ATUALIZANDO A DISCOTECA: Monoclub, “Romperia”

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Monoclub: “Romperia” (2016, Independente)

Este álbum é uma das maiores surpresas musicais que degustei este ano! “Romperia” é o primeiro álbum da banda sorocabana Monoclub que situa-se numa encruzilhada Folk/Rock bucólica, com influências de Almir Sater, Willie Nelson, Renato Teixeira e Wilco, numa aclimatação quase lúdica, que nos enche de saudades de uma época e lugar que não necessariamente vivemos. Além disso, conseguem saltar das linhas acústicas e ensolaradas para a densidade elétrica e trovejante, como nuvens carregadas que vem e vão em dias de verão no campo, o que oxigena as composições de modo inteligente.

Formada por Fabio Baddini, Bruno Orefice, Bruno Peretti, Lucas Marx e Dilson Sartori, a mistura de guitarra com viola caipira e a sanfona  desfilada no álbum vem entrelaçada a passagens e desfechos estranhos que flertam com o progressivo. Na verdade, a abordagem da banda segue os preceitos da ousadia e experimentação psicodélico-progressivas, como se o Pink Floyd se encontrasse com o Blue Highway numa casa de campo interiorana.

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A banda sorocabana Monoclub transita numa moderna encruzilhada Folk/Pop/Rock psicodélico-bucólica, com influências de Almir Sater, Willie Neslson, Renato Teixeira e Wilco, numa aclimatação quase lúdica, que nos enche de saudades de uma época e lugar que não necessariamente vivemos.

Em meio a esta alquimia musical, a criatividade e inteligência, tanto lírica (“Homem Monstro” é uma poesia brilhante) quanto musical (como na elegante “Avesso”, que mistura o melhor da poesia e da música) salta aos ouvidos, enquanto o Monoclub usa e abusa de texturas diferenciadas para desenvolver o conceito que guia “Romperia”. Segundo o vocalista Fabio Baddini, “o disco fala sobre um personagem que tenta romper certos padrões em sua vida e ao seu redor, traçando uma longa caminhada, praticamente uma romaria, até sua redenção. ‘Jean Balmont’ é onde tudo começa, quando o personagem entende que existe um problema que precisa ser resolvido, mas ele ainda não sabe como e tenta usar várias maneiras para sanar essa sua crise. Essa primeira tentativa é de certa forma uma violência, mas logo ele percebe que aquilo não resolveria nada, só o encheria de mais tristeza. Aí ele começa a perceber que nem sempre nosso instinto é feroz, que o amor e a compaixão são inatos e podem/devem ser usados para seu benefício. E assim segue caminhando”.

Confira o clipe de “Romperia”…

“Jean Balmont” abre o álbum com um clima country/faroeste, chegando a lembrar o clássico “Ghost (Riders in the Sky)” em dado momento, com seus arranjos bem delineados no andamento “cavalgado” e versos pitorescos, seguida por “I.N.C.E. (Instituto Natural e o Choque Evolutivo”, uma faixa introspectiva, mais próxima à formatação pop/indie/folk dos dias atuais, levemente bucólica e psicodélica, com desfecho emocional e orgástico. Um dos maiores destaques do álbum, ao lado da ótima “Homem Monstro”.

Já nestes momentos iniciais, os arranjos variados refletem, além de capricho, esmero, e amor à música, uma técnica instrumental brilhante, amplificada pela produção cristalina. “Avesso”“Pra Quem Se Vê”, por exemplo, materializam esta observação, sendo duas preciosidades ainda não descobertas pela moderna música brasileira! Que sensibilidade musical!

 Confira toda a beleza da faixa “Avesso”…

Ainda se destacam “Mr. MacWolf” (um country/folk com sotaque pesado, mato no dente e fraseados típicos embebidos em texturas musicais que oscilam entre a modernidade e o vintage), “Nascer e Amar” (pulsante e impressionante) e “Romperia” (que fecha o álbum com um envolvente trabalho vocal e sabor celta em suas melodias, de tonalidades bucólicas e levemente melancólicas). Mas como a perfeição é quase uma utopia (ou ela seria uma distopia?), existem dois momentos menos inspirados nas faixas “Sobre Nós”“Cortejo”, que soam menores dentro da alta qualidade apresentada nas demais.

 Confira a belíssima “Pra quem Se Vê”…

Nestes momentos que sinto dividido entre a felicidade de tomar contato com uma sonoridade tão interessante e bem ajambrada quanto esta, e a tristeza de saber que a grande massa não conhecerá músicas especiais como  “Avesso”“Pra Quem Se Vê”. Uma banda pra você seguir de perto e deixar de bravatear por aí que o Rock Nacional está em declínio!

“Abra a janela, meu filho, é só mais um verão”!

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