LIVRO: O Demonologista, de Andrew Pyper.

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Andrew Pyper: O Demonologista
DarkSide Books (2015)

Antes de mais nada, a editora Darkside merece aplausos de pé pelas excelentes edições que tem colocado no mercado. Apresentação caprichada de arte gráfica, além de uma impressão de qualidade nos textos. Em “O Demonologista”, o texto não tão grandioso é compensado pelo esmero da embalagem e nas reproduções das obras-primas de Gustave Doré.

Dito isto, vamos à história. “David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido, aceita um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma. Enquanto corre contra o tempo, David precisa decifrar pistas escondidas no clássico Paraíso Perdido, e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno.” (texto editado do site da editora Darkside)

Talvez a expectativa criada pela apresentação da obra tenha ofuscado um pouco a impressão final. O que Andrew Pyper fez neste romance foi um amálgama de Dan Brown (autor de O Código da Vinci, Anjos e Demônios e Inferno) com William Peter Blatty (autor de O Exorcista), em um arcabouço recheado de clichês dos “thrillers” com escopo religioso. Personagens misteriosos, acadêmico cético e de vida pessoal instável, além de um mentor intelectual a se determinar.

David Ullman vai trilhar todo este caminho, dotado de um olhar crítico negativista para com a vida, além de uma inocência em contraponto à excelência acadêmica, após o aceite do convite que mais parece um mergulho às cegas sem saber se há rede de proteção.

É necessário enaltecer o realismo que o autor imprime no que tange o mundo alheio ao sobrenatural, suprimindo atos heroicos incongruentes à personalidade de David, enquanto ele se desenvolve em sua aventura estradeira, lutando contra as influências das força sobrenaturais.

Todavia, temos um problema latente: o desfecho. A obra vinha em uma boa cadência, em um ritmo embalante que nos fazia virar as páginas hipnoticamente. Até que nos dá a impressão de que o autor pensou: “já escrevi demais, vamos terminar com isso logo”. Os último momentos da história são acelerados, retirando a dinâmica positiva da leitura, e causando uma incongruência temporal na história, enquanto ele faz o caminho da volta de sua viagem.

Por fim, teremos um final mais brochante do que o de Simbolo Perdido (um dos piores de todos os tempos), de Dan Brown. Entretanto, não deixe de se divertir com o desenrolar da trama que mistura muito bem a mitologia de John Milton aos elementos tradicionais do estilo literário em que se enquadra, mas não espere que esta obra lhe acrescente algo além de diversão!

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