sem nos darmos conta. Um clássico absoluto. A próxima é Freddie Freeloader com seu andamento calmo. É impressionante como a bateria, o baixo e o piano formam uma tríade que dá toda a retaguarda para que Miles Davis demonstre sua genialidade. Nesta peça, temos no início um belo “improviso” de Wynton Kelly ao piano para a entrada do mestre com toda sua classe, numa música de extrema qualidade. As variações entre o trompete de Davis e o Sax de Coltrane – outro gênio do jazz americano – parecem conversas entre velhos amigos. A emoção é emanada dos falantes com o trompete inicial de Blue In Green. Poucas vezes uma música foi tão sentimental e tão “classuda” ao mesmo tempo. Seu piano suave – Bill Evans dá um show de emoção no fim da música- e linhas de baixo muito bem compostas dão uma tônica toda especial numa música que pode certamente ser o prelúdio de uma bela noite ao lado de uma bela mulher. Linda composição. All Blues começa com uma sensibilidade incrível. É notório que Davis tem a noção exata do tipo de composição que quer executar neste trabalho. Nada de escalas virtuosas, quilos de notas. Miles quer emoção. Os quase 12 minutos desta canção deixa este fato bem claro ao ouvinte. Vemos uma introdução perfeita para que o trompete entre arrasando em uma melodia furiosa e visceral, mas somos surpreendidos por notas calmas e até suaves. O casamento do trompete com o piano é um dos pontos altos. Miles e Bill Evans estão mais do que entrosados. Quando Coltrane entra em cena com seu sax e duela com Miles é um momento de tirar o chapéu e aplaudir de pé. O disco termina com Flamenco Sketches, um final perfeitamente emocional, com certeza a segunda melhor composição do disco perdendo apenas para a abertura com So What. Se nunca ouviu este clássico, corra atrás! Mas separe um momento em que possa se deitar e relaxar. Saboreie cada nota sem fazer mais nada, pois Miles Davis merece toda sua atenção. O álbum foi produzido por Irving Townsend, responsável pela produção de inúmeras lendas do jazz como Billie Holiday, Duke Ellington e Dave Brubeck. Alguns entusiastas o consideram ainda como o melhor álbum de jazz da história, todavia, o mais importante é que você devia ouvir isto!

Ano: 1959
 
Top 3:  So What, All Blues Flamenco Sketches.
 
Formação: Miles Davis (trompete), Julian “Cannonball” Aderley (sax alto), John Coltrane (sax tenor), Wynton Kelly e Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb (bateria).

Disco Pai: Charles MigusPithecanthropus Erectus (1956)
 
Disco Irmão: Ornette Coleman: A Shape Of Jazz To Come (1959).


Disco Filho: John Coltrane: A Love Supreme
 (1965).

Curiosidades: O álbum costa como um dos 200 melhores álbuns de todos os tempos do Rock N’ Roll Hall of Fame, sendo considerado o álbum de jazz mais vendido da história, bem como, o maior sucesso comercial de Mr. Davis. Em 2002, foi um dos discos escolhidos para integrar o Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso Americano.

Pra quem gosta de: Luz de abajur, elegância, cinema noir, reparar em detalhes, espírito intelectual e vinho tinto.

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