ROCK NOW: 23 Discos Pra Conhecer Novas Bandas

“O Rock N’ Roll está Morto!” Esta frase ecoa na modernidade como um mantra proferido por falsos profetas da música, travestidos de fãs do estilo que se contentam apenas em recolher as migalhas que os grandes dinossauros do rock lhes dão. Estes mesmo seres enfurnam em seus quartos praticando seus velhos rituais de consagração a velhos deuses que caminham para a morte. Este praticante do culto ao velho rock n’ roll adora propagar a mensagem de que depois destas bandas históricas nada mais vale a pena e devemos, enlutados e nostálgicos, continuar nosso culto às antiguidades roqueiras. Venho, através desta pequena lista, mostrar que existe vida além das reuniões amputadas de grandes nomes do rock que jogam para uma torcida cega pelo fanatismo babaca e, muita das vezes, surda para uma performance ultrapassada, manjada e vexatória. 

Recentemente, apresentamos duas listas que foram sucesso, indicando 11 álbuns para conhecer o Death Metal e  dez álbuns para se conhecer o Thrash Metal da Bay Area. Dando continuidade à esta proposta, apresentaremos 23 álbuns destacáveis dentro da nova safra de bandas que se dedicam ao rock n’ roll, excetuando as novas bandas de Heavy Metal, pois estas rendem uma postagem inteiramente para si, e tendo como únicos critérios: 1) apenas um álbum para cada banda; 2) somente álbuns lançados após 2010 e de bandas que “debutaram” a partir de 2001; e 3) dar prioridade a bandas que não tenham nomes consagrados em sua formação, excluindo assim os supergrupos. Sendo assim, vamos aos novos clássicos do rock!

1) THE ANSWER: New Horizon (2013)

A mais bela capa da lista, sem sombra de dúvidas, embala um dos grandes álbuns modernos que misturam Rock Clássico e Hard Rock. Guitarras encorpadas e melodias na medida certamente não o deixarão inerte às canções destes irlandeses. Destaque imediato  para Spectacular, Concrete, Call Yourself a Friend.

Confira também os álbuns Rise (2006) Raise a Little Hell (2015)

2)RIVAL SONS: Great Western Walkyrie (2014)

A atual sensação do mundo do rock n’ roll pratica uma fusão da psicodelia sessentista e a fúria do hard rock setentista. Canções como Open My Eyes, Where I’ve Been e Good Things, nos apresentam a versatilidade do quarteto em trabalhar tanto em canções pesadas e diretas, quanto em canções mais “sensíveis” e/ou “groovadas”. O Rival Sons apresenta um conjunto de canções que explode como a melhor forma de forjar o velho rock n’ roll no calor da modernidade. Confira nossa resenha completa aqui.

Confira também os álbuns Pressure  & Time (2011), Head Down (2012) e Hollow Bones (2016)

3) RIVERSIDE: Love, Fear and the Time Machine (2015)

Eis um álbum para os que acreditam que, depois do Pink Floyd, ninguém mais conseguirá, com alta classe, executar uma exploração impiedosa da sensibilidade musical. Neste conjunto de canções a musicalidade é a mais bela possível, desprezando a agressividade gratuita, investindo em doses homeopáticas de hard rock, emoldurado em um clima etéreo melancólico.

Confira também os álbuns Second Life Syndrome (2005) e Anno Domini High Definition (2009)

4) BLACK STONE CHERRY: Kentucky (2016)

O Black Stone Cherry se mostra como um envolvente e raivoso amálgama e The Black Crowes, Soundgarden e Stone Temple Pilots, com aroma southern impregnado nas linhas de guitarra, os refrões embebidos em melodias inspiradas e estrutura pesada e coesa. Neste álbum, além de investir em uma maior versatilidade sonora, sem truncar a evolução musical da banda, retomam com maturidade suas raízes.

Confira também os álbuns Black Stone Cherry (2006) e Folklore and Superstition (2008)

5) GRAVEYARD: Innocence and Decadence (2015)

Imprimindo originalidade e dinamismo em sua fórmula pura e sem gelo de fazer rock n’ roll, o Graveyard flerta, em seu quarto álbum de estúdio, com hard rock, psicodelia e garage rock, demonstrando uma destreza ímpar, além de muita atitude em riffs e solos ácidos, timbragens ásperas e arranjos em sua maioria mais rústicos, contrapondo a versatilidade vocal.

Confira também os álbuns Graveyard (2007) e Hisingen Blues (2011).

6) WITCHCRAFT: Nucleus (2016)

O grupo sueco é uma dos atuais melhores nomes do hard rock de tonalidades vintage e livre das amarras dos rótulos. Neste quinto álbum eles conseguiram apresentar uma alquimia sonora multivariada, cheia de referências, mas com identidade própria e com os ingredientes utilizados de modo inteligente. A veia sabática tradicional da banda esta acompanhada de tonalidades que remetem ao Jethro Tull, rock psicodélico sessentista, proto-metal setentista, e stoner rock, além de espasmos progressivos e jazzísticos. Confira nossa resenha completa aqui.

Confira também os álbuns Firewood (2005) e Legend (2012).

7) HONEYMOON DISIASE: The Transcendence (2015)

Pense numa mistura de Status Quo e The Sweet, com The Runaways e Joan Jett and the Blackhearts. Adicione algumas doses de proto-punk, backing vocals bem encaixados e uma timbragem retrô levemente comercial. Ainda temos teclados submersos e diluídos no rock n’ roll puro e básico, dando um leve sabor psicodélico. Entretanto, não espere nada da estrutura Heavy Metal, pois esta banda ainda vive na aurora roqueira da década de 1970, nos apresentando um álbum dinâmico, que celebra o rock n’ roll. Temos músicas diretas como “Fast Love”, “Brand New Ending” e “Higher”, em companhia da comercialidade disfarçada de “Stargazer” e “Break Up”, mas em sua maioria, as faixas são o mais puro Classic Rock, sendo “You’re Too Late”, “Rock N’ Roll Shock” e “Bellevue Groove” ótimos exemplos da fórmula da banda.

Este é o álbum de estréia da banda, mas vale muito a pena seguir seus passos futuros. 

8) THE VINTAGE CARAVAN: Arrival (2015)

Um álbum pesado! As influências de Led Zeppelin, Rush e Gentle Giant estão latentes em passagens pesadas e nos climas mais sombrios. Com o decorrer das canções fica a sensação de que o espírito progressivo apresentado em “Voyage”, álbum anterior, foi naturalmente obscurecido por sonoridades metálicas, ainda se fazendo presente de modo mais eloquente na belíssima “Innerverse” e em andamentos de “Carousel”. No geral, o trio islandês investe em viagens psicodélicas, solos e riffs nervosos, experimentações, linhas de blues e um acachapante peso groovado. Uma das melhores bandas dos últimos anos.

Confira também o álbum Voyage (2014).

9)DOVETAIL: Mount Karma (2013)

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Essa opção é  pra quem curte uma sonoridade mais pop e melodiosa. Na primeira audição deste álbum fui arrebatado de imediato pelo som que mais parece uma viagem no tempo. Formada por dois irmãos, o grupo baseado no estado americano do Texas é o perfeito amálgama de Beach Boys e Black Crowes (não coincidentemente bandas com integrantes ligados pela fraternidade). Destaque para todas as canções que transpiram emoção e sentimento, mas “Story” (uma das melhores canções de 2013), “Big City”, “Hey Hey Mama” e “Julie” são pérolas modernas.

Este é o álbum de estréia da banda, mas vale muito a pena seguir seus passos futuros. 

10) VINTAGE TROUBLE: 1 Hopeful Rd. (2015)

Neste segundo álbum, as linhas viscerais foram contidas e as arestas sonoras arrendondadas, formatando composições esmeradas, recheadas de melodias libidinosas e nítido amadurecimento. A homogênea mistura de rock, soul e blues está muito bem representada! Resenha completa aqui!

Confira também o álbum The Bomb Shelter Sessions (2011).

11) H.E.A.T.:Tearing Down The Walls (2014)

Os fãs do hard rock apresentado nos anos 80 se valem hoje das fantásticas bandas escandinavas para suprir sua sede por guitarras melodiosas, refrões fortes, baladas destruidoras, visual espalhafatoso e tudo o mais que fazia o rock ser divertido. Em 2014, o H.E.A.T. veio chutando a porta de entrada com um fenomenal álbum, cuja faixa título seria um hit radiofônico se não vivêssemos em uma era tão negra para o rock n’ roll. Destaques? Todas as músicas, mas A Shot Of Redemption, Inferno, Enemy In Me e We Will Never Die são pérolas que se lançadas nos anos 80 fariam desta banda uma das maiores da época.

Confira também os álbuns Freedom Rock (2010) e Address The Nation (2012).

12) HALESTORM: Into The Wild Life (2015)

É hard rock para tocar em rádio, mas também um rock n’ roll com guitarras incisivas, vocais fortes e belos olhos! Afinal Lzzy Hale é um talento empunhando sua guitarra, entoando sua voz, ou desfilando sua presença nos palcos do mundo. Neste terceiro álbum, a banda se aventura em novas sonoridades, saindo levemente de sua zona de conforto e mostrando que vieram para fixar sua bandeira dentro da moderna cena do hard rock. As canções são energéticas, pulsantes, muito bem produzidas e compostas, transpirando atitude roqueira e bom gosto em faixas como “I’m The Fire”, “Mayhem”, “Apocalyptic”, “New Modern Love” e “Sick Individual”.

Confira também os álbuns Halestorm (2009) e The Strange Case Of (2012).

13) GHOST: Opus Eponymous (2012)

Antes de ser moda dentro os roqueiros pseudo-ocultistas modernos, o Ghost lançou um primeiro álbum quase perfeito. A banda chamou a atenção pelo impacto de sua mistura de rock com inserções de corais e cantos gregorianos, mostrando preocupação com arranjos e detalhes musicais, principalmente pelos vocais mais suaves que contrastam de modo violento com alto teor “satânico” de suas letras.

A sonoridade do conjunto remete diretamente aos grandes álbuns dos anos 70 e se não fosse a produção límpida, poderia facilmente apostar que este era um grupo perdido daquela década, principalmente pelos teclados. Liderados pelo seu “primeiro” Papa Emeritus, uma espécie de guru satânico (os outros membros do conjunto são apenas conhecidos como o enumerados Nameless Ghoul) apresentam pepitas negras do rock como “Con Clavi Con Dio”, “Elizabeth” “Ritual”. Confira mais detalhes da banda aqui.

Confira também o álbum Meliora (2015).

14) ADVENT HORIZON: Stagehound (2015)

Magnifica a receita sonora apresentada neste álbum, com traços da coesão do Rush, o espírito roqueiro do Led Zeppelin e doses cavalares da versatilidade técnica do King Crimson, misturados a vozes inspiradas, harmônias brilhantes e virtuosismo preciso.

Confira também o álbum Immured (2011).

15) ROYAL BLOOD: Royal Blood (2014)

Lembra do show de uma dupla baixo-bateria que ferveu a edição de 2015 do Rock In Rio? Pois bem, este é o poderosíssimo álbum de estreia deles. Misturando elementos do garage rock e do blues rock, este duo inglês lançou uma das melhores estreias da última década e atraiu a atenção de nomes como Jimmy Page e Iggy Pop. Duvido que conseguirá passar incólume ao groove e força de faixas como “Figure It Out”, “Out Of The Black”“Little Monster”.

Este é o álbum de estréia da banda, mas vale muito a pena seguir seus passos futuros. 

16) ECLIPSE: Armageddonize (2015)

Este é um álbum de hard rock com atitude e boas composições, como uma bela parcela do que é lançado pela gravadora Frontiers nos dias de hoje. Eric Martensson é o mais novo gênio do melodic/hard rock mundial e capitão desta banda ímpar dentro do cenário que apresente, neste álbum, hinos modernos do hard rock, com intensidade, força, riffs empolgantes, base pulsante e muito refrão grudento.

Confira também os álbuns Are You Ready To Rock (2008) e Bleed & Scream (2012).

17) CRASHDIET: The Savage Playground (2013)

Sem sombra de dúvidas, este é um dos melhores álbuns de Hard Rock da última década. Canções como The Savage Playground, Cocaine Cowboys, California, Anarchy, Circus e Snakes In Paradise me fizeram saborear novamente o prazer de ouvir o hard rock perigoso, destrutivo e menos festeiro. Ótimos riffs, linhas vocais inspiradas, canções recheadas de solos viscerais e muita atitude, tanto visual, quanto musical.

Confira também os álbuns Rest In Sleaze (2005) e Generation Wild (2010).

18) DEAP VALLY: Sistrionix

A fórmula de uma dupla, composta por guitarra e bateria, executando um garage rock competente não é novidade. Dentro das canções existem múltiplas referências de blues, hard rock e modernidade, mostrando uma atitude musical exemplar das duas garotas responsáveis pelo petardo. E não se engane, estas duas “donzelas” surpreendem dentro da proposta e mostram mais postura que o aclamado Black Keys.

Este é o álbum de estréia da banda, mas vale muito a pena seguir seus passos futuros. 

19) IMPERIAL STATE ELECTRIC: Pop War (2012)

Banda sueca formada por Nicke Anderson (um dos fundadores do Hellacopters e mentor intelectual por uma década do Entombed, baluarte do Death Metal sueco) que se dedica ao puro Rock N’ Roll, com pedigree Hard Rock e cheiro reconfortante de clássico. Este Pop War apresenta uma  pegada rock n’ roll mais amaciada, com a malícia do Rolling Stones, o espírito roqueiro do Kiss e uma dose leve de pop setentista, matando a sede dos saudosistas das eras douradas do rock

Confira também os álbuns Imperial State Electric (2010) e Honk Machine (2015).

20) BLACKBERRY SMOKE: The Whippoorwill (2012)

Estes americanos da Georgia são os melhores seguidores da tradição sulista eternizada pelo Lynyrd Skynyrd. Ou seja, temos vocais com atitude roqueira, mas embebidos de tonalidades country, guitarras em profusão e cozinha coesa que dita o ritmo cheio de emoções variadas, sendo este seu melhor álbum!

 

Confira também os álbuns Little Piece of Dixie (2009) e Holding All the Roses (2015).

21) FREE FALL: Power & Volume (2013)

Quarteto sueco de hard rock, o Free Fall é mais um bom nome do revival roqueiro escandinavo que explodiu no novo milênio. Autoproclamando um estilo para si ( o Freedom Rock), tem claras influências de AC/DC e Status Quo, mas com muita identidade sonora dentro do classic rock pujante e de tonalidades vintage.

Este é o álbum de estréia da banda, mas vale muito a pena seguir seus passos futuros. 

22) BLUES PILLS: Blues Pills (2015)

Esta banda sueca investe num blues rock cheio de psicodelia, guitarras potentes e e cozinha hipnótica, guiados pela vocalista Elin Larsson, cheia de volúpia roqueira e desenvoltura das grandes mestras do blues. Ao contrário de seus congêneres contemporâneos, não tentam soar como se pertencessem aos anos setenta e sessenta, utilizando os mesmos ingredientes, mas gerando uma receita final com sabor moderno e longe dos mimetismos dos clássicos.

Confira também o álbum Lady In Gold (2016)

23) ALABAMA SHAKES: Boys & Girls (2012)

Mesclando Southern Rock com influências de soul e blues e pitadas de garage rock, a banda Alabama Shakes roubou a cena com este primeiro álbum, principalmente pelos indomados vocais que emergiam dos arranjos simples, mas certeiros, das guitarras. O Alabama Shakes é uma banda de rock na essência e este, em virtude da escorregada no segundo álbum, é seu melhor trabalho.

Ignore o discutível segundo álbum, de 2015, mas vale muito a pena seguir seus passos futuros. 

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