LIVRO: “Em Algum Lugar nas Estrelas”, de Clare Vanderpool

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Clare Vanderpool: “Em Algum Lugar nas Estrelas” (Darkside Books)

SINOPSE: “A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas Jack Baker não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai… bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine. O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden.Early, um nome que poderia ser traduzido como precoce, é uma descrição muito adequada para um prodígio como ele, que decifra casas decimais do número Pi como se lesse uma odisseia. Mas, por trás de sua genialidade, há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor.Seu comportamento é um dos muitos indícios da síndrome de Asperger, uma forma branda de autismo que só seria descoberta muito tempo depois da Segunda Guerra. Quando chegam as festas de fim de ano, a escola fica vazia. Todos os alunos voltam paracasa, para celebrar com suas famílias. Todos, menos Jack e Early. Os dois aproveitam a solidão involuntária e partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache. Nessa grande aventura, vão encontrar piratas, seres fantásticos e até, quem sabe, uma maneira de trazer os mortos de volta – ainda que talvez do que Jack mais precise seja aprender a deixá-los em paz”. (Texto adaptado do site da Editora)

 O que é mais importante: procurar ou encontrar?” Esta frase pinçada de algumas das quase trezentas páginas deste livro, dá uma pequena mostra do teor reflexivo submerso num enredo envolvente e apaixonante que, mais do que qualquer outra coisa, trata de perdas: suas diferentes formas de acontecer e como as encaramos. E ainda, como não estamos preparados para os ganhos que poderão se seguir. No caso da trama, é difícil decidir se Jack ganhou Early, ou se Early ganhou Jack, mas é certo que ambos se completam na fábula que caminha de mãos dadas com o surrealismo de Early e o realismo de Jack.

O clima onírico é permanente, justificando o fato que a inspiração para o livro advém de um sonho, onde os personagens fabulosos se mostram muito bem desenvolvidos, com nuances psicológicas complexas e indiretas, exibindo ainda uma boa convivência com os personagens mais “reais”. A ideia inicial de Clare era escrever um livro sobre alguém que tivesse um dom inexplicável e sua execução foi indefectível, visto que Early tem capacidades analíticas extraordinárias, mas nada que soe super-heroico, sendo, na verdade, um excêntrico apaixonante, um erudito que decorou mais de vinte e dois mil dígitos do número pi e vê números como forma, cores e texturas que contam uma história.

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Obsessivo, Early Auden tem regras específicas sobre que músicas deve ouvir em cada dia da semana: Louis Armstrong às segundas; Sinatra às quartas; Glenn Miller às sextas; Mozart aos domingos e Billie Holiday sempre que estiver chovendo. 

Mas esta história que é lida nos algarismos das casas decimais do número pi se amarra com a aventura da dupla que segue após entrarem rio adentro, se tornando difícil estabelecer os limites de onde termina a fantasia da história de Pi e onde começa a “realidade” da aventura juvenil, que lembra muito o conto “O Corpo”, de Stephen King, com uma aclimatação que remete a “Desventuras em Série”, um pouco de Huckleberry Finn, matemática, história e um pouco de mágica literária para amarrar fatos com ficção. Por exemplo, o número Pi realmente tem infinitas casa decimais, mas eles não contam uma história e realmente, em 1945, encontraram um erro de cálculo  em algumas casas decimais do numero Pi, mas não foi Early quem as encontrou.

O mais interessante é notar, durante a leitura, que mesmo após adultos, nossos pensamentos, mesmo motivados por coisas diferentes, tem a mesma contrariedade infantil frente ao que nos é incongruente, sendo quase inspiradora a coragem de Jack para enfrentar desafios cotidianos apesar da vontade de passar despercebido pelo mundo, ou de seguir outro caminho. Ainda tenho que enaltecer a bem calibrada dose de humor leve e inocente, que permeia os conselhos tutoriais e o banho de sensibilidade e emoções humanas que funcionam como agentes envolventes da narrativa.

Longe de ser um obra irrelevante, este livro certamente irá marcar o leitor e clamará por novas releituras ao longo dos anos, pois existem ensinamentos implícitos e detalhes que são percebidos a cada nova olhadela em suas páginas, além de um final imprevisível e de tirar o fôlego. Nesta primeira leitura, guardei o conselho da mãe de Jack: se não gosta de como a cama esta feita, basta desarrumá-la e arrumar de novo a seu modo.

clarevanderpool_72_webClare Vanderpool foi a primeira autora estreante a receber o cobiçado prêmio Newbery Medal, da American Library Association, por Moon Over Manifest, seu livro de estreia. “EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS” é seu segundo romance. Comparado a clássicos como “Huckleberry Finn”, de Mark Twain, “Em Algum Lugar nas Estrelas” entrou na lista dos mais vendidos do New York Times e vem sendo adotado como um livro indispensável por várias escolas nos Estados Unidos. Uma leitura encantadora para leitores de todas as idades.

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