ATUALIZANDO A DISCOTECA: Bon Jovi, “This House Is Not For Sale” (2016)

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Bon Jovi: “This House Is Not For Sale” (2016, Island Records, Universal Music Brasil) NOTA:6,0

Depois de trinta e dois anos o Bon Jovi deixou a gravadora Mercury. Todavia, a mudança não significou uma alteração em sua postura musical, mas acenou para um futuro um pouco menos insosso. Qualquer um que pegar a versão física deste trabalho notará, pelas fotos do encarte, que a banda, após a saída de Richie Sambora, se tornou basicamente um projeto solo de Jon Bon Jovi, que atualmente insiste  numa pavorosa versão de Bruce Springsteen com cacoetes de Bono Vox. Após  juntar algumas sobras de estúdio com meia dúzia de novas composições para dar acordes finais à parceria com a antiga gravadora no ruim “Burning Bridges” (2015), chegam com este novo e sintomático trabalho, onde continuam sem a presença de Richie Sambora e com Tico Torres se inspirando na bateria do Coldplay.

Confira o clipe para a faixa-título… 

O primeiro sintoma que ajudará no diagnóstico deste novo trabalho já vem desde o hiato após o excelente álbum “These Days” (1995), e que foi escancarado com o box “100,000,000 Bon Jovi Fans Can’t Be Wrong” (2004): estão escolhendo as músicas erradas para os lançamentos oficiais! Esta é uma opinião que amadureço há tempos e que agora, por faixas “bônus” como “Real Love”, “All Hail The King”, “I’ll Drive You” e, principalmente, “We Don’t Run” (que já estava no álbum anterior), que substituíram “Labor of Love” (com interpretação ultra-canastrona de Jon Bon Jovi, numa tentativa de recriar, até no clipe, o clima de “Wicked Game”, clássico de Chris Isaak), “New Year’s Day” (insossa), “Scars on the Guitar” (seria essa um recado para o ex-guitarrista?) e “Rollercoaster” (parece uma música que emprestaram da Kate Perry e deram uma ajeitada) magistralmente.

Confira o clipe para “Scars on the Guitar”, uma típica balada moderna da banda… 

Com estas quatro faixas bônus dentro da listagem oficial, teríamos um álbum menos repetitivo e menos oscilante em qualidade, pois “This House Is Not For Sale” (com bom refrão e abertura tentando capturar o espírito da faixa “Have a Nice Day”), “Come Up To Our House” , “Born Again Tomorrow”, e “Reunion” (remetendo tanto ao álbum “Lost Highway” (2007) que chega a provocar um déjà vú), que apesar de certa inanição das guitarras, tem seus bons momentos, justamente nos solos de Phil X, que mesmo não tendo a mesma identificação com a sonoridade da banda como Richie Sambora, conseguiu cavar seu espaço nas faixas, fornecendo, talvez, os únicos lapsos de espontaneidade do álbum. Afinal, tudo aqui parece certinho e planejado demais.

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Este novo álbum do Bon Jovi é sintomático: uma banda que não consegue escolher bem as faixas oficiais para seus álbuns, trazendo bônus melhores, e perdida quanto a sua identidade, um corolário da falta de direcionamento que os acompanha a mais de um década e meia!

Fica claro que tentaram misturar a “modernidade” do álbum anterior com a pegada de “Have a Nice Day” (2005), como bem referencia a já citada faixa-título e a excelente “God Bless The Mess”. Todavia, as linhas pop pulsantes que encharcam principalmente a primeira parte do álbum, aliadas à voz baleada de Jon Bon Jovi, soam quase irritantes, nos dando a certeza de que o Bon Jovi é a banda que seguiu o pior caminho dentre os grandes nomes do Rock atual! Além disso, algumas faixas parecem escritas sobre uma forma estrutural que produz faixas ruins em série, sendo triste notar que uma das bandas que você mais curtia tem um um vocalista que varia entre a “canastrice” e a flacidez, um baterista competente que se esconde atrás de linhas usuais e um compositor do quilate do tecladista David Bryan  se enrolando em músicas tão rasteiras.

Confira o clipe para “Labor of Lover”, numa clara tentativa de recriar, até no clipe, o clima de “Wicked Game”, clássico de Chris Isaak...

Mas… Nem tudo está perdido! Confesso, como fã, que já havia desistido e aceitando o fato de que Jon Bon Jovi queria transformar a banda numa versão americanizada do U2 com um mímico de Bruce Springsteen nos vocais. Isso justifica o susto que tive ao ouvir a faixa “The Devil’s Temple”, de longe a melhor coisa que o Bon Jovi produziu desde “Lost Highway” (2007), e o melhor rock n’ roll desde a canção “Have a Nice Day”. Essa faixa me deu esperanças novas (mesmo que enganosas), por suas boas guitarras, teclados bem alocados, vocais decentes e bateria longe da emulação moderna. Espero que a banda se apegue a esta abordagem para reconstruir sua atualmente inexistente identidade.

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Qualquer um que pegar a versão física deste álbum notará, pelas fotos do encarte que a banda, após a saída de Richie Sambora, se tornou basicamente um projeto solo de Jon Bon Jovi, que atualmente insiste  numa pavorosa versão de Bruce Springsteen com cacoetes de Bono Vox.

Estas observações apresentam um segundo sintoma da doença que assola o Bon Jovi: a banda se perdeu na variação das abordagens dos álbuns anteriores. Já foram pop/rock, já foram country rock, já foram indie, já tentaram, falhando miseravelmente, retomar o Hard Rock e, neste álbum, fica evidente a tentativa de unir os elementos que “deram certo” nos álbuns pós-“Crush” (2000), resultando numa colcha de retalhos musical de qualidade heterogênea.

Confira o clipe da faixa “The Devil’s Temple”…

É um bom álbum? Longe disso! É simplesmente melhor que os dois anteriores (o que não é difícil) e representa uma banda um pouco perdida em sua sonoridade. Não peço uma volta aos tempos de “Slippery When Wet” (1986) ou “New Jersey” (1988), para isso eu ouço os excelentes álbuns do H.E.A.T., o que falta é uma identidade sonora e este álbum aponta para ao menos três diferentes caminhos no futuro!

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