ATUALIZANDO A DISCOTECA: Bruno Mansini, “The Golden Soul” (2016)

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Bruno Mansini: “The Golden Soul” (2016, Independente)

O multi-instrumentista brasileiro Bruno Mansini apresenta a última parte de sua trilogia “Dreams From the Earth”, intitulada “The Golden Soul”, facilmente a melhor e mais ousada deste seu tripé discográfico. Aqui, o tom  iluminado, quase feérico, deu cores mais lúdicas ao Rock Progressivo, limpando seus exageros sinfônicos e eruditos, preenchendo os espaços com sonoridades étnicas tipicamente brasileiras, explorando bases musicais de nomes como Hermeto Pascoal, ou dos tradicionais lançamentos do selo independente Discos Marcus Pereira (que, na década de 1970, resgatou muito da música tradicional de nosso país) e, por que não, extrapolando o conceito musical apresentado pelo Angra no álbum “Holy Land” (1996). Ou seja, em meio a clássicas abordagens que remetem ao progressivo inglês de Yes eGenesis, ou ao trabalho de Neal Morse, seja em carreira solo ou no Transatlantic, temos linhas percussivas, arranjos exóticos que migram das cores brasileiras para o transcendentalismo oriental com desenvoltura.

Hoje em dia, esta proposta de fundir o rock com elementos da música brasileira pode não soar mais tão ousada, todavia, ainda impressiona saber que um trabalho desta magnitude fluiu em sua plenitude de Bruno, que executou muito bem seu conceito, mostrando que a falta do impacto do ineditismo da proposta pode ser suplantado pela sua perfeita execução que, neste caso, mostra-se eficiente, envolvente e saborosa, principalmente quando percebemos toda a sensibilidade de Bruno Mansini ao não deixar os exageros naturais aos arranjos progressivos se sobressaírem ao instrumental de melodias fortes, por vezes mais acessíveis (como na belíssima “Earthdance”, que chega a flertar com o pop/rock), criando peças curtas, cheias de oxigenação e que prendem a atenção a cada detalhe.

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Nas palavras de Bruno, “a música brasileira sempre esteve presente em minha vida e os elementos que trouxe para ‘The Golden Soul’, mostram o quanto acrescentar algo que venha da diversidade rítmica dessa música só tem a engrandecer quaisquer que sejam as músicas”.

Como destaques, temos a faixa-título (que abre o trabalho quase como um resumo da proposta), “Glory of The Heroes” (com instrumentação mais encorpada e transbordando melodias envolventes e detalhes instigantes nos andamentos caleidoscópicos), “Wonders of The World” (que se destaca mesmo com algumas passagens que lembram hinos gospel), “Ashtoning Mind” (melhor do trabalho, beirando o Metal Progressivo em dado momento de seus arranjos fora dos padrões e com vocais mais sombrios e pujantes) e “The Joy of Love” (exalando iluminados classicismos progressivos e linhas vocais que remetem aos maneirismos bucólicos da música mineira), que apresentam linhas de guitarra inspiradas (muito bem executadas por Cauê Doktorczyk, único músico além de Bruno no álbum), perene sensação vanguardista e altíssima qualidade musical, além de versos inspirados, reflexivos e positivos.

Confira o vídeo para “Glory of The Heroes”, com instrumentação mais encorpada, principalmente nas guitarras e nas linas de baixo, e transbordando melodias envolventes e detalhes instigantes nos andamentos caleidoscópicos.

Como único (e mínimo) porém dentro do trabalho, temos a abordagem vocal de Bruno. Entendam bem, sua performance se enquadra perfeitamente nos tradicionalismos do estilo, afinadíssima, estando suas linhas muito bem compostas e encaixadas nas composições. Todavia, em alguns momentos, a evolução da composição pede uma interpretação mais intensa, forte e densa, como na ótima “Future Destination”, que seria ainda mais brilhante se, em meio a seus arabescos sincopados e riff empolgante, tivéssemos vocais mais fortes, como apresentados  em “Ashtoning Mind” já cainhando para o final do álbum. Claro que essa observação tangencia as minhas predileções, não sendo um fator que compromete o trabalho, longe disso na verdade, pois temos aqui concretizada uma belíssima peça da boa música brasileira, que me fará seguir os passos musicais de Bruno à partir de agora.

NOTA: 9,0

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