FILME: “Cosmopolis” (2012), de David Cronenberg

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“Cosmopolis” (2012, Drama, Dir. David Cronenberg)  NOTA:***

“Cosmopolis” é um filme para poucos! Possui uma estranheza requintada que transita da morosidade angustiante aos lapsos de choque, construído sobre uma frieza e incongruência conceitual cortantes que são quase incompreensíveis aos não habituados aos meandros da obra de David Cronenberg. Nestas circunstâncias, perante os olhos destes não iniciados, esta película pode soar confusa ao seu término, o que faria este filme ser taxado como mais um exercício de loucura cinematográfica, sem pé nem cabeça, e deliberadas incongruências artísticas justificadas em longas sequências de diálogos frios, que servem para retratar o caráter lacônico das bases que sustentam o mundo moderno. Acredito que neste ponto do texto, uma sinopse e o trailer do filme se fazem necessários.

“A cidade de Nova Iorque está em tumulto e a era do capitalismo está chegando ao fim. Uma visita do presidente dos Estados Unidos paralisa Manhattan e Eric Packer (Robert Pattinson), o menino de ouro do mundo financeiro, tenta chegar ao outro lado da cidade para cortar o cabelo. Durante o dia, ele observa o caos e percebe, impotente, o colapso do seu império. Packer vive as 24 horas mais importantes da sua vida e está certo de que alguém está prestes a assassiná-lo.” (FONTE: Adoro Cinema)   

Devidamente contextualizados à trama, voltemos a nossa análise. Apesar de conter cenas de luta, protestos, assassinatos, traição e sexo, tudo é construído de modo muito inorgânico, deliberadamente artificial, pois esta formatação faz parte da mensagem que quer ser passada. Robert Pattinson, que nunca sai de cena, não está magistral, mas consegue transmitir uma convincente apatia ao personagem principal. Confesso que até ele contracenar com o sempre genial Paul Giamatti eu estava aplaudindo sua atuação, mas aí o precipício entre as performances ficou profundo demais, afinal este é o encontro que gera o único momento de explosão emocional da trama, num súbito choque de realidade. Um detalhe que salta aos olhos é a dinâmica quase teatral dos diálogos e, neste quesito, Juliette Binoche mostra que Pattinson ainda precisa se esforçar mais.

Até Pattinson contracenar com Paul Giamatti eu estava aplaudindo sua atuação, mas aí o precipício entre as performances ficou profundo demais, afinal este é o encontro que gera o único momento de explosão emocional.

Cronenberg nos apresenta um olhar artístico sobre uma crítica pungente ao futuro do capitalismo, num clima High-Tech artificial que contrasta com a realidade vívida externa à limusine. Apesar disso tudo, o segundo plano e a sequência final formam uma sátira densa, emocional (por mais absurdo que possa parecer) e sagaz (principalmente quando o diretor retira quase todas as referências de “quando” e “onde” se passam os eventos). Baseado no romance homônimo de Don DeLillo, lançado em 2003, um romancista e ensaísta norte-americano que se vale de temas modernos para desenvolver suas tramas, o filme de Cronenberg tangencia a genialidade para aqueles que conhecem a trama adaptada pelo diretor e, aos meus olhos, basta uma leitura na sinopse do livro para entender muito do que Cronenberg alegoriza de modo tão original em sua versão da narrativa que, para aqueles que desconhecem a obra literária, soa tão confusa e até mesmo indigesta, mas que traz, mesmo com toda esta teia narrativa, uma mensagem clara: “O mais importante para a simetria é aquilo que é um pouco torto…”

EXPLICANDO “Cosmopolis”…

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Don DeLillo: “Cosmopolis” (2003, Companhia das Letras)

Aos 28 anos, o empresário Eric Michael Packer fez fortuna com a especulação nas bolsas de valores de todo o mundo. Num certo dia do ano 2000, ele acorda e contempla a cidade de seu triplex no prédio residencial mais alto do mundo, em Nova York. Decide cortar o cabelo. O presidente da República está na cidade, os mercados estão nervosos, um protesto anti-globalização toma conta de Times Square e o trânsito está abarrotado. Acompanhado do motorista e de seguranças, Eric demora o dia inteiro para percorrer dez quarteirões de Manhattan em sua limusine equipada com bar, banheiro, monitores conectados à internet e câmaras de vídeo. Eric especula contra o iene, cuja cotação, segundo seus cálculos, deve começar a cair a qualquer momento. A moeda japonesa, porém, sobe sem parar. Durante a viagem, Eric encontra várias vezes por acaso a mulher com quem se casara poucos dias antes, a também milionária Elise. A relação deteriora a cada encontro, pois ela percebe que ele a trai sucessivas vezes ao longo do caminho. No decorrer do dia, as certezas e os valores de Eric se mostram vazios e sua vida entra em colapso. O empresário perde mais e mais dinheiro – e também toda a fortuna de Elise -, até que o sistema financeiro global é arrastado para uma grave crise.A história revela mais do que a falta de sentido de uma existência individual: ela aponta para o caráter perigosamente ilusório das bases que sustentam o mundo contemporâneo. (Sinopse do livro de DeLillo, publicado no Brasil pela Companhia das Letras)

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2 comentários Adicione o seu

  1. Sick Mind disse:

    Lembro que assisti a esse filme pela curiosidade de ver Cronenberg dirigindo um ator recém saído de uma história tão ordinária quanto Crespúsculo, nem sabia que havia sido inspirado em um livro. Acabei me surpreendendo positivamente, pois a trama é mto boa e o Pattinson não estragou o filme como achei que iria fazer, apesar dele não ser comparável com o Giamatti. Acho que Cosmopolis poderá ganhar o status de cult em alguns anos.

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    1. Acredito que certamente será um dos grandes filmes cults do cinema… 🙂

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