ATUALIZANDO A DISCOTECA: Apple Sin, “Apple Sin” (2017)

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Apple Sin: “Apple Sin” (2017, Independente) NOTA:7,5

Fundada em 2012, no bucólico interior de Minas Gerais, a banda Apple Sin lançou um EP, intitulado “Fire Star”, e dois clipes, angariando certo reconhecimento entre os fãs de Heavy Metal Tradicional. Em 2017, por vias independentes, apresentam este seu primeiro full lenght, produzido pelo baterista Eduardo Rodrigues, lançado, também, em formato físico, que agrada pelo trabalho gráfico muito bem desenvolvido, com capa assinada por Philipe Belchior.

A belíssima introdução de sabor erudito te deixará curioso em saber o que se seguirá neste primeiro trabalho da banda Apple Sin, pelo bom gosto e musicalidade desfilado nestes dois minutos e meio iniciais.

Quando “Sea Of Sorrows”, segunda faixa, terminar, a curiosidade será substituída pelo prazer em ouvir um Heavy Metal cadenciado, de trejeitos tradicionais, sem saturados momentos melódicos, numa proposta que se constrói sobre guitarras tempestuosas e vertiginosas.

E com acentuado tempero britânico à lá Iron Maiden…

Na sequência, a veloz “Darkness of World” escancará ainda mais as influências de Iron Maiden, principalmente nos vocais de Patric Belchior, nas linhas de baixo de Raul Ganso, e nas guitarras dobradas em riffs “cavalgados”.

Esta faixa é certamente um dos destaques do trabalho, mas que serve também para evidenciar uma produção bem orgânica, permitindo escrutinar cada detalhe das composições. Todavia, esta produção poderia ser melhor trabalhada com o intuito de dar mais corpo e coesão às composições.

Confira o clipe da faixa “Apple Sin”… 

Fica a sensação de que o álbum como um todo poderia soar ainda mais energético e poderoso, principalmente quando prestamos maior atenção à bateria, responsável por alicerçar as harmonias. Mais ribombante, este instrumento daria mais impacto a faixas como “Apple Sin”, um Hard Rock de solo construído sobre arabescos endiabrados, e a já citada “Darkness of World”.

Além disso, mesmo com um trabalho de guitarras muito versátil, à cargo de Beto Carlos e Tainan Vilela, conseguindo traçar o tradicionalismo com um pouco de personalidade, é impossível não começar a se incomodar com o excesso do tal tempero britânico à lá Iron Maiden.

Mesmo em “Another Day”, que se destaca na primeira metade do álbum, com mais variação e peso, além de emergir com guitarras mais densas, o refrão encarna Bruce Dickinson de modo quase “mediúnico”.

Tudo bem, é fato que o vocalista Patric Belchior tem timbre muito parecido, e, obviamente, o vocalista inglês é sua maior influência. E se existisse alguma dúvida disso, a bela balada “Respect” as apagaria. E quero usar esta composição, recheada de arranjos bem concebidos e executados, bem como progressões harmônicas brilhantes, como exemplo para minha posição.

Neste ponto, aquele prazer inicial começa a ser minado pelo saturado fantasma do Iron Maiden que assombra as composições, sem espaço para exorcismos ao longo das linhas vocais e andamentos principais, nos fazendo perguntar onde realmente termina a iluminação da influência e começa a sombra do mimetismo inconsciente?

02 - Apple Sin

Fundada em 2012, no bucólico estado de Minas Gerais, a banda Apple Sin lança em 2017, por vias independentes, seu primeiro full lenght, auto-intitulado, que vai agradar em cheio os fãs de Iron Maiden… 

Indiscutivelmente, o talento está aqui, borbulhando num caldo de criatividade instrumental, engrossado por elementos da banda inglesa, mas que tem seu calor diminuído pela sobreposição da influência em detrimento da personalidade e da originalidade. A ascendência não é um mal quando a usamos como ponto partida para criar nossos próprios “monstros”.

E neste cenário o instrumental da banda Apple Sin é um alento! Mesmo com referência direta, conseguimos perceber que buscam, aqui e ali, evoluir por seus próprios modos.

Coloque uma faixa como “Fire Star” para tocar e perceba como o instrumental permeia a modernidade, enquanto dialoga com o passado, indo além da simples referência “maideniana”, mesmo nos vocais. Existe até mesmo uma “veia Tom Morello” no solo de guitarra ali pela altura dos cinco minutos de música.

Por fim, aos meus ouvidos, a sequência final, com a já citada “Fire Star”, além de “Black Hole”, “Roaches Blood” “Roadie Metal” (um hino aos desbravadores do underground metálico nacional) é onde está a melhor parcela da abordagem da banda.

Confira o álbum na íntegra… 

Estas são faixas fortes, com peso e intensidade controlados, e intercalados por evoluções harmônicas mais trabalhadas, trazendo a personalidade que falta em certos momentos, sem abdicar da influência (como bem mostra “Roadie Metal”).

Bem que esta seria uma direção que a banda poderia investir mais!

Este primeiro álbum se mostra um bom cartão de apresentação do Apple Sin, que cumpre a missão de expor a banda e gerar expectativa pelos próximos passos, mas como não coaduno com a ideia de que tudo que tangencie o Iron Maiden seja inquestionável (nem mesmo o próprio Iron Maiden), um pouco mais de identidade cairia bem no próximo ato.

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