5 Discos Pra Conhecer: LEONARD COHEN

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O fim de 2016, assim como seu início, levou um grande artista da cultura pop. Se no abrir das cortinas do décimo sexto ano do novo milênio David Bowie foi levado de nosso plano, privando-nos de todo o seu arcabouço artístico, agora, quando todos já começam a diminuir o ritmo no mundo musical, Leonard Cohen se vai, aos 82 anos, com um legado artístico gigantesco e alheio às regras do showbizz. Sua voz de barítono aveludava versos em acordes menores, destilando sua poesia angustiada, sedimentando a melancolia musical que seria explorada ao longo das próximas décadas.

Cohen é o avô da música gótica moderna! Que o diga o Sisters of Mercy, que emprestou o título de uma de suas músicas para batizar a banda.  Ao contrário de seus contemporâneos, iniciou sua carreira musical quando já tinha passado dos trinta anos, sendo o único símbolo do movimento folk sessentista capaz de rivalizar com a retórica poética de Bob Dylan, se valendo de uma interpretação monocórdica de poesias que frequentavam tanto aulas de literatura quanto positivas críticas musicais. 

Este alto teor literário é consequência direta da década que passou escrevendo poesia e romance antes de lançar seu primeiro álbum, tendo publicado três obras entre 1963 e 1966. Este fator narrativo embebido em poesia seria diluído ao longo de toda a sua obra, principalmente em “Songs of Love And Hate” (1971), cujas canções parecem formar uma antologia contos poéticos. Sua música ecoa dias cinzentos e minimalismo instrumental, mesmo quando misturava elementos eletrônicos com uma mensagem grandiloquente. 

Nos anos 1990, Cohen se retirou de cena e ficou recluso num monastério budista no ano de 1996, retomando sua carreira apenas em 2001. Hoje, listamos cinco álbuns para conhecer a obra de Leonard Cohen, que ainda poderia incluir o álbum “Various Positions”, de 1985, onde se encontra o clássico “Hallelujah”.

1) “Songs of Leonard Cohen” (1967)

220px-songsofleonardcohenEste é o álbum que tem “Suzanne”, canção favorita do próprio Cohen, que foi inspirada em Suzanne Vidal, uma dançarina canadense, casada com um escultor e que era observada pelo cantor enquanto ela dançava com o marido num clube de jazz. Esta composição junto às outras que completam esta obra realizam uma contemplação filosófica do cotidiano, que fez deste primeiro álbum o mais bem sucedido da primeira fase do trovador que se valia de voz e violão agridoces. Este álbum ecoou ao longo dos anos, estendo suas influências a nomes que vão de Randy Newman, Nick Drake e Elliot Smith à R.E.M., Jeff Buckley e Sisters of Mercy. Dentre os grandes clássicos aqui elencados temos, além de “Suzanne”, “Winter Lady”, “Sisters of Mercy”, “So Long, Marianne”, “Teachers” “Hey, That’s No Way To Say Goodbye”.

2) “Songs From a Room” (1969)

songs_from_a_roomCertamente meu álbum favorito nesta lista! “Story of Isaac” é a melhor canção da carreira de Leonard Cohen, com versos impactantes que recontam, de modo melancolicamente crítico, a história de Abraão e seu filho Isaac, dando vozes impressionantes aos personagens em seus versos. Quando esse álbum foi lançado o nome de Cohen já se tornara popular, mas ele se enfurnou ainda mais na melancolia e nos acordes cinzentos neste segundo álbum, encarnando um trovador capaz de rivalizar com Dylan naqueles dias, misturando romantismo, intimidades e amizade em suas letras, além de apresentar uma nova musa, em “Seems So Long Ago, Nancy”. Junto às duas canções citadas, “Bird on the Wire” forma o grupo das faixas conhecidas desta segunda, e subestimada, parte da trilogia primeva de Cohen, mas que presta um tributo à misantropia e à solidão.

3) “Songs of Love and Hate” (1971)

songs_of_love_and_hateQuiçá, este seja o álbum mais intenso da discografia de Leonard Cohen! “Famous Blue Raincoat” é uma das marcas musicais mais conhecidas de sua carreira, um de seus maiores clássicos que realiza uma análise profética do fim de um caso de amor, descrita por ele como uma crítica à possessividade sexual. Uma faixa que exemplifica muito bem o requinte adicionado à melancolia dos dois álbuns anteriores, falando de amor e sua destrutividade inerente, com um drama íntimo que ecoa dos acordes de violão e detalhes sutis dos arranjos, em faixas relativamente longas, que se destacam “Joan of Arc”, “Love Calls You by Your Name”, “Diamonds in the Mine”, “Famous Blue Raincoat” “Dress Rehearsal Rag”.

4) “I’m Your Man” (1988)

220px-im_your_man_-_leonard_cohenEste é o melhor álbum do revival que Leonard Cohen experimentou nos anos 1980. Sua música continuava inquietante, mas agora encarnada por sintetizadores e baterias eletrônicas, se mostrando como o nome de sua geração que melhor se adaptou a estas sonoridades modernas, dando uma projeção arrojada à sua obra, ainda poética, mas agora menos contemplativa e mais irônica, de humor sutil e cínico, mas ainda requintado. Contando com muitas participações, este trabalho tem um caráter de maior entretenimento do que explicitado nos álbuns listados anteriormente, principalmente em faixas como “First We Take Manhattan”“Everybody Knows” (com Jennifer Warnes), “I’m Your Man”“Tower of Song”.

 

5) The Future (1992)

51jb2wqesxl-_sy355_Indiretamente este foi o álbum que me apresentou a Leonard Cohen, afinal, a voz empostada e impactante de “Waiting For The Miracle”, guiada por um instrumental eletro-pop hipnotizante me fisgou tanto quanto a cena do filme “Assassinos por Natureza”  que ela ajudava a aclimatar. Além dela, ainda teríamos no mesmo filme a composição “The Future”, que batiza este álbum de 1992, e que abria a discografia de Cohen nos anos 1990 como um fruto amadurecido da superficialidade daquela época que contava regressivamente o tempo para o novo milênio, enfrentando problemas reais no mundo que nos fazia questionar o futuro. Fugindo da misantropia exposta nos primeiros álbuns, ele embalou suas profecias para o futuro num sofisticado Dark/Pop, remodelando e rearranjando clichês melódicos, com destaque para “The Future”, “Waiting for the Miracle”, “Anthem”, “Democracy ” e “Light as the Breeze”.

Confira nossa seleção baseada nos cinco álbuns escolhidos e algumas faixas de outros álbuns que encaramos como básicas para entender a música de Leonard Cohen.

 

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