Simbologia Pop: O PENTAGRAMA

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Nós, seres humanos, somos uma espécie literalmente simbólica. Onde quer que tenhamos passado pelo mundo, em qualquer era, as marcas deixadas por nossos antepassados são símbolos, que para nós, homens modernos, podem não significar nada, mas para quem os elaborou havia um significado. Portanto, é fato que nós sempre criamos e utilizamos símbolos.

A palavra símbolo deriva do grego symballein, que significa agregar. Mas esta origem parece não explicar muito bem o sentido em que empregamos esta palavra. Seu sentido figurado originou-se no costume  de quebrar blocos de argila para marcar o término de um contrato ou de um acordo: Cada parte do acordo ficaria com um dos pedaços e quando juntassem os pedaços novamente, eles poderiam se encaixar. Cada um destes pedaços identificava uma pessoa e eram conhecidos como symbola.

O mais interessante, entretanto, é o poder além das palavras que carrega um símbolo. Muitas vezes, apenas um deles pode carregar inúmeros significados, tudo dependendo da cultura em que é empregado e ainda, nos desafiam a ir além dos nossos olhos, pois eles podem representar uma ideia abstrata que pode não ser tão trivialmente reconhecida.

Muitos dos símbolos da cultura pop nos dias de hoje são utilizados sem o conhecimento real de seu significado e/ou poder, além de outros tantos que tiveram sua ideia deturpada, para o bem ou para o mal.

Os símbolos mais conhecidos nos nossos dias são aqueles que perpetuaram geração após geração. Muitas vezes, oriundos de manuscritos antigos, obras de arte ou esculturas. Alguns foram usados pelas mais diversas culturas, com os mais diversos significados, sendo os símbolos mais comuns, aqueles que nos rodeiam nas aulas de história, nos discos de rock ou nos bons livros, criados por civilizações mais remotas e diversos deles antes mesmo da escrita ser inventada.

No decorrer desta série de postagens especiais, tentarei apresentar um pouco do caminho secreto de alguns símbolos, sendo que iniciaremos com um dos mais famosos dentro da cultura Pop: o PENTAGRAMA e seus mais diversos significados, sem aprofundar em certos detalhes que fogem ao caráter superficial e de apresentação do texto.

O Pentagrama

Uma forma que aparece na arte e na arquitetura clássica, bem como na natureza, o pentagrama foi um dos símbolos templários e também representava a essência dos Merovíngios como iluminados, uma dinastia real de francos, uma tribo teutônica que aderia à lei tribal teutônica e que, segundo alguns, possuíam um poder milagroso, advindo dos seus cabelos. Também aparece como emblema na realiza da Maçonaria e foram utilizados como amuleto protetor na Idade Média, pois este selo simbolizava o poder oculto, aparecendo esculpido em pedras de Igrejas, e nas paredes dos antigos templos. Além disso, o pentagrama já foi referenciado como Estrela do Conhecimento (o que pode ser uma das direções que levaram à sua associação ao satanismo, ou não, como veremos mais à frente) e quando apontado para cima se tornava um símbolo do ser humano cósmico.

A exemplo de muitos outros símbolos, o pentagrama é passível de inúmeras interpretações, sendo mais reconhecido como um símbolo do ocultismo, muitas vezes associado ao Diabo ou ao mal. Todavia, em sua forma primitiva representa o caminho de Vênus no céu noturno, o que nos leva ao Pentáculo de Vênus.

PENTÁCULO DE VÊNUS: O planeta Vênus traça um pentáculo no céu, com precisão e seguindo um “cronograma” quase perfeito. Muitas da antigas civilizações sabiam disso, como os maias e os totonacas pré-astecas, os egípcios, os sumérios e os gregos. Do início ao fim, o ciclo do pentáculo de Vênus dura oito anos, e então ele retorna para uma posição distanciada de dois a três graus do seu ponto de partida.  

Àqueles que duvidam que os povos antigos tinham conhecimento astronômico necessário para rastrear esse desenho no céu, lembremos que os sumérios foram o primeiro povo a identificar as constelações zodiacais por volta de 2300 a. C. Isso posto, ainda nas civilizações pagãs, o pentagrama seria reconhecido como um arquétipo feminino e identificado com a poderosa divindade pré-cristã da sexualidade feminina (denominada de Vênus, Afrodite, Astarte e Ishtar). Neste mesmo caminho pagão, o pentagrama pode também ser conhecido como o Pentáculo da Bruxa. 

O PENTÁCULO DA BRUXA: Símbolo relacionado à bruxaria, é uma estrela de cinco pontas que representa as quatro direções, enquanto a quinta simboliza a santidade do espírito. O círculo em volta representa a busca pelo conhecimento do divino  e a conexão contínua com as forças do cosmos, sendo amplamente utilizado na Wicca e na magia cerimonial. Quando sua imagem é desenhada, o que obtemos é o pentagrama

Cada uma das pontas do pentagrama geralmente é associada aos elementos água, fogo, ar e terra, e a quinta ponta, de acordo com o sistema mágico representa o amor, o espírito ou a vontade. Apontado para cima, o pentagrama pode ser interpretado como os quatro elementos regidos pelo espiritual sobre o material e apontado para baixo pode evidenciar o espírito como a raiz da matéria. Além disso, pode ser uma ferramenta para banir ou evocar forças elementais.

Mais tarde, a Igreja, ao reprimir o arquétipo pagão, associou, da mesma maneira que ligou a imagem do deus Pã ao diabo, o pentagrama ao mal, reforçado ainda mais quando apareceu na testa do Bode de Mendês, de Eliphas Levi. O pentagrama na fronte faz do Baphomet um símbolo de luz, pois não sendo invertido, é um simbolo de luz, centro místico e expansão do universo. Ainda é um símbolo de perfeição e do princípio divino no coração.

7c42b-article_768740BODE DE MENDES OU BAPHOMET:  A  imagem do Baphomet foi relacionada a um bode pela primeira vez em 1854, por Eliphas Levi e é também denominado como Bode de Mendes ou Bode do Sabbath.  Quanto a simbologia deste Baphomet, podemos nos perder em seu caráter dual. É certo que tanto o bode quanto o carneiro são símbolos de virilidade e fertilidade, mas  o segundo está relacionado a coisas positivas como pureza, vida e santidade, enquanto o bode está diretamente ligado ao outro lado da balança, ou seja, às forças negativas como luxuria, sacrifício e perversão. Na sua fronte e em baixo do facho, vemos o signo do microcosmo ou pentagrama de ponta para cima, símbolo da inteligência humana, que colocado assim, em baixo do facho, faz da chama deste uma imagem da revelação divina. (para saber mais, clique aqui)

É sabido que todo o conhecimento místico se perdeu no véu negro do controle da Igreja Católica, que provocou a treva intelectual da Idade Média, e se tornou parte das ciências ocultas. Tais ciências viraram sinônimo de heresia e anti-cristianismo e daí vem o caráter maligno que foi associado todo conhecimento esotérico oculto. Neste contexto, grandes obras intelectuais se perderam e os estudiosos destas ciências eram considerados adoradores do Diabo, hereges e associados a forças negras. Sendo assim, um símbolo como o pentagrama logo foi relacionado à bruxaria, paganismo e satanismo, tendo seu real significado deturpado ao longo do tempo. Como, para a Igreja Medieval, pagãos, bruxos e ocultistas eram todos adoradores do demônio, nosso símbolo herdou esta ligação com o Diabo, assim como diversos outros que nada tinham de negativos.

Todavia, este símbolo tem uma ligação com Moisés. O Testamento Maçônico nos conta que “quando o pentagrama, ou Estrela Flamejante, estava para ser visto no leste, Moisés chamava toda a corte para iniciar novos princípios”, numa clara referência aos Princípios do Tabernáculo, criados por Moisés com o dever de trabalhar incessantemente pela glória de Deus, a honra de seu país e a felicidade de seus irmãos e para oferecer graças e oração à deidade, em vez de sacrifícios de carne e sangue. Obviamente a Estrela Flamejante  aqui relacionada ao pentagrama só pode se referenciar ao planeta Vênus e seu pentáculo.

Na Cabala hebraica, o pentagrama é associado à quinta sefirote, Geburah, cujo significado é uma flamejante espada de vivas chamas, que também é ligada a Marte (o Deus da Guerra) e associada ao Arcanjo Kamael e às  hostes dos Seraphins. É conhecida pelos iniciados como a inteligência Radical, o rei guerreiro e o eliminador do inútil e também representado pela cor vermelha.  Esta sefirote é a mais dinâmica e violenta de todas, mas também é altamente disciplinada. Outro conceito associado ao pentagrama é a espada, arma associada aos cavaleiros e heróis, militares e ordens iniciáticas de cavalaria

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ESTRELA FLAMEJANTE: Quando o pentagrama ou Estrela da Manhã estava pra ser visto no leste, Moisés convocava a corte para iniciar novos princípios . Este pentagrama tem ligação com a Estrela Flamejante, da Maçonaria, uma estrela de cinco pontas que deriva do pentagrama de Pitágoras. Como símbolo de luz, centro místico e expansão do universo, colocado entre o esquadro e o compasso, representa o céu e a Terra, remetendo à regeneração do indivíduo por meio da iluminação em mundo desconhecido. Símbolo de Perfeição e do princípio divino no coração do iniciado. 

E aqui chegamos ao pentagrama de Pitágoras e os pitagóricos. Geometricamente, as linhas que juntam os cinco vértices do pentágono regular formam um pentagrama e se dividem umas das outras em uma proporção conhecida como proporção divina, ou razão áurea, tornando-se um símbolo da totalidade e da perfeição e para os seguidores de Pitágoras representava a vida e a divindade humana, denominada Pentalpha. Quando eles foram perseguidos, o símbolo se tornou uma espécie de código, ou senha, entre seus seguidores, de modo que eles pudessem se reconhecer. Dentro de seus estudos estavam a música e a harmônia, simbolismo numérico, a geometria e todos os aspectos da matemática, que eram mantidos sob estreita vigilância, como ensinamentos secretos.

O pentáculo ou pentagrama dos pitagóricos possui estreitas relações com a espiral de Fiboonacci, sendo que a razão áurea, ou divina proporção é o fundamento do pentáculo e se repete por todo ele, além dele ter uma forte ligação matemática com o número nove, mais sagrado do que o três, que representava a Trindade Sagrada ou a divisão tríptica das diversas deidades ao longo da história, representando, no oriente, o número das esferas celestiais. Em termos cristãos representa a imperfeição dos homens  e o coro dos anjos.

Voltando ao Bode de Mendes, sua ligação com o pentagrama levou o símbolo associado a Vênus, após a declaração do Papa Gregório VI, que deu chifres e cascos a Satanás, a uma clara alusão ao deus da fertilidade (Pã, Cernunnos, etc). A partir de então, o pentagrama virado para cima passou a ser considerado uma imagem diabólica, sendo proscrito para a Igreja como um dos inúmeros símbolos do Diabo.

O Pentagrama Invertido

Pela nossa postagem sobre o Baphomet, vimos que este símbolo em especial teve seu real significado deturpado, se tornando referência de heresia e a imagem de Eliphas Levi foi tomada como a representação do diabo, ganhando, futuramente, reais ligações com o satanismo, depois que a Igreja de Satã foi criada, em 1966.  O símbolo com a cabeça de bode emoldurada por um pentagrama invertido circundado por letras hebraicas soletrando Leviatã começou a ser relacionada no consciente público ao satanismo após a criação da Church Of Satan, o que nos leva a investigar um pouco mais o conceito do pentagrama invertido.

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Carta do Tarô de Waite-Smith: Uma das primeiras associações da figura do Bode de Mendes ao Diabo.

O pentagrama invertido seria uma alusão à carta número XV do tarô, O Diabo, e também a descida no espírito na matéria no processo inverso à interpretação dos quatro elementos dada anteriormente. Toda esta interpretação leva a uma necessidade de estudo sobre o Baphomet, afinal esta carta é uma das mais fortes associações do Baphomet de Levi, por transitividade o pentagrama, ao Diabo, até a formalização de um símbolo satânico homônimo popularizado por Lavey. Em 1909, o Tarot de Waite-Smith surgiu como um conjunto de cartas no estilo tradicional do tarô cuja carta Levi’s Baphomet está ligada ao Diabo. A figura na carta se assemelha muito à esfinge de Levi, porém duas diferenças são notórias, mudando todo o simbolismo e, consequentemente, já não sendo o mesmo Baphomet. Na imagem do tarô os pés possuem garras e não são rachados e as pernas são cobertas de pelos e não pela espécie de pano como no desenho do Bode de Mendes, Além disso, o pentagrama desta carta está invertido, o que deve, na verdade, representar uma oposição ao Baphomet de Levi.

A verdade é que por esta primeira associação, o pentagrama invertido e o signo de Baphomet foram amarrados como selos satânicos na cultura ocidental moderna, principalmente à Church of Satam, que possui status de religião nos EUA, com ritos bem definidos e estampou o símbolo na capa de sua Bíblia Satânica.  A imagem com uma cabeça de bode dentro de um pentagrama invertido apareceu pela primeira vez em um livro franco-maçom, em 1931. Entretanto, este seria apenas um desenho que não teria ligação com o símbolo satânico estampado na Bíblia Satânica. A menos da imagem, os dois símbolos significavam coisas diferentes.

BAPHOMET DE LAVEY: LaVey nunca reclamou a criação do símbolo para si, mas o incorporou totalmente à sua igreja. Ele teve contato como o bode em um pentagrama circundado duplamente tendo a palavra Leviatã entre os círculos numa obra de magia de autoria de Maurice Bessy’s datada de 1964 e este símbolo era referenciado como o signo de Baphomet. O símbolo considerado oficial obedece certas regras geométricas e o bode é desenhado com mais atenção aos olhos e os caracteres hebreus são desenhados mais distorcidos como serpentes. Esta arte gráfica final tem direitos autorais reservados à Church Of Satan e, à priori, não tem nenhuma ligação com o Baphomet templário.

Referências

  1. Brenda Mallon: “Os Símbolos Místicos”;
  2. Christopher Knight & Robert Lomas: “O Livro de Hiram”;
  3. Michael Baigent, Richard Leigh & Henry Lincoln: “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada”;
  4. Philip Gardiner: “Sociedades Secretas”
  5. Laurence Garner: “O Diabo Revelado”
  6. Renna Shesso: “Matemática Para Místicos: Uma Introdução aos Segredos da Geometria Sagrada;
  7. Rave Grimassi: “Encyclopedia of Wicca & Witchcraft”;
  8. Spence Lewis. “An Encyclopedia of Occultism”;
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