STRANGER THINGS: Viajando no Tempo por um Quebra-Cabeça de Referências!

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stranger-thingsStranger Things se passa em 1983, ambientada na cidade de Hawkins, onde um garoto desaparece misteriosamente. Enquanto a polícia, a família e os amigos procuram respostas, eles acabam mergulhando em um extraordinário mistério, envolvendo um experimento secreto do governo, forças sobrenaaturias e uma garotinha muito estranha. O elenco conta com Winona Ryder, Matthew Modine, David Harbour, Charlie Heaton, Natalia Dyer e Millie Brown. Na produção executiva da série, temos os irmãos Duffer (Wayward Pines), Shawn Levy (Uma Noite no Museu) e Dan Cohen (Story of Your Life). A série já se tornou o maior sucesso na história do Netlix e ultrapassou, em popularidade, Game of Thrones no site IMDb. A segunda temporada já fora confirmada antes da estréia da primeira e está prevista para 2017.

Resumida desta forma a série parece simplória e cheia de clichês. Sim, e o é, mas também é o paraíso para os nerdes que cresceram assistindo os clássicos filmes da sessão da tarde e as películas de terror de fins do anos 1970 à meados dos anos 1980, bem como se debruçaram sobre as páginas dos livros de Stephen King, Tolkien, Lovecraft e, obviamente, quadrinhos clássicos. Ou seja, temos uma verdadeira colcha de retalhos dos marcadores de uma geração da cultura pop e um jogo irresistível para os caçadores de referências.

 Te convidamos a dar um clique no play e curtir a playlist com todas as músicas que tocam ao longo da série enquanto mergulha em nosso texto.

Na verdade, muitas destas referências vão além das mais diretas que estão sendo levantadas na internet. Desde o início da série somos cúmplices de uma conspiração que envolve um dos maiores tópicos da cultura pop para os conspiradores de plantão: o MK Ultra que, inclusive, já foi largamente explorada na série Arquivo X.  Esta nossa cumplicidade, aliada ao fato de sabermos que a mãe do garoto está certa, é uma das formas mais eficientes de se desenvolver uma história de mistério (utilizada com maestria por Alfred Hitchcock), nos deixando constantemente acompanhados de certa dose de agonia e esperança (afinal, se foram inspirados por Stephen King tudo pode acontecer) durante o desenrolar da trama, como se pudéssemos, com o pensamento, guiar a investigação de um delegado pouco convencional e uma mãe histérica.

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Alguma dúvida das referências a Poltergeist? 

Como se pinçado de uma versão moderna da série Além da Imaginação, o roteiro nos oferece um envolve blend de nostalgia, terror e “nerdice”, num misto de terror psicológico, thriller conspiratório, comédia adolescente e aventura juvenil. Claro que esta narrativa está longe da originalidade, caminhando constantemente sobre a linha tênue que divide a homenagem da cópia descarada. Mas é impossível não sentir o aroma saudosista da narrativa bucólica que permeia as histórias de Stephen King. E por falar no Rei do Maine, a fonte utilizada na abertura é a mesma do filme Needful Things (Trocas Macabras, no Brasil), uma das suas melhores histórias.

As homenagens a Stephen King não param por aí. A personagem Eleven é, claramente, uma mistura das personagens principais de Carrie (Carrie, A Estranha, 1974)  e Firestarter (A Incendiária, 1980), moldados por um cientista pródigo e louco, como uma Walter Bishop (da série Fringe) inescrupuloso e soturno, chamado Dr. Brenner, muito bem interpretado por Matthew Modine.

Obviamente, o grupo de garotos remete diretamente ao conto “O Corpo” (também o nome de um dos episódios), presente na antologia Different Seasons” (Quatro Estações, 1982) e que viraria o filme Conta Comigo, um clássico da Sessão da Tarde (outro marco de uma geração), assim como Os Goonies (de onde pinçaram o personagem Dustin) e It: A Obra-Prima do Medo (também baseado num livro de Stephen King, de 1986), que também apresentam aventuras juvenis e marcam a perda da inocência de formas diferentes.

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A brigada infante de Stranger Things é formada por personagens de Os Goonies e Conta Comigo, que protege uma versão infantil de Carrie, A Estranha e passam por momentos tão traumáticos quanto o grupo de amigos aterrorizados por Pennywise em It, A Obra-Prima do Medo.

Tudo é referencial nesta série, desde os posteres nas paredes, passando pelas músicas em fitas cassete e os jogos de tabuleiro. Mas as referências cinematográficas estão tão na cara que fica difícil imaginar se os irmãos criadores da série não cruzaram a linha para o lado da cópia descarada. Mesmo assim, é uma homenagem que não descamba para o pastiche e para a cafonice, sendo a ambientação e caracterização de altíssima qualidade, compondo uma viagem no tempo. No campo do cinema, a obra de Spielberg é o outro pilar da trama, sendo diretas e indiscutíveis referências a filmes como E.T. Contatos Imediatos do Terceiro Grau (quando a mãe conversa com o filho através das lâmpadas).  Indiretamente, temos ainda referências aos filmes TubarãoJurassic Park.

Além de Spielberg, o tempero à lá John Carpenter é saboreado ao longo de toda a trama, principalmente no âmago da cidade que vive ao lado de um centro de pesquisa. Sabe aquele filme que o professor dos garotos está assistindo quando eles ligam perguntando sobre o tanque de privação sensorial? Pois então, é The Thing (O Enigma de Outro Mundo, 1982), de John Carpenter, cuja abertura é certamente uma inspiração para a série e a ideia de queimar o monstro também pode ter sido retirada daqui. Ainda são perceptíveis remissões a obras como HalloweenAssault on Precint 13.

Se focarmos no monstro, ele é, basicamente, uma quimera cinematográfica: 1) usa os humanos como incubadoras (lembrou de Alien?); 2) sua “bocarra” lembra muito a do Predador; 3) alguns trejeitos do monstro e sua forma de caçar na floresta remetem aos dinossauros de Jurassic Park; e 4)suas mãos abertas lembram as de Freddy Kruegger.

 Abertura da série, onde vemos uma das maiores referências a Stephen King, além do que, nada me tira a impressão de que esta música de abertura se assemelha a “End Titles From Blade Runner”, do Vangelis (que você pode conferir abaixo), numa versão lo-fi mais moderna. 

Indiretamente, ainda temos referências a clássicos como Poltergeist, Star Wars, O Senhor dos Anéis e jogos de RPG, além das lendas urbanas que circulavam pelos jovens dos anos 1980 e da década seguinte, principalmente quando nos deparamos com aquela Tábua Ouija improvisada na parede. A forma como envolveram o conceito de Universo Paralelo e Literatura Fantástica é admirável, além disso, nada me tira da cabeça que o “universo do monstro” é baseado nos quadrinhos do Monstro do Pântano, da era-Alan Moore. Extrapolando as referências oitentistas, a forma de desenvolver a narrativa tem um pouco das técnicas de J J Abrams, ficando impossível não lembrar da série Fringe quando nos deparamos com viagens entre universos paralelos via concentração mental, após experimentos com LSD e privação de sentidos.

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O monstro é uma quimera oitentista: 1) usa os humanos como incubadoras (lembrou de Alien?); 2) sua “bocarra” lembra muito a do Predador; 3) alguns trejeitos e sua forma de caçar na floresta remetem aos dinossauros de Jurassik Park; 4)seu mundo parece o criado por Alan Moore para O Monstro do Pântano; e 5) suas mãos abertas lembram Freddy Kruegger.

Por fim, a trilha sonora está muito bem escolhida, bem contextualizada (parece até que Elegia, do New Order, foi composta para a cena que foi utilizada), além de trazer alguns momentos com os saudosos sintetizadores de som, que guiaram uma época dentro do rock progressivo eletrônico, sendo impossível não pensar em Jean-Michael Jarre, Mike Oldfield e Kitaro em alguns momentos. Ou seja, temos um quebra-cabeças de referências eficiente, apresentando uma panorama de entretenimento envolvente que ainda tem, em segundo plano, florestas assustadoras, walkie talkies, sangramentos como indícios de extremo uso cerebral, seres de outras dimensões se comunicando por eletricidade, telefonemas estranhos, cientistas loucos, a pureza da amizade infante e um pouco de comédia romântica adolescente aos moldes do que fazia John Hughes.

Definitivamente, esta é uma série para matar as saudades de quando o entretenimento não era feito puramente por efeitos especiais e sim na manipulação das emoções do espectador!

 Confira um vídeo que faz um paralelo das referências mais diretas.

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