ATUALIZANDO A DISCOTECA: Roadie Metal, vol 9

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Roadie Metal, vol 9 (2017)

A coletânea da Roadie Metal atingiu o status de “diário oficial” do underground  do Hard Rock/Heavy Metal brasileiro, gritando aos quatro ventos tupiniquins que o Rock, com suas diversas vertentes e pesos, esta vivo, ativo e em rotação máxima de produtividade. Seu nono, e mais recente, capítulo apresenta mais trinta e quatro nomes, através de trinta e quatro faixas, que oscilam pouco em termos de qualidade, mas percorrem os diversos estilos do Rock/Heavy Metal praticado no Brasil.

Abrindo muito bem a coletânea temos a banda Ruins of Elysium, também formada por integrantes de outros países, que investe numa ousada proposta sinfônica, mas se valendo de um tenor ao invés de uma soprano, e o resultado de “Serpentarius” é grandioso, e altamente requintado. Uma dose à mais de peso na produção deixaria tudo ainda mais vibrante e cativante, e com menos paladar pop, porém nada que tire a vontade de conferir o álbum, pois a melodia e as orquestrações realmente chamam a atenção. Banda promissora!

Confira a faixa “Serpentarius”, da banda Ruins of Elysiun… 

Agora, sem dúvidas, o destaque máximo vai para a faixa “The Rag Doll”, da banda mineira Pato Junkie. Além de demostrarem uma enorme evolução se compararmos com as composições de seu primeiro álbum, “Doido e Violento”, com fúria e melodia bem equalizadas, e produção longe da modernidade estéril, esta música evidencia que a banda encontrou sua alma dentro do Rock atual.

Também impressiona a ousadia do Stoneria, com “Latino Americano”, entoando versos engajados em meio a mudanças de andamentos que se valem de brasilidades musicais que podem soar estranhas aos ouvidos mais preconceituosos, com sonoridades interioranas e pinceladas de samba. Mas o resultado é acachapante, pois tudo está bem diluído no Rock orgânico, geometricamente progressivo, e cheio de personalidade do quarteto paulista.

Confira a faixa “Latino Americano”, da banda Stoneria… 

Seguindo as faixas, é impossível não destacar uma música como “Remorse, Effect of Traumas… Remains”, da banda Demons Inside, com peso na medida certa, inventividade sem fugir da proposta densa, estruturada sobre guitarras pesadas, e destreza na hora de construir uma faixa difícil de rotular, mas fácil de gostar pela mistura de sentimentos que ela transmite. Junto a esta, destaco o Stoner sabático e classudo do Stonex, em “Maggots (In My Brain)”, e o Rock N’ Roll versátil dos cariocas do Attivita Power Trio, na irresistível “Vestido de Seda”. 

E pra quem curte a classe do Hard Rock setentista, atrelado ao Blues, com vocais emocionais, guitarras bem trabalhadas e muito sentimento, conferir a faixa “Wainting For You”, da banda baiana Lo Han, é obrigatório! Deixo aqui meus aplausos aos artesãos das seis cordas que desfilaram tanto sentimentos em suas linhas. Uma banda que certamente seguirei de perto!

Confira o clipe da agressiva “Hatred”, da banda Heavenless… 

Assim como seguirei a banda Heavenless, que abre o segundo disco da coletânea com peso, agressividade e dissonâncias, investindo num extremismo metálico moderno e pronto para brigar dentro do mercado mundial, através da faixa “Hatred”. Numa proposta mais contrastante, entre peso controlado, groove e melodias grudentas, o profissionalismo da produção e envolvência dos arranjos de “Alive”, dos japoneses do Coast To Coast, é quase irresistível. Que faixa!

Seguindo pelos destaques principais, temos o post rock do trio de Avaré, Unknown Code of Existence, que mistura tendências, texturas e timbragens, numa vertiginosa e caleidoscópica viagem instrumental conduzida em “We Are Not Mere Aliens”. Piração instrumental que vai abrir sua mente junto à ótima, e mais tradicional aos moldes metálicos, “Only Ashes”, de Patrick Pedroso.

Confira a faixa “Alive”, da banda Coast To Coast..

Já em meados do segundo disco da coletânea, “The Serpent’s Eyes and the Horns of Crown”, dos pernambucanos da Elizabethan Walpurga, vai se sobressair ao desfilar um preciso e melódico exemplar de Black Metal, construído sobre os tradicionalismos do Heavy Metal, técnico e diferencial dentro do estilo. E técnica e diferencial são adjetivos que também se aplicam ao Viletale, mas agora pelas vias do Death/Horror Metal, com riffs viscosos e vocais sepulcrais em “Vile”.

Ainda merecem menção honrosa, a fúria do amálgama Heavy/Thrash/Stoner, com pegada alemã, do Older Jack;  a densidade melancólica, gótica e bem trabalhada da banda The Phantons of the Midinight; a atitude e o groove do Concept of Hate; o sombrio, cadenciado e sepulcral Heavy/Thrash dos gaúchos do Vultures; o Death N’ Roll do Sagrav; e o Horror Punk, à lá Misfits, do Rinits Horror Show.

Confira o clipe da ótima “Remorse, Effect of Traumas… Remains”, da banda Demons Inside… 

E não existem pontos negativos? Bom, num número tão grande de artistas, gêneros, e produções distintas, o resultado é, obviamente, heterogêneo, sendo realmente difícil que tudo agrade aos ouvidos. Mesmo assim, é necessário parabenizar todos os nomes envolvidos na coletânea, pelo trabalho e dedicação ao Rock/Metal num país como o nosso. As críticas subsequentes são apenas reflexo da diferença de evolução de cada nome apresentado na coletânea.

Isso posto, “Forsaken Land”, da banda Lasting Maze, tem um ótimo instrumental, com melancolia bem regrada e passagens bem sacadas, mas o vocal põe tudo a perder; mesmo problema de “Viemos Pra Ficar”, da banda Cálida, que investe naquele estilo “melódico-angustiante-melancólico” moderno, com vocais empostados e forçados, que só soam exagerados.

Ainda poderia citar dentre os problemas, a crueza oitentista da faixa “The Arsonist”, da banda Indominus, cuja produção precisa ser melhor trabalhada, pois têm uma excelente composição em mãos, que foi minada por este quesito. Também não sei se entendi a proposta crítica e sarcástica, à lá Velhas Virgens, da banda In the Sent, com sua duvidosa “Dar o Culto da Manhã”. Até para ser sarcástico/irreverente precisa de maturidade nos trocadilhos.

Confira o clipe de “The Rag Doll”, da banda Pato Junkie… 

Voltando aos pontos positivos, a coletânea reflete uma tendência forte das bandas em cantarem em nossa língua natal, o que rende bons contra-exemplos à máxima de que Rock pesado tem que ser cantado em inglês, como nas faixas “Efeito Moral” (ótimas melodias advindas da simplicidade bem manuseada), da banda pernambucana Marco Zero,  “Tudo Veio da Lama”, do quarteto mineiro Ozome, “Natural”, um ótimo stoner com toques alternativos do trio Lexuza, e até mesmo na podreira espalhada por “Maldito”, faixa da banda mineira Visceral.

E, como nem tudo são flores, embora muito bem produzida, “Guerras Atuais”, da banda Pátria Refúgio, causou uma sensação paradoxal. O instrumental é de cair o queixo, altamente técnico e com passagens muito bem desenvolvidas. Todavia, carece de uma lapidação melhor nos versos, pois o Power Metal Melódico, mesmo que bem trabalhado, quando cantado em português é um terreno movediço e perigoso, pois pode cair na caricatura de abertura de animê.

No fim, após um percurso de mais de de duas horas de Rock/Metal brasileiro, é revigorante ter em mãos um registro como este, um retrato de uma cena atual multifacetada, e de alta qualidade. São trinta e quatro bandas novas, embaladas num inteligente e bem feito projeto gráfico, para que você pare de falar que o Rock/Metal nacional está em ponto morto!

Confira a coletânea na íntegra…

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4 comentários Adicione o seu

  1. Mark Hazz disse:

    Magotts (In my brain): Stonex.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigado pela correção… Acabamos de editar. Abraços…

      Curtir

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