A ÚLTIMA GRANDE GERAÇÃO DE ÁLBUNS DE ROCK: Parte III

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Atravessamos ponto médio de nossa jornada. Até agora, rendemos homenagem a alguns grandes discos que foram responsáveis por se agruparem como a última grande geração de álbuns do rock e chegou o momento de continuarmos nosso caminho por esta trilha de clássicos absolutos. Como guia da nossa caminhada teremos mais um parâmetro a ser respeitado: queremos destacar os grandes álbuns de banda veteranas do mundo rock que, em alguns casos, já haviam sido desenganados pelos críticos que proferem críticas menos alvissareiras e não se mostravam profetas competentes quanto ao futuro do rock. Claro,  iremos respeitar o período especificado nas outras postagens, afinal, esta foi a última grande geração de álbuns de rock! Como muitos irão perceber, algumas bandas e discos ficaram de fora – como o álbum “No Prayer For The Dying”, do Iron Maiden, “Innuendo”, do Queen, “1916”, do Motörhead e “Steel Wheels”, do Rolling Stones – e isto é reflexo da minha tentativa de ser um pouco mais eclético, dentro do rock n’ roll, além do peso das minhas preferências pessoais. Sendo assim, avancemos pelo caminho de hoje.

 

Para começar, um álbum que foi alavancado pela mistura de rock com cinema e literatura, mais precisamente, Ramones e Stephen King. No ano de 1989, foi lançada a versão cinematográfica do clássico “O Cemitério” do mestre do terror americano, que trazia algumas referências à banda punk americana. A “parceria” foi enlaçada de maneira ainda mais forte pela canção “Pet Sematary”, composta especialmente para a película e que aparece como faixa de abertura do lado B do álbum “Brain Drain”, décimo primeiro do Ramones, lançado em 1989. Só esta faixa antológica credenciaria o disco a estar nesta lista, mas ainda temos “I Believe In Miracles”, “Don’t Bust My Chops”, a genial “Punishment Fits the Crime”, “Learn To Listen”, “Can’t Get You Outta Mind” e “Merry Christmas (I Don’t Want To Fight Tonight)” que só elevam ainda mais a qualidade absurda deste álbum, que também ficou marcado como o último a contar com Dee Dee Ramone, mas que se mostra um dos melhores momentos da banda na fase em que lapidaram mais o seu punk, indo além dos três acordes.

Outro grupo que vivia uma montanha russa em sua carreira e que deu um basta nas críticas negativas, foi o mais que veterano Judas Priest. Os Metal Gods, como ficaram conhecidos  após inúmeros álbuns que praticamente definiram o Heavy Metal junto ao movimento NWOBHM, vinha colecionando fracassos no fim dos anos 80, com críticas ferrenhas à sonoridade modernosa das guitarras sintetizadas e, principalmente, à falta de peso em seu discos. O fim dos anos 80 foi o nascedouro dos estilos musicais mais brutais que se tem notícia, como o Death Metal e o Grindcore, sem falar que víamos a segunda safra do Thrash Metal em ação, combinando melodia aos riffs carregados de peso. Foi então que o Judas Priest ensinou como fazer um heavy metal clássico, mas muito pesado. Como verdadeiros mestres compuseram uma das mais fantásticas canções de toda a história do estilo e ainda a utilizaram como faixa-título de um dos últimos clássicos absolutos do metal. “Painkiller” – a música – fez a banda inglesa adentrar os anos 90 chutando a porta da frente com um peso absurdo e vocais agressivos. Grande parte desta agressividade sonoro se deve à entrada  do baterista Scott Travis e, com este sangue novo, eles conseguiram imprimir um álbum de metal clássico e ao mesmo tempo contextualizado ao mundo Heavy Metal da época, muito bem representado nas faixas Metal Meltdown, All Guns Blazing, Hell Patrol, Night Crawler, Between The Hammer And The Anvil e Battle Hymn.  Desafortunadamente, após este lançamento Rob Halford deixou a banda para se dedicar a projetos paralelos.

E por falar em deuses do metal, vamos, agora, revisitar um dos pais do estilo. No início da década de 1990, Ozzy Osbourne era conhecido por suas peripécias nas turnês e por seu tino incontestável para escolher  guitarristas. Depois de Randy Rhoads e Jake E. Lee, foi a vez do Madman revelar Zakk Wylde no álbum No Rest For The Wicked, de 1988. Junto a este magistral guitarrista, Ozzy registrou um dos maiores álbuns de sua extensa e prolífica carreira: No More Tears. Lançado em setembro de 1991, o novo disco  impressionava já na primeira faixa Mr. Tinkertrain, que é calcada em muito peso e num trabalho de guitarras notável pela originalidade. Aliás, Zakk rouba a cena durante toda a execução das onze faixas, onde quarto delas são parcerias com Lemmy Kilmister, a lenda que capitaneava o Motorhead. Além da faixa de abertura, temos o sucesso comercial Mama I’m Coming Home, a cadenciada e sabática No More Tears, a roqueira I Don’t Want To Change The World, as baladas nada clichês Road To Nowhere e Time After Time, além de Hellraiser, que promovem esta coleção de músicas a  um clássico do Heavy Metal.

No ano de 1989 o Queen era um gigante. Uma das poucas bandas a se manter permanentemente no topo desde o princípio dos anos 70 e durante os injustos e famigerados anos 80. Pois bem, em maio daquele mesmo ano, Freddy Mercury e cia lançaria seu segundo melhor álbum da década (só perdendo para The Game, de 1980): The Miracle. As canções são recheadas de conteúdo pop e espirito roqueiro sendo impossível destacar a performance de algum integrante em separado. Os maiores sucessos foram para a magistral Scandal, que mostra como o teclado deve ser usado no rock e traz um dos clipes mais legais do conjunto, a melódica The Miracle com mais um clipe interessantíssimo com versões infantes para os integrantes do conjunto, Breakthru que traz toda a identidade musical do Queen com muito lirismo e arranjo de piano na introdução, Invisible Man com tempero dançante e mostrando uma criatividade pop de muito bom gosto e a melhor de todas as faixas, I Want I All. Impossível descrever o impacto desta música que é guiada pelo duelo das guitarras de Brian May, com a voz sempre inspirada de Freddy Mercury. Um dos maiores álbuns desta geração.

 
Passando para o terreno no blues, não poderia deixar de lembrar de um dos maiores lançamentos daqueles dias. Gary Moore era um veterano na cena, já havia integrado o grande Thin Lizzy e era dono de uma extensa carreira solo com discos que mostravam toda a sua influência bluesy. Mas o sucesso arrebatador só veio com o clássico Still Got The Blues de 1990, que contava com participações de grandes nomes da música, como Albert King, George Harrison e Albert Collins. O disco trazia grandes sucessos de autoria própria e algumas releituras. Porém, o destaque máximo é para a faixa-título que marcou o início dos anos 90 com seu riff atemporal. Moore inclusive precisou se defender de uma acusação de plágio, na Alemanha em 2008, por causa daquele riff que introduz seu maior sucesso comercial.
 

Para o final desta nossa terceira, e penúltima postagem da série, deixei um álbum que é um marco de uma época. A canção Wind Of Change é um verdadeiro hino, não só do rock, mas político, tendo se tornado um dos símbolos culturais e artísticos do fim do que ficou conhecido historicamente como Guerra Fria. É muito comum  assistir a cenas da queda do muro de Berlim tendo a canção do Scorpions como trilha sonora.  O álbum da banda alemã que trazia esta antológica canção foi denominado Crazy World, sendo lançado em novembro de 1990. As músicas mostravam uma sonoridade melhor que a apresentada no álbum anterior, mas ainda sem o peso dos álbuns do início da década de oitenta. Além do hino histórico, o disco ainda trazia o rock n’ roll de “Tease Me, Please Me”, “Don’t Believe Her” e uma das mais belas baladas de sua carreira: “Send Me An Angel”. Este foi o último grande lançamento de inéditas do Scorpions até o excelente Humanity: Hour I, já em meados da primeira década do novo milênio.

Por fim, chegamos ao último traçado de nosso caminho que percorre os grandes clássicos apresentados no que considero como a última grande geração de álbuns de rock, fixada entre os anos de 1989 e 1991. Na postagem seguinte, faremos um apanhado menos direto e mais abrangente, com o intuito de destacar alguns grandes lançamentos deste período que merecem menção honrosa. Além do mais, neste período temos o nascimento de estilos roqueiros e a última geração de outros que foram brilhantes em anos precedentes. Até lá…

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