CLIVE BARKER: 3 Livros Pra Conhecer

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Eu vi o futuro do Horror… E seu nome é Clive Barker!” Quando Stephen King proferiu esta frase, Clive Barker ainda era um jovem escritor dotado de uma habilidade requintada  para materializar o sobrenatural. Seus mortos-vivos, fantasmas e seres infernais estão longe da caricatura, muito pela adrenalida que percorre suas narrativas violentas e brutais. No momento desta aprovação do Mestre do Terror, Clive Barker viu sua popularidade  crescer e se solidificar pelo sucesso de crítica que viu seu amadurecimento ao longo de romances de ambientações requintadas, que exploram os pecados da carne, numa riqueza de detalhes quase barroca dentro de sua engenhosa e vivaz escrita. Nascido em Liverpool, Clive é filho da década de 1950, cuja imaginação foi aguçada sem limites pelo cinema e pela televisão, se tornando um artista multitarefas (além de romancista, é pintor, quadrinista e produtor de cinema e teatro. Nas palavras de Quentin Tarantino: “Chamar Clive Barker de romancista do horror seria a mesma coisa de chamar os Beatles de uma banda de garagem. Sempre criando e explorando os desvãos mais oculos da mente humana, ele é um artista em todos os sentidos da palavra”. Hoje, vamos indicar 3 obras de Barker e, assim como em listas anteriores, deixaremos de lado a novela “The Hellbound Heart”, onde se inicia a franquia Hellraiser que percorre o cinema e o mundo dos quadrinhos, pois esta é uma obra que já vem atrelada ao nome Clive Barker. 

1) “Livros de Sangue” (1984 – 1985)

livros_de_sangue_1283876157pNa verdade, esta é uma trapaça da minha parte, pois “Livros de Sangue” é uma coletânea de contos de Clive Barker, dividida em seis volumes, que levaram Stephen King a reverenciar a técnica apurada do inglês. Neste conjunto de contos que exploram a violência escatológica dentro do gênero terror, Clive Barker se mostra polivalente e até mesmo poético dentro de sua chocante brutalidade, por mais contraditório que isso possa soar. Dentro destes volumes temos histórias tão diferentes quanto impactantes, cheias de tiradas sarcásticas, lascívia e humor perspicaz, onde o primeiro volume se destaca largamente, com contos como “O Trem de Carne da Meia Noite”, “O Yattering e Jack” (narrativa de inteligência desconcertante) e o imprevisível “Blues do Sangue de Porco”. Nos demais volumes temos “Pavor” (um dos inspiradores de Jogos Mortais), “A Pele dos Pais”, “Novos Assassinatos na Rua Morgue”, “O Proibido” (que inspirou a franquia cinematográfica “Candyman”) e “A Última Ilusão” (conto que inspirou o filme “Mestre das Ilusões”). A própria abertura da série, com o conto “Livro de Sangue” (que também virou filme), nos elucida de onde Baker tirou este ramalhete ensanguentado de contos, afinal “cada corpo é um livro de sangue: sempre que nos abrem a impressão é vermelha”.

2) “Galilee” (1998)

galileebibliotecadoterrorProjeto literário mais ambicioso de Barker, “Galilee” mergulha no lado sombrio da aristocracia norte-americana, com uma penumbra onírica que beira a experimentação literária em dado momento. Com uma inventividade ousada, Barker nos conta a trajetória dos Geary, uma família tão influente quanto os Rockfeller e tão glamourosa quanto os Kennedy, que possui influência sobre a sociedade americana  desde a Guerra Civil. Em oposição aos Geary temos os etéreos Barbarossa e um palco para uma tragédia “shakespeareana” se mostra iluminado e pronto, motivada por uma contenda intensa entre os clãs. No fim, temos um intrincado romance, com momentos indigestos e violentos, mas que, como uma boa e épica peça erudita, emociona, impressiona e agrada pelo brilhante conjunto da obra!

3) “O Desfiladeiro do Medo” (2002)

o_desfiladeiro_do_medo_1283876666pAqui, Clive Barker atingiu o ápice de sua evolução como romancista. A verborragia gore ficou pra trás e suas investidas eram direcionadas a explorar a corrupção da carne humana, resfolegando em pecados, fantasias e depravações. Neste livro, após a aura clássica de “Galilee”, ele buscou os ares modernos e libertinos de Hollywood para ambientar sua trama centrada no astro Todd Pickett. Espíritos, mansões assombradas, orgias, atrizes centenárias com beleza vívida e portais para o inferno, tudo é costurado pela explicita e cortante escrita de Barker, que, por mais depravada e indecente que soe, ainda aparenta requinte e total domínio de sua arte. Combinando modernidades com leve tempero gótico clássico, “Desfiladeiro do Medo”, quiçá, seja sua maior obra, com narrativa crua e infernalmente poderosa.

Entre os “Livros de Sangue” e “Galilee”, Clive Barker amadureceu muito sua escrita e destilou toda a sua inventividade em ao menos quatro obras que merecem menções honrosas: “Jogo da Perdição” (1985), o mencionado “The Hellbound Heart” (1986), recentemente publicado no Brasil via Darkside Books com o título de “Hellraiser”, “Raça da Noite” (1988) e “Sacramento” (1996). 

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