5 PERGUNTAS: Primator

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O Primator é um dos representantes da nova geração do heavy metal paulistano e apresentou, recentemente, seu primeiro álbum, “Involution”, após seis anos de árduo trabalho na estrada, que contribuíram para a evolução técnica e criativa  da banda. Com méritos, resgataram a estética e a alma da fase áurea do estilo, mas encaixando sua sonoridade dentro do panorama atual e com identidade, o que é mais importante. Hoje, o vocalista Rodrigo Sinopoli, que apresenta o Primator como “uma banda de heavy metal tradicional paulistana”, “na estrada desde 2009” e “fazendo o som que gostamos de ouvir”,  fala sobre detalhes do álbum “Involution”, reflete sobre a cena atual e indica cinco discos indispensáveis para quem curte o Heavy Metal. 

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Gaveta de Bagunças:“Involution” anuncia, em alto e bom som, o nascimento de mais um representante do Heavy Metal brasileiro que consegue unir conteúdo lírico e fúria instrumental clássica. Sendo assim, veículos de comunicação sempre elencam nomes como Black Sabbath, Judas Priest, Iron Maiden, Helloween, Metal Church, Saxon, dentre outros, que manufaturavam o tradicionalismo metálico como influências do Primator. Existe algum nome que tenha influenciado o Primator fora deste séquito tradicional? Algum nome brasileiro, por exemplo? Indo um pouco mais além, como outras abordagens artísticas, vide Literatura, Cinema, Quadrinhos, se encaixam no trabalho do Primator?

Rodrigo SinopoliEnquanto músicos, podemos dizer que cada integrante tem um gosto bem particular, o que acaba, mesmo que de forma subliminar, nos trazendo influências de várias vertentes, dentro e fora do heavy metal.

Eu, Rodrigo, por exemplo, sempre curti muito Angra, Dark Avenger, Seventh Seal, Eterna, Heavens Guardian…era frequentador assíduo dos shows e consumia muito o material dessas bandas.

No meio metal, não podemos descartar nenhuma abordagem…venha ela da literatura, quadrinhos ou cinema. O importante é contar uma boa história, com conteúdo e agressividade, explorando o que cada assunto tem de melhor ou de “pior”.

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“É realmente difícil essa “estabilização” na cena, com recursos limitados e trabalhos paralelos, mas fidelizamos nosso público principalmente com os shows, onde podem testemunhar nossa energia bem de perto e comprovar a qualidade. Quem entende de música, sabe quem é bom e merece seu respeito. O consumo é uma consequência disso tudo.”

Rodrigo Sinopoli

GdB: Qual o segredo da alquimia musical para se valer de tantos tradicionalismos metálicos oitentistas, como os explorados em “Involution”, sem soar datado ? Como essa abordagem de vocês se contextualiza, na sua visão, à da cena nacional de música pesada? Ainda vou mais além, como se destacar num cenário cada vez mais viciado dentro do ciclo “circulação-legitimação-consumo”, onde a exposição de massa, mesmo nas mídias digitais, outrora mais democráticas, está cada vez mais atrelada aos investimentos financeiros e não à qualidade musical?

Rodrigo – Acredito não existir um grande segredo. Fazemos um som que gostamos de ouvir e nos preocupamos apenas em não copiar nada de ninguém.

Por mais que o som seja de uma vertente tradicional, tentamos resgatar o espírito apenas, o que naturalmente acaba nos trazendo personalidade própria.

É realmente difícil essa “estabilização” na cena, com recursos limitados e trabalhos paralelos, mas fidelizamos nosso público principalmente com os shows, onde podem testemunhar nossa energia bem de perto e comprovar a qualidade. Quem entende de música, sabe quem é bom e merece seu respeito. O consumo é uma consequência disso tudo.

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GdB: Um dos destaques de “Involution” é o conceito em torno de suas letras. Explique um pouco mais detalhadamente este conceito explorado. De onde veio a inspiração para o tema? O quanto da teoria evolucionista de Darwin, bem como ideias de outros estudiosos, existe diluído nas letras?

Rodrigo – Por volta de 2011, tínhamos algumas músicas compostas, cuja essência girava em torno da degradação humana.

Sequer tínhamos um conceito definido, mas falávamos de guerras, corrupção e ganância.

A ideia de atrelar tudo à teoria evolucionista, veio depois. Quando nos demos conta que é um assunto recorrente e que seria interessante traçar um paralelo entre ciência e o conceito de “mundo” hoje, dentro do heavy metal. Então nos juntamos e passamos a trabalhar em cima disso com mais afinco. O ser humano é tão complexo, que não podemos afirmar que tenha criado mais do que destruído. E o que fizemos, foi focar nos destroços desta “evolução” ao longo dos milhares de anos.

“A ‘To Mars’ estava no papel e a melodia na cabeça dele (Mario Linhares), mas ainda não se encaixava no atual “Beloved Bone”s do DA (Dark Avenger). Então, por livre e espontânea vontade, resolveu nos dar de presente para lançarmos como um single desse nosso novo trabalho, através de um videoclip.”       

 Rodrigo Sinopoli

GdB: Conte-nos detalhes da parceria com Mario Linhares na faixa “To Mars”, que já evidencia uma evolução na sonoridade da banda, com um pegada levemente épica, refrão empolgante e linhas insanas de guitarra. Como surgiu a oportunidade de ter uma música composta por ele e como esta composição foi trabalhada para que se encaixasse o perfil da banda (se é que isso foi necessário)?

Rodrigo – Após o show de lançamento do Involution, onde tivemos a companhia do Dark Avenger, mantive contato mais frequente com o Linhares.

Certo dia ele comentou sobre esse trabalho de produção que iniciaria e resolvemos nos juntar para o segundo álbum da Primator.

A “To Mars” estava no papel e a melodia na cabeça dele, mas ainda não se encaixava no atual Beloved Bones do DA. Então, por livre e espontânea vontade, resolveu nos dar de presente para lançarmos como um single desse nosso novo trabalho, através de um videoclip.

Feito isso, criamos as linhas instrumentais sobre a ideia de melodia que ele tinha, trouxemos ele para São Paulo e gravamos sob total apoio e supervisão. O resultado foi esse que todos vocês viram.

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“É uma certa ‘preguiça’ em digerir algo novo. Acaba sendo mais fácil continuar ouvindo e consumindo bandas que fizeram a trilha de sua juventude, para continuarem com suas rotinas sem maiores esforços.”

Rodrigo Sinopoli

GdB: Tenho percebido uma condição muito prejudicial dentre os fãs de Heavy Metal de um modo geral. Eles se contentam em recolher as migalhas que os grandes dinossauros do rock/metal lhes dão, enaltecendo reuniões amputadas, composições requentadas, cegos pelo fanatismo e, muita das vezes, surda para uma performance ultrapassada, manjada e vexatória. Em contrapartida, são incapazes de apoiar novas bandas, ou bandas nacionais que trabalham arduamente há anos, com honestidade e relevância. Qual a sua visão sobre este panorama?

Rodrigo – Acredito que as rádios e mídias especializadas não abrem espaço suficiente para o metal brasileiro e enquanto não houver um canal que torne nosso som acessível de uma forma cotidiana, isso não vai mudar. As pessoas têm essa tendência mesmo.

É uma certa “preguiça” em digerir algo novo. Acaba sendo mais fácil continuar ouvindo e consumindo bandas que fizeram a trilha de sua juventude, para continuarem com suas rotinas sem maiores esforços.

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GdB: Muito obrigado pela entrevista e fique à vontade para pontuar algo que queira mencionar fora das perguntas acima, como os planos futuros da banda, shows, próximos lançamentos e projetos.

Rodrigo – Estamos em fase de composição, então demos uma parada com as apresentações para voltarmos em breve com material 100% novo.

Temos algumas letras prontas e a tendência é de que algo muito mais rápido, pesado e denso está por vir.

Vocês não perdem por esperar!

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GdB: Peço, se possível, que indiquem 5 álbuns indispensáveis e 2 álbuns dispensáveis (independente de gênero).

Rodrigo – Indispensáveis: “Cowboys From Hell” – Pantera“Painkiller” – Judas Priest“The Number of the Beast” – Iron Maiden, “Heal the Waters” – ARK, “Countdown to Extinction” – Megadeth.

Os dispensáveis são muitos e teria que pesquisar pelos nomes. Poderia citar todos de Axé e de Funk, por exemplo, se considerasse isso música…rs

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MaisInformações:
http://www.bandaprimator.com.br
http://www.facebook.com/bandaprimator
http://www.soundcloud.com/bandaprimator
http://www.twitter.com/primatormetal

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