5 PERGUNTAS: Bruno Mansini

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Bruno Mansini teve seus primeiros contatos com música aos quatro anos de idade, porém foi aos seis, que fortemente influenciado pelos diversos gêneros musicais que seu pai costumava escutar, que decidiu começar a estudar percussão. Devido ao seu maior contato com instrumentos, gradualmente como autodidata, foi aprimorando seus conhecimentos e técnicas, foi integrante de diversos grupos, entre eles a única banda cover da banda Yes em todo o Brasil (YESSONGS), onde foi baterista por 2 anos. No mesmo período, cursando bacharelado em composição musical, percebeu que sentia um enorme fascínio pela arte dos povos orientais, e foi então que decidiu começar a estudar música clássica indiana. Passados 10 anos de profundos estudos a respeito da música clássica Indiana, também foi reconhecido por revistas especializadas como um dos 100 bateristas brasileiros com algum destaque no Brasil devido ao seu envolvimento com a música oriental. Hoje, como compositor, arranjador e produtor musical, Bruno possui três CD’s lançados: “DREAMS FROM THE EARTH”, “SECRET SIGNS OF GREEN” e “THE GOLDEN SOUL” (recentemente resenhado no Gaveta de Bagunças). Hoje, Bruno nos dá a honra de responder nossas 5 Perguntas…

1) Olhando para as músicas de “The Golden Soul”, desde o primeiro álbum desta trilogia progressiva, como você descreveria o desenvolvimento e amadurecimento do seu trabalho, até chegar neste refinamento progressivo, que dialoga de uma maneira própria com sonoridades “epifânicas” e transcendentais? Sinto uma identidade gospel permeando sua música, mais próxima à excelência e grandiloquência da música adventista. Estarei certo? Pergunto isso, pois faço um paralelo com sua obra e os álbuns solo de Neal Morse, artista que também faz uma mistura de progressivo e Gospel em alguns álbuns solo. Ainda sobre a trilogia de álbuns fechada em “The Golden Soul”, qual o conceito desenvolvido neste trio de álbuns?

BRUNO MANSINI: Bem, primeiramente muito obrigado pela oportunidade. Então, a trilogia “Dreams From The Earth” que se encerra com o disco “The Golden Soul”, pretende trazer em sua narrativa uma espécie de busca pela compreensão que se inicia com o disco “Dreams from the Earth (Sonhos vindos da Terra – O Segredo revelado, O Encantamento, Êxtase e Transformação), seguido pelo disco “Secret Signs of Green”(Sinais secretos do verde – O verde aqui como metáfora para Esperança, Ação, Vitalidade e Criação) e finalizando em “The Golden Soul”(A alma dourada – Aqui procurando destacar aquele que através de muita disposição e vontade, atingiu a iluminação, e que por meio compreensão procura trazer conceitos, questionamentos e ensinamento que possam fazer com que venhamos a compreender de forma mais abrangente o que essa experiência chamada vida pode nos proporcionar) a trilogia se encerra com a proposta de fazer com que o ouvinte possa, por meio de uma viagem exterior e interior, refletir sobre os assuntos que estão sendo abordados em cada música. Bem, agora já bem explicado, digamos que ficou um pouco mais claro que a minha abordagem é um tanto diferente da abordagem do Neal, que declaradamente protestante, faz menções diretas ao ensinamentos que obteve no contato com o cristianismo. Minha abordagem não pretende se limitar as religiões, mas sim a essência contida nas mensagens e em muitos ensinamentos, que as religiões pretendem trazer por meio de rituais e dogmas, quero dizer, eu busco algo diferente, o caminho direto que não nos separa por cor, raça ou credo, mas que nos aproxima de forma mais natural, como seres humanos que somos, com nossos defeitos, qualidades, em busca de uma maior compreensão, sobre as questões da vida, sendo assim, posso afirmar que a minha abordagem é um tanto diferente, com maior conexão com o Misticismo.

2) Estou questionando, sempre que posso, os músicos acerca do cenário musical atual. Como se destacar num cenário cada vez mais viciado dentro do ciclo “circulação-legitimação-consumo”, onde a exposição de massa, mesmo nas mídias digitais, outrora mais democráticas, está cada vez mais atrelada aos investimentos financeiros e não à qualidade musical?

BRUNO MANSINI: Então, no meu caso, a resposta será a mesma de muitos outros que assim como eu não conseguem ter espaço para que possam desenvolver o seu trabalho. Infelizmente não existe interesse por parte da mídia e também por parte de muitos ouvintes. Antigamente cheguei a pensar que existia um plano nefasto em operação para impedir que novos trabalhos não chegassem ao público, quando percebi que muitos ouvintes também não desejam conhecer nenhuma novidade, por medo e apego ao passado. Veja o meu caso, tenho depoimentos de grandes artistas como JON ANDERSON(EX-YES), ARJEN LUCASSEN (STAR ONE), MARC BONILLA (KEITH EMERSON BAND), JAMIE GLASER (ANDERSON AND PONTY BAND) e DAMIAN WILSON (EX-RICK WAKEMAN/THREDSHOUD) dizendo coisas muito bacanas sobre o meu trabalho, mesmo assim sempre fica aquela dúvida se isso tem alguma relevância, e infelizmente parece não ter (risos), e mesmo assim continuo, por desejo de continuar criando algo de relevante para as próximas gerações.

3) Existe uma outra questão que acho altamente pertinente na atualidade, uma das épocas onde mais se consome música e menos se vendem discos. Um claro reflexo da relação do ouvinte com a música, que se tornou menos íntima e palpável, nos dando vantagens e desvantagens. Você acha que a música, mesmo num estilo historicamente mais apegado ao formato físico como o Rock Progressivo, atingiu um maior caráter abstrato dentro da era digital? Ou seja, o formato físico para este tipo de arte já não se faz mais necessária?

BRUNO MANSINI: Então, devido ao fato do estilo ter tido seus momentos de glória em uma época onde o mundo vivia outra dinâmica, isso é, menos frenética, tivemos uma vasta quantidade de arte sendo produzida o que faz parecer(pelo menos para os saudosistas) que aquele tempo era melhor bom e que nunca mais irá voltar. Muitas histórias sempre serão lembradas por todos aqueles que graças aos discos de vinil, por exemplo, puderam dividir ótimos momentos com seus amigos e familiares, tornando esse formato algo indispensável para que quisesse relembrar bons tempos. Hoje vivemos a era das possibilidades, e acredito que o melhor que temos hoje em dia é a possibilidade de ter acesso a TODOS os tipos de formato possíveis, o que particularmente acho maravilhoso. Tenho como exemplo o mercado fonográfico japonês, que aceita todos os tipos de formatos, desde o analógico até o digital mais sofisticado e com isso possibilita que todos passem pelas experiências que desejarem, seja sozinho ouvindo algum formato digital a caminho do trabalho, ou marcar uma aquela reunião prazerosa com os amigos para relembrar momentos especiais ao som do disco de vinil da banda ou artista que lhes trouxeram tantas boas lembranças.

4) Fale um pouco como funciona seu processo de composição, visto que a maioria dos instrumentos são registrados por você. A ideia inicial de “The Golden Soul” era construir uma sonoridade tão influenciada assim na música brasileira ou foi algo que nasceu com o desenvolvimento das canções? De um modo geral, quais são as contribuições que a música brasileira dá à sua obra como um todo e o quanto o álbum “Holy Land”, do Angra, que completa 20 anos em 2016, influenciou na abordagem de “The Golden Soul”?

BRUNO MANSINI: O processo de composição se deu de forma natural, a música brasileira sempre esteve presente na minha vida, desde muito cedo, e não foi difícil fazer com que ela tivesse a devida importância dentro do desenvolvimento do meu trabalho. Quanto ao disco “Holy Land” do Angra, posso dizer que tanto ele como o “The Golden Soul” optaram por buscar algo semelhante, isso é, unir elementos autênticos da música brasileira ao Rock, com a única diferença que o Angra buscou unir música brasileira com Heavy Metal enquanto eu busquei unir música brasileira e também elementos da música oriental o Rock Progressivo em todas as suas denominações possíveis.

5) Tenho percebido uma condição muito prejudicial dentre os fãs de Rock de um modo geral. Eles se contentam em recolher as migalhas que os grandes dinossauros do rock/metal lhes dão, enaltecendo reuniões amputadas, composições requentadas, cegos pelo fanatismo e, muita das vezes, surda para uma performance ultrapassada, manjada e vexatória. Em contrapartida, são incapazes de apoiar novas bandas, ou bandas nacionais que trabalham arduamente há anos, com honestidade e relevância. Qual a sua visão sobre este panorama?

BRUNO MANSINI: Sobre isso, eu só tenho a lamentar, porque acredite ou não, existem muitos talentos surgindo a cada dia, e quem perde com isso são aqueles que deixam de viver o presente para que de alguma forma fiquem por medo do novo, presos ao passado.

Bruno Mansini Indica:

5 Álbuns indispensáveis:

– LED ZEPPELIN II
– QUEEN – A NIGHT AT THE OPERA
– YES – CLOSE TO THE EDGE
– DREAM THEATER – IMAGES AND WORDS
– CLUBE DA ESQUINA – CLUBE DA ESQUINA II

2 Álbuns dispensáveis:

– IRON MAIDEN – THE FINAL FRONTIER
– DREAM THEATER – THE ASTONISHING

2 Filmes indispensáveis:

– STAR WARS
– MATRIX

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