LIVRO: Nietzsche, O Anticristo.

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“O Evangelho morreu na cruz.” Nietzsche

Capa da edição lançada em bancas de jornal, como parte da coleção Grandes Obras do Pensamento Universal.

O Anticristo é a obra onde Nietzsche, ateu convicto, expressa toda sua antipatia e desprezo para com a religião cristã e pelas páginas do livro o autor tenta provar que o cristianismo foi o maior problema das partes do mundo onde foi difundido.

O discurso é altamente anticristão chegando a exaltar outras religiões como o budismo e o islamismo em detrimento ao cristianismo. Para Nietzsche, o cristianismo é responsável por fatos como a queda do Império Romano, colocar a perder todas as conquistas científicas e culturais dos povos antigos e o declínio do mundo e sua imersão na Idade das Trevas.

De acordo com este escrito, a religião cristã teria propagado mentiras e invenções para conquistar o poder, se manter nele e dominar o mundo. Para tanto, a doutrina pregaria a abnegação, a opressão dos instintos humanos, a condenação do prazer e todas as tão conhecidas e difundidas privações cristãs.

Enfim, para Nietzsche o cristianismo é o maior câncer do mundo, que ataca a filosofia, a moral e a política. O autor, Friedrich Wilhelm Nietzsche, natural de Röcken, Alemanha, nasceu no dia 15 de outubro de 1844 e por mais estranho que possa parecer, foi instruído nos rígidos preceitos cristãos da época e acabou cursando filosofia e teologia na Universidade de Bonn.

Por causa de uma sífilis entregou-se a solidão e ao sofrimento por não poder se casar com Lou Andreas Salomé. Veio a falecer no dia 25 de agosto de 1900, em Weimar. Publicou vários clássicos da filosofia mundial como Assim Falava Zaratustra, Além do Bem e do Mal, Vontade de Potência, Genealogia da Moral, Crepúsculo dos Ídolos e O Anticristo.

O Anticristo foi publicado em 1895, sete anos após ser escrito. Apesar de condenar o cristianismo, o autor não se baseou na figura bíblica do anticristo e nem foca sua crítica na figura de Jesus Cristo, mas sim em toda a religião cristã (a qual ele chama de religião da compaixão), seja católica ou protestante. Pode-se notar que Nietzsche acredita que as idéias do Messias foram deturpadas pela igreja e critica Lutero por não ter aproveitado a oportunidade de retratar o engano.

Podemos destacar a forma como ele classifica o budismo como a religião do nada, mas segundo suas palavras, se o budismo é ruim o cristianismo é ainda pior. Nietzsche acredita que a religião cristã vai contra a natureza do ser humano e esse fato fica evidente em algumas passagens da obra:

” Os fracos e os fracassados devem perecer… o que é mais nocivo que um vício qualquer? – A compaixão em ato para todos os fracos e fracassados”

“Não se deve embelezar nem enfeitar o cristianismo… O cristianismo tomou partido de tudo o que baixo, fraco, fracassado, instituiu como ideal a oposição aos instintos de conservação da vida forte.”

“Perdemos força quando nos compadecemos.”

“Ambos (budismo e cristianismo) são religiões da decadência… o budismo é cem vezes mais realista que o cristianismo”

“O Evangelho morreu na cruz.”

Com certeza, esta obra tem um caráter inquietante e deve ser lida sim, mas com um olhar crítico de uma mente do século XXI, que sabe diferenciar o cristianismo rígido e educacional vivenciado pelo autor, ou o mercado da fé em que grande parte do cristianismo latino vem se tornando, daquele cristianismo que proporciona conforto espiritual aos seus devotos.

Este volume deve ser valorizado como uma bela obra filosófica de um dos maiores pensadores da humanidade e deve ser lida sim, pois não estamos atrelados aos grilhões do que é ou não certo ler.

Todo conhecimento é válido se bem compreendido. Para os ateus é um livro interessante, para os não-cristãos deve ser lido com certa desconfiança embasada na parcialidade do autor, para os não-religiosos pode ser uma escrita indiferente, porém para os cristãos mais exaltados será um livro perverso, pérfido, iníquo e mal.

Para qualquer fanático religioso será um livro tão perigoso quanto o Pequeno Príncipe, pois qualquer fanatismo só revela que este ser é incapaz de sentir, raciocinar e crer.

Fica a dica de um bom e “perigoso” livro que saiu em edição nada luxuosa, porém muito acessível (por módicos R$4,99) nas bancas de jornal de todo o país, sendo o número 52 da coleção Grandes Obras do Pensamento Universal.

Abaixo um vídeo onde os grandes nomes da filosofia mundial Bertrand Russel e Martin Heidegger realizam, cada um, sua crítica quanto a obra de Nietzsche.

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