A ÚLTIMA GRANDE GERAÇÃO DE ÁLBUNS DE ROCK: Parte 2

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Discos de rock! Estes objetos que já foram quase fetiche parecem ter se perdido no furação tecnológico que cruzou o tempo e chegou aos dias de hoje, mostrando uma total destruição do ritual saudável de ouvir música. Na época das grandes gravações, dos grandes lançamentos, quando se aguardavam anos por uma nova obra e a qualidade musical sobressaía à imagem do artista, ouvir música era muito mais do que um hábito, era uma cerimônia.

Geralmente, o ouvinte separava um espaço em seu castelo particular, onde mantinha uma bela coleção de gravações que rodeavam todo um ambiente que servia de território para um ritual de apreciação que ia além de simplesmente ouvir a canção. Para alguns era uma viagem, um momento de relaxamento.

Entretanto, alguns – como este que vos escreve – ainda mantém este costume intacto e tenta, nesta sequência de postagens, trazer o que acredita ser a última grande geração de gravações de um dos gêneros mais explorados da cultura pop.

Na postagem que inaugurou esta série, seis álbuns foram apresentados e fixamos esta última geração entre os anos de 1989 e 1991. Dando continuidade ao desfile de clássicos, nada melhor do que começar com as duas maiores bandas de rock daqueles tempos e que tomaram o mundo da música de assalto de modo sem precedentes. Tudo bem que o Nirvana era avassalador, mas nenhuma banda desta geração era tão gigante quanto o Metallica ou o Guns N’ Roses.

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O Metallica já havia assustado o mundo pop quando seu álbum anterior, …And Justice for All, galgou os primeiros lugares dos charts da Billboard. Anos depois, o quarteto americano lança Metallica (ou Black Album como é mais conhecido) mostrando toda a maturidade e, principalmente, superação – afinal, poucos anos antes perderam um dos pilares da sonoridade da banda – em músicas complexas e cheias de sentimento que, sem dúvida, refletem a mão do produtor Bob Rock que trouxe Michael Kamem para fazer o arranjo de cordas. Clássicos? O track list inteiro, mas além das mais famosas Enter Sandman, Sad But True, The Unforgiven e Nothing Else Matters, o brilhantismo do conjunto ainda é exalado nas magistrais Wherever I May Roam, Through The Never e a belíssima My Friend Of Misery. Se isso não bastasse, James Hetfield colocou definitivamente o black jeans no guarda-roupa dos headbangers que era baseado em blue jeans e tênis branco.

a8c5c-gunsnÉ inevitável admitir que a maior banda desta geração, quiçá, a maior banda de rock pós década de 70, era o Guns N’ Roses. Os recordes já nasceram com seu surgimento quando compuseram o álbum de estréia mais vendido da história do rock, o irrepreensível Appetite For Destruction que trazia um dos maiores hinos deste estilo rebelde de se fazer música, Sweet Child O’ Mine. Mostraram audácia ao gravar um álbum mezzo acústico, mezzo ao vivo, quando todos esperavam mais músicas inéditas e plugadas. Porém, toda grandiosidade da banda foi desfilada nos dois Use Your Illusion e aqui mostraram ao mundo que eles podiam fazer o que queriam! Duvida? Após a audaciosa empreitada do disco anterior, lançam dois álbuns duplos simultaneamente que diferem na cor da capa e trazem clássicos absolutos. No primeiro, temos Don’t Cry, um blues disfarçado de country versado em letra ácida intitulado You Ain’t The First, a pauleira de Perfect Crime, a irretocável November Rain e a instigante The Garden, que conta com a participação de Alice Cooper. Porém, não consigo esconder minha preferência pelo Use You Illusion II. Tudo ali é perfeito, Yesterday, 14 years, Get In The Ring, Pretty Tide Up, Shotgun Blues, Locomotive e o cover Knockin On Heaven’s Door são fantásticas, mas Civil War, So Fine, You Could Be Mine e Breakdown são magistrais e figuram dentre as minhas canções preferidas. Só que nada se compara a Estranged. Umas das composições roqueiras mais perfeitas que já foram criadas e que é capaz de me arrancar lágrimas. Com certeza, o expoente máximo desta geração de álbuns do rock.

Resultado de imagem para primal scream screamadelicaUma coisa que deixei bem clara no início da primeira parte desta série foi a inumerabilidade das diferentes nuances do nosso amado rock n’ roll. Sendo assim, é fato que nem só de hard rock ou heavy metal vive esta geração. Caminhando ainda no ano de 1991 encontramos um ponto de convergência das mais diversas influências em prol da boa música. Em Screamadelica, o Primal Scream não só compôs um clássico, ele uniu estilos. A dance music se inspirou no rock clássico e o indie rock foi parar nas pistas de dança dos clubbers. A armadura dançante deste álbum esconde um conteúdo riquíssimo com citação à black music e principalmente bebem na fonte dos Rolling Stones, mais precisamente do álbum Exile On Main Street, de 1972. Mas o resultado é moderno e ditou as regras do estilo nos anos subsequentes. Para corroborar ainda mais tal importância, temo aqui três composições que valem o álbum: Come Together (com seus vocais inspirados na música gospel norte-americana), Movin’ On Up (que mostra a sombra stoneana das composições) e Higher Than The Sun (que é mais etérea ajudando a consolidar o trip hop que nascia naqueles tempos). Um álbum perfeito para uma manhã de domingo.

Resultado de imagem para rem out of timeSeguindo ainda a trilha do indie rock, chegamos a um dos melhores álbuns desta geração e que rendeu um dos mais belos hits da virada das décadas de 80 e 90. O R.E.M. já impressionava em seus lançamentos com uma sonoridade diferenciada e havia emplacado a canção The One I Love, presente no álbum Document, de 1987, mas foi em Out Of Time, seu sétimo lançamento que eles começaram a se tornar o fenômeno pop radiofônico – sem que isto soe pejorativo – e, na sequência, comporiam o fantástico Automatic For The People. Só por conter Losing My Religion este Out of Time já deveria figurar entre os grandes lançamentos do rock desta geração derradeira de discos clássicos. Pode não ser a mais bela canção desta época – o que eu sei haver algumas discordâncias – porém é um dos mais belos videos daquelas paragens. A trupe de Michael Stipe ainda nos brinda com Radio Song, Shiny Happy People (que contem um dos arranjos de cordas mais bonitos do pop noventista), New Wild Heaven, Endgame e Country Feedback. Este álbum foi tão emblemático para o grupo americano que eles lançaram oito vídeos das suas onze músicas. Todos se lembram e reverenciam o álbum Automatic For The People, mas, na verdade, aquele brilhantismo todo começou aqui.

Resultado de imagem para badmotorfingerAlguns podem ter notado que ainda não tivemos nenhum álbum do chamado grunge na listagem de hoje. É impossível montar um enumerado de discos que compreenda o período especificado sem incluir álbuns deste estilo musical, visto que ele dominava o mundo do rock no início da década de noventa e éramos expostos a camisas de flanela e franjas ensebadas à todo momento. Nada mais natural que os próximos discos que fecham a segunda parte desta série figurem nas fronteiras de Seattle. Primeiramente, vamos até o que eu considero o melhor grupo desta geração de Seattle. O Soundgarden sempre impressionou por composições fortes e, principalmente, pelo vocal de Chris Cornell que rivalizava com Eddie Vedder, do Pearl Jam, e Layne Stanley, do Alice In Chains, pelo melhor gogó do grunge. Inclusive, esta adição de peso nas composições sempre os aproximou dos fãs mais voltados ao Heavy Metal e os fez ser a primeira banda da geração inicial de Seattle a assinar um contrato com uma gravadora major. Porém, Badmotorfinger está nesta lista por sua audácia e por trazer o Soundgarden ao mainstream vendendo um milhão de cópias e conquistando seu primeiro disco de platina. A audácia está na sonoridade apresentada nas canções, onde as afinações dos instrumentos eram nada ortodoxas e foram classificadas como ásperos apelos neo-zeppelinianos. Destaques do álbum: Rusty Cage, Outshined, Jesus Christ Pose (que teve seu vídeo banido da MTv por ser considerado anti-cristão), Room a Thousand Years Wilde, Holy Water e Face Pollution. No próximo álbum, Superunknown, começariam a lapidar seu talento, mas a rebeldia consistente e consciente do grunge está toda neste disco.

Resultado de imagem para facelift alice in chainsA última banda grunge a assinar um contrato com uma grande gravadora foi a primeira a atingir o sucesso comercial. O Alice In Chains chegou dominando o novo cenário roqueiro com seu álbum de estréia Facelift e a canção Man In The Box mostrava a proposta do conjunto: canções com forte carga emotiva nas letras, instrumental pesado e vocal marcante. Layne Stanley se destacou como um dos principais vocalistas do novo movimento musical e Jerry Cantrell se mostrou um dos mais talentosos compositores da nova geração, além de serem notáveis seus backing vocals. Um álbum denso, onde ainda se destacam Bleed The Freak, We Die Young, Sea Of Sorrow, Love, Hate Love e Put You Down. Este disco pode ser considerado o marco inicial da tomada de poder pelo grunge, pois ele foi o primeiro disco do gênero a chegar ao Top 50 americano.

Resultado de imagem para temple of the dogOs supergrupos sempre foram uma constante no mundo do rock e nos estilos que ganhavam corpo não era diferente. O grunge teve seu primeiro supergrupo que lançou apenas um álbum auto-intitulado. E que álbum! O Temple Of The Dog pegou todos de surpresa anos mais tarde por apresentar a união de parte do que viria a ser o Pearl Jam e o já quase veterano Soundgarden. Entretanto, no lançamento do disco em 1991, o Pearl Jam ainda não havia tomado o mundo do rock de assalto e alguns de seus membros ainda se recuperavam da perda do vocalista Andrew Wood e findavam o promissor grupo Mother Love Bone. O mentor do supergrupo foi o vocalista do Soundgarden que praticamente uniu o espólio do Mother Love Bone com Eddie Vedder que mais tarde formariam o Pearl Jam. Todas as canções foram compostas em homenagem a Wood e dentre elas se destacam Say Hello 2 Heaven, Reach Down, Pushin Foward Back, Call Me A Dog, All Night Thing e o dueto antológico entre Cornell e Vedder em Hunger Strike. Um registro histórico e obrigatório.

Resultado de imagem para achtung babyPara finalizar nossa postagem de hoje vamos ao último suspiro de genialidade de um dos maiores grupos dos anos 80: o U2. No início da década de 90 a banda irlandesa capitaneada por Bono Vox era o expoente máximo de versatilidade musical e havia elevado o pop rock a um patamar artístico renovado com uma bela sequência de álbuns que começava no revolucionário War, passava pelo magnífico The Joshua Tree, experimentava diversas influências e sabores musicais em Rattle And Hum até chegar no pop com adulto maduro de Achtung Baby. As composições deste álbum misturam de modo homogêneo dance music, um pouco de rock industrial que chegava forte naqueles tempos e aquele tempero pop mais intimista adicionando levemente uma dose de rock alternativo. Ou seja, esse é o álbum da reinvenção do U2, apesar de eu acreditar que eles tenham se perdido já no próximo e fraquíssimo Zooropa e, posteriormente, no pasteurizado Pop. Assim como o álbum do R.E.M., este Achtung Baby valeria sua inclusão nesta lista apenas por conter One, umas das mais marcantes canções dos anos 90 e que mostra o valor de uma delicada e singela melodia. Como se já não fosse o bastante, eles ainda trazem a mezzo eletrônica, mezzo alternativa Mysterious Ways – vale destacar o refrão contagiante desta música -, a completamente alternativa The Fly, a beleza influente de Who’s Gonna Ride Your Wild Horses que contém o embrião de quase tudo o que as bandas de pop rock de hoje iam chupar para suas músicas, Even Better Than The Real Thing. e Until The End Of The World.

Chegamos ao final da nossa segunda parada. Na próxima postagem da série trarei a contribuição de nomes consagrados e clássicos do rock setentista que conseguiram superar a oxidação do tempo e ainda figurar dentre os novatos na última grande geração de álbuns de rock. Até lá…

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