ATUALIZANDO A DISCOTECA: U2, “Songs Of Innocence”

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U2: “Song of Innocence” (2014, Universal Music Brasil, Island Records)

Ao contrário do possa parecer, eu gosto do U2, tanto que recentemente escrevi sobre a importância do álbum “The Joshua Tree”. Tenho minhas ojerizas quanto a postura de “salvador do mundo” do líder Bono Vox, mas em questão musical, a qualidade é inegável, apesar de adormecida e ainda espero um ótimo álbum desde o fantástico All That You Can`t Leave Behind. Pois bem, tirando duas ou três canções nesta quase uma década e meia depois deste álbum, pouco do que o quarteto irlandês realizou musicalmente me empolgou. Para o legado de uma banda do porte do U2 isso é pouco, mas não é um mal exclusivo a eles no atual cenário musical, vide o que têm feito Bon Jovi, Iron Maiden e Red Hot Chili Peppers em seus mais recentes álbuns. Foi então que no último quadrimestre de 2014 chega ao celulares (a modernidade é uma benção, não?) o novo álbum da banda, de modo gratuito, com uma capa simples e novas canções para deleite dos fãs.

Musicalmente, aos meus ouvidos, o álbum transpira preguiça, com composições enfadonhas e pouco inspiradas, além da difícil audição dos que não são fãs ardorosos e esperam um pop classudo, como só eles são capazes de produzir. É inconcebível que um baluarte do porte do U2 agrupe uma dúzia de canções em um álbum e somente uma delas se salve, a saber Ceedarwood Road, o único lampejo de disposição musical em todo o disco. Aliás, esta canção poderiam muito bem estar no álbum acima citado. Onde estão o baixo pulsante e a bateria precisa da cozinha formada por Larry e Adam? O que aconteceu com a genialidade e originalidade das guitarras de The Edge? Para onde foram as belas linhas vocais e as interpretações inspiradas de Bono Vox?

A minha visão quanto a esta bela decepção musical vai um pouco além. O meu “achismo” diz que o quarteto esta zombando de todos nós. Qual a diferença em doar o álbum ou alguém baixá-lo, nos dias de hoje? Lembrem-se que o U2 não é pioneiro nesta ação e a capa me remeteu de imediato a uma cópia descarada do que o System of a Down fez em seu Steal This Album!, que na verdade era um protesto anti-pirataria. Não teria o U2 pregado uma grande peça em todos nós que esperávamos um belo álbum de modo grátis e recebemos um protesto velado pela forma como estamos tratando o trabalho dos artistas?

Pense na ironia. Todos louvando uma atitude que na verdade zomba do princípio básico do louvor. Quer música grátis? Esta é a qualidade que terás. Os fãs do grupo irão aplaudir e comprar qualquer coisa que gravem, mesmo com esta produção parcamente apresentada, mas e os outros que consomem sua música de modo gratuitamente ilegal? Pode parecer leviandade, mas ainda prefiro pensar assim do que aceitar que algo tão ruim seja fruto de uma banda que já demonstrou tanto talento. Espero que Joey Ramone não tenha ouvido a faixa “The Miracle”, onde quer que ele esteja.

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