ATUALIZANDO A DISCOTECA: Aberratio, “Aberratio” (2016)

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Aberratio: “Aberratio” (2016, Heavy Metal Rock, Songs for Satan, Holocaust Vinyl Records, Cianeto Discos, Violent Records, The Metal Vox, Brothers of Metal) NOTA:9,0

Tradicional!

Se necessária fosse uma única palavra para descrever o primeiro álbum da banda Aberratio, creio que este seria o adjetivo perfeito.

Praticantes de um Death Metal obscuro e sujo, de instrumental acachapante e vocais guturais, a banda prima por uma técnica que vem muito bem aliada à criatividade e versatilidade de seus músicos, fato já consumado na densa, cavalar e impressionante faixa de abertura, “Nitimur in Vetitum”, e que se repetirá na “desgraceira poética” de “Assyrians”.

Oriundos da cidade mineira de Poços de Caldas, o quarteto formado por Yuri Almeida (bateria), Júlio Cesar (guitarras), David Andrade(vocais) e Nathan Franco (baixo e imediato destaque isolado dentro do instrumental), mostra muita desenvoltura ao longo das nove composições, extrapolando a sistemática do Metal Extremo atual, fugindo da linearidade, mas sem comprometer a fidelidade ao peso e à virulência!

Confira a faixa “Nitimur in Vetitum”…

“Chernobyl”, por exemplo, um dos destaques imediatos dentre as composições, apresenta progressões melódicas hipnóticas e cíclicas na guitarra, num estética muito comum dentro dos primórdios do Black Metal, acompanhada pela bateria, mas que tem nas linhas de baixo sua parcela de brilhantismo e sagacidade dentro de um estilo que poderia ser, à priori, mais engessado (como acontecerá novamente em “Christian Aberration”) . E o Aberratio confirma que dá pra ser original sem se privar da pura virulência.

E neste sentido, para usar um trocadilho jurídico, podemos dizer que a banda praticou o aberratio ictus, um termo que, de forma bem simplista, se aplicaria no âmbito musical quando o infrator, desejando atingir um alvo, vem a atingir outro. Aqui, claramente, eles, tentando explorar as raízes do gênero, conseguiram, na verdade, subvertê-lo.

Confira a faixa “Headless Philosopher”… 

Mas esta subversão não seria, em nenhum momento, negativa. Muito pelo contrário! Pegue, por exemplo, “Headless Philosopher”, uma faixa que mescla o groove do Obituary com o tecnicismo do Death, em momentos diferentes, ou “Christian Aberration”, que descarna o Death Metal cadenciado, cru e tradicional, num sorumbático e ameaçador esqueleto musical, que evoluiu para um monstro de peso e velocidade ao longo de seus mórbidos quase oito minutos, enquanto “Satan Doom” se arrastará com riffs carnudos e pontuais momentos intensos.

E como a própria banda declara, o “Aberratio é uma banda de Death Metal brasileira que prioriza a tradição.” Sem dúvidas, eles conseguem dialogar com os pilares mais sólidos do gênero, mas a seu modo, num trabalho muito técnico e consistente, num ataque sonoro impiedoso, mas dinâmico e envolvente pela variação dos andamentos, como bem demonstram a sinuosa “Politics for Politicians”, e a variada “Alienation”.

Confira a faixa “Christian Aberration”… 

A tradição aqui vem na oposição à modernidade! Ou seja, não espere a bateria exalando Blast Beats, guitarras modernas, ou vocais com efeitos. Aqui tudo é bem feito, mas reproduzindo a “podreira” dos primórdios do Death Metal, todavia, não recusam a violência, muito menos as perversões musicais. Na verdade, usam-nas como pontos de partida. Confira toda a “lindeza” de “Shit Man”, ou a já citada “Assyrians”, e entenda do que estou falando, na prática).

Porém, o tradicionalismo se resume apenas à proposta estílica, pois a guitarra de sete cordas, com afinação baixa, e o baixo fretlless, como bem usado pelo grande Death, são impressões digitais de uma banda madura, e que procura seu diferencial dentro da cena, dialogando com suas nítidas influências de Asphyx, Death, Benediction, Dismember, Obituary, e Master, os mestres do Death Metal sujo, seja ele técnico, ou não.

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Oriundos da cidade mineira de Poços de Caldas, o quarteto Aberratio consegue extrair o conteúdo latente das obras tradicionais do mais puro Death Metal e usá-lo como ponto de partida para novas composições, dialogando com os pilares mais sólidos do gênero, mas a seu modo, num ataque sonoro impiedoso, técnico, versátil, e consistente, mas dinâmico e envolvente…

Só me resta parabenizá-los por conseguirem extrair o conteúdo latente das obras tradicionais do mais puro Death Metal (sem Melódico, Brutal, Técnico, ou o que o valha, acompanhando), e usá-lo como ponto de partida para novas composições, além, é claro, da coragem de já embarcarem num full lenght (em versão física destacável), sem nenhum registro prévio, numa época de magros (e digitais) EP’s e singles aos borbotões…

OBRIGATÓRIO!

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