RAY BRADBURY: 3 Livros Para Conhecer

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A estréia literária de Ray Bradbury se deu nos últimos anos da década de 1930, com o conto “Hollerbochen’s Dilema”, quando completava seus estudos na Los Angeles High School, na cidade em que se fixou desde 1934.

As mudanças de cidade eram rotina em sua vida, decorrentes da profissão de seu pai. Ao contrário da maioria dos escritores destacáveis, mesmo na literatura popular,  ele não frequentou uma universidade, dando continuidade a seus estudo como autodidata e com muita prática.

Seria agraciado com o Oscar em 1956, pelo roteiro de “Moby Dick” e laureado com um sem número de prêmios literários, mas sua consolidação como um grande nome da literatura de ficção científica só veio em 1950, com a obra “Crônicas Marcianas”. Daí para escrever seu nome da história da cultura pop do século XX foi questão de tempo.

“Uma Sombra Passou Por Aqui” e “Fahrenheit 451” foram adaptados para o cinema, ele escreveu diversos roteiros clássicos para a televisão e influenciou grande parte dos escritores de literatura fantástica das gerações seguintes.

Bradbury nasceu em agosto de 1920, nos E.U.A. e faleceu em junho de 2002, na cidade de Los Angeles.

1) “As Crônicas Marcianas” (1950)

1039284Nesta obra, o autor nos apresenta um planeta Marte (contribuindo para com o fetiche que a ficção cientifica dos anos 50 teria com o Planeta Vermelho) colonizado por seres humanos, em um futuro entre 1999 e 2026 (Ray Bradbury não considerava que avanços desta magnitude iriam demorar mais do que poucas décadas).

Esta é uma coletânea de contos que marca seu primeiro grande destaque editorial, refletindo toda a sua inventividade numa alegoria deliciosa sobre a colonização. Neste cenário, destila todo o seu sarcasmo bem humorado através de uma narrativa fluida e envolvente.

A visão “bradburyana” de Marte traz habitantes fantásticos, pães de cristal, fogo elétrico como bebida e pequenos icebergues voadores que entregam comida congelada, ajudando a confeccionar um dos maiores clássicos da ficção científica que, atualmente, pode soar ingênuo em seu primeiro plano, mas ainda é altamente pertinente e relevante  em suas camadas mais profundas de discussões éticas e filosóficas.

Há muito de crítica social nestes contos que registram um futuro que para nós já chegou, talvez em outra linha temporal.

 

2) “Fahrenheit 451” (1953)

fahrenheit_451_1316460692bRay Bradbury publicou Fahrenheit 451 em 1953, tendo se tornado sua maior obra, mesmo já havendo publicado outros volumes destacáveis.

A inspiração veio após ler a seguinte frase de Freud: “que progresso estamos fazendo. Na Idade Média queimariam a mim, hoje em dia, se contentam em queimar meus livros”.

Sendo assim, o autor criou um futuro distópico em que os livros são considerados nocivos ao bem estar da sociedade e os bombeiros desta comunidade pacata são os agentes executores das queimas dos volumes.

Todavia, a queima de livros em uma realidade futurista é apenas o pano de fundo para que Bradbury desfile seu discurso crítico e inteligente acerca dos caminhos que a humanidade pode seguir.

Algumas previsões são impressionantes e fica evidente que tais elementos foram desenvolvido pelo traçado da personalidade de nosso sociedade.  A deturpação máxima dessa futura sociedade, alheia de total o senso crítico, se dá ao trazer os bombeiros como agentes piromaníacos literários. Ou seja, aqueles que antes salvavam vidas, agora estão ateando fogo nos registros do conhecimento humano.

A obsolência futura os transformou de protetores a destruidores. Claro que os seres desta sociedade desenhada por Bradbury, controlada por doses maciças de programas televisivos interativos e drogas, não possuem condições de estabelecer tal paralelo crítico. Esta é uma obra seminal da ficção científica, que ecoa até os dias de hoje, em produções como a série “Black Mirror”. 

Recentemente, detalhamos todas as suas nuances numa de nossas postagens especiais e pode ser conferida aqui.

 

3) Algo Sinistro Vem Por Aí (1960)

8528612104_3jUma das melhores investidas de Bradbury no Terror fantástico, esta obra mostra toda a sua versatilidade literária ao criar um parque de diversões itinerante que brinca com as vaidades, os traumas e a curiosidade de alguns frequentadores escolhidos, que sofrem mutações de idade e transformações mágicas, discutindo de modo envolvente a insatisfação que todo ser humano tem consigo mesmo, elevando o debate acerca do aforismo popular “cuidado com o que desejas…”.

Usando um pouco mais dos clichês, explora o fato e que todas as vantagens carregam suas desvantagens e quando se consegue o quer neste livro, o ônus pode abarcar dores físicas, desespero e medo.

Bradbury se mostra genial ao criar um parque de diversões habitado por criaturas exóticas, horripilantes e ameaçadoras, onde o carrossel gira ao som da “Marcha Fúnebre”, de Beethoven.

Escolher três livros apenas dentro de um universo literário de quase três dezenas de publicações entre romances e coletâneas de contos é uma tarefa hercúlea.

Sendo assim, menções honrosas para “Uma Estranha Família” (2001), “A Cidade Inteira Dorme” (2008), “E de Espaço” (1966), “O País de Outubro” (1955), “Contos de Dinossauros” (1983), “Uma Sombra Passou Por Aqui” (1951) e “Os Frutos Dourados do Sol” (1953), além de uma coletânea em conjunto com Robert Block, compilada por Kurt Singer, intitulada “Às Portas da Fantasia” (1971).

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