ATUALIZANDO A DISCOTECA: Bidê ou Balde, Gilgongo! Ou a Última Transmissão da Rádio Ducher (2015)

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Ou a ultima transmissão da rádio Ducher
Bide ou Balde:  Gilgongo! (2015, Hearts Bleed Blue Records)

Se existe uma sonoridade diferenciada e relevante dentro do atual pop rock nacional, sem dúvidas, é a da banda gaúcha Bidê ou Balde. Sem seguir padrões e delimitado apenas por suas próprias regras, este novo álbum chega com muita inteligência musical, sagacidade no discurso e doses perspicazes de humor. Permeado com vinhetas bem ajambradas, criam o clima perfeito de uma transmissão radiofônica, permitindo uma liberdade maior de experimentação de gêneros dentro das canções que estariam numa programação eclética. Este artifício junto aos elementos musicais corajosos e espirituosos dão um toque conceitual e até mesmo progressivo ao álbum.

Dando acordes finais à trilogia Kilgore, que homenageia o personagem Kilgore Trout, criação do escritor Kurt Vonnegut, Gilgongo! se apresenta como o melhor trabalho da banda desde o sensacional Outubro Ou Nada, de 2002, e mais relevante para a discografia do que o oxigenante Eles São Assim. E Assim Por Diante, de 2012, trazendo um conjunto de canções dotadas do frescor da modernidade, produto de um exercício de experimentalismo inteligente, mas sem perder sua identidade e características principais. Os arranjos são variados e misturam power pop, música brasileira, rock alternativo, adornos eletrônicos e rock oitentista, formando um corpo musical cujo esqueleto é baseado em acordes familiares, deixando a audição fluida e prazerosa, principalmente pelos instigantes backing vocals salpicado pelo álbum, dando um tempero viciante às canções.

Gilcongo

Ao todo temos vinte e seis faixas entre vinhetas, receitas e canções, onde destacamos “Much More Than a Friend” (versão da faixa “+Q1 Amigo”, presente no álbum anterior e que transpira a fase Rubber Soul dos Beatles), “Não Para(r) Mais” (arrojada e mais moderna), “À La Minuta” (pop inteligente e com alto grau de groove nos versos quase percussivos), “Choose de Loque – ou, Tudo Funcionando Meio Happy Mondays”, “Prato Comercial” (uma desconstrução eletrônica de À La Minuta), “O Soul Mentiu Pra Você”, “Fazer Tudo A Pé” ( com versos sarcásticos em um country rock à brasiliana), e “Eu Gostaria De Matar Os Dois” (cover da banda Graforréia Xilarmônica), numa festa musical extravagante e cheia de participações especiais.

“Gilgongo” é a expressão que os alienígenas dos contos do personagem Kilgore Trout bradam quando extinguem alguma forma de vida, bem como seu legado. Nada mais justo que esta exclamação batizar um álbum cujo conceito, além de se basear na obra do criador de Kilgore Trout, mostra os últimos minutos de transmissão da rádio ficcional Ducher, antes dela ser obliterada por um ataque alienígena. Desta forma, as vinhetas da radialista que anuncia a programação são o guia das canções, numa versão pop gaúcha de um K-Billy de Quentin Tarantino, numa versão roqueira do filme “Marte Ataca!”. Quem empresta a voz que dá vida à rádio Ducher é a radialista Katia Suman, uma das grandes entusiastas do rock gaúcho.

Um álbum indicadíssimo pra estapear as fuças de quem acredita que metade do rock brasileiro  morreu e a outra metade caiu na mesmice. Abaixo, você pode ouvir o álbum via Spotify, mas se gostar, não deixe de prestigiar a banda comprando o álbum clicando no na legenda da capa no início da postagem.

 

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