ATUALIZANDO A DISCOTECA: Clemente Nascimento e a Fantástica Banda Sem Nome, “Antes que Seja Tarde”

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Clemente Nascimento e a Fantástica Banda Sem Nome, “Antes que Seja Tarde” (2016, HBB Records)

Clemente Nascimento é um ser musical multi-tarefas nos dias de hoje. Praticamente uma lenda dentro do punk rock nacional, já era baixista da banda Restos de Nada nos idos de 1978, conferindo-o a patente de desbravador do punk paulista. Ainda esteve à frente do lendário Condutores de Cadáver, e em 1981 fundou o Inocentes, um dos pilares não só do punk rock nacional, mas também do rock oitentista tupiniquim. Não obstante, hoje em dia, além de se dedicar ao Inocentes, ainda se encontra nas fileiras principais da Plebe Rude, uma das melhores bandas da história do rock vestido de verde-e-amarelo e apresenta dois programas no Youtube, com destaque ao Heavy Lero (ao lado de Gastão Moreira). Agora, o inquieto e incansável Clemente Nascimento se dedicado ao primeiro projeto solo: Clemente e A Fantástica Banda Sem Nome.

Este longo caminho dentro da cena deu a Clemente o conhecimento de causa para abusar de arranjos que somente quem conhece do riscado poderia ousar dentro do rock n’ roll, usando destemidamente toda a versatilidade que o estilo fornece, variando abordagens, como evidencia a balada disfarçada de carrossel de emoções “Palavras Mortas”, que, em alguns momentos, me lembrou das viscerais e emocionais baladas do Lobão. Já “Imprescindível” mescla bem melodias acessíveis que flertam com o rock tipicamente paulista (de bandas como Titãs e Ira!), em guitarras incisivas e cortantes, transpirando atitude. Atitude que também aparece na sensacional “Tosco Blues”; faixa nervosa, com riff de guitarra inspirado, perpetrando uma fusão de blues com rock alternativo noventista que permite a Clemente ousar numa interpretação vocal interessante que viaja por uma montanha russa de riffs e tonalidades alternativas.

Toda essa aventura pelo parque de diversões roqueiro imaginado por Clemente só seria possível com o auxílio de músicos experientes e que também tivessem total domínio do terreno. Consciente deste fato, Clemente se cercou de veteranos como Joe Gomes (ex-Pitty) no baixo, Johnny Monster (Daniel Belleza e Corações em Fúria) na guitarra, e Rodrigo Cerqueira (ex-Skuba/Firebug) na bateria. Esta trupe sem nome passou o ano de 2015 se divertindo entre instrumentos musicais e descobrindo composições de Clemente que foram arquivadas com o passar do tempo, ajudando-o a desenvolver uma sonoridade livre de amarras, obrigatoriedades e  definições estéticas.

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Neste contexto, nasceram pérolas como “Sonhos” (dona de uma melancolia pos-punk tradicional às bandas brasilienses), “Sou Como o Sol”, (com uma pegada empolgante no refrão e uma paradinha mortal que serve de transição para as calmas linhas cortantes dos versos), Corações Solitários“Nada Mais”. Todavia, “Quando os Anjos Caem”“Os Sinais” soam menores dentro do repertório que tinha tudo para atingir a nota máxima, mas ainda assim possuem suas qualidades.

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Segundo Clemente, este álbum traz a possibilidade e a liberdade de experimentar sonoridades diferentes do que as do Inocentes e da Plebe. Tem músicas nesse projeto que foram escritas a 30, 25, 20 anos atrás, mas não tinham a cara das outras bandas, e quando nos reunimos acabei compondo algumas músicas com a banda e outras sozinho, já inspirado pelo clima desse disco, que é mais lírico e lúdico, sem perder o frescor alternativo”, explica.

“Antes que Seja Tarde”, foi gravado em 2016 no estúdio Espaço Som com produção de Wagner Bernardes, que conseguiu dar um sabor orgânico ao álbum, de modo impecável, sem soar muito pasteurizado, possibilitando acompanhar cada instrumento em separado , com baixo pulsante, bateria alicerçando as harmonias e guitarras versáteis.

Ao silenciar final, com o término do experimentalismo fabulosos de “A Noite Passa Tão Devagar”, temos a certeza de que saboreamos faixas muito diferentes entre si, mas que interagem pelo caráter pessoal dos versos, num rock n’ roll inteligente, bem composto e que abre uma nova paisagem musical na carreira do lendário Clemente Nascimento.

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