ATUALIZANDO A DISCOTECA: Charles Lloyd and The Marvels: “I Long To See You” (2016)

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Charles Lloyd and The Marvels: “I Long To See You” (2016, Blue Note Records) NOTA:7,5

Charles Lloyd construiu boa parte de seu nome ao acompanhar grandes nomes do Blues como B. B. King e Howlin’ Wolf, em suas bandas. Um verdadeiro prodígio da música, começou a tocar saxofone aos nove anos de idade, e se desenvolveu em outros instrumentos de sopro, com destaque para a flauta junto ao sax tenor. Infelizmente, Lloyd é um músico de jazz pouco conhecido no Brasil, o que faz deste seu mais recente trabalho, “I Long To See You” , que abre com o jazz malicioso e  requintado de “Masters of War”, uma releitura do clássico de Bob Dylan, com guitarras limpas, naipe de metais elegantes e seção rítmica confortável, mas sincopada e de linhas tribais, passar batido pelos admiradores do estilo.

A pegada jazzística que Lloyd imprime na sua música está sem o aroma datado que pode acompanhar os entusiastas do gênero, com acento moderno nas guitarras de pegada bluesy psicodélica nas guitarras, num flerte com o Jazz Fusion. Neste quesito, “Of Course, Of Course” é um destaque dentro do álbum por linhas de baixo borbulhantes, entrecortadas por arranjos incisivos de flauta, numa impressionante exploração do Cool Jazz e da Bossa Nova.

Infelizmente, Lloyd é um músico de jazz pouco conhecido no Brasil,o que faz deste seu mais recente trabalho, “I Long To See You”, com o acento moderno das guitarras de Bill Frisell, uma viagem musical requintada, mas acessível, transpirando diversão entre os músicos….

Essa exploração das fronteiras musicais, trazendo estilos externos pra dentro do Jazz, e experimentando dentro dos subgêneros do estilo, sempre foi a marca de Lloyd, que aqui é guiada por um libertário espírito de jam session nas composições mais dinâmicas. Existem ainda belíssimos detalhes de pedal steel guitar, entretanto, o álbum cai no lugar comum quando se dedica aos movimentos mais lentos e cadenciados, como em “Shenandoah”, que soa como uma terceirização do clássico “Besame Mucho”.

A liberdade musical aqui presente também é mérito do guitarrista Bill Frisell, afinal, “I Long To See You”, é um álbum que mescla as abordagens das bandas de cada um deles. Esta é a primeira parceria de Frisell e Lloyd, numa formatação orgânica que deita sobre a ousadia da modernidade, de braços dados com os sentimentos tradicionais do estilo.

Confira a releitura de “Masters of War”, do Bob Dylan… 

Além de Frisell, participaram de “I Long To See You”, Norah Jones e Willie Nelson, que só corroboram com a observação da sobreposição de classicismo e acessibilidade musical. Dentre os destaques positivos, temos “La Llorona” (uma balada com tempero latino e que caberia perfeitamente num filme de Tarantino), “Sombrero Sam” (de psicodelia jazzística e meandros tribais), “Last Night I Had the Strangest Dream” (com Willie Nelson e uma melancolia rancheira desfilada com elegância), “Barche Lamsel” (um desfecho épico, que transcende o quesito psicodélico).

Não é o supra-sumo do Jazz moderno, mas é um álbum que transpira diversão entre os músicos e está muito acima da média de qualidade da música atual.

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