ATUALIZANDO A DISCOTECA: Katatonia, “The Fall of Hearts” (2016)

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Katatonia: “The Fall of Hearts” (2016, Peaceville Records, Paranoid Records)

Uma das evoluções musicais mais interessantes de se observar é a que acontece com as bandas de heavy metal extremo da primeira metade dos anos 1990, principalmente das cenas Black e Doom/Death Metal. Tome como exemplos, Enslaved, Arcturus, Anathema, Amorphis, Opeth e Paradise Lost, que evoluíram das catacumbas sombrias do Heavy Metal, para uma sonoridade trabalhada, algumas delas investindo mais em elementos progressivos, outras em incursões mais modernas, mas sempre com maturidade e exploração musical, abusando do bom gosto e oferecendo álbuns de alta qualidade. Dentre este grupo seleto, podemos adicionar o Katatonia, que sempre apresentou elementos diferentes em cada um de seus álbuns.

Partindo do sombrio “Dance Of December Souls” (1993), passando pelo gótico “Discouraged Ones” (1998), e chegando ao moderno “Viva Emptyness” (2003), percebemos de modo claro que a transformação musical do Katatonia sempre seguiu de modo ininterrupto, sem oferecer um déjà vu discográfico sequer. Mesmo assim, em meio a esta linearidade evolutiva sempre mesclaram melodias melancólicas e letras provocativas em meio a andamentos climáticos e reflexivos, numa sobreposição de ideias que apareciam no passo anterior, mas sempre com olhos à frente.

 “Serein” traz o tradicionalismo gótico misturado ao rock alternativo.

Neste décimo álbum de estúdio esta condição permanece, sendo o produto final das parcelas musicais multiplicadas à partir de 1996, dando mais tempero progressivo às melodias tradicionais, tirando um pouco da frieza natural à sonoridade sueca, imprimindo mais calor à melancolia, fugindo da tristeza e se aproximando do alívio após o desabafo por vias musicais psicodélicas e quase experimentais. Algumas guitarras e passagens mais pesadas referenciam os tempos pregressos (como na proximidade ao tradicionalismo gótico misturado ao rock alternativo de “Serein”), mas a banda agora é outra, investindo em pianos confortáveis, instrumentação diferente, densa orquestração e, mesmo assim, a música se torna palatável e acessível, que, como uma pintura impressionista, apresenta um conjunto nítido por meio de pinceladas difusas.

Ester Segarra

Esqueça a banda que você ouviu em álbuns como o sombrio “Dance Of December Souls” (1993), ou no gótico “Discouraged Ones” (1998), e até mesmo no moderno “Viva Emptyness” (2003). A metamorfose musical da banda sueca Katatonia segue em frente, sem olhos para o passado. 

Neste contexto, a metamorfose desta banda sueca se assemelha à praticada pelo Opeth e pelo Anathema em direção ao progressivo, sendo que este “The Fall Of Hearts“, soa como um álbum de transição para a sonoridade bem cerebral e musicalmente intelectual, fato refletido no manejo das excentricidades musicais, que gera seus pontos altos nas faixas mais fortes, com guitarras proeminentes e menos experimentação, como “Sanction” (faixa melhor construída dentro da proposta) e “Serac” e “Last Song Before The Fade”. Dentro da variação exploratória do álbum, temos até mesmo andamentos de fusion e efeitos eletrônicos, tendo em “Takeover”, “Old Hearts Falls” “Residual” faixas que traduzem magnificamente a proposta atual do Katatonia.

 Old Hearts Falls” é uma das faixas que traduzem magnificamente a proposta atual do Katatonia. 

“The Fall of the Hearts” é o último estágio de uma evolução musical, onde a banda mescla as sonoridades dos dois álbuns anteriores, “Dead End Kings” (2012) e “Dethroned & Uncrowned” (2013), expandindo vertiginosamente seus horizontes, o que dificulta na obtenção de um retrato verbal fiel à musicalidade deste álbum, onde nem toda a complexidade das texturas sonoras conseguiu fazer com que o álbum deixasse de ser acessível aos apreciadores dos mais diversos subgêneros do rock, nos deixando extremamente curiosos sobre qual será o próximo ponto de virada na discografia do Katatonia.

Esqueça a banda que você ouviu em álbuns como “Dance Of December Souls” (1993), “Discouraged Ones” (1998) e “Viva Emptyness” (2003), ela já não existe há tempos, mas não deixe que sua vontade de ser um “headbanger malvadão” o prive de ouvir um dos grandes álbuns progressivos do ano.

NOTA: 9,5.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Sick Mind disse:

    Tenho de concordar, mtas bandas como as citadas e mesmo outras, simplesmente mudaram. Eu gostei dessa nova “fase” do Katatonia, principalmente porque sempre fui da opinião de que uma banda precisa se reinventar de tempos em tempos. Muitos fãs, infelizmente, não são assim. Parece que existe uma norma de conduta entre os “headbangers malvadões”, que vivem de saudosismo.

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