ATUALIZANDO A DISCOTECA: Buddy Guy, Born To Play Guitar

“Eu nasci pra tocar guitarra. Gente, eu tenho o blues correndo nas minhas veias.”

Buddy Guy

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Buddy Guy: Born To Play The Blues (2015)

Buddy Guy é o último de sua geração. Um sobrevivente da época mais rica do blues guiado por guitarras elétricas e após a morte de B. B. King, talvez Buddy Guy tenha se tornado o novo embaixador do blues norte-americano. Filho caçula desta geração, Buddy Guy nasceu para o mundo do blues numa época em que o rock n’ roll já começava a conquistar o coração da juventude. Mesmo neste adverso cenário, se manteve fiel ao idioma do blues, dando um tom mais moderno ao que já começava a soar antiquado aos ouvidos mais jovens.

A frase que abre nosso texto é um dos versos entoados neste novo álbum e uma verdade que, quiçá, transcende a alegoria. Ao treze anos, o adolescente George Guy, nascido na Louisiana, fabricou um violão com latas e arame de cortina. Sua escola fora os discos de Lighning Hopkins, T-Bone Walker, Howlin’ Wolf (um dos homenageados neste novo álbum) e John Lee Hooker. Só foi ter sua própria guitarra aos dezessete anos. Born To Play Guitar é o mais novo capítulo de uma história que começou aos vinte um anos, quando ele foi tentar a sorte em Chicago, se tornando músico da histórica Chess Records, registrando canções ao lado de nomes como Muddy Waters, Howlin’ Wolf e Willie Dixon.

A faixa-título abre o álbum embasada na melhor tradição do blues, com guitarra limpa e sorrateira duelando com a abençoada voz de Buddy Guy, carregada de sentimento. Um piano intimista posteriormente se faz presente, culminando num instrumentação cadenciada e envolvente, transpirando história musical. É impressionante como Buddy consegue extrair emoções latentes de sua guitarra, com simples evoluções de escalas dilacerantes. Ainda neste espírito, temos as belíssimas homenagens ao seu inspirador, B. B. King, na faixa  “Flesh and Bone” e a seu mestre direto Muddy Waters, em Come Back Muddy”. A primeira conta coma participação de Van Morrisson, enquanto a segunda é uma pérola intimista e acústica aos moldes do mestre Muddy.

Alicerçado no blues, Buddy Guy se permite extrapolar as fronteiras do estilo. “Wear You Out” segue uma linha mais pesada e quase hard rock, numa parceria brilhante com Billy Gibbons, do ZZ Top. Já “Whiskey, Beer & Wine” tem um groove soul/funk emoldurado pelos riffs bluesy, além de um diálogo imperdível de guitarra e voz. Joss Stone é a convidada de “(Baby) You Got What It Takes”, uma faixa que respira aromas de musicais cinematográficos e dotada de linhas insinuantes de hammond. A ambientação diferenciada se faz presente em “Crying Out of One Eye” (quase psicodélica) e “Crazy World” (de guitarras afiadas).

Com este álbum, no alto de suas oito décadas de vida, Buddy Guy forja um poderoso álbum de blues, demonstrando domínio completo da técnica e feeling de seu instrumento, bem como poderio vocal de arrancar as mais diversas emoções. Além disso, presta uma reverência não somente a seus mestres, mas também a uma geração de mudou o blues. “Back Up Mama” evidencia o que de melhor aquela geração de nomes do blues pôde oferecer, em uma canção forjada por seu último e solitário arauto. Não podemos deixar de citar a participação do mestre Kim Wilson nas sensacionais “Too Late” (um boogie acelerado com ácidos naipes de harmônica) e “Kiss Me Quick”, ecoando a tradicional parceria de Buddy Guy com Junior Wells, que rendeu alguns dos melhores álbuns de blues que se tem notícia.

Este e um registro histórico, de um guitarrista reverenciado por nomes como Eric Clapton, Jeff Beck e Mark Knoppler, que merece ser degustado com seriedade e reverenciado por sua qualidade musical. Aos desavisados, conta a história da música que, certa vez, Jimi Hendrix cancelou uma apresentação só para ir ao camarim de Buddy Guy e dizer-lhe que havia roubado muitas de suas idéias na guitarra.

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