HQ: “Derrotista”, de Joe Sacco

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Joe Sacco: “Derrotista” (2006, Conrad Editora)

Pouco lembrado dentre os fãs de quadrinhos, Joe Sacco se tornou sinônimo de jornalismo dentro da nona arte por trabalhos memoráveis como “Palestina – Uma Nação Ocupada” “Área de Segurança Gorazde – A Guerra da Bósnia Oriental 1992 – 1995”, ambas altamente premiadas e baluartes do gênero. Seguindo os padrões dos quadrinhos underground e bebendo na fonte de nomes como Robert Crumb, sua arte é única, artesanal e brilhante, sendo “Derrotista” uma ótima introdução ao estilo do artista, por conter diversas facetas de seu trabalho, num material recheado de humor ácido, sarcasmo e passagens autobiográficas impagáveis. Todavia, o que destaca neste trabalho são os personagens alegóricos, até mais do que o exercício do auto-sarcasmo, principalmente em símbolos com o comunista Arnold Casagrande, o “revoltado” Zacarias Cérebro-de-Minhoca, o “revolucionário” Mark Massa-de-Manobra, e o afetado artista Alessio Arrasacavalete, onde Sacco consegue elevar a um patamar mais maduro e crítico o tipo de humor comumente associado à histórica revista Mad (sua arte também remete a nomes como Sergio Aranonés, Peter Kuper e Don Martin), logicamente mais tangenciado às suas convicções políticas e relações interpessoais, explorando cinicamente tanto os conceitos que aprova quanto zombando dos que desaprova, além de inserir, ao longo de toda a coletânea, múltiplas referências à cultura pop. É impressionante como ele consegue criar personagens alegóricos tão atemporais, divididos entre a comicidade da paródia e a tristeza da plausibilidade. Por fim, é impossível não exaltar a habilidade de Sacco como quadrinista, seja no quesito artístico, afinal seu trabalho é eloquente mesmo em tons monocromáticos, e na foma como explora as divisões de suas páginas (como bem evidenciam as psicodélicas e caleidoscópicas diagramações da autobiográfica quarta parte do volume) ou nos ângulos que considera em cada quadrinho. Além disso, é importante ressaltar que Sacco abusa dos textos, mas de modo natural e necessário! Não deixe de conferir o trabalho deste gênio dos quadrinho…

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Joe Sacco é natural de Malta, mas vive em Nova Iorque, onde ganha a vida como quadrinista e jornalista. Sacco fez o bacharelato em Jornalismo na Universidade de Oregon, em 1981; no final de 1991 e início de 1992, passa dois meses em Israel e nos territórios ocupados, viajando e fazendo anotações. Quando finalmente regressa a Portland, em 1992, pretende divulgar o que tinha testemunhado e ouvido durante a sua aventura no Médio-Oriente, combinando as técnicas da reportagem in loco com a narrativa das histórias em quadrinhos, para explorar aquela pesada situação emocional. O resultado foi Palestina, Uma Nação Ocupada, publicado em Janeiro de 1993 nos Estados Unidos (publicado no Brasil em 2000, pela Conrad). FONTE: Editora Conrad

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