ÁLBUNS DO ANO: Os 50 Melhores Discos de 2016

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Já nos dirigimos a mais um nó da linha temporal que demarca o findar de 2016 e a aurora de 2017. Se 2016 foi um ano de muitas perdas, economicamente e politicamente intenso para nós brasileiro, para o mundo musical se mostrou efusivamente ativo e com ótimos lançamentos. Muitas decepções (como os fracos álbuns do Bon Jovi, Anthrax  e Red Hot Chili Peppers), muitas confirmações (de nomes como Witchcraft, Bombay Groovy, Rival Sons, Blues Pills e Pentatonix), alguns renascimentos (Megadeth, Metallica e Paul Young), grandes nomes que não perderam a mão (Autoramas, Ed Motta, Iggy Pop, Jef Beck e Death Angel) e três despedidas brilhantes (Eric Clapton, David Bowie e Rolling Stones) formataram o que de mais importante ocorreu no mundo musica para este que vos escreve em 2016. Entretanto, em meio ao oceano de lançamentos musicais que nos afoga, fica difícil dar atenção a todos que gostaríamos e muita coisa passa despercebida aos nossos ouvidos que podem ser privados de belas canções pela simples falta de tempo, mas que certamente serão descobertas em seu devido tempo em algum ponto futuro desta linha temporal. Sendo assim, hoje trago mais uma lista de 50 álbuns essenciais de 2016, que não podem ser deixados de lado por você. 

1 – Megadeth: “Dystopia” 

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Megadeth: “Dystopia” (2016, Universal Music Enterprises)

“Águas turbulentas passadas, o gigante do Thrash Metal americano anunciou nova formação e novas composições. E justamente quando somos expostos à densa, maciça e virtuosa carga de guitarras do novo álbum, vemos que o cenário de desventuras e rupturas foi superado, mais um vez, e enfim Dave Mustaine conseguiu oferecer aos seus fãs o melhor álbum do Megadeth, desde Youthanasia (1994), em uma nítida evolução de criatividade técnica musical”. (Confira nossa resenha completa aqui)

2 – Autoramas: “O Futuro dos Autoramas”

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Autoramas: O Futuro dos Autoramas (2016, Hearts Bleed Blue Records)

“‘O Futuro dos Autoramas’ é o novo – e sétimo – trabalho da banda, promovendo todas as suas qualidades musicais em roupas novas e modernas. A receita de rock sessentista, new wave e Jovem Guarda, foi acrescentada de um tempero mais punk aqui, doses de indie (mas longe do padrão choroso e pedante dos nomes modernos) acolá, sendo tudo misturado com bastante melodia e refrões cativantes. Por falar em cativante, este adjetivo se torna indissociável desta nova empreitada, consequência direta da presença de Érika Martins. Sua performance traz desenvoltura melódica e linhas vocais hipnóticas, sendo impossível passar incólume a seu canto sirênico. (Confira nossa resenha completa aqui)

3 – Iggy Pop: “Post Pop Depression”

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Iggy Pop: Post Pop Depression (2016, Universal Music)

“Numa clara alusão sonora à era Berlim da parceria Pop-Bowie-Reed, que tem em The Idiot (1977) um de seus ápices e maior lançamento solo de Iggy pop, Post Pop Depression (2016) retoma as harmonias graves e cinzentas, emergindo detalhes brilhantemente melancólicos, adicionados de certa pujança estradeira e empoeirada tão característica da musicalidade de Homme.” (Confira nossa resenha completa aqui)

4 – Ed Motta: “Perpetual Gateways”

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Ed Motta: Perpetual Gateways (2016, Lab344)

“Em “Perpetual Gateways”, novo álbum, as melodias continuam esmeradas dentro de uma inteligente e ousada variedade musical, em arranjos classudos e linhas limpas de piano, promovendo uma evolução sonora contínua e sem truncamentos de estilos. Desta forma, percorremos as canções sem sustos, partindo do jazz/funk melódico e confortante de Captain’s Refusal”, até as tonalidades dissonantes que permeiam o exercício jazzístico brilhante de “Overblow Overweight”. Neste passeio musical, Ed Motta encaixou doses do mais puro jazz dentro da abordagem empregada no álbum anterior, em solos e andamentos livres, através de solfejos bem encaixados e altas doses de improviso. Aos iniciados no mundo do jazz, nomes como Art Tatum, Dave Brubeck e Charles Mingus serão de imediata referência ao longo de algumas composições. Mas não espere academicismos musicais, ou andamentos sisudos, pois Ed é natural da pura sensibilidade musical do soul e corre livremente por gigantesca criatividade harmônica.” (Confira nossa resenha completa aqui)

5 – Witchcraft: “Nucleus”

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Witchcraft – Nucleus (2016, Nuclear Blast)

“O grupo sueco é uma dos atuais melhores nomes do hard rock de tonalidades vintage e livre das amarras dos rótulos. Neste quinto álbum eles conseguiram apresentar uma alquimia sonora multivariada, cheia de referências, mas com identidade própria e com os ingredientes utilizados de modo inteligente. O resultado final foi grandioso! A veia sabática tradicional da banda esta acompanhada de tonalidades que remetem ao Jethro Tull, rock psicodélico sessentista, proto-metal setentista, e stoner rock, além de espasmos progressivos e jazzísticos. A sensacional faixa título ainda é abrilhantada com uma belíssimo arranjo de cordas”. (Confira nossa resenha completa aqui)

6 – Bombay Groovy: “Dandy do Dendê”

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Bombay Groovy: “Dandy do Dendê” (2016, Instrumentown)

“Poucos foram os artistas tupiniquins que investiram em uma sonoridade tão exótica e tiveram a capacidade técnica e a sensibilidade latente para expandir tal exotismo. A adição de um sitarista à formação básica de uma banda de rock já não é mais novidade, mas a banda investe na imprevisibilidade musical para engrandecer seu homogêneo blend de tradicionalismos que vão de Pink Floyd, Led Zeppelin e Violeta de Outono a Ravi Shankar e Frank Zappa.” (Confira nossa resenha completa aqui)

7 – Rival Sons: “Hollow Bones”

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Rival Sons, “Hollow Bones” (2016, Earache Records, Hellion Records)

“Um mega riff de guitarra fundindo Led Zeppelin e Black Sabbath abre o novo álbum do Rival Sons, alicerçado sobre uma bateria sincopada e esmurrada, ao melhor estilo John Bonham, anunciado, através da primeira parte da faixa-título, que teríamos uma álbum denso e encorpado, combinando groove e peso roqueiro. E até a “Hollow Bones, part 2” , penúltima faixa do álbum, esta premissa se mostra verdadeira. Todavia, a banda não deitou no status quo atingido no potente álbum anterior apresentando andamentos diferenciados do costumeiro, principalmente nos diálogos virtuosos entre guitarra e a bateria, instrumentos pilotados com destreza e que levam as faixas para direções inesperadas. O Rival Sons atingiu um nível de liberdade e desenvoltura, combinada com maturidade muscal, que poucas bandas dedicadas a investir neste revival do classic/hard rock setentista detêm nos dias de hoje. Eles conseguem transitar do rock n’ roll lascivo e flamejante, para andamentos melodiosos a até modernos, gerando, a partir deste atrito musical de gerações roqueiras distintas, um hard rock grandioso, bombástico, energético, pulsante e elegante.” (Confira nossa resenha completa aqui)

8 – The 69 Eyes: “Universal Monsters”

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The 69 Eyes: “Universal Monsters” (2016, Nuclear Blast)

“Imagine o Dr. Victor Von Frankenstein, personagem criado por Mary Shelley, em seu laboratório gótico pré-vitoriano, a postos para dar vida à sua próxima criação: um híbrido musical de Rolling Stones, Def Leppard, Sisters Of Mercy e The Mission. Um monstro musical gótico vestido de harmonias roqueiras clássicas, muito feeling e um excelente trabalho de guitarras. Se essa cena fosse passível de realidade em algum plano paralelo, em meio a trovoadas, sombras e muita melancolia gótica, o resultado seria a banda finlandesa The 69 Eyes, que nos apresenta seu décimo primeiro álbum, praticando uma versão mais amadurecida de sua melhor fase, entre 2002 e 2007.” (Confira nossa resenha completa aqui)

9 – Circo Motel: “Auê”

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Circo Motel, “Auê” (2016, Independente)

“Fundindo soul/funk tradicional, com a malemolência das brasilidades musicais e um groove tipicamente tupiniquim, a banda promove uma festa sem controle nos arranjos dinâmicos, que espantam pela sagacidade e inteligência nas estruturas, além das harmonias diversificadas advindas de um multivariado arcabouço musical. Neste contexto, a farra das simplicidades somadas formatam um grande trabalho, cuja agitação das palhetadas nas guitarras consegue fornecer ritmo, rusticidade e pegada, mesmo em baladas pop como “Vinho e Cigarros”, faixa que tem personalidade baseada no bom gosto! Como se não bastasse, essa mistura ainda flerta com elementos modernos que são inseridos na manufatura musical da banda de modo fluido  e sem truncamentos, como uma versão sincopada e organizada de uma bagunça nas eras musicais, deitada numa cama feita de teclados onipresentes.” (Confira nossa resenha completa aqui)

10 – The Claypool Lennon Delirium: “Monolith of Phobos”

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The Claypool Lennon Delirium: “Monolith of Phobos” (2016, ATO Records)

Se Sean é o cérebro excêntrico que se utilizada de um espectro abrangente de instrumentos musicais para pintar suas composições, em contrapartida, o baixo de Les é o coração pulsante que dá vida e dinamismo às composições. Ao contrário do que possa parecer, o delírio musical de Lennon e Claypool é, em sua maioria, bem palatável e nunca perde o sentido. Pense numa música feita em algum filme de Tim Burton com roteiro de Neil Gaiman, que emerge das cabeças dos personagens ali desenvolvidos no surrealismo e você terá a dimensão exata do paladar destes acepipes musicais.  (Confira nossa resenha completa aqui)

11 – Joe Bonamassa: “Blues of Desperation”

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Joe Bonamassa – “Blues Of Desperation” (2016, Provogue Records/ J&R Adventures/ Voice Music)

“O guitarrista Joe Bonamassa certamente é o melhor nome do Blues de sua geração, sendo que seu incansável talento superou nomes como Kenny Wayne Sheperd e Gary Clarke Jr. E incansável é o adjetivo mais que indicado a um artista que nos últimos dezesseis anos lançou doze álbuns de estúdio, quinze álbuns ao vivo, além de gravar seu nome em parcerias com Beth Hart, Mahalia Barnes (que faz os backing vocals neste novo álbum de Bonamassa) e na banda Black Country Communion, ao lado de Glenn Hughes. Gravado em apenas cinco dias, na cidade de Nashville, “Blues of Desperation” diminui os espaços dos naipes de metais nos arranjos, dando mais voz às guitarras, mas sem deixá-las grandiloquentes, além de expandir as influências em comparação ao álbum anterior, “Different Shades of Blue” (2014). Mas não se preocupe, pois as digitais do workahoolic nerde do Blues Rock deixou estas canções impregnadas com suas digitais musicais.” (Confira nossa resenha completa aqui)

12 – Eric Clapton: “Still I Do”

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Eric Clapton: “I Still Do” (2016, Surfdog Records, Universal Music Brasil)

“Hoje, com o caminho percorrido na história do rock e como um dos últimos grandes de sua geração, era de se esperar que Clapton deitasse em sua zona de conforto e não se preocupasse em fazer composições relevantes para a música moderna. Todavia, seu novo álbum vem com a clara mensagem no título: “Eu ainda faço”! Um alquimista da guitarra, Clapton ainda manufatura em suas seis cordas, uma fusão de Blues, Classic Rock, Country Rock com sua técnica limpa, desenvolvida a partir de um violão velho e de braço torto, quando ainda era um infante e delirava com os clássicos do Blues, refletindo neste álbum o que ele é neste momento, mas podendo ainda soar como uma despedida, segundo ele próprio.” (Confira nossa resenha completa aqui)

13 – David Bowie: “Blackstar”

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David Bowie: “Black Star” (2016, Sony Music, Iso Records, Columbia Records)

” ‘Blackstar’ é um álbum que transforma a percepção do fim da vida em uma obra-prima, transformando a morte numa parceira na concepção do trabalho, sendo que muitos efeitos sonoros representam uma consciente transição do plano existencial para um plano desconhecido que se mostrava cada vez mais próximo. O que temos nesta obra é um desfile testamental de pura arte, desde o encarte em texturas sobrepostas de negro, às linhas de baixo que pulsam como se dessem voz ao coração de uma consciência confessional. Bowie conseguiu ir além da música, emocionando em cada harmonização melódica ou experimentação mais incisiva.” (Confira nossa resenha completa aqui)

14 – Charles Bradley: “Changes”

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Charles Bradley: “Changes” (2016, Daptone Records, Dunham)

“Como um fã de Heavy Metal, logicamente tenho um certo carinho para com as canções do Black Sabbath, especialmente da fase-Ozzy Osbourne, à exceção de “Changes”, monótona e  modorrenta balada ao piano, presente no seminal álbum Vol 4. (1972). Completamente deslocada, não somente no álbum, mas em toda aquela fase da banda, esta canção, aos meus ouvidos, não tinha salvação! Claro que este veredicto fora proferido quando Charles Bradley ainda estava escondido em algum subúrbio norte-americano, pois somente ele conseguiria transformar aquela balada insossa, composta como imposição da gravadora para tocar no rádio, em uma acachapante e melancólica balada soul, de arranjos brilhantes, baseados no original, mas engrandecidos pela interpretação de Bradley. Meu Senhor, como canta esse cara!” (Confira nossa resenha completa aqui)

15 – Tedeschi Trucks Band: “Let Me Get By”

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Tedeschi Trucks Band: “Let Me Get By” (2016, Fantasy Records)

“Este é o primeiro álbum da congregação musical capitaneado pelo casal Derek Trucks (um dos melhores guitarristas de sua geração) e Susan Tedeschi (um dos melhores nomes do soul/blues contemporâneo) após o fim oficial do Allman Brother Band, banda histórica que tinha Derek empunhando uma de suas guitarras. Todavia, este já é o terceiro álbum da banda e, quiçá, seu melhor lançamento, mesclando muito bem jazz, soul, funk e até nuances indianas à estrutura original do Southern Rock clássico, usando e abusando das técnicas jazzísticas de improvisação e escalas pouco usuais ao rock que emanam das guitarras de Derek, bem como das interpretações exuberantes de Susan. A dinâmica construída entre as faixas é envolvente, com variação fluida de andamentos ora mais tradicionais, ora mais ousadas.” (Confira nossa resenha completa aqui)

16 – Pentatonix: “Pentatonix”

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Pentatonix: “Pentatonix” (2016, RCA Records, Sony Music Entertainment)

“O Pentatonix não é nenhum estreante na cena, sendo este seu quarto álbum de estúdio, todavia é o primeiro composto, a menos de uma canção, por composições autorais. E não é que o quinteto texano mandou muito bem! O grupo vocal apresenta um pop bem elaborado, embasado no R&B inteligente e musicalmente rico, numa evolução clara de nomes com Acappella e Take Six. A textura de vozes é multivariada, alternando e duelando dentro do mosaico musical multicolorido e inebriante, que reflete, além de afinação e entrosamento, um alto nível musical, algo raro no pop atual.” (Confira nossa resenha completa aqui)

17 – Grease Monkey: “Greasy”

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Grease Monkey: “Greasy” (2016, Independente)

“Se você curte um som gorduroso em um matrimônio malicioso com o jazz, cheio de groove, com naipe de metais precisos, baixo pulsante, teclados multifacetados, com mirabolantes timbres e formas instigantes, bateria suingada que imprime uma levada empolgante nos andamentos e arranjos versáteis, então não deixe de conferir este álbum.  Se você curte guitarras que variam da base groovada para duelar, ora com teclados, ora com naipes de metais, então não deixe de conferir este álbum. Se você curte uma borbulhante sopa musical onde os ingredientes musicais emergem para o papel principal e submergem para o plano de fundo numa dança periódica desenvolta, fluida e oxigenada, então não deixe de conferir este álbum. Se você curte músicas com arranjos intrincados, cheias de picardia, cadência e alta classe musical, não deixe de conferir este álbum! Se você curte Música (com “m”-maiúsculo mesmo), não deixe de conferir este álbum!” (Confira nossa resenha completa aqui)

18 – Paul Young: “Good Thing”

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Paul Young: “Good Thing” (2016, New State Music, Baked Recordings)

“Se você tem o hábito de frequentar lugares que insistem em tocar coletâneas “flashback”,  ou viveu os anos 1980 e 1990, se lembrará de Paul Young pela canção “Every Time You Go Away”. Pois bem, já se foram trinta anos desde aquele sucesso e, entre bons lançamentos e outros dispensáveis, Paul Young chega em 2016 com um álbum excelente. Investindo num pop adulto e classudo, de forte acento soul e detalhes de soft rock, ele nos apresenta composições melódicas e envolventes, encharcadas por backing vocals muito bem encaixados e donas de arranjos cheios de detalhes e de execução técnica impecável. Paul Young, mesmo já não tendo mais uma voz tão abrasiva, consegue trabalhá-la de modo inteligente, presenteando-nos com um álbum grandioso, que evoca inúmeras influências e referências aos clássicos do rock/soul/pop.” (Confira nossa resenha completa aqui)

19 – Death Angel: “The Evil Divide”

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Death Angel: “The Evil Divide” (2016, Nuclear Blast, Shinigami Records)

“Os prodígios da Bay Area chegam a seu oitavo álbum de estúdio (e o quinto após a volta às atividades) esbanjando vontade, naquele que pode ser seu melhor álbum da carreira. Desde o retorno, os trabalhos da banda vêm numa crescente em qualidade, superando a si mesmos em cada lançamento. As guitarras conseguem transitar da melodia altamente técnica às palhetadas violentas e rápidas, aliadas a backing vocals que dão um sabor mais envolvente a este assalto metálico que, em alguns momentos, beira o Death Metal, enquanto em outros transpira uma pegada e uma atitude punk rock. Nada mais natural a uma banda que sempre seguiu à risca a cartilha do Thrash Metal Bay Area, misturando as influências de NWOBHM com punk/hardcore. Todavia, a alta qualidade técnica de seus integrantes se desenvolveu a níveis mais altos ao longo deste anos, abrilhantando ainda mais as suas composições, dando um caráter mais original à abordagem do estilo que o Death Angel pratica. Este fato é enaltecido  nas guitarras endiabradamente imprevisíveis de Rob Cavestany, abusando de escalas dilacerantes em riffs e solos que desafiam a criatividade metálica”. (Confira nossa resenha completa aqui)

20 – Wolf Hoffmann: “Headbanger’s Symphony”

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Wolf Hoffmann – “Headbanger’s Symphony” (2016, Nuclear Blast, Voice Music)

“Wolf Hoffmann sempre foi a peça fundamental de toda a força musical do Accept, uma das mais importantes bandas da história do Heavy Metal. Desde a clássica “Metal Heart”, o guitarrista dava mostras da influência que a música clássica exercia sobre sua forma de compor, traduzindo para o Heavy Metal andamentos da “Marcha Eslava”, de Piotr Ilitch Tchaikovsky, e “Für Elise”, de Ludwig van Beethoven. Sendo assim, não foi surpresa quando, em 1997, ele lançou o  o brilhante trabalho exploratório “Classical”, onde registrava seus estudos de música erudita na guitarra, adaptando algumas composições clássicas e reinventando outras. O que poderia ser visto como um verdadeiro sacrilégio musical, se revelou um trabalho de extremo bom gosto, na contra-mão do que fizera o Apocalyptica, no ano anterior, também com muito brilhantismo em seu “Plays Metallica By Four Cellos”, que dava uma voz erudita aos clássicos do Metallica. Desta forma, “Headbanger’s Symphony” vem continuar, após duas décadas, a tradução em linguagem metálica do rigor erudito, investindo, desta vez, em um ou dois temas mais obscuros dentro de um repertório que reflete o extremo bom gosto de quem conhece a música clássica”. (Confira nossa resenha completa aqui)

21 – Jeff Beck: “Loud Hailer”

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Jeff Beck: “Loud Hailer” (2016, Atco Records)

“Jeff Beck esta na tríade imaculada da guitarra inglesa, ladeado por Jimmy Page e Eric Clapton, além de ser o mentor do álbum atemporal “Truth” (1968), trazendo uma abordagem pesada que influenciaria os caminhos do rock dali adiante, bem como sua trajetória musical versátil e muito relevante, que nos apresenta agora, após seis anos longe dos estúdios, seu novo álbum, que reinventa sua técnica recheada de malícia e domínio total de seu instrumento, com linhas de guitarra que nos atingem como balas disparadas por um atirador de elite. É interessante notar como Jeff Beck buscou uma pegada moderna, forte, urbana, engajada, revolta e cheia de atitude para desfilar suas nova composições chegando, em certos momentos, a nos ensinar como beber no classicismo do rock n’ roll, mas desconstruindo-o com sabedoria, elegância e propriedade, para remolda-lo como um grito visceral de contestação, quase como uma adorável contravenção ao estilo. Algo que alguns nomes do indie rock têm buscado em vão.” (Confira nossa resenha completa aqui)

22 – Woslom: “A Near Life Experience”

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Woslom: “A Near Life Experience” (2016, Shinigami Records)

“O Woslom chega ao seu terceiro álbum praticando um Thrash Metal visceral, com sonoridade bem trabalhada dentro do estilo, conseguindo soar extremamente musical, sendo este fato um corolário da técnica apurada de seus integrantes, imprimindo muita musicalidade aos seus arranjos, mas sem abusar de aspectos melódicos. Os classicismos de nomes como Exodus, Metallica, Megadeth e Testament estão evidentes, mas apenas como influências e menções, não como mimetismos, além de se apresentarem misturados a elementos modernos, confeccionando uma abordagem bem original e empolgante.” (Confira nossa resenha completa aqui)

23 – Katatonia: “The Fall of Hearts”

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Katatonia: “The Fall of Hearts” (2016, Peaceville Records, Paranoid Records)

“Uma das evoluções musicais mais interessantes de se observar é a que acontece com as bandas de heavy metal extremo da primeira metade dos anos 1990, principalmente das cenas Black e Doom/Death Metal. Esqueça a banda que você ouviu em álbuns como o sombrio “Dance Of December Souls” (1993), ou no gótico “Discouraged Ones” (1998), e até mesmo no moderno “Viva Emptyness” (2003). A metamorfose musical da banda sueca Katatonia segue em frente, sem olhos para o passado. The Fall of the Hearts” é o último estágio de uma evolução musical, onde a banda mescla as sonoridades dos dois álbuns anteriores, “Dead End Kings” (2012) e “Dethroned & Uncrowned” (2013), expandindo vertiginosamente seus horizontes, o que dificulta na obtenção de um retrato verbal fiel à musicalidade deste álbum, onde nem toda a complexidade das texturas sonoras conseguiu fazer com que o álbum deixasse de ser acessível aos apreciadores dos mais diversos subgêneros do rock, nos deixando extremamente curiosos sobre qual será o próximo ponto de virada na discografia do Katatonia”. (Confira nossa resenha completa aqui)

24 – Scorpion Child: “Acid Roulette”

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Scorpion Child: “Acid Roulette” (2016, Nuclear Blast, Voice Music)

“A banda texana Scorpion Child já impressionou em seu primeiro álbum e chega a seu novo trabalho aprimorando ainda mais sua acachapante proposta. Ao contrário do que muitas bandas que promovem um revival do Classic/Hard Rock fazem, eles não investem numa pegada stoner mais sombria, baseado no Black Sabbath, mas sim alicerçada no peso psicodélico do Deep Purple, com baixo gorduroso e muita energia. “She Sings, I Kill” abre o trabalho de modo tão visceral  que dificulta a transcrição de seu impacto em palavras. As guitarras são rústicas, tempestuosas, enquanto a bateria pulsa como uma chuva de socos impiedosos, reforçada pelo groove sujo do baixo, enquanto as linhas de teclados conjuram o espírito musical de Jon Lord. Ao longo do álbum o passado é sim ecoado, mas o Scorpion Child imprime muito mais potência que seus contemporâneos, fato muito bem delineado na faixa “Reaper’s Danse”. O alto nível das composições e da execução técnica impressiona, num repertório que mescla bem a pegada vintage com a poeira musical texana, de veia estradeira”. (Confira nossa resenha completa aqui)

25 – Blues Pills: “Lady In Gold”

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Blues Pills: “Lady In Gold” (2016, Nuclear Blast, Voice Music)

“Em 2014, o primeiro álbum do Blues Pills caiu como uma bomba no mundo do Rock n’ Roll, principalmente por apresentar a vocalista Elin Larsson, cheia de volúpia roqueira e desenvoltura das grandes mestras do blues, vendendo as quase surreais, aos dias de hoje, 100 mil cópias. Existem muitas bandas que se inspiram no rock setentistas e sessentista, assim como o Blues Pills, todavia, o que os diferencia das demais é que não tentam soar como se pertencessem àquela época. Utilizam os mesmos ingredientes, mas a receita final tem sabor moderno e longe dos mimetismos dos clássicos e desta vez, como destaca a própria Elin, estavam com a mente totalmente aberta, investindo num pouco mais de psicodelia, bem como mais doses de soul”. (Confira nossa resenha completa aqui)

26 – Marillion: “F.E.A.R. (F*** Everyone And Run)”

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Marillion, “F.E.A.R. (F*** Everyone And Run)” (2016, EarMusic, Shinigami Records)

“Sobre o título deste décimo oitavo álbum de estúdio da banda, o próprio Hogarth declarou que “a banda não tinha a intenção de soar ofensiva ou provocativa quando deu título ao álbum, sendo ‘F*** Everyone And Run’  um verso da faixa ‘The New Kings'”. Em suas palavras, “o álbum fala de medo, de amor, de política e do mundo em que vivemos”. Musicalmente, este é um trabalho de grandes temas (três das cinco faixas ultrapassam os dezesseis minutos de duração), cheios de variações e subdivisões (um total de dezessete divisões em cinco faixas), mantendo o tom gótico e quase lúdico em meio às bases do Rock Progressivo, mas se distanciando das rebuscadas e atléticas características sinfônicas do estilo, entregando o mesmo progressivo inteligente, elegante, emocionante e longe da auto-vangloriação, vestido numa roupagem mais moderna e tirando do ouvinte diferentes emoções dentro da mesma faixa”. (Confira nossa resenha completa aqui)

27 – Bruno Mansini: “The Golden Soul”

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Bruno Mansini: “The Golden Soul” (2016, Independente)

“O multi-instrumentista brasileiro Bruno Mansini apresenta a última parte de sua trilogia “Dreams From the Earth”, intitulada “The Golden Soul”, facilmente a melhor e mais ousada deste seu tripé discográfico. Aqui, o tom  iluminado, quase feérico, deu cores mais lúdicas ao Rock Progressivo, limpando seus exageros sinfônicos e eruditos, preenchendo os espaços com sonoridades étnicas tipicamente brasileiras, explorando bases musicais de nomes como Hermeto Pascoal, ou dos tradicionais lançamentos do selo independente Discos Marcus Pereira (que, na década de 1970, resgatou muito da música tradicional de nosso país) e, por que não, extrapolando o conceito musical apresentado pelo Angra no álbum “Holy Land” (1996). Ou seja, em meio a clássicas abordagens que remetem ao progressivo inglês de Yes eGenesis, ou ao trabalho de Neal Morse, seja em carreira solo ou no Transatlantic, temos linhas percussivas, arranjos exóticos que migram das cores brasileiras para o transcendentalismo oriental com desenvoltura.” (Confira nossa resenha completa aqui)

28 – Perc3ption: “Once And For All”

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Perc3ption: “Once And For All” (2016, Shinigami Records)

“Confesso que não conhecia o trabalho do Perc3ption até que “Once and For All” chegou em minhas mãos e se revelou a mais grata surpresa do ano, no âmbito do Heavy Metal. Eis um álbum para os que apreciam uma exploração impiedosa do bom gosto musical e do peso racional! Não se engane pela capa melancolicamente gélida, tal conceito está longe do que se escuta nestas nove faixas flamejantes, que promovem uma bem vinda oxigenação na fusão do Power Metal com o Progressivo. Tudo bem que a banda pende muito mais para o segundo estilo, talvez um simples corolário da excelência que demostram como músicos ao longo de todo o trabalho.  Neste conjunto de canções a musicalidade é acachapante, desfilada por arranjos brilhantes e andamentos versáteis, que permitem o entrelace de peso, técnica e melodia com muita naturalidade, desprezando a agressividade gratuita. “ (Confira nossa resenha completa aqui)

29 – Opeth: “Sorceress”

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Opeth: “Sorceress” (2016, Nuclear Blast, Shinigami Records)

“Desculpe-me fãs do velho Opeth que adoram criticar essa fase mais recente da banda, mas vocês apenas se enganaram com os primeiros álbuns, que já traziam, em menor escala e camuflados por camadas de distorção, detalhes progressivos, em meio à densidade obscura de sua música extrema. Todavia, é perceptível na evolução da banda, como seu mentor intelectual, Michael Akerfeldt sempre fora um músico diferenciado, dono de um espírito musical progressivo, quase jazzístico, que sempre saltou aos ouvidos iniciados. “Sorceress” é o mais recente fruto desta natureza musical, reforçando o Opeth como uma das cinco melhores bandas da cena progressiva atual, remodelando elementos de bandas clássicas como Khan, Omega, King Crimson e Pink Floyd, fato confirmado por faixas como “Chrysalis” (uma fusão de Deep Purple com Metal Progressivo, à lá Dream Theater), “Will of the Wisp” (uma balada progressiva de tons melancólicos), “Strange Brew” (melhor faixa do álbum) e “Sorceress” (com introdução que remete aos vanguardismos de Frank Zappa)”. (Confira nossa resenha completa aqui)

30 – Seu Juvenal: “Rock Errado”

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Seu Juvenal: “Rock Errado” (2016, Sapólio Radio)

“A mensagem impressa no título deste álbum já nos deixa esperançosos quanto a sagacidade, seja lírica ou musical,  apresentada nestas composições, afinal, se não existe uma forma certa para o Rock N’ Roll (pois, por definição paradoxal, este só é legítimo se desobedecer até mesmo as suas próprias regras), por consequência também não existe uma forma errada! Ironicamente, poucas capas do Rock Nacional são tão espiritualmente roqueiras e impoliticamente corretas quanto esta estampa que embala o novo trabalho do Seu Juvenal, que é, como eles próprios se descrevem, “muito punk para ser metal e muito vintage para ser indie”. Mas isso não é reflexo de quem não sabe o que quer! Muito pelo contrário. Essa amplitude musical é percorrida com desenvoltura  e amalgamada num perene clima cru, rústico e honesto de jam band. ” (Confira nossa resenha completa aqui)

31 – Monoclub: “Romperia”

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Monoclub: “Romperia” (2016, Independente)

“Este álbum é uma das maiores surpresas musicais que degustei este ano! “Romperia” é o primeiro álbum da banda sorocabana Monoclub que situa-se numa encruzilhada Folk/Rock bucólica, com influências de Almir Sater, Willie Nelson, Renato Teixeira e Wilco, numa aclimatação quase lúdica, que nos enche de saudades de uma época e lugar que não necessariamente vivemos. Além disso, conseguem saltar das linhas acústicas e ensolaradas para a densidade elétrica e trovejante, como nuvens carregadas que vem e vão em dias de verão no campo, o que oxigena as composições de modo inteligente. Nestes momentos que sinto dividido entre a felicidade de tomar contato com uma sonoridade tão interessante e bem ajambrada quanto esta, e a tristeza de saber que a grande massa não conhecerá músicas especiais como  “Avesso” e “Pra Quem Se Vê”. Uma banda pra você seguir de perto e deixar de bravatear por aí que o Rock Nacional está em declínio!”  (Confira nossa resenha completa aqui)

32 – Michael Kiwanuka: “Love & Hate”

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Michael Kiwanuka: “Love & Hate” (2016, Polydor)

“Michael Kiwanuka demorou quatro anos para nos apresentar seu segundo álbum! E valeu cada segundo da espera. Comparado a Bill Withers, Randy Newman e Otis Redding por seu primeiro álbum, este filho de refugiados de Uganda que se dirigiram para o norte da Inglaterra, pegou as influências latentes da música negra americana, seja ela soul music, folk ou blues, de seu primeiro álbum, “Home Again”, que o colocava na encruzilhada entre Ottis Redding e Van Morrison, e adicionou muita personalidade, combinando a sonoridade retrô com nuances modernas, numa caleidoscópica evolução de psicodelia, tradicionalismos da música negra e doses controladas de groove, intersectando o clima vintage de outrora com uma instrumentação mais vasta, dotada de muita introspecção melancólica, melodias altamente emocionais e guitarras lisérgicas”. (Confira nossa resenha completa aqui)

33 – King Bird: “Got Newz”

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King Bird: “Got Newz” (2016, Independente) 

“Simplesmente um dos cinco melhores álbuns lançado no Brasil este ano! Desfilando um Hard Rock poderoso, cheio de groove, com riffs e solos instigantes que golpeiam a estrutura formada por um baixo febril e uma bateria pulsante, além de vocais desenvoltos (à cargo no novo vocalista Ton Cremon, que deu mais dinamismo e versatilidade às músicas) e teclados vintages, a banda King Bird apresenta  seu novo álbum bebendo da fonte mais clássica do estilo, com muita inteligência musical, proficiência instrumental e malícia advinda da leve pegada Southern que transparece nos momentos em que variam o peso com melodia em certos arranjos e detalhes. Mas não pense que as composições aqui contidas são apenas mimetismos do passado”. (Confira nossa resenha completa aqui)

34 – Anneke van Giersbergen and Arstidir: “Verloren Verleden”

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Anneke van Giersbergen and Arstidir: “Verloren Verleden” (2016, Agua Recordings)

“A voz abençoada pelos deuses de Anneke ficou mais conhecida no meio Heavy Metal em decorrência de sua carreira com a excepcional banda The Gathering. Todavia, já temos quase uma década de sua saída da banda e, neste período, ela apresentou trabalhos muito interessantes, que abrilhantaram ainda mais sua carreira, como acontece neste álbum em parceria com o grupo islandês de folk neoclássico Arstidir. “Verloren Verleden” apresenta uma seleção de peças eruditas ou tradicionais remodeladas para o universo de ambos, buscando nomes como Gottfried Stölzel, Leonard Bernstein e Henry Purcell. A voz angelical e melódica de Anneke casou perfeitamente com a inspiração erudita que permeia o trabalho, através de arranjos orquestrados encharcados de sensibilidade musical. Claro que o instrumental é belíssimo, de um riqueza e requinte impressionantes (como bem evidenciam os arranjos de “Het Dorp”, que remetem a Schubert), mas uma faixa como “Solveig’s Song”, uma peça de beleza inestimável composta por Edvard Grieg, mostra que a grande estrela da companhia é o canto onírico de Anneke.” (Confira nossa resenha completa aqui)

35 – Rolling Stones: “Blue & Lonesome”

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Rolling Stones: Blue & Lonesome (2016, Interscope Records, Polydor, Universal Music Brasil)

Em seu primeiro compacto, no longínquo junho de 1963, o Rolling Stones  apresentava duas versões para o Blues de Chuck Berry e Muddy Waters, ato que permaneceu por algum tempo até que a dupla Jagger/Richards começassem a marcar a história do Rock!  Não obstante, o cheiro do Blues ficou impregnado na sonoridade da banda até mesmo em álbuns que traziam ambiciosas viagens psicodélicas e se acentuou quando voltaram ao básico, conduzido pelo som direto das guitarras e pela entrada de Mick Taylor, guitarrista oriundo dos Bluesbreakers, de John Mayall. Ou seja, se pensarmos que este será, como declarado, o último álbum da banda, ele torna a discografia de Mick Jagger e seus asseclas cíclica ao longo de mais de cinco décadas: começou pelo Blues, explorou suas nuances pelo Rock N’ Roll, e voltou ao Blues, numa cadeia musical de intensidade vertiginosa! Neste álbum de releituras de clássicos do Blues, soam revigorados, como se fossem garotos em uma banda insana convidada no South Side, de Chicago, e fecha um ciclo discográfico ao longo de mais de cinco décadas: começou pelo Blues, explorou suas nuances pelo Rock N’ Roll, e voltou ao Blues! (Confira nossa resenha completa aqui)

36 – Silent: “Land of Lightning”

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Silent: “Land of Lightning” (2016, Planet Music Brasil)

“Um álbum que de treze faixas, onze são empolgantes e ao menos oito são destaques absolutos, não pode ser negligenciado por quem curte um bom Hard Rock/AOR! Se você ainda procura “rádios” que toquem Melodic Rock na internet, se curtia as coletâneas como “Lovy Metal” ou “Classic Metal”, ou ainda se adorava as trilhas sonoras dos filmes oitentistas recheadas de AOR, então este álbum foi feito pra você! Claro que estaremos minimizando todo o talento que transborda de cada movimento aqui executado pela banda Silent, formada por Gustavo Andriewiski (vocal/guitarra/teclados), Alex Cavalcanti (guitarra/teclados/backing vocal), Douglas Boiago (baixo/backing vocal) e Luiz “Tilly” Alexandre (bateria e percussão), se a marcamos apenas como um representante brasileiro do AOR.” (Confira nossa resenha completa aqui)

37 – Mickey Junkies: “Since You’ve Been Gone”

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Mickey Junkies: “Since You’ve Been Gone” (2016, Shinigami Records)

“Confesso que até ler o livro “Magnéticos 90”, de Gabriel Thomaz e Daniel Juca, eu era um ignorante quanto a existência da banda Mickey Junkies. Os bem vindos tempos modernos me permitiram, em 2016, ter acesso à fita demo de 1992, através do Youtube e perceber que a segunda ilação era mais próxima da plausibilidade. Na verdade, tínhamos ali uma interessante exploração alternativa do punk rock, com peso e ousadia, numa mistura de Nirvana e Sonic Youth, batido num liquidificador garage punk! o amadurecimento musical nestes vinte e cinco anos é impressionante, saindo de cena a visceralidade do início, dando espaço a músicas trabalhadas sobre riffs com pegada blues, timbragem moderna, trazendo toda a sua pujança sonora para a formatação do Rock alternativo atual. ” (Confira nossa resenha completa aqui)

38 – Lobão: “O Rigor e a Misericórdia”

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Lobão: “O Rigor e a Misericórdia” (2016, Universo Paralelo, Tratore)

“Lobão, desde os anos 80, se mostra um dos personagens mais originais, carismáticos, polêmicos e versáteis no rock nacional. A busca de novos horizontes musicais sempre foi notória na carreira de Lobão àqueles que se debruçaram sobre sua música e relevaram suas polêmicas. New Wave, Hard Rock, fusão com bateria da Mangueira e música eletrônica, todos estes elementos desfilam pelos discos do roqueiro João Luiz. Pois bem, agora ele se lança num grandioso desafio: compôs todas as faixas do novo álbum, executou todos os instrumentos, cuidou dos detalhes técnicos de todas as fases da produção e conseguiu forjar um manifesto roqueiro sublime que fala à alma daqueles que estão exilados em seu próprio universo, indo muito além de um simples exercício de ego, se mostrando um músico muito à frente de seu tempo. Algumas vezes, para figurarmos na vanguarda temos que revisitar, remodelar e reajustar o passado. Neste sentido, é perceptível que Lobão é um artista inebriado em sua arte, quiçá em sua melhor forma.” (Confira nossa resenha completa aqui)

39 – Eli Paperboy Reed: “My Way Home”

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Eli Paperboy Reed, “My Way Home” (2016, Yep Roc Records, Make it Real Music, BMI)

“Sabe aquele Soul/Funk de pegada vintage, com detalhes que mesclam o lado pop do R&B com a picardia do Soul/Blues, desfilando groove amaciado, adrenalina na medida certa, voz carregada de sentimentos e guitarras cruas, mas alicerçadas nas melodias do Blues/Rock, numa produção que emula muito bem épocas passadas? Pois então… É exatamente o que Eli Paperboy Reed oferece em seu quinto álbum de estúdio. Uma surpresa completa neste ano de 2016, num álbum de rachar o assoalho, misturando as melhores influências do estilo, forjado no calor de uma produção retrô que modelou bem a sonoridade rica em detalhes, especialmente nas linhas de climáticas Hammond e de guitarras.”

40 – Grand Magus: “Sword Songs”

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Grand Magus: “Sword Songs” (2016, Nuclear Blast, Shiningami Records)

“Somente um paquiderme pra não se empolgar com a introdução da faixa “Freja’s Choice” e sua bateria cavalar sustentando riffs poderosos, que anunciam uma linearização do estilo e excelência apresentados nos álbuns anteriores do Grand Magus. A mistura musical da banda é homogênea e transita bem pelo Heavy Rock de nomes como Rainbow, Deep Purple, Black Sabbath, ou pelo Heavy Metal Tradicional do Iron Maiden (de início de carreira) e do Manowar, com todo aquele clima bélico de aroma Viking Metal. Temos guitarras com riffs e solos diretos que cortam os andamentos de modo destacável, conseguindo transformar melodias épicas em agressividade nada gratuita, dando mais objetividade e fazendo que o álbum soe mais direto, sem perder a musicalidade, como bem evidenciam as linhas de baixo concisas e os vocais fortes e austeros. “. (Confira nossa resenha completa aqui)

41 – Reckless Love: “In Vader”

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Reckless Love – In Vader (2016, Spinefarm Records)

“Quiçá este álbum so figurará nesta lista, todavia o Reckless Love não me decepcionou! A faixa “Monster” foi o cartão de visitas deste novo álbum, com o clipe divulgado meses antes, trazendo versos maliciosos, instrumental sinuoso, refrão grudento e um pé atolado no barro da música pop. Além disso, nada me tira da cabeça que música e clipe são uma cínica tirada de sarro com o pretensioso conceito “artístico” da Lady Gaga. Mas pensando no álbum como um todo, executaram perfeitamente sua junção de elementos sagrados do hard rock e sleaze/glam com melodias descaradamente pop, extrapolando um pouco suas fronteiras musicais, tornando o resultado final diferenciado dentro da discografia.   Destaque especial ao guitarrista Pepe, que investe em abordagens multifacetadas e cheias de referências, esbanjando bom gosto e sendo o fulcro desta balança musical que oscila entre o pop noventista e o hard rock oitentista”.

42 – Black Stone Cherry: Kentucky

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Black Stone Cherry – Kentucky (2016, Mascot Label Group)

“O Black Stone Cherry já não é nenhum estreante na cena, mas ainda divide opiniões. Enquanto alguns enxergam a banda como um envolvente e raivoso amálgama e The Black Crowes, Soundgarden e Stone Temple Pilots, outros acusam a banda de padecer na mesmice. “Kentucky”, o novo álbum, retoma com maturidade suas raízes, além de investir em uma maior versatilidade sonora, sem truncar a evolução musical da banda.  O aroma southern continua impregnado nas linhas de guitarra, os refrões permanecem embebidos em melodias inspiradas e a estrutura das faixas é pesada e coesa. Na prática, este é um dos grandes álbuns da banda, esbanjando técnica musical, seja nas melodias rústicas ou nas acessíveis. Os fãs de longa data podem sentir falta de tonalidades mais ásperas em meio a produção lapidada. Todavia, talvez este seja o álbum mais pesado e irascível do Black Stone Cherry.”

43 – Cheap Trick: “Bang, Zoom, Crazy… Hello”

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Cheap Trick – Bang, Zoom, Crazy… Hello (2016, Big Machine Label Group)

“O Cheap Trick é um dos grandes nomes do Rock n’ Roll e foi apresentado à nova geração graças ao documentário “Sonic Highways”, do Foo Fighters. Todavia, a plena forma da banda fica evidente quando abrem o álbum com guitarras imponentes, entrecortando o rock n’ roll básico e recheado de melodias no refrão, mostrando que a eficiência em misturar o hard rock setentista com o power pop sessentista continua intacta. A produção é robusta, evidenciando as clássicas e inflamadas guitarras de Rick Nielsen, que ainda consegue desfilar uma rebeldia exuberante, sendo apoiado pelo baixo bem delineado e pela bateria pulsante. Um dos pontos positivos deste álbum reside na variação de estilos e abordagens, sendo possível perceber traços de espírito retrô, brilho Glitter Rock , auto-referências oitentistas e leves doses alternativas. Este álbum já merecia sua atenção simplesmente pelo caráter histórico da banda, mas é reconfortante ver que o espírito rebelde permanece encarnado ao senso melódico do Cheap Trick, que se mostra mais inspirado e relevante que em eras anteriores (à saber, entre 1985 e 1996).”

44 -Necro: “Adiante”

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Necro: “Adiante” (2016, Abraxas Records)

“Este power trio de Maceió mostra que nem só de psicodelia vive o rock nacional atual. Investindo um uma sonoridade mais voltada ao heavy rock de nomes como Uriah Heep, Blue Cheer e, principalmente, Black Sabbath, já espantaram os fãs com dois álbuns impressionantes e agora, com o terceiro trabalho, deram um upgrade na nas pitadas progressivas e psicodélicas, injetou mais peso nas guitarras sabáticas e delineou as linhas vocais pelas formas setentistas do rock nacional. Ou seja, a palavra de ordem desta banda, que antes era peso, mudou para densidade, com arranjos impressionantemente variados, manejando bem o Hard Rock clássico com a psicodelia nordestina tão tradicional em décadas passadas! Eis uma banda que extrapola brilhantismo e excelência musical”.

45 – Devotos DNSA: “Audio Generator”

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Devotos DNSA, “Audio Generator” (2016, Monstro Discos)

“Qual não é nossa surpresa nos meses finais de 2016 quando somos agraciados com “Audio Generator”, quinto disco do  Devotos DNSA, com guitarras prodigiosas, saltitando entre a fúria e a calmaria, numa interessante variação de arranjos dentro de músicas curtas e multifacetadas. Multi-referencial,  o álbum como um todo é extremamente feliz neste amálgama de abordagens do Rock, sem perder a identidade, com muita inteligência e maturidade. Existe um teclado sinuoso à lá Deep Purple ou The Doors aqui, guitarras tipicamente psicodélicas acolá, um forte buquê Britpop, além dos classicismos roqueiros, tanto brasileiros quanto internacionais, tornando a audição envolvente e saborosa. Isso é um disco de Rock N’ Roll, pesado, ousado, moderno, sarcástico, sagaz, recheado de participações especiais, multifacetado e renovador dentro da cena nacional! “

46 – Attractha: “No Fear To Face What’s Buried Inside You”

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Attractha, “No Fear To Face What’s Buried Inside You” (2016, Dunna Records, Shinigami Records)

“Tudo neste álbum está certo com os moldes clássicos: a quantidade de faixas que não satura o ouvinte, passa a mensagem e deixa um desejo por mais; a duração do álbum pouco excede os salutares quarenta e cinco minutos; a abertura é impactante e o desfecho é agressivo; e o melhor de tudo, um trabalho gráfico que impressiona, mostrando que o CD pode proporcionar uma experiência aos cinco sentidos do ser humano assim como o LP fazia, basta boa vontade e inteligência. E inteligência é o que não falta à esta banda brasileira que mescla como poucos a melodia com o peso, dando uma oxigenação moderna ao Metal Tradicional.” (Confira nossa resenha completa aqui)

47 – Jack White: “Acoustic Recordings”

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Jack White: “Acoustic Recordings” (2016, XL Recordings, Third Man Records, For Music) 

“É bom ver Jack White despido dos efeitos das guitarras e como suas composições funcionam mesmo nas formatações mais minimalistas, bem como mostrar aos seus fãs das novas gerações de onde vêm suas influencias: folk, blues e country. Claro que suas incursões elétricas transpiram energia Punk Rock, mas aqui, desplugado, envolto num clima de junk joint em alguma cidade ribeirinha do sul dos Estados Unidos, ele se mostra como um dos melhores compositores de sua geração, afinal suas composições funcionam tanto para as distorções musicais modernas, quanto para a pureza rústica do passado! São 26 faixas, divididas em dois CDs, contendo apenas versões acústicas de suas composições, em interpretações cheias de paixão, numa aula de música americana tradicional através de familiares músicas de sua carreira, raridades e a marca do mais talentoso nome do Rock americano atual.”

48 – Ancesttral: “Web of Lies”

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Ancesttral: “Web of Lies” (2016, Shinigami Records)

“Este é primeiro álbum completo da banda em nove anos, e como valeu a pena esperar! O que temos aqui é uma moderna e variada demonstração do Thrash Metal, com evidente evolução à partir de sua sonoridade clássica, calcada na escola norte-americana do estilo, mas com muita identidade advinda das melodias esmeradas, refrãos impactantes e altíssimo nível técnico. É impressionante observar cada detalhe do trabalho e não conseguir pinçar falhas nos arranjos, nos solos, nas linhas vocais e na produção. Tudo está coeso, brilhante e brutal!”. 

49 – The Baggios: “Brutown”

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The Baggios: “Brutown” (2016, Toca Discos)

“O duo sergipano impressiona mais uma vez! Discurso poético envolto numa alta qualidade musical, por arranjos marcantes e esmerados. Mesmo com toda a picardia musical brasileira e identidade sonora latente, as guitarras evocam os melhores dias de Tony Iommi em meio a um clima western perfeito que, vez ou outra, descamba para o Rock Rural tão nosso de nomes como Sá, Rodrix e Guarabira ou Ruy Maurity. Tudo isso é impresso musicalmente por uma produção orgânica e bucólica, muito brasileira, mas, ao mesmo tempo, bebendo nas fontes gringas do Rock, Funk e Blues, num álbum que só vem ampliar sua musicalidade e impressionar por sua poesia realista e acachapante!”

50 – Metallica: “Hardwired To Self… Destruct” 

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Metallica: “Hardwired… To Self-Destruct” (2016, Blackned Recordings, Universal Music) 

“Este e o melhor álbum de 2016? Aos meus ouvidos este álbum seria um clássico se tivesse apenas sete músicas, com pouco mais ou pouco menos de cinquenta minutos, à saber, “Hardwired”, “Atlas, Rise!”, “Moth Into The Flame”, “Murder One”, “Spit Out The Bone”, “Now That We’re Dead” e “Halo of Fire”. Sendo assim, não, este não é o melhor álbum do ano! Mas, por outro lado, se imaginarmos que temos essas sete ótimas faixas, numa “edição especial” com mais cinco faixas bônus, por que este não seria o melhor álbum de 2016? O mais próximo da verdade é que, provavelmente, “Hardwired… To Self-Destruct” seja o melhor álbum de 2016 e, certamente, divide o posto de mais importante álbum de 2016 com David Bowie, afinal de contas, este é o novo trabalho de inéditas da maior banda de Heavy Metal da história (que me perdoe os fãs do datado Iron Maiden), após oito anos. Ainda fico com a sensação de que tinha espaço para “Lords of Summer” neste álbum, principalmente naquele clássico que construímos no início do texto, fechando a formatação tradicional de oito faixas dos seus dois maiores clássicos. Ainda não coloco “Hardwired… To Self-Destruct” isoladamente no topo de 2016, mas é o melhor álbum da banda desde o supracitado álbum de 1991 e, definitivamente, onde a banda reencontrou a medida certa da sua brutalidade!”

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